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Conheça o Universo do Pé
Como lavar e secar o pé na hora do banho
Confira, passo a passo, como fazer a higiene diária para manter os pés protegidos de doenças e livres do mau odor. Existe uma maneira especial de lavar os pés para não ter problemas como mau odor e doenças como micose e frieira? Sim, e é uma rotina bem simples, que todos podemos adotar. Tudo começa com o banho, e podemos começar limpando as unhas. O podólogo Magno Queiroz, CEO do Grupo São Camilo, recomenda ter uma escova de cerdas macias (que pode ser até mesmo uma escova de dentes não mais utilizada) só para elas. “No próprio boxe, enquanto você estiver limpando os seus pés, pode pegar essa escova e esfregar suas unhas, limpando no sentido único de dentro para fora. E depois pegar a bucha com o sabonete e fazer a higienização dos pés”, explica. Depois disso, podemos lavar os pés (sem deixar de lado a região entre os dedos) com água morna e sabonete comum, usando uma esponja ou uma bucha levemente, apenas para retirar a pele que descama naturalmente e pode contribuir para a formação do mau odor. “Tenha uma esponja ou bucha separada só para os pés”, recomenda Renato Buscher Cruz, docente de saúde e bem-estar do Senac Osasco. O sabonete antibacteriano pode ser usado por pessoas que, mesmo seguindo uma rotina de cuidados com os pés, ainda sentem um odor desagradável ao longo do dia, afirma o especialista — ou por quem está tratando alguma doença, como micose ou frieira (pé de atleta). E são uma opção para crianças que passaram o dia brincando descalças e estão com os pés muito sujos, acrescenta Queiroz. “Não é ideal usar diariamente se você não tem uma doença no pé, porque esse sabonete elimina a flora antibacteriana que está protegendo o seu corpo.” E depois de lavar os pés, qual é a rotina de higiene? Ao sair do banho, é extremamente importante secar bem os pés, especialmente entre os dedos. Deixar o pé bem seco evita o aparecimento de doenças como frieira, que dependem da umidade para favorecer a multiplicação de bactérias e de fungos. “A região entre os dedos deve estar sempre seca. Quanto mais seca, mais se evita a proliferação de microrganismos como os fungos”, reforça Queiroz. Quem estiver com frieira, aliás, deve tomar um cuidado extra: secar a região entre os dedos com uma toalha de papel descartável ou papel higiênico, pois os microrganismos contaminarão essa superfície. Depois desses cuidados, os pés, devidamente higienizados, estão prontos para receber o hidratante (no caso de quem tem a pele ressecada) e o desodorante. Jogo rápido: como lavar e secar os pés No banho Use sempre água morna, que ajuda a amolecer e retirar a pele que está descamando (e pode favorecer o crescimento de bactérias e fungos); Lave todas as áreas dos pés com o sabão de sua preferência — e não se esqueça de lavar entre os dedos; Limpe as unhas com uma escova de cerdas macias. Depois do banho Seque a pele dos pés suavemente, não precisa esfregar; Passe a toalha entre os dedos para secar bem essa região e evitar o aparecimento de bactérias e fungos que adoram umidade e podem causar doenças; Se tiver pele seca, passe um hidratante específico para os pés para evitar o ressecamento. Para evitar o mau odor Aplique o desodorante para os pés duas vezes por dia; Calce meias limpas todos os dias, de preferência de algodão; Dê preferência a meias e calçados feitos com tecidos “respiráveis” e evite os sintéticos; Assegure-se de que o calçado passou ao menos 24h em local arejado antes de usá-lo.
Como tratar a frieira no pé rapidamente
Quando começa a dar uma coceirinha ou uma leve sensação de ardência entre os dedos do pé, é preciso agir rápido para tratar a frieira (também conhecida como pé de atleta). Frieira é o nome popular da tinea pedis, uma infecção causada por fungos que se aproveitam da umidade entre os dedos do pé para se multiplicar. “A associação entre calçado fechado, transpiração e calor cria o ambiente propício para a proliferação dos fungos”, explica Armando Bega, podólogo responsável pelo Instituto Científico de Podologia, presidente da Associação Brasileira de Podólogos e especialista em Podiatria. O problema é que, se a infecção não for tratada, ela avança. A coceirinha pode virar uma descamação que deixa a região em carne viva. Além disso, a frieira é contagiosa e transmissível pelo contato da pele com toalhas, tapetes, meias e outros objetos, além do piso do chuveiro. Como tratar a frieira Os primeiros sintomas da frieira são uma leve coceira e sensação de ardor ou queimação entre os dedos dos pés. “Esses já são indícios do início da infecção”, ressalta Rosangela Schwarz, enfermeira habilitada em Podiatria e membro da diretoria da Associação Brasileira de Enfermeiros Podiatras (ABENPO). Nessa fase inicial, é bom procurar um(a) enfermeiro(a) podiatra para iniciar o tratamento. Se a frieira não for tratada, o avanço da infecção será percebido pela vermelhidão mais intensa e por rachaduras na pele, que também pode ficar mais “escamosa” e descascar. Nesse caso, é preciso tratar a região com uma pomada antifúngica receitada por um(a) especialista. Quando a infecção chega à fase mais avançada, a pele fica esbranquiçada e úmida (especialmente na região do dedinho) ou até em carne viva, e é necessário tomar remédios antifúngicos via oral. “O fungo demora para sair do nosso organismo; então, é preciso fazer o tratamento recomendado por 30 dias, mesmo na fase inicial”, afirma Schwarz. “A pele leva 28 dias para recompor todas as suas camadas.” Cuidados durante o tratamento Durante o tratamento, alguns cuidados devem ser tomados para não piorar o quadro e para não transmitir a doença. Depois do banho, o ideal é secar os pés com uma toalha pequena, de preferência descartável. Se não puder, use uma toalha menor e lave-a logo depois de usar. Para fazer essa descontaminação, Schwarz recomenda misturar um copo de 200 ml de vinagre 6% (que não é o de cozinha) à água da lavagem. “O ácido acético tem um grande poder de eliminar fungos”, completa. As meias também requerem um cuidado especial para não contaminar as outras roupas na lavagem. A dica de Schwarz é lavá-las separadamente ou deixá-las de molho nessa solução de água e vinagre antes de colocar na máquina com outras peças. Bega recomenda usar calçados e meias feitos de tecidos “respiráveis”, que absorvam o suor. “Evite o uso prolongado de calçados de tecido sintético. Eles fazem o pé transpirar mais, não absorvem a transpiração e estão mais associados aos casos de frieira, inclusive à dificuldade de tratá-las”, explica. O mesmo vale para as meias, que devem ser trocadas todos os dias. “Meias de algodão absorvem a transpiração, dificultam a proliferação de fungos e ajudam a manter os pés secos”, completa o especialista. Para não transmitir a doença, higienize o boxe com vinagre a 6%, troque com mais frequência o tapete do banheiro e não compartilhe toalhas, meias e calçados com outras pessoas.
Calo entre os dedos costuma doer mais. Entenda o porquê
Sabia que o calo entre os dedos dos pés costuma causar mais dor do que aqueles que aparecem em outras regiões? O motivo está justamente no local: uma área que sofre com atrito, pressão e umidade ao longo do dia. Segundo a podóloga Aline Regina da Silva, esses fatores não só tornam o desconforto mais intenso, como ainda favorecem o surgimento do problema. “É uma região mais sensível e de muito atrito. Além disso, algumas pessoas têm maior predisposição, como quem apresenta deformidades nos pés ou costuma usar calçados muito apertados”, diz a profissional. A tríade do problema O atrito, a umidade e a compressão entre os dedos são os vilões por trás dos calos doloridos. Essa combinação faz a pele ficar mais espessa, favorecendo o surgimento e a piora do quadro. Foi exatamente assim que o problema começou para a analista de qualidade Gabrielly Souza, de 28 anos. Ela sentiu uma dor entre os dedos ao caminhar, que aumentava sempre que passava muito tempo usando sapatos fechados ou apertados. Ela acertou em buscar rapidinho o atendimento da podóloga para tratar a causa. Isso porque identificar o que está provocando o contato excessivo é indispensável para um tratamento eficaz contra os calos. Como prevenir calos Alguns cuidados simples ajudam tanto a prevenir o surgimento dos calos quanto a reduzir o desconforto de quem já convive com eles. Vale a pena: usar sapatos confortáveis e com espaço para os dedos; optar por meias que absorvam o suor; manter os pés limpos e secos. Já cortar o calo ou usar produtos sem indicação mais atrapalham do que ajudam. Aline Regina da Silva alerta que tais práticas podem provocar feridas e infecções. O podólogo pode ajudar A consulta podológica não é apenas para remover os calos, mas para tratar um incômodo legítimo e preveni-lo dali em diante. Além disso, a avaliação é ainda mais necessária se houver sinais de alerta, como: dor intensa; dificuldade para andar; vermelhidão; presença de pus; aumento da temperatura da região; mau odor; recorrência do problema; condições de risco, como diabetes. No caso de Gabrielly Souza, os calçados foram substituídos por modelos mais confortáveis e ela passou a usar meias de algodão. Adotando os cuidados certos, as chances de os calos voltarem se tornam bem menores.
Conheça o Universo Infantil
Casquinha na cabeça do bebê: posso retirar com produto?
As “casquinhas” na cabeça do bebê chamam a atenção dos pais e cuidadores de primeira viagem, mas não costumam indicar problemas. Trata-se de uma situação comum nos primeiros meses de vida e a presença delas faz parte de uma condição benigna da pele, que tende a melhorar com o tempo e cuidados simples no dia a dia, como alguns produtos seguros. A pediatra, alergista e imunologista Fernanda Soubak explica que essas escamas são conhecidas como crosta láctea, nome popular da dermatite seborreica do lactente. Aparecem como escaminhas amareladas ou esbranquiçadas, às vezes com aspecto oleoso e, geralmente, grudadas no couro cabeludo. Além da cabeça, essas lesões podem surgir em áreas onde a pele produz mais oleosidade, como sobrancelhas (ou entre elas), cantos do nariz, maçãs do rosto e atrás das orelhas. Apesar do aspecto, não são contagiosas e, na maioria dos casos, não causam dor nem grande desconforto ao bebê. Por que a crosta láctea aparece Nos primeiros meses de vida, é comum o bebê apresentar maior oleosidade da pele. Isso acontece porque as glândulas sebáceas ficam mais ativas nessa fase, influenciadas por questões hormonais. Esse excesso facilita o acúmulo de células mortas e, consequentemente, a formação das escamas. Segundo a dermatologista Maria Carolina Corsi, da Beneficência Portuguesa, esse processo pode ter também a participação de um fungo que faz parte da flora normal da pele, chamado Malassezia, sem que isso signifique infecção. A boa notícia é que, normalmente, a crosta melhora sozinha em semanas ou poucos meses e se torna bem menos comum após o primeiro ano de vida. Como diferenciar de outros problemas de pele Entender o que é crosta láctea ou outra questão dermatológica infantil não é tão difícil. As especialistas ouvidas garantem que a identificação é baseada em três pontos: 1. local das lesões; 2. o aspecto da pele; 3. comportamento do bebê. Além disso, os sintomas são visuais e leves: escamas amareladas ou esbranquiçadas, sem coceira intensa nem impacto no bem-estar. Já outros quadros, como a dermatite atópica, costumam se manifestar de forma diferente. A pele tende a ficar mais seca, muito vermelha, irritada e com coceira importante, deixando o bebê mais inquieto. Esse tipo de dermatite também pode surgir em outras partes do corpo e costuma ser recorrente. Posso usar algum produto nas casquinhas? Na maioria dos casos, os cuidados podem ser feitos em casa, com medidas simples e suaves, repetidas algumas vezes por semana e sem pressa. As médicas orientam um passo a passo seguro: amolecer a crosta, aplicando um óleo vegetal suave ou próprio para bebês e aguardando de 15 a 30 minutos; soltar a crosta láctea com delicadeza, usando uma escovinha macia de bebê ou uma gaze, sem forçar; lavar a cabecinha normalmente, com shampoo infantil neutro, enxaguando bem. O objetivo é reduzir as escamas aos poucos, sem tentar retirar tudo de uma vez. É importante não puxar as crostas secas, nem usar unhas, objetos ou esfregar com força, pois isso pode machucar a pele e aumentar o risco de inflamação ou infecção. Quando procurar ajuda Apesar de ser uma condição comum, é importante buscar avaliação médica especializada (pediatra ou dermatologista) se surgirem sinais como: vermelhidão intensa, dor ou irritação importante; secreção, mau cheiro, pus ou crostas com aspecto “melado”; coceira intensa ou lesões em outras áreas do corpo; falhas de cabelo em placas; ausência de melhora após algumas semanas, mesmo com cuidados suaves. Por fim, a pediatra Fernanda Soubak e a dermatologista Maria Carolina Corsi reforçam que a crosta láctea é transitória, não está relacionada à falta de higiene e não causa queda permanente de cabelo. Ainda assim, na dúvida ou diante de qualquer mudança no quadro, a orientação profissional é sempre a melhor escolha.
Meu bebê não usou andador. Será que fiz certo?
Decidir por não usar o andador pode gerar insegurança nos pais, especialmente quando familiares e amigos defendem que o equipamento ajuda o bebê a andar mais rápido. Com esses comentários, logo vem a dúvida: será que eu estou atrasando meu filho? Pode sossegar! Os médicos garantem que o desenvolvimento não precisa desse recurso. A pediatra Anna Dominguez, especialista em neurociência e desenvolvimento infantil dos hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês e Vila Nova Star, explica que o andador não é útil em nenhuma faixa etária pediátrica, porque não oferece benefícios comprovados. “O andador não só é desnecessário, como é contraindicado para todas as fases da infância. Além de não ser benéfico, traz potenciais riscos à segurança e ao desenvolvimento infantil”, afirma a médica. Parece ajudar, mas atrapalha Muitos pais acreditam que o andador facilita o andar e a movimentação, além de chamar atenção pelas luzes, cores e botões. No entanto, a ciência mostra que a criança precisa explorar o ambiente com segurança, em um processo de tentativas e erros, usando o próprio corpo para aprender. A especialista lembra que, ao começar a andar, o bebê ainda não tem controle total sobre o corpo. Já o andador, por ter rodas, pode: criar uma falsa sensação de segurança; favorecer quedas no mesmo nível; aumentar o risco de acidentes mais graves, como quedas em escadas; atrasar a aquisição do andar sem apoio, por impedir o uso adequado dos músculos. Há também impacto na região cerebral. Isso porque estímulos sonoros e visuais excessivos tendem a estimular apenas uma área do cérebro em detrimento de outras, enquanto um brinquedo adequado permite interação sensorial ampla e respeitosa. Modelos diferentes, impactos negativos Existem dois tipos principais de andadores: de sentar e de empurrar. Apesar da diferença no modo de uso, ambos prejudicam o desenvolvimento e são perigosos, sobretudo o primeiro, que limita a movimentação e mantém a criança em posição fixa. Na prática clínica, observa-se que o andador dificulta a consolidação de posturas importantes para caminhar. A criança se acostuma a andar com apoio constante, diferente do que ocorre quando se apoia em móveis, no chão ou na parede. “Estar sempre apoiado durante o movimento não é natural. O bebê deixa de experimentar variações de apoio essenciais para consolidar postura e equilíbrio. Isso interfere diretamente na forma como o corpo aprende a se organizar para a marcha”, avalia a pediatra Anna Dominguez. Como estimular sem andador Uma regra de ouro da pediatria é: quanto mais natural e espontâneo o processo, melhor para o desenvolvimento. Não usar o andador permite maior estímulo motor e cognitivo, favorecendo criatividade, exploração do ambiente e construção de conexões neuronais integradas. A orientação da médica é priorizar o chão e um adulto de confiança como principais norteadores para as habilidades motoras. A criança precisa de espaço seguro para explorar, circular, tentar se locomover e buscar objetos que chamem sua atenção, como brinquedos espalhados pelo chão ou em móveis de diferentes alturas. “Caso ganhe o andador, o ideal é usar por pouco tempo e sempre com supervisão. Se possível, e se for seguro, retire as rodas e aproveite como mesa ou placa de brinquedos. Mas o diálogo é sempre a melhor saída: converse e explique os motivos pelos quais os pediatras não recomendam”, aconselha Anna. Vale ainda ficar de olho na evolução: se for contínua e progressiva, tudo tende a estar dentro do esperado. Porém, se os pais ou cuidadores tiverem dúvidas, consultar um especialista é o melhor caminho para tomar decisões com confiança e tranquilidade.
Quem amamenta pode tomar Mounjaro? Veja o que se sabe
Afinal, uma mãe pode usar Mounjaro enquanto ainda amamenta o bebê? Se essa dúvida parece descabida, saiba que o mesmo questionamento levou milhares de pessoas ao Google e foi a principal pergunta sobre amamentação feita na plataforma em apenas um ano, com mais de 70 mil buscas. A resposta, porém, não é tão simples. Igor Viana, especialista em endocrinologia e metabologia, conta que já existem dados tranquilizadores sobre a passagem da tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro) para o leite materno, mas as evidências ainda são insuficientes para considerar seu uso plenamente seguro para o aleitamento. Por isso, o medicamento não deve ser usado de maneira indiscriminada nesse período, especialmente quando o objetivo é exclusivamente estético. A decisão precisa considerar a necessidade clínica da mãe, a idade e as condições do bebê, a fase da lactação, as alternativas disponíveis e os benefícios e possíveis riscos envolvidos. A tirzepatida passa para o leite materno? De acordo com o médico, a bula mais recente do Mounjaro, nos Estados Unidos, já incorpora um estudo específico de lactação. Os dados disponíveis indicam que essa passagem existe, mas parece ser muito pequena. No impresso do medicamento, cita-se que 11 mulheres lactantes receberam uma dose única de 5 mg, sendo que a tirzepatida foi indetectável em 164 de 171 amostras de leite. Nas demais, a quantidade total encontrada correspondeu a menos de 0,02% da dose administrada. Ainda assim, o médico destaca que o número de mulheres estudadas é pequeno e que o principal estudo avaliou apenas uma dose do medicamento. “Faltam dados robustos sobre o uso contínuo, doses mais altas e possíveis efeitos a longo prazo no crescimento e no desenvolvimento dos bebês”, alerta. É por isso que, neste momento, ainda não se pode falar em risco zero para os lactentes. Inclusive, até a saúde da própria mãe deve entrar nessa discussão. Tudo porque o remédio reduz o apetite e pode provocar sintomas como náuseas, vômitos e diarreia na mulher, enquanto a amamentação, por si só, aumenta as demandas nutricionais e hídricas. A indicação médica muda tudo A real necessidade do tratamento faz toda a diferença nessa decisão. Para Karoline Prado, ginecologista e obstetra, uma mulher com diabetes tipo 2 pode receber indicação, já que precisa manter o controle adequado da doença, mas ainda existem opções mais experientes na literatura, como a metformina e a insulina. Se a finalidade é exclusivamente a perda de peso, a avaliação muda. Dependendo do caso, pode ser possível priorizar inicialmente outros cuidados durante o pós-parto, como: alimentação adequada e acompanhamento nutricional; atividade física progressiva, quando houver liberação médica; atenção ao sono e à recuperação materna; acompanhamento das condições metabólicas e de possíveis comorbidades. Isso não significa, porém, ignorar a obesidade ou reduzi-la a uma questão de força de vontade. “Mas não existe uma regra única para todas as lactantes”, afirma a especialista. Grau de obesidade, presença de outras doenças e necessidade clínica devem entrar na balança para encontrar o melhor equilíbrio entre o tratamento da mãe, a segurança do bebê e a manutenção da amamentação. Usuárias antigas Outra dúvida é se é preciso esperar o desmame para retomar o Mounjaro? Nem sempre. De acordo com a ginecologista Karoline Prado, atualmente não existe uma recomendação universal de que toda mulher precise aguardar o desmame para voltar a usar tirzepatida, se já fazia uso prévio. Por outro lado, os dados disponíveis também não significam que qualquer lactante possa simplesmente retomá-lo após o parto. A orientação é considerar o contexto: idade e saúde do bebê, prematuridade, momento do aleitamento, estado nutricional da mãe, indicação de tratamento e, sobretudo, a existência de alternativas mais experientes e seguras - tudo sob respaldo médico. Caso o medicamento seja utilizado, alimentação, hidratação e manutenção da produção de leite pedem merecem acompanhamento multidisciplinar. Para a obstetra, é importante evitar que essa discussão se transforme em uma escolha entre amamentar e cuidar da própria saúde. “Doenças como obesidade e diabetes merecem tratamento, mas o puerpério também não deve ser marcado pela pressão para retornar rapidamente ao corpo anterior à gestação”, defende.

