Tipos de Calçados
Tênis ideal para fascite: como escolher e o que evitar
Quem convive com fascite plantar sabe que o primeiro passo do dia pode ser o mais dolorido. A boa notícia é que o tênis adequado ajuda (e muito!) a aliviar os sintomas e até favorecer a recuperação. Já a escolha errada do modelo pode provocar exatamente o contrário.
“A fascite plantar é uma inflamação da fáscia plantar, faixa de tecido resistente que vai do calcanhar até os dedos e ajuda a sustentar o arco do pé e absorver parte do impacto da caminhada. Quando essa estrutura é sobrecarregada, surgem pequenas lesões que provocam dor”, explica o ortopedista Sérgio Costa.
O médico acrescenta que a dor geralmente é mais intensa ao acordar ou após longos períodos na posição sentada. Nesse cenário, usar o calçado certo funciona como o principal sistema de amortecimento do corpo durante a marcha – e isso faz toda a diferença.
O tênis ideal é…
Quando o assunto é fascite plantar, o especialista ensina que o tênis mais indicado deve reunir três pilares básicos:
Amortecimento: ao amortecer o calcanhar, o tênis ajuda a reduzir o impacto direto;
Suporte: quando adequado ao arco do pé, diminui-se a tensão da fáscia;
Estabilidade: o tênis não deve ser rígido demais, nem muito mole. Afinal, amortecer em excesso leva à perda da estabilidade e dificulta o controle do movimento.
Outro ponto importante é apresentar uma leve elevação do calcanhar em relação à parte da frente do pé, pois isso contribui para aliviar a tração sobre a região.
Outro detalhe simples, mas essencial, é que o conforto deve ser imediato ao calçar. Se o tênis “precisa amaciar”, provavelmente já está sobrecarregando um pé que está inflamado.
Modelos que costumam piorar a dor
Do outro lado, deve-se levar em consideração que alguns formatos de calçados devem ser evitados, de modo geral, por quem tem fascite plantar. Entre os principais vilões estão:
Sapatos muito baixos ou completamente retos;
Calçados com solados finos e duros;
Chinelos, rasteirinhas e sandálias sem suporte;
Sapatilhas e calçados minimalistas.
Isso porque esses modelos praticamente não absorvem impacto e não sustentam o arco do pé, aumentando a tensão e prolongando a inflamação.
ATENÇÃO: Tênis velho também entra na lista de vilões para quem sofre com fascite plantar! Mesmo que seja um modelo adequado, pode se tornar um problema com o tempo. É que os materiais perdem a capacidade de amortecer e manter a estabilidade, inclusive se parecerem conservados visualmente.
Tratamento é complementar
O ortopedista Sérgio Costa complementa que usar palmilhas pode ajudar bastante no tratamento da fascite plantar, pois melhoram a distribuição das cargas e reduzem a tensão na fáscia. Porém, o tênis precisa acompanhar essa estratégia: ter espaço interno e estrutura suficiente para acomodar uma palmilha, sem apertar os pés.
Além disso, é muito importante diferenciar os modelos usados para treinar daqueles do dia a dia. Embora os princípios sejam os mesmos – amortecimento, suporte e estabilidade –, o tipo de atividade muda a prioridade:
Corrida: causa impacto repetitivo, então o tênis precisa amortecer em dobro;
Esportes de quadra: movimentos laterais rápidos pedem firmeza e controle;
Academia: o modelo precisa equilibrar absorção de impacto com estabilidade.
“Já no dia a dia, o objetivo é manter o pé protegido e bem sustentado ao longo de muitas horas, mesmo sem impactos extremos. O tênis precisa ser adequado à atividade e às necessidades biomecânicas do pé”, indica o médico.
Pense no todo
Achar que o tênis certo vai curar a fascite plantar sozinho é um grande erro, uma vez que ele ajuda no alívio da dor e na recuperação, mas acaba sendo só uma parte do conjunto de cuidados que compõem o tratamento - além de acompanhamento profissional, alongamento e controle da sobrecarga na região.
“Escolher bem o tênis é um passo importante, literalmente, para sair da dor e voltar a caminhar com mais conforto”, conclui o médico.