Baruel é vencedor do Prêmio ReclameAQUI 2025 na categoria Higiene Pessoal
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Inchaço após entorse de tornozelo: o que fazer
Inchaço e Edema

Inchaço após entorse de tornozelo: o que fazer

A entorse de tornozelo é uma lesão comum, mas pode causar grande desconforto. Além da dor, um dos sintomas frequentes é o edema - o inchaço da região lesionada, que ocorre devido à inflamação e à resposta do corpo ao trauma. Gustavo Nunes, ortopedista especializado em cirurgia do pé e tornozelo, esclarece que esse tipo de lesão pode afetar diretamente os ligamentos. "Quando há um estiramento ou rompimento ligamentar, o organismo reage enviando mais líquido para a área, gerando edema. Quanto maior a gravidade da entorse, mais intenso tende a ser esse inchaço", explica. O especialista destaca ainda que entorses graves podem levar a fraturas, sendo a fíbula o osso mais afetado nesses casos. "Se houver muita dor, incapacidade de apoiar o pé no chão ou suspeita de fratura, é essencial buscar atendimento médico e realizar exames de imagem", orienta. Como tratar o inchaço após uma entorse De acordo com a fisiologista Bianca Vilela, o primeiro passo para aliviar o edema é seguir o protocolo R.I.C.E. (sigla em inglês para repouso, gelo, compressão e elevação): Repouso: evitar sobrecarregar o tornozelo nos primeiros dias. Gelo: aplicar compressas frias de 15 a 20 minutos, várias vezes ao dia, ajuda a reduzir o inchaço e a dor. Compressão: usar bandagem elástica ou tornozeleira pode oferecer suporte e limitar o inchaço. Elevação: manter o pé elevado acima do nível do coração melhora a circulação e reduz a retenção de líquidos na região. Além disso, o médico Gustavo Nunes acrescenta que, em casos de entorses moderadas ou graves, o uso de uma bota ortopédica pode ser necessário por até quatro semanas para garantir estabilidade e auxiliar na recuperação. Fisioterapia e intervenção médica O tempo de recuperação varia conforme a gravidade da entorse. Casos leves melhoram em poucos dias, enquanto os mais severos podem levar semanas ou até meses. A fisioterapia precoce é um dos fatores mais importantes para acelerar a reabilitação e prevenir complicações. "Lesões multiligamentares ou instabilidades crônicas podem exigir cirurgia, que atualmente é feita por artroscopia, um procedimento minimamente invasivo", esclarece Gustavo Nunes. Bianca Vilela, por sua vez, ressalta que o fortalecimento muscular é essencial para prevenir entorses e edemas recorrentes. "Músculos fortes estabilizam as articulações e absorvem impactos, reduzindo o risco de lesões", diz. Assim, exercícios como elevação de calcanhares, uso de faixas elásticas para resistência e treinos de equilíbrio em superfícies instáveis ajudam a restaurar a força e a mobilidade do tornozelo após uma lesão. "A propriocepção, ou seja, a percepção do corpo no espaço, também precisa ser treinada para evitar novos episódios de entorse", complementa a profissional. Retorno aos treinos Nem pensar em retomar os treinos com o tornozelo inchado, ok? A fisiologista alerta que retomar atividades físicas com edema pode piorar a inflamação e prolongar a recuperação. "O ideal é aguardar a redução do inchaço, seguir um plano de reabilitação e só voltar aos treinos quando houver plena estabilidade e ausência de dor", frisa. No entanto, existem alternativas para manter o condicionamento físico sem sobrecarregar o tornozelo, que incluem exercícios de fortalecimento do core, musculação para a parte superior do corpo, bicicleta ergométrica leve e natação. O médico Gustavo Nunes reforça uma questão importante: caso a dor persista ou o inchaço não diminua, é essencial buscar orientação especializada para evitar complicações e garantir uma recuperação completa.

Cutilagem russa é opção no salão. Descubra os benefícios!
Unhas e Esmaltação

Cutilagem russa é opção no salão. Descubra os benefícios!

A esmaltação e o acabamento das unhas vão além da escolha da cor do esmalte. A preparação correta da cutícula faz toda a diferença no resultado final e na durabilidade da manicure. Entre as técnicas mais modernas, a cutilagem russa vem ganhando destaque por proporcionar um acabamento impecável e prolongar o efeito das unhas feitas. Como explica a podóloga e pedicure Bárbara Martins, especialista em atendimento podológico com embelezamento, a cutilagem russa remove a cutícula com o uso de brocas, sem necessidade de amolecimento com água. “Essa técnica proporciona um acabamento mais limpo e uniforme, além de fazer com que as cutículas demorem mais para crescer. Isso confere maior durabilidade ao procedimento e às unhas”, explica. Segundo ela, quem mais adere a esse tipo de cutilagem são clientes que optam por alongamento de unhas, cuja manutenção ocorre a cada 21 dias. Quem faz a esmaltação normal, entretanto, não precisa remorrer cutículas em menos de 15 dias com a versão russa. “Mas pode chegar até a 30 dias, sem necessidade de fazer novamente. Vai depender muito do crescimento da cutícula em cada pessoa”, comenta Bárbara. Como é feito o serviço de cutilagem russa A cutilagem russa segue um passo a passo técnico e preciso, que deve ser feito por um profissional capacitado. O processo inclui: Higienização das unhas para remover resíduos e preparar a pele. Uso de brocas específicas para levantar e remover a cutícula com precisão. Finalização com óleo hidratante, garantindo maciez e um acabamento impecável. A grande diferença desse método para a remoção tradicional é a ausência de água, o que mantém a cutícula mais intacta e evita que ela cresça de forma irregular ou apresente aquelas “pelinhas” indesejadas. Benefícios da técnica A cutilagem russa tem vantagens que conquistam quem busca unhas bem cuidadas por mais tempo. Entre os principais benefícios estão: Crescimento mais lento da cutícula, prolongando a durabilidade da manicure ou pedicure; Acabamento mais preciso e uniforme, garantindo um visual profissional; Redução do risco de cortes e machucados comuns na remoção manual. “Como não há necessidade de empurrar e cortar a cutícula com alicate, o risco de machucar a pele é reduzido significativamente”, destaca Bárbara. Tira-dúvidas sobre a cutilagem russa Quem pode fazer a cutilagem russa? A técnica não é indicada para todos os clientes, como quem tem unhas muito fracas, inflamadas ou com micoses, por exemplo. Nesses casos, o ideal é optar pela remoção tradicional, que é mais delicada e menos agressiva para a pele e as unhas. Quanto custa, em média? Os valores da cutilagem russa podem variar bastante, dependendo da experiência do profissional e da região onde o serviço é oferecido. O preço médio fica entre R$ 50 e R$ 150 (referência de março de 2025, em São Paulo). Apesar do valor mais elevado em comparação à cutilagem tradicional, tem maior durabilidade, o que faz com que o custo-benefício seja vantajoso para muitos clientes. É necessário um curso para realizar essa técnica? Sim! Não basta ter o equipamento apropriado; é fundamental se capacitar antes de realizá-la. O profissional precisa aprender a manusear as brocas corretamente e entender a estrutura das unhas para evitar danos. Cuidados essenciais Além do preparo profissional, esse tipo de serviço exige equipamentos específicos para garantir um resultado seguro e eficiente. Os principais itens utilizados são: Brocas específicas para cutículas, cada uma com uma função no processo; Motor de alta rotação, que permite um acabamento preciso sem machucar a pele.   Ou seja, é fundamental escolher um profissional (manicure ou podólogo) capacitado para esse atendimento e que disponha das ferramentas certas. Há ainda alguns procedimentos adicionais por parte do profissional a fim de garantir que a visita do cliente seja totalmente segura, sem riscos de infecções ou machucados. Bárbara elenca o seguinte: Higienizar os instrumentos corretamente para evitar contaminações. Ter mão firme para garantir um procedimento seguro e preciso. Avaliar cada cliente individualmente para verificar se a técnica é indicada.

Podólogo, podologista e podiatra: entenda as diferenças
Podo Profilaxia ou Profilaxia Podal

Podólogo, podologista e podiatra: entenda as diferenças

Nem todo especialista em pés é igual e entender as diferenças entre podólogo, podologista e podiatra pode evitar confusões e garantir um cuidado mais adequado à saúde. No Brasil, embora os dois primeiros (podólogo e podologista) sejam usados como sinônimos, eles têm particularidades importantes, principalmente quanto à formação, enquanto o podiatra representa uma abordagem mais clínica, voltada para casos complexos. Conforme explica a podóloga Valéria Lemos, enfermeira especializada em podiatria, o podólogo é o profissional com curso técnico em Podologia, que atua com o cuidado “conservador” dos pés, como corte de unhas, retirada de calos e tratamento de micose. Já o podologista, ainda que desempenhe funções similares, possui formação de nível superior na área, geralmente em cursos tecnológicos. “Ambos trabalham com técnicas de podologia, mas o podologista fez graduação”, diz. Valéria Lemos observa que, quando falamos em podiatra no Brasil, nos referimos a um enfermeiro que fez pós-graduação em Podiatria Clínica. “Ele une o conhecimento da enfermagem com as técnicas podológicas, podendo atuar em casos mais graves e em pacientes com doenças sistêmicas”, esclarece. Formações e limites de atuação O curso técnico em Podologia tem duração entre um e dois anos e ensina práticas como anatomia dos pés, técnicas corretas de corte, biossegurança e uso de instrumentos específicos. Já a graduação em Podologia é mais longa, de dois a três anos, e aprofunda o conhecimento científico. O de podiatra, por sua vez, precisa ter formação em Enfermagem e registro no COREN antes de realizar uma pós-graduação lato sensu em Podiatria Clínica. Com isso, ele pode fazer curativos em úlceras, tratar feridas, aplicar laserterapia e conduzir avaliações clínicas dos pés, como testes de sensibilidade ou checagem de pulsos. “Se o paciente tem uma ferida aberta, uma infecção ou complicações do diabetes, por exemplo, é mais adequado procurar um enfermeiro podiatra. Casos assim requerem avaliação clínica e plano de cuidados”, orienta a especialista. Cada um tem seu papel A regulamentação dos profissionais também difere. A podologia foi reconhecida como profissão de saúde por lei federal em 2018, com exigência de formação técnica ou superior. Enquanto isso, a podiatria é reconhecida pelo Conselho Federal de Enfermagem como especialidade do enfermeiro. Embora haja sobreposição em algumas práticas, a atuação conjunta é, muitas vezes, o ideal. “No cuidado do pé diabético, o enfermeiro podiatra faz a avaliação clínica e traça o plano de cuidados, enquanto o podólogo realiza os procedimentos periódicos, como corte de unhas e remoção de calos”, exemplifica Valéria. Ela lembra ainda que a falta de conhecimento sobre essas distinções pode causar confusões. “Muita gente acha que podiatra é médico ou se frustra ao descobrir que podólogo não pode receitar antifúngico. Por isso, é importante saber quem procurar em cada caso”, orienta. Evolução da profissão e valorização Vale lembrar que, décadas atrás, a podologia no Brasil era associada ao trabalho de calistas ou pedicures, com pouca formação técnica. Isso mudou com a criação dos cursos técnicos e graduações, além do reconhecimento como profissão da saúde. “Hoje, podólogos e podologistas são valorizados pelo seu papel na prevenção, enquanto o podiatra tem cada vez mais espaço em hospitais e clínicas, especialmente no atendimento a pacientes de risco”, conclui Valéria.

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O segredo do banho tranquilo pode estar no horário
Banho

O segredo do banho tranquilo pode estar no horário

O banho costuma ser um dos momentos mais marcantes da rotina infantil. Para algumas famílias, acontece logo cedo e ajuda no despertar. Para outras, faz parte do ritual da noite e sinaliza que o momento de desacelerar está chegando. Mas, afinal, existe um horário considerado mais adequado para dar banho em bebês e crianças? Dica: depende! De acordo com o pediatra Fernando Degiovani, do Hospital Prontil, não há uma única regra válida para todos os casos. Do ponto de vista pediátrico, o ideal é observar o contexto da casa e escolher um horário que favoreça tanto o conforto do bebê ou da criança quanto os cuidados com a pele. “O banho pela manhã não é mais indicado do que à noite. No entanto, o horário mais adequado costuma ser o momento mais quente do dia, porque é possível usar uma água mais morna para fria e proteger a saúde da pele”, explica o especialista. Os banhos relaxantes dos bebês Nos primeiros meses de vida, muitos pais e cuidadores percebem que o banho ajuda o bebê a relaxar. Por isso, adotam o momento como parte da preparação para o sono. O médico diz que essa estratégia realmente pode funcionar, mas com ressalvas. Não é muito interessante usar excesso de duchas como ritual, por exemplo. Isso porque os banhos podem alterar a microbiota da pele, principalmente se o sabonete for utilizado todas as vezes, considerando que as fórmulas são capazes de matar bactérias protetoras da pele. Nesses casos, uma estratégia simples é dar um banho completo uma vez ao dia, com os produtos necessários, e optar apenas pela imersão na água morna à noite, visando o relaxamento e não mais a higiene, que já foi feita. Cada criança, um efeito Quando os filhos estão maiorzinhos, o tom da conversa muda. À medida que a criança cresce, o efeito relaxante tende a variar. Para algumas, o banho noturno continua ajudando a desacelerar, enquanto para outras, não interfere mais diretamente no sono. Se surgir dúvida do melhor momento, alguns fatores podem ajudar na escolha: clima e temperatura do dia; rotina da casa; horários de sono da criança; nível de atividade ao longo do dia. “De modo geral, o impacto do banho passa a depender mais da rotina familiar do que da idade. Por isso, cada família acaba organizando esse momento de acordo com seus próprios horários”, avalia o pediatra Fernando Degiovani. O que fazer e o que evitar Mais importante do que o horário é a forma como acontece. Lembre-se de controlar a aplicação de produtos, sem exagerar em sabonetes e shampoos. A recomendação é usar apenas o básico em somente um dos banhos e não ultrapassar duas higienes diárias. Vale ainda evitar horários noturnos se a criança estiver doente ou se as temperaturas forem muito baixas. Cabelo molhado e friagem podem prejudicar os pequeninos, sobretudo aqueles que já são alérgicos. Além disso, a melhor temperatura da água é sempre de morna para fria e isso só é possível em momentos e climas mais quentinhos. Por último, o médico lembra que o certo é, na verdade, o que funciona para o bebê ou para a criança, ou seja, deve-se observar individualmente e considerar também casos específicos, como pele seca ou dermatite atópica, que pedem cuidados próprios e orientados.

Amiga não deixa o filho fazer nada sozinho: devo opinar?
Desenvolvimento e Autonomia

Amiga não deixa o filho fazer nada sozinho: devo opinar?

Observar a forma como outras famílias cuidam de seus filhos nem sempre é simples. Em alguns casos, pode até levar a uma preocupação genuína com o desenvolvimento do bebê. Com isso, surge o dilema: vale a pena dar um toque na mãe sobre a importância da autonomia infantil ou é melhor respeitar as escolhas dela? Quem viveu situação parecida foi a gestora de negócios Thayná da Costa. Próxima da prima, foi convidada para ser madrinha do bebê dela, o que a levou a acompanhar ainda mais de perto o crescimento do menino. No dia a dia, porém, notou que algumas atitudes da mãe parecem ir na contramão da diversão da infância. “Eu observo que, às vezes, ela é muito protetora e isso acaba impedindo meu afilhado de fazer coisas que não seriam perigosas. Eu cresci no interior e lá tinha terra, bicho, cachoeira. Já ele não pode viver nem fazer nada disso”, conta. Cuidado ou superproteção? Segundo a psicóloga e educadora parental Marcella Andretta, do Colégio Santo Anjo, quando o adulto faz tudo pela criança, pode acabar limitando algumas oportunidades que são importantes para a aprendizagem. “A criança aprende observando, tentando e reproduzindo. Se o adulto faz tudo, a impede de tentar, errar e tentar novamente”, detalha a profissional. Com o tempo, esse comportamento pode gerar insegurança e dependência. Em vez de experimentar novas tentativas, os pequenos passam a esperar que o responsável resolva situações que eles já poderiam enfrentar sozinhos. Muitas vezes, isso acontece mais por ansiedade do adulto do que por necessidade real do bebê. Quando a comparação vira tensão Outro ponto delicado nessas situações são as comparações entre crianças. Se o desenvolvimento de um bebê vira referência para avaliar o outro, a conversa facilmente se transforma em julgamento entre amigas e conhecidas. Segundo a psicóloga Marcella Andretta, essas comparações podem criar a sensação de competição ou de avaliação constante, fazendo com que muitas mães passem a questionar se estão fazendo algo errado. Alguns sentimentos comuns incluem: medo de que o filho esteja “atrasado” em relação aos demais; insegurança sobre a própria forma de educar; receio de julgamento por outras mães. “A maternidade não deve ser um campo de batalha. Quando comparadas, muitas mães passam a sentir que estão sendo avaliadas ou que o desenvolvimento do filho está sendo colocado em dúvida”, observa a educadora parental. Como abrir a conversa com cuidado Antes de falar sobre o assunto com a mãe, a especialista recomenda refletir sobre alguns pontos importantes. Em primeiro lugar, vale lembrar que nem toda preocupação precisa se transformar em intervenção, especialmente quando não há risco real para a criança. Experimente se perguntar: Temos intimidade suficiente para tocar nesse assunto? Minha observação realmente pode ajudar aquela família? Tenho conhecimento ou informação para levantar essa questão? Mesmo se houver abertura para conversar, o ideal é falar com cuidado e acolhimento, preferindo conversas particulares e evitando comparações entre crianças. De acordo com a profissional, uma forma de iniciar é dizendo algo mais simples, como: “Posso compartilhar uma coisa que observei? Falo com carinho e posso estar enganada”. Thayná diz que, no seu caso, a proximidade ajuda a lidar com o tema com mais naturalidade. Apesar do medo de parecer crítica, ela recorda momentos da infância com a prima e reforça que o afilhado também merece viver coisas assim. Ao mesmo tempo, consegue refletir sobre como pretende lidar com a autonomia quando for mãe.

Nem toda birra é desafio: pode ser exaustão infantil
Comportamento

Nem toda birra é desafio: pode ser exaustão infantil

Quem ainda não tem filhos ou mesmo pais e mães de primeira viagem podem não saber (ainda), mas nem toda “explosão” infantil é um teste de limites. Em muitos casos, o que os adultos interpretam como “birra” pode ser apenas sinal de exaustão física e emocional. A diferença parece sutil, mas muda completamente a forma de intervir e pode evitar confrontos desnecessários dentro de casa. Foi isso que a assessora de imprensa Jéssica Moraes, mãe de duas crianças pequenas, percebeu após meses lidando com crises intensas no fim do dia. A filha ia bem para a escola integral, não apresentava resistência à rotina nem grandes problemas de comportamento, até que começou a ter explosões no retorno para casa. “Eu achava que era birra. Pensava que precisava ser mais firme, que era questão de educação”, conta. Só mais tarde ela entendeu que os episódios tinham outro significado: cansaço acumulado após 12 horas de escola com muitas atividades. Birra X exaustão A psicóloga Aline Carvalho explica que muitas situações classificadas como birras são, na verdade, manifestações de exaustão emocional. Quando a criança ultrapassa sua capacidade de lidar com demandas, estímulos ou frustrações, o comportamento deixa de ser uma escolha intencional e passa a sinalizar sobrecarga do sistema emocional. Essa exaustão costuma aparecer como: irritabilidade persistente; choro intenso ou prolongado; oposição frequente; regressões comportamentais; hipersensibilidade a estímulos; baixa tolerância à frustração; comportamentos desorganizados, mesmo sem um limite claro imposto. Já as birras associadas ao teste de limites tendem a surgir em situações específicas, com objetivo reconhecível e maior capacidade de reorganização quando o adulto mantém previsibilidade e consistência. “A diferença central está na frequência, na duração e na capacidade de autorregulação: a exaustão desorganiza; a birra pontual responde à presença reguladora do adulto”, esclarece a especialista em atendimento infantil. Por que a criança “explode”? A turma pequena ainda passa pelo desenvolvimento emocional, neurológico e linguístico. Não consegue reconhecer, nomear e comunicar com clareza estados internos como o cansaço emocional. Quando a autorregulação é imatura, a sobrecarga se manifesta pelo corpo e pelo comportamento. Situações do próprio dia a dia podem levar ao quadro, como: rotinas muito estimulantes ou desorganizadas; excesso de atividades e compromissos; uso prolongado de telas; privação ou irregularidade do sono; mudanças frequentes de ambiente; expectativas incompatíveis com a idade; barulhos excessivos; cobranças por desempenho; falta de tempo para descanso e brincadeiras livres. “Assim, choro intenso, irritação e oposição funcionam como formas imaturas de comunicação de uma necessidade não atendida e não como tentativa consciente de confronto”, avalia a profissional. O que fazer no momento da crise Diante de uma explosão, a orientação não é ignorar limites, mas reorganizar prioridades. A psicóloga Aline Carvalho recomenda oferecer contenção emocional antes de qualquer correção comportamental. Isso significa manter presença calma, voz firme e limites claros, sem negociar regras durante a crise. Lembre-se: validar sentimentos não é validar o comportamento. É possível reconhecer o cansaço, interromper estímulos e garantir segurança, deixando a orientação e o ensino de limites para quando a criança estiver novamente regulada. A partir do momento que a família passa a enxergar os episódios como sinais de exaustão, a dinâmica muda. Os adultos deixam de reagir a partir do confronto e passam a responder com leitura emocional, prevenção e contenção. O resultado: menos conflitos, mais segurança e fortalecimento do vínculo. O que muda dentro de casa Jéssica diz que percebeu tarde o que acontecia à sua frente. “Eu senti culpa por não ter entendido antes o verdadeiro motivo. Sinto que ignorei a possibilidade por medo de não conseguir resolvê-la”, lembra. Isso porque ela não tinha condições de tirar a filha do integral naquele momento, mas buscou ajustes possíveis, como diálogo com a escola. Ao entender que não se tratava de má-educação, mas de limite emocional, sua postura mudou. Houve menos confronto e mais tentativa de reorganização: menos atividades no tempo escolar e maior observação do contexto. Por isso, a especialista Aline reforça que compreender o comportamento infantil a partir das necessidades emocionais permite intervenções mais eficazes e respeitosas. Reconhecer a exaustão como um sinal legítimo contribui para o desenvolvimento emocional saudável da criança e para relações mais empáticas no dia a dia.

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