Judô, ballet, idiomas, natação, violão... São tantas as atividades extracurriculares, que os pais muitas vezes sentem-se até um pouco perdidos.
Ter uma ocupação fora da sala de aula é importantíssimo para o desenvolvimento da criança - tanto social, intelectual quanto físico. Mas, até que ponto devemos encher a agenda dos nossos filhos?
De acordo com Juliana Lima Medeiros, psicóloga e uma das autoras do blog Psicologia e Terapia de Família (http://psicoterapiadefamilia.blogspot.com), atividades com formatos semelhantes ao da educação formal, como um curso de idiomas, devem ser limitados no tempo justamente para não sobrecarregar a criança. "Não se deve atribuir responsabilidades excessivas às crianças. Tal responsabilização deve ser gradual e progressiva, respeitando os limites de cada criança", completa a especialista.
Juliana ainda afirma que não existe uma regra quanto à idade de iniciar atividades extracurriculares. Por outro lado, a psicóloga afirma que é preciso lembrar que quanto menor a criança, mais necessidade de tempo para brincar e dormir ela tem. "Para que as atividades extracurriculares não se tornem uma sobrecarga à criança, elas precisam ser de seu gosto, muitas vezes até com caráter lúdico. A brincadeira livre (individual e coletiva, principalmente) também tem uma participação muito positiva no desenvolvimento", completa.
Nos dias de hoje, muitos pais trabalham fora o dia todo. Por isso, as escolas já oferecem as atividades extracurriculares para as crianças, o que pode ser uma ótima opção. Junior Costola, de 32 anos, pai de Brian, de 4 anos, sabe de cor e salteado os horários das atividades do filho, que fica na escola das 8h às 19h. "Ele faz música às quartas, natação às terças e quintas, tem lanche da tarde às 17h30 e até às 19h tem tempo livre para brincar", relata o pai coruja.
E como um bom pai coruja, Junior Costola dá uma dica para os pais: "é importante periodicamente assistir suas atividades para ver o desempenho, evolução, parabenizá-lo e motivá-lo", finaliza.
A educação dos filhos é um desafio para os pais. Não existe uma cartilha, uma fórmula que ensine, passo a passo, a educar as crianças. Por outro lado, muitos especialistas se debruçam no tema para auxiliar os pais a encontrarem métodos eficazes para um crescimento saudável dos filhos.
Uma das primeiras dúvidas que surgem na cabeça dos pais em relação à educação é a relação disciplina x autoestima. Como impor limites à criança sem fazer com que ela perca a autoconfiança?
Juliana Lima Medeiros, psicóloga e uma das autoras do blog Psicologia e Terapia de Família (http://psicoterapiadefamilia.blogspot.com/), diz que "a questão dos limites deve ser um processo presente desde o início da vida, o que o torna natural no desenvolvimento da criança", completa. Ainda segundo a psicóloga, impor limites à criança pode, inclusive, beneficiar a autoestima dela.
Lidar com birras e ânimos exaltados dos filhos nem sempre é fácil e exige uma boa dose de paciência. Neste caso, qual seria a melhor técnica? Para Juliana Medeiros, a mãe deve conversar sempre. "O importante é deixar sempre o limite bem claro explicando o porquê do seu filho não poder aquilo que ele pede. Essa explicação precisa ser em uma linguagem adequada à compreensão da criança", explica.
Essa mesma técnica é aplicada pela jornalista Sabrina Sandoval, de 26 anos, mãe de Yasmim, de 3 anos. Ela diz que, antes de tudo, é importante valorizar os motivos que levam a criança a fazer teimosias. "Mas, muitas vezes, a criança faz birra sem ter motivos. Aí o jeito é conversar e fazer com que ela reflita o porquê de estar chorando. Ela mesma vai parar e pensar que não existe motivo para a birra", diz Sabrina.
Flávia Penido, mãe e blogueira da Roda Bebedubem (http://bebedubem.blogspot.com/2008/11/bater-feio.html), também defende que a conversa nas horas mais agitadas é o melhor remédio. "Que tal substituir tudo isso pela escuta ativa da criança? Ensinar caminhos aceitáveis de expressar seus sentimentos hostis sem ações hostis. Não é bem melhor que aprender a reprimi-los cada vez que aparecem?", relata Flávia em seu blog.
Mas, atenção! Como diz Flávia Penido, "não bater, não significa fazer tudo o que os filhos querem". Os pais devem impor limites à criança, sim, afinal, "o limite é necessário ao seu desenvolvimento", diz a psicóloga Juliana Madeiros.
Uma dica bem interessante aos pais é o Blog da Paternidade. Nele, o autor Aurélio Galvão postou um texto bem legal intitulado "Manual de instruções para os filhos?" e abriu espaço para discussão sobre os limites que devem ser impostos ao filho e como fazê-lo. http://aureliogalvao.jor.br/blog/2009/06/manual-de-instrucoes-para-os-filhos/
A questão é velha, mas continua gerando dúvidas nos pais: afinal, como controlar a TV para a garotada? Ela pode prejudicar o desenvolvimento e o aprendizado da criança?
Uma coisa é certa: a TV, assim como a internet, faz parte de nosso dia a dia. é utopia achar que a tecnologia não vai fazer parte da vida dos nossos filhos. Aqui, mais uma vez, a palavrinha mágica é "limite". São os pais que devem impor limites aos filhos - desde programas que podem ser vistos, até horário e tempo.
"Hoje em dia, não podemos deixar de incluir esses recursos nos processos educativos, pois são parte de nossa realidade comunicativa", afirma Juliana Lima Medeiros, psicóloga e autora do blog Psicologia e Terapia de Família (http://psicoterapiadefamilia.blogspot.com/). "O que pode atrapalhar o aprendizado é o uso excessivo desses eletrônicos, ocupando todo o tempo da criança. Ao invés de vermos a TV e o computador como inimigos da educação, devemos aproveitar esses recursos para promover as potencialidades dos pequenos", completa a especialista.
Uma dica é impor algumas regrinhas em casa, como estabelecer um limite de, no máximo, 2 horas por dia para ver TV. Lembre-se de escolher o programa junto com o filho e não deixá-lo com o controle remoto na mão. Conversa e negociação nessas horas são atitudes bem importantes.
Sabrina Sandoval, jornalista e mãe de Yasmim, de 3 anos, afirma que a filha ainda é muito nova e, por isso, é mais fácil de controlar suas vontades em relação à TV. Mas, mesmo assim, a jornalista já ensina a criança - na base da conversa - que deve respeitar alguns limites. "Ela gosta muito de assistir filmes em DVD. Então combinamos com ela, por exemplo, que ela assistirá apenas a um filme. Muitas vezes ela faz birra, mas ela sempre entende que aquele foi o combinado", conta.
Outro ponto importante é cuidar para que o seu filhote assista somente a programas do universo infantil. Ceila Santos, autora do blog Desabafo de Mãe (http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/2009/08/e-esse-tal-dos-limites-quando-e-como.html), sabe bem da influência que a TV pode exercer sobre o comportamento da filha Malu: "...a tela pode estar ligada e quando o controle ganha cena, a Malu já sabe até o nome da Maya. Isso não é o problema, o dolorido mesmo é ver que a minha filha, com 5 anos, já fala dos beijões que a Maya dá no Raj ou no Márcio Garcia", relata a mãe sobre a novela Caminho das índias, exibida pela Rede Globo. Ceila Santos aproveita a experiência e convida os internautas a participarem da discussão: "Você deixa seu filho ver novela?". "Pergunto isso porque o que mais considero desafiante é o limite da TV", afirma em seu blog.
E é esse mesmo limite que deve ser imposto na hora de deixar o filho navegar na Internet. Estabelecer um horário certo para a criança e, principalmente, os sites que ela pode visitar, devem fazer parte do controle dos pais.
Em geral, crianças menores de 10 anos não devem navegar sozinhas. é importante a presença e a participação dos pais para mostrar-lhes o que é certo e o que é errado. Mantenha o computador em um ambiente de uso comum, como a sala. Para manter a segurança dos filhos, os pais podem instalar filtros de conteúdo que barram o acesso a sites impróprios. Mais tarde, entre 7 e 8 anos, os filhos devem ser estimulados a visitarem apenas os sites aprovados pelos pais. O site Navegue Protegido (http://www.navegueprotegido.com.br/filhos_pequenos_internautas.asp) lista algumas dicas de segurança online, como ensinar aos pequenos a diferença do que é bom e ruim na internet, comparando com situações do mundo real.
Assim como é saudável os pais estabelecerem uma rotina para os filhos, como horário para almoçar, para brincar, para ver TV e para dormir, é de extrema importância incluir na agenda da criança o horário para fazer as tarefas escolares.
Estudo realizado pelo Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa) relaciona diretamente fatores familiares (como a educação dos pais) ao desempenho escolar. O que vai contra o senso comum de que a qualidade do ensino está relacionada aos recursos escolares, como razão aluno-professor e salário do professor.
Além disso, o estudo aponta que medidas como incentivar o filho a fazer a lição de casa e comparecer às reuniões de pais também interferem diretamente no desempenho escolar dos estudantes.
Juliana Lima Medeiros, psicóloga e uma das autoras do blog Psicologia e Terapia de Família (http://psicoterapiadefamilia.blogspot.com), afirma que o acompanhamento da vida escolar dos filhos é uma tarefa fundamental na educação familiar.
Quando os deveres de casa começam a surgir, a criança ainda nem sabe que deve fazer a lição. E é aí que a rotina precisa começar a se estabelecer. Junior Costola, 32 anos, pai de Brian, de 4 anos, conta que nunca deixa o filho sozinho enquanto ele faz a lição de casa, mas acompanha de longe. "Nunca coloco a mão no que ele está fazendo. Eu alerto, por exemplo, que não pode recortar a figura ou colocar muita cola. Então, mesmo que ele faça errado - pinte o desenho fora do contorno, por exemplo - é assim que vai a lição", diz.
E é exatamente isso que os pais devem fazer: eles não devem nunca fazer a tarefa para os filhos, pois assim, vão interromper o processo de aprendizado. "é importante destacar que ajudar não significa fazer a tarefa pelo filho, mas orientá-lo na realização da atividade. Deve-se acompanhar, supervisionar, sanar dúvidas e proporcionar recursos para a realização de pesquisas", explica Juliana.
Lembrando, também, que o acompanhamento no aprendizado dos filhos não deve acontecer só dentro de casa. Estar presente e participar das famosas reuniões de pais e professores é essencial na vida escolar da criança. "é necessária a participação da família no contexto escolar do filho, mantendo o contato com o professor e com os conteúdos trabalhados", finaliza a psicóloga.