Conheça o Universo do Pé
Calcanhar rachado: como fechar as fissuras antes do inverno
Há quem pense que o inverno seja a solução para o calcanhar rachado, já que as sandálias voltam para o armário e os calçados mais fechados, como tênis e botas, escondem as rachaduras. Mas a verdade é que o frio piora a situação: a pele fica mais ressecada, perde a elasticidade e abre pequenas fissuras, que podem doer e sangrar. Segundo a podóloga Simone Bonani, o problema começa de forma silenciosa, conforme a estação vai mudando. Ocorrem o ressecamento e o espessamento da pele na região dos pés, especialmente nos calcanhares, que sofrem maior pressão no dia a dia. “Os ‘rachados’ surgem a partir da área ressecada, enquanto as fissuras são um estágio mais avançado. É quando a pele se rompe e forma pequenas aberturas, aumentando o risco até mesmo de sangramento e infecções”, alerta a profissional. Por que o frio piora Além das quedas na temperatura, o inverno brasileiro é marcado pelo ar mais seco. Essa combinação climática torna o cenário perfeito para a pele perder sua hidratação natural e ceder lugar para as rachaduras. Mas a culpa não é só do frio. Outros fatores aumentam o risco ou agravam o quadro ao longo do tempo: pele extremamente ressecada; uso frequente de calçados abertos; longos períodos em pé; sobrepeso; falta de hidratação; doenças como diabetes. Nesse contexto, o calcanhar passa a sofrer não só com o ressecamento, mas também com a pressão constante, o que favorece o surgimento de cortes mais profundos. Quando o ressecamento vira alerta É bom lembrar que nem todo ressecamento exige intervenção imediata. Ainda assim, é importante saber identificar quando o quadro evolui para algo mais sério. Para se ter uma ideia, em estágios iniciais, a pele tende a ficar apenas áspera e esbranquiçada. Por outro lado, quando surgem fissuras profundas, os sinais mudam. Atente-se quando identificar: dor ao caminhar; presença de cortes visíveis; sangramento; desconforto constante. Como tratar e evitar piora A podóloga Simone Bonani compartilha formas eficientes de fechar as fissuras antes do frio chegar. Com constância, adote essas medidas: hidratação diária; uso de meias para potencializar os cremes; uso de calçados adequados; tomar banhos mornos; não andar descalço; não lixar os pés em casa. “Ureia, ácido salicílico e lactato de amônio são bons ativos para investir, com prescrição, porque promovem hidratação e renovação da pele. Em casos leves, a melhora pode aparecer em poucos dias”, afirma a profissional. Para os quadros mais avançados, são necessárias algumas semanas de cuidados contínuos, além da avaliação e orientação de um especialista, sobretudo para a recomendação de produtos seguros.
Palmilhas ajudam a prevenir canelite? Saiba como funcionam
A canelite, também conhecida no meio médico como síndrome do estresse tibial medial, é uma dor que aparece na parte frontal ou interna da canela. O problema surge quando os ossos, músculos e tendões desta região são sobrecarregados de forma repetitiva, especialmente durante atividades físicas. Palmilhas podem ser opções para ajudar no problema. A canelite pode ser causada por fatores como aumento rápido na intensidade dos treinos, calçados inadequados ou impacto constante em superfícies muito duras. “O quadro é um alerta do corpo sobre excesso de demanda. É importante não ignorar esse sinal para evitar complicações mais graves”, destaca o ortopedista Luiz Holanda, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – Regional Ceará (SBOT-CE), e especialista da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé (ABTPé). Quem tem mais riscos Embora qualquer pessoa possa desenvolver a condição, alguns grupos têm maior predisposição à canelite. O médico Luiz Holanda observa que isso acontece porque certos esportes ou rotinas exigem mais das pernas e aumentam o impacto sobre a canela. Alguns grupos mais afetados são: Corredores, principalmente iniciantes ou aqueles que aumentam o volume de treino rapidamente; Militares, devido ao ritmo intenso de atividades; Dançarinos e praticantes de esportes com saltos frequentes, como basquete e vôlei. Sendo assim, indivíduos com sobrecarga repetitiva podem experimentar a dor, especialmente quando há distribuição inadequada de forças durante os movimentos. Palmilhas atuam na prevenção As palmilhas são ferramentas que ajudam a melhorar a distribuição da carga e a adaptação da pisada, tornando os movimentos mais equilibrados. Também oferecem amortecimento adicional, diminuindo o impacto nas articulações. “Mas nem todos os pacientes com canelite precisam usar palmilhas. A indicação é mais precisa para pessoas com alterações nos pés, como pés planos ou cavos, que contribuem para o surgimento da dor”, explica Luiz. É importante saber que existem diversos modelos de palmilhas no mercado. Justamente por isso, a escolha depende do grau da alteração nos pés e deve ser feita sempre com orientação médica. As mais utilizadas são: Genéricas ou pré-moldadas: encontradas em lojas, oferecem alívio leve e conforto básico. Pré-fabricadas específicas: voltadas para corrigir problemas comuns, como pés planos. Ortopédicas personalizadas: feitas sob medida, a partir de um molde do pé, levando em conta características únicas de cada paciente. O ortopedista reforça que apenas uma avaliação profissional pode indicar o tipo mais adequado e, se necessário, encaminhar o paciente a um especialista em confecção de palmilhas. Afinal, utilizar um modelo sem indicação não trará benefícios ao paciente. Outras formas de prevenção O uso de palmilhas não deve ser visto como a única solução. De acordo com o especialista, a prevenção da canelite exige, na verdade, um conjunto de medidas, que inclui: Aumentar a intensidade dos treinos gradualmente em, no máximo, 10% por semana; Trocar os calçados regularmente e escolher modelos adequados para a atividade; Fortalecer e alongar coxas, panturrilhas, tornozelos e pés; Garantir repouso adequado e controlar o peso corporal; Variar as superfícies de treino para reduzir o impacto repetitivo; Avaliar a técnica de corrida, especialmente para corredores frequentes. Embora qualquer pessoa possa sofrer com a canelite, incorporar esses hábitos no dia a dia é um bom caminho para tentar prevenir as dores dessa condição. Quando procurar atendimento médico A dor na canela deve ser avaliada especificamente por um ortopedista, caso não melhore com repouso e cuidados básicos em uma ou duas semanas, ou piore com o tempo, limitando até simples atividades diárias. Além disso, há outros sinais de alerta que podem ser observados, como: Inchaço, vermelhidão ou calor local; Formigamento, dormência ou fraqueza no pé; Dor muito localizada que piora ao toque, sugerindo fratura por estresse. Se notar um ou mais desses sintomas, a orientação é buscar essa especialidade médica para obter um diagnóstico correto e iniciar o tratamento adequado o mais rápido possível. Tratamento e recuperação Luiz Holanda lembra que o tratamento é, na maioria das vezes, conservador, ou seja, com repouso, gelo, fisioterapia para fortalecimento e alongamento e também com uso de palmilhas, quando indicado. “Ouça seu corpo e não insista em treinar com dor”, frisa. A cirurgia, por sua vez, só é indicada em casos extremamente raros. “O acompanhamento médico e fisioterapêutico é fundamental para uma recuperação eficaz e para evitar que a canelite se torne um problema crônico”, finaliza o especialista.
Distonia é o mesmo que hiperidrose?
Quem sua demais no pé tem hiperidrose ou distonia? Os termos médicos às vezes confundem as pessoas. Saiba qual é a diferença entre essas duas condições. Sabe quando o pé, a mão e as axilas suam demais, mesmo em momentos em que não deveríamos estar transpirando? Tem gente que chama essa condição de distonia, mas isso não está certo. O nome correto é hiperidrose —e vamos explicar aqui a diferença. Para começar, a composição das próprias palavras já diz a que elas vêm. Hiperidrose começa com “hiper”, um prefixo usado quando queremos falar de algo que é excessivo, explica Rosangela Schwarz, enfermeira habilitada em Podiatria e membro da diretoria da Associação Brasileira de Enfermeiros Podiatras (ABENPO). “O prefixo ‘dis’ traz a ideia contrária, de falta, de separação. Por isso não poderia ser usado em uma palavra que se refere a transpirar demais. Além disso, o tônus está relacionado à musculatura, não ao suor.” O que é hiperidrose? A hiperidrose é uma condição onde a transpiração vai além do que você precisa, a ponto de o suor pingar da mão, do pé ou das axilas, por exemplo. Normalmente, suar é uma maneira de manter a temperatura do corpo aliviando o aquecimento interno (quando fazemos exercícios ou temos febre). Só que as pessoas que têm hiperidrose suam em excesso o tempo todo, até quando estão em repouso. É como se as glândulas sudoríparas não parassem nunca de trabalhar. “A hiperidrose tem várias causas. Pode ser hereditária e estar presente em vários membros de uma família ou pode estar relacionada a alguma doença, ao uso de alguns medicamentos”, explica Armando Bega, podólogo responsável pelo Instituto Científico de Podologia, presidente da Associação Brasileira de Podólogos e especialista em Podiatria. Diabetes, problemas de tireoide, ondas de calor na menopausa e alguns tipos de câncer podem causar hiperidrose. Medicamentos como analgésicos e antidepressivos também. Tipos de hiperidrose: Hiperidrose primária ou focal: acontece sem uma causa aparente e afeta áreas específicas, como mãos, pés, axilas ou rosto. Geralmente costuma começar na infância ou adolescência e está ligada a fatores genéticos. Hiperidrose secundária ou generalizada: é causada por algum problema de saúde, como diabetes, infecções, menopausa ou uso de medicamentos. Ela afeta o corpo todo e pode surgir em qualquer fase da vida. E a distonia, o que é? A distonia, por sua vez, é um distúrbio neurológico que afeta os movimentos (e não a transpiração). As pessoas que têm distonia apresentam espasmos e contrações musculares involuntárias. Isso faz com que elas apresentem uma hiperatividade muscular que causa movimentos de torção, posições corporais anormais e, em alguns casos, tremores. Essa condição pode ser causada por medicamentos, pela doença de Parkinson, por um acidente vascular cerebral (ou AVC) ou por lesão cerebral. O que eu faço se tenho hiperidrose no pé? Quem transpira em excesso nos pés pode adotar alguns cuidados para evitar incômodos no dia a dia. “A pessoa que tem hiperidrose localizada nos pés pode usar meias de algodão, evitar calçados feitos de materiais sintéticos e optar pelos feitos com tecidos que absorvam a transpiração”, explica Bega. Além disso, ele recomenda usar o desodorante para os pés. “Mesmo que essa pessoa sue bastante, o antisséptico presente no desodorante impede que as bactérias que causam o mau odor, que gostam de ambientes úmidos e quentes, se multipliquem”, completa o podólogo. Mas, se mesmo com esses cuidados a transpiração excessiva continuar incomodando ou impedindo as atividades cotidianas, será preciso buscar orientação médica. “Nos casos mais graves de hiperidrose é preciso fazer um tratamento cirúrgico, a simpatectomia, que é a remoção do nervo simpático. Isso porque o sistema nervoso simpático está relacionado ao aumento de agilidade nas reações, como suar”, diz Bega.
Conheça o Universo Infantil
O dia a dia da escola visto pelas crianças: entenda como é
Para compreender o que acontece na escola, muitas vezes é preciso tentar enxergar a rotina pela perspectiva da própria criança. Quando os pais fazem esse exercício, conseguem perceber emoções, desafios e pequenas conquistas que ajudam a entender melhor como o dia escolar é vivido. A professora de Educação Infantil Brenda Azevedo, especialista em Neuroeducação, explica que compreender a escola a partir do olhar do pequeno ajuda os pais e cuidadores a reconhecer sentimentos e vivências que, muitas vezes, acabam passando despercebidos pelos adultos. “A experiência escolar não é vivida com o olhar adulto, mas com o corpo e as emoções da criança. Se tentarmos compreender essa perspectiva, conseguimos validar sensações, medos e descobertas que, para nós, podem parecer pequenos, mas para ela são enormes”, observa a educadora. Tudo muda na infância em grupo Ao sair de casa e passar parte do dia em um ambiente coletivo, a criança entra em um espaço onde precisa dividir atenção, brinquedos, tempo e até o próprio ambiente. Esse novo contexto exige habilidades novas, como espera, escuta e convivência, o que representa um importante exercício emocional e social. Com isso, alguns momentos da rotina acabam sendo especialmente marcantes para ela, ainda que passem despercebidos pelos adultos, como: a despedida na porta da escola; o momento da alimentação; o horário do sono; o tom de voz da professora; quem se senta ao lado na roda ou na mesa. Brenda ainda lembra que, para crianças pequenas, a previsibilidade da rotina tem papel fundamental nesse processo. Quando sabem o que vai acontecer ao longo do dia, elas se sentem mais seguras e conseguem compreender melhor o ambiente escolar. Pequenos acontecimentos Esses detalhes aparentemente simples ajudam a organizar emocionalmente a experiência na infância. Quem pegou o brinquedo que ela queria, o livro escolhido para a leitura ou até o abraço de despedida de um colega pode ter grande significado. Além disso, a professora infantil Brenda Azevedo destaca que, muitas vezes, o momento preferido de uma criança nem sempre é o que a família imagina. Enquanto alguns gostam de brincar no parque, outros podem se sentir especiais ao participar como ajudantes do dia ou ao ouvir a leitura de uma história. “Se a criança se sente segura com o adulto de referência, ela consegue elaborar melhor a separação e as frustrações. Muitas vezes, essas emoções aparecem no corpo, com choro, mais agitação ou silêncio”, diz a especialista. E se não tiver choro? Nesses casos, nem sempre indica uma adaptação tranquila. Pode ser também uma inibição e, nesse contexto, o apoio parental é essencial para nomear os sentimentos. Como se aproximar desse universo Em casa, a forma como os familiares conversam sobre a escola pode ajudar o pequenino a compartilhar mais sobre o que viveu. Em vez de perguntas diretas que soam como interrogatório, comentários afetuosos costumam abrir espaço para que fale no próprio tempo. Quando a resposta vem apenas como “foi legal” ou “não sei”, isso também pode indicar cansaço ou dificuldade de organizar a experiência em palavras. Algumas estratégias simples podem ajudar nesse diálogo: comentar que pensou nela durante o dia; imaginar situações da rotina escolar; perguntar sobre as brincadeiras ou colegas; valorizar pequenas conquistas; criar rituais, como um abraço de despedida ou frases repetidas; ter um momento de acolhimento ao voltar da aula. Alterações no sono, no apetite ou nas brincadeiras podem revelar como a experiência escolar está sendo vivida pela criança. “Muitas vezes, durante o brincar em casa, a criança reproduz situações vividas na escola. Observar esses sinais ajuda a compreender como o dia foi elaborado internamente”, orienta Brenda.
Filha cacheada quer o cabelo liso das princesas: o que faço?
Na infância, querer se parecer com uma princesa não soa como algo problemático até entender o contexto de cada criança. Quando meninas cacheadas ou crespas pedem por um cabelo liso “como o das princesas”, a situação não é tão simples assim. Questões como comparação e identidade são postas à mesa - e isso pode ser um pedido de ajuda por pertencimento e aceitação. A jornalista Caroline Ferreira é mãe de uma menina de 5 anos e viveu essa experiência de forma intensa. “Nem todo o estudo da negritude me preparou para o momento em que a minha filha queria ser branca, ter traços de branco e ser reconhecida como branca”, relata. O episódio foi no Carnaval, quando a filha escolheu a fantasia da Cinderela e ficou triste porque o cabelo natural dela “não combinava” com o da personagem. Mesmo sendo estudiosa dos movimentos negros e ancestrais, a mãe Carol lembra que a dor foi o sentimento que a invadiu, como se fosse um soco no estômago. Impactada, ela se viu em um duelo entre a mulher preta empoderada que sempre buscou ser e a mãe que só desejava ver a filha feliz. A saída foi uma só: intensificar as conversas, referências e os cuidados. O processo dessa construção de identidade, porém, não é nada simples. De onde nasce esse desejo? Segundo a neuropsicóloga infantil Aline Graffiette, da Mental One, as crianças constroem as próprias noções de beleza a partir das referências com as quais se deparam repetidamente. Vale lembrar que, há muito tempo, quase todas as princesas e heroínas são representadas com cabelo liso e longo. Quando uma menina observa tais personagens, associa esse modelo padrão à ideia de beleza, aceitação e pertencimento. O repertório familiar também conta. “O que tem sido apreciado e valorizado dentro de casa, quais atitudes e pessoas (ou personagens) os pais elogiam, o que é valoroso para aquela família. A criança assiste esse movimento”, pontua a neuropsicóloga. Isso porque, desde a infância, a sociedade costuma passar mensagens implícitas sobre aparência, sobretudo para as meninas. Comentários, elogios, brinquedos e histórias reforçam que o valor feminino está ligado ao visual. Para a terapia comportamental, essas experiências ajudam a construir crenças centrais como “para ser bonita preciso me parecer com isso”. O impacto emocional da rejeição Sentir-se longe do que é um padrão pode levar à própria rejeição. Assim, quando a criança repele a textura de seu cabelo, por exemplo, isso pode indicar o início de uma desconexão com a própria identidade. Como resultado, surgem sentimentos de inadequação, frustração e diminuição da autoestima. “A imagem corporal começa a se formar cedo. Se ela aprende que algo que faz parte dela “não é bonito”, isso pode se transformar em pensamentos automáticos negativos sobre si mesma, limitando o que acredita ser capaz de fazer ou ser”, avalia Aline Graffiette. Por isso, o desejo pelo cabelo liso não deve ser tratado como rebeldia ou vaidade excessiva, mas como um pedido por pertencimento e aceitação. Quando adultos oferecem escuta e acolhimento, ajudam a criança a elaborar esse sentimento sem se transformar em culpa ou conflito. Como conversar sem invalidar A neuropsicóloga infantil orienta que o primeiro passo é acolher o desejo, sem julgamentos. Frases como “entendo que você ache bonito” fazem a criança se sentir ouvida. A partir daí, é possível ampliar a conversa e mostrar outras visões. O fortalecimento da autoestima acontece quando o adulto: Valida a emoção da criança; Oferece novas perspectivas; Reforça o valor da criança para além da aparência. Além disso, pode ser um momento adequado para buscar apoio externo. Psicoterapia, conversas na escola, rodas de diálogo e atividades que ampliem o repertório ajudam a ter contato com diferentes olhares e percepções. Representatividade e identidade A representatividade é fundamental nesse processo. “Quando a criança se vê refletida em livros, desenhos, bonecas e referências reais, aprende que pode ser bonita, forte e valorizada sendo quem é”, observa a especialista. Entre estratégias úteis, os pais podem: Valorizar os cachos com linguagem positiva no dia a dia; Evitar comparações ou comentários negativos; Transformar o cuidado com os fios em um momento prazeroso de autocuidado; Buscar desenhos, personagens e conteúdos que representem diferentes texturas de cabelo; Ampliar referências dentro da própria família e comunidade. Caroline Ferreira coloca essa lista em prática com a filha e busca mostrar à menina que o superpoder da mulher está na individualidade - e que o cabelo é uma peça-chave nisso. “Quero que ela tenha referências pretas de beleza. Quero que ela se sinta vista, respeitada e amada, independentemente de como estiver o cabelo dela”, pontua.
Trocar a fralda virou uma batalha? Saiba como agir
Basta chegar a hora de trocar a fralda para a criança correr, virar o corpo ou começar a protestar. Essa resistência é comum sobretudo entre 1 e 3 anos, fase marcada pela conquista da autonomia. Com algumas “estratégias”, os cuidadores podem vencer essa batalha. Uma das principais explicações para o comportamento está na interrupção de uma atividade prazerosa, como as brincadeiras, para realizar a troca, conforme explica a psicóloga infantil Claudia Melo. “Isso pode gerar frustração intensa, já que o cérebro infantil ainda está amadurecendo e a criança nem sempre consegue controlar seus impulsos ou organizar aquilo que sente”, justifica a especialista. Antes de insistir, observe Nem toda fuga deve ser interpretada como desobediência. Em algumas situações, a criança pode estar cansada, com fome, muito envolvida na brincadeira ou ter sido surpreendida pela interrupção. Por isso, a orientação da profissional é olhar além do comportamento e antecipar o que vai acontecer. Avisar que a troca está próxima ajuda a reduzir a sensação de quebra brusca da atividade. E respeitar e incluir o pequenino pode gerar colaboração. Também vale acolher a emoção sem retirar o limite. Em vez de mandar parar de chorar, o adulto pode dizer: “Sei que você queria continuar brincando. Vamos trocar a fralda e depois você volta”. Assim, a criança se sente compreendida e entende que a troca será feita. Estratégias para cada fase A participação deve acompanhar a idade e as habilidades da criança. Pequenos convites fortalecem a autonomia sem tirar do adulto a condução do cuidado. Até 12 meses: Manter uma rotina previsível. Conversar com voz tranquila durante a troca. Fazer contato visual e cantar músicas conhecidas. Evitar excesso de estímulos. Entre 1 e 2 anos: Avisar que a troca está chegando. Oferecer escolhas simples, como selecionar entre duas fraldas. Pedir ajuda para segurar a fralda limpa ou levar o lenço umedecido. Usar músicas, histórias curtas ou brincadeiras para deixar o momento mais leve. Entre 2 e 3 anos: Criar combinados simples, como “primeiro trocamos, depois voltamos a brincar”. Usar linguagem objetiva e positiva. Reconhecer quando a criança colabora. Manter uma rotina consistente. O que costuma aumentar a resistência Segundo a psicóloga Claudia Melo, interromper a brincadeira de repente, gritar, ameaçar ou transformar a troca em uma disputa de poder tende a intensificar o conflito. Mudar a forma de agir todos os dias também reduz a previsibilidade e dificulta a colaboração. “Outro cuidado envolve o uso constante de telas para distração. Embora o recurso resolva a troca naquele momento, pode atrapalhar o desenvolvimento de estratégias próprias para lidar com pequenas frustrações”, avalia a especialista. Já a busca por ajuda profissional deve acontecer diante dos seguintes sinais de alerta: resistência muito intensa e em todas as trocas; sofrimento importante; regressão no desenvolvimento; dificuldades de comunicação ou interação; sensibilidade exagerada ao toque, aos tecidos ou à limpeza íntima. Isso não significa, necessariamente, que exista algum transtorno, mas indica que vale investigar para compreender melhor as necessidades da criança e poder ajudá-la.








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