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Teste do pezinho detecta até 50 doenças em recém-nascidos
O teste do pezinho é um exame essencial para a detecção precoce de doenças em recém-nascidos e fundamental para garantir um futuro saudável. Realizado nos primeiros dias de vida, tem ajudado médicos e especialistas a identificarem condições que podem afetar o desenvolvimento da criança. Para o pediatra e neonatologista Nelson Douglas Ejzenbaum, membro da Academia Americana de Pediatria, a detecção precoce de doenças permite que tratamentos simples, mas eficazes, sejam instituídos desde os primeiros dias de vida. "Identificar doenças graves no início pode mudar o rumo da vida da criança, permitindo um desenvolvimento saudável e sem sequelas", afirma o especialista. Obrigatório no Brasil, o exame é considerado um dos mais importantes para o acompanhamento da saúde dos recém-nascidos. Deve ser coletado logo nos primeiros dias de vida por meio de um furinho próximo ao calcanhar, totalmente seguro e indolor para o bebê, que costuma chorar apenas pela sensação nova. “Inicialmente, o teste do pezinho pegava apenas a fenilcetonúria, mas foi sendo ampliado com o passar do tempo. Hoje, o exame básico detecta seis doenças, enquanto a versão ampliada abrange até 50 doenças”, explica o médico. A fenilcetonúria, que deu origem ao teste, é uma doença genética rara em que o organismo não consegue metabolizar corretamente a fenilalanina, presente em muitos alimentos, como carne, ovos e leite. Quando não tratada, pode causar problemas neurológicos graves, incluindo deficiência intelectual, convulsões e outros distúrbios. “Agora, se o exame apontar a fenilcetonúria, uma simples restrição de proteínas muda todo o jogo. A criança passa a ter uma vida normal, sem problemas de desenvolvimento, simplesmente por uma correção de dieta”, aponta Nelson. Teste do pezinho: básico ou ampliado? Conforme explicado pelo pediatra, o teste do pezinho surgiu para rastrear uma única doença, a fenilcetonúria. Depois, passou a rastrear seis condições: Fenilcetonúria Hipotireoidismo congênito Síndromes falciformes Fibrose cística Hiperplasia adrenal congênita Deficiência de biotinidase No entanto, com o avanço da tecnologia, o exame foi ampliado. Em maio de 2021, o portal do Governo anunciou a ampliação do teste do pezinho, que passou a detectar até 50 novas doenças e está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Conheça 10 delas: Toxoplasmose congênita Atrofia muscular espinhal (AME) Imunodeficiência combinada grave (SCID) Agamaglobulinemia (AGAMA) Galactosemia Aminoacidopatias Doenças lisossômicas Infecção por HIV Rubéola congênita Herpes congênita "Esses avanços foram possíveis graças à tecnologia genética, que ampliou a capacidade do exame", destaca o profissional. Diagnóstico precoce muda tudo Assim como na fenilcetonúria, que pode ter seus impactos corrigidos com um ajuste na dieta, outras doenças têm seus tratamentos beneficiados pelo diagnóstico precoce, alcançadas pelo teste do pezinho. Isso porque, com uma identificação prévia do quadro, as abordagens terapêuticas e recomendações médicas já podem ser iniciadas. Assim, impedem que as condições sejam descobertas anos depois, inclusive em estágios mais avançados e até irreversíveis. "A detecção precoce é muito importante para iniciar o tratamento o mais rápido possível. Isso pode fazer toda a diferença no desenvolvimento da criança", garante o pediatra. "Hoje, com a tecnologia genética, conseguimos cobrir essas 50 doenças no teste ampliado, um avanço significativo em relação à versão básica". Todos podem fazer o teste do pezinho? O exame é uma obrigatoriedade prevista por lei em todo o país e se aplica a todos os recém-nascidos brasileiros, sem nenhuma restrição ou contraindicação. Inclusive, em alguns casos específicos, apesar de raros, deve-se esperar o resultado para seguir com parte da vacinação. “O teste detecta a AGAMA, que se refere à agamaglobulinemia, ou seja, à falta de imunidade. Então, não se deve vacinar a criança antes disso. Por quê? Se a criança tiver esse problema, ela não deve receber essa vacina. É um caso raro, mas, se for triar no pezinho, primeiro, espere o resultado e, depois, vacine”, finaliza.
Calcanhar rachado: como fechar as fissuras antes do inverno
Há quem pense que o inverno seja a solução para o calcanhar rachado, já que as sandálias voltam para o armário e os calçados mais fechados, como tênis e botas, escondem as rachaduras. Mas a verdade é que o frio piora a situação: a pele fica mais ressecada, perde a elasticidade e abre pequenas fissuras, que podem doer e sangrar. Segundo a podóloga Simone Bonani, o problema começa de forma silenciosa, conforme a estação vai mudando. Ocorrem o ressecamento e o espessamento da pele na região dos pés, especialmente nos calcanhares, que sofrem maior pressão no dia a dia. “Os ‘rachados’ surgem a partir da área ressecada, enquanto as fissuras são um estágio mais avançado. É quando a pele se rompe e forma pequenas aberturas, aumentando o risco até mesmo de sangramento e infecções”, alerta a profissional. Por que o frio piora Além das quedas na temperatura, o inverno brasileiro é marcado pelo ar mais seco. Essa combinação climática torna o cenário perfeito para a pele perder sua hidratação natural e ceder lugar para as rachaduras. Mas a culpa não é só do frio. Outros fatores aumentam o risco ou agravam o quadro ao longo do tempo: pele extremamente ressecada; uso frequente de calçados abertos; longos períodos em pé; sobrepeso; falta de hidratação; doenças como diabetes. Nesse contexto, o calcanhar passa a sofrer não só com o ressecamento, mas também com a pressão constante, o que favorece o surgimento de cortes mais profundos. Quando o ressecamento vira alerta É bom lembrar que nem todo ressecamento exige intervenção imediata. Ainda assim, é importante saber identificar quando o quadro evolui para algo mais sério. Para se ter uma ideia, em estágios iniciais, a pele tende a ficar apenas áspera e esbranquiçada. Por outro lado, quando surgem fissuras profundas, os sinais mudam. Atente-se quando identificar: dor ao caminhar; presença de cortes visíveis; sangramento; desconforto constante. Como tratar e evitar piora A podóloga Simone Bonani compartilha formas eficientes de fechar as fissuras antes do frio chegar. Com constância, adote essas medidas: hidratação diária; uso de meias para potencializar os cremes; uso de calçados adequados; tomar banhos mornos; não andar descalço; não lixar os pés em casa. “Ureia, ácido salicílico e lactato de amônio são bons ativos para investir, com prescrição, porque promovem hidratação e renovação da pele. Em casos leves, a melhora pode aparecer em poucos dias”, afirma a profissional. Para os quadros mais avançados, são necessárias algumas semanas de cuidados contínuos, além da avaliação e orientação de um especialista, sobretudo para a recomendação de produtos seguros.
Como se pega bicho-de-pé e o que acontece se não tratar
O bicho-de-pé, também chamado de tungíase, é uma infestação de pele provocada pela pulga Tunga penetrans. Minúscula, ela mede cerca de 1 mm e penetra na pele humana, onde se instala - e geralmente, isso ocorre nos pés. Essa presença causa coceira intensa, dor e dificuldade ao caminhar, podendo trazer complicações se não for tratada corretamente. A dermatologista Ana Maria Benvegnú esclarece que a infestação acontece quando a pessoa entra em contato direto com a pulga, encontrada em solos quentes, secos e arenosos, além de chiqueiros, currais e até praias frequentadas por animais. “A tungíase, ou bicho-de-pé, é uma infestação que acontece quando a pessoa anda descalça em locais potencialmente contaminados, principalmente na zona rural. Por isso, os pés são os mais afetados”, diz a especialista. Sintomas e sinais de alerta A presença do bicho-de-pé costuma causar coceira e desconforto ao caminhar, mas os sintomas podem variar conforme a evolução da infestação. Entre os sinais mais comuns estão: Lesão nodular na pele, com ponto central escuro e halo claro ao redor; Coceira intensa, muitas vezes insuportável; Dor progressiva, principalmente ao caminhar; Inchaço e sensação de travamento; Presença de múltiplas lesões em casos mais graves. A dermatologista destaca ainda que, em situações raras, a infestação pode causar infecção secundária, com vermelhidão, pus e dor significativa. Além disso, outros problemas de pele podem se confundir com o bicho-de-pé, como miíase, verrugas virais, abscessos, corpos estranhos ou picadas de insetos, reforçando a importância do diagnóstico médico. O que acontece se não retirar Apesar de, em geral, não causar quadros graves, o bicho-de-pé é uma infecção e precisa de manejo adequado. A remoção incorreta ou a falta de tratamento pode levar a desdobramentos mais sérios, como: Infecção secundária, que pode se espalhar; Formação de úlceras dolorosas; Porta de entrada para o tétano, se a vacinação não estiver em dia; Gangrena em situações extremas, quando a infecção avança e compromete os tecidos. “É importante entender que se trata de uma infecção que precisa ser removida por completo para evitar complicações”, reforça Ana Maria. Tratamento seguro e eficaz A dermatologista alerta que a retirada deve ser feita por um profissional de saúde, em ambiente adequado e com material estéril. Assim, o tratamento envolve: Remoção da pulga com pinça e instrumentos apropriados; Aplicação de antissépticos locais para evitar infecção; Avaliação da necessidade de antibióticos, se houver sinais de inflamação; Uso de medicamentos orais em casos de múltiplas lesões ou infestação disseminada. Na maior parte das vezes, o procedimento é simples e resolvido muito rápido, trazendo alívio imediato dos sintomas. Prevenção e cuidados diários Para evitar a tungíase, é essencial adotar hábitos de proteção: Usar calçados fechados, como sapatos ou botas, em áreas de risco; Manter a higiene dos pés com sabonete ou sabão; Evitar andar descalço em solos arenosos, secos ou locais onde circulam animais; Orientar especialmente crianças e idosos, que são mais vulneráveis à infestação. “O bicho-de-pé é uma doença negligenciada. Em 2025, a Organização Mundial da Saúde lançou novas diretrizes técnicas para conter essa infestação e reduzir complicações, reforçando a importância do uso de calçados, principalmente entre os mais novos e os mais velhos”, finaliza a especialista.
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Cafuné antes de dormir acalma bebês e crianças
Antes do soninho chegar, pequenos rituais podem ajudar bebês e crianças a se prepararem para o descanso. Um exemplo simples, mas poderoso, é o cafuné: o toque suave é capaz de sinalizar que o dia está chegando ao fim, além de favorecer o relaxamento, a segurança emocional e a transição entre vigília e sono. Esse gesto carinhoso faz parte da rotina da hora de dormir que a artesã Daiana da Silva adota com seu filho de dois anos. Inspirada em uma lembrança da própria infância, ela manteve o hábito com o menino como uma forma de conexão antes de dormir. “Percebo que ele dorme melhor e mais rápido quando esse momento de aconchego acontece. Eu também sou assim, por isso meu namorado sempre faz em mim. A gente lê uma historinha e depois ficamos no chamego do cafuné, em família, até adormecer”, conta. O poder de um gesto de carinho Segundo a neurologista Priscila Mageste, especialista em medicina do sono, gestos como o cafuné podem ajudar no processo de desaceleração que antecede o ato de dormir. Isso porque movimentos lentos funcionam como um sinal para o corpo iniciar a transição entre estar acordado e entrar no descanso. “O toque suave ativa receptores da pele que se conectam ao sistema sensorial e às áreas cerebrais ligadas às emoções e ao conforto. Isso favorece a sensação de segurança e contribui para que o organismo desacelere”, explica a médica. Com essa ativação, algumas respostas fisiológicas começam a mudar: a respiração se torna mais lenta, a frequência cardíaca diminui e as ondas cerebrais passam gradualmente para um ritmo associado ao relaxamento e ao início do sono, com a liberação de hormônios associados à sensação de segurança e conforto. Ritual para desacelerar De acordo com a profissional, repetir esse gesto dentro de um protocolo noturno pode ajudar o cérebro da criança a reconhecer que o momento de dormir está chegando. A previsibilidade da rotina reduz o estado de alerta e facilita o relaxamento, especialmente após um dia cheio de estímulos. Entre os primeiros anos de vida, esse tipo de regulação externa costuma ser ainda mais importante porque o sistema nervoso segue em desenvolvimento. Além do cafuné, outras práticas podem integrar esse momento, como: leitura de uma história tranquila; ouvir música calma; banho morno no período da noite; diminuir a intensidade das luzes do ambiente. “Com o tempo, porém, é importante que o cafuné não seja o único sinal associado ao início do sono. A criança também precisa desenvolver autonomia para adormecer sem depender exclusivamente do contato físico”, orienta a médica do sono Priscila Mageste. Mudanças com o evoluir com a idade Mesmo que uma rotina noturna funcione muito bem para o bebê cair no sono, isso tende a mudar com o crescimento dele. Afinal, as necessidades já não são mais as mesmas quando o bebê se torna uma criança, assim como a própria rotina familiar, que se transforma ao longo desse desenvolvimento. Nesse sentido, a neurologista destaca algumas medidas eficazes: Manter horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos finais de semana. Expor a criança à luz natural pela manhã (com proteção). Reduzir estímulos e atividades agitadas no período da noite. Evitar o uso de telas pelo menos duas horas antes de dormir. Reservar o quarto para o momento de descanso. Criar uma rotina consistente em casa faz diferença. Para Priscila, a melhora do sono costuma acontecer de forma gradual, com hábitos que ajudam o corpo e o cérebro da criança a reconhecer, dia após dia, que chegou a hora de descansar.
Rotina com filhos não funciona mais: como recalcular a rota
Toda família que encontra um certo ritmo sente alívio. Quando o sono se encaixa, a alimentação flui ou o dia parece previsível, surge aquela sensação de que, finalmente, as coisas entraram nos trilhos. Mas, na infância, as fases mudam rapidamente e aquilo que era estável pode, de repente, deixar de funcionar. A seguir, você conhecerá histórias reais de famílias que precisaram recalcular a rota quando a rotina deixou de funcionar. Apesar da tensão, elas descobriram que ajustar o caminho faz parte do processo de crescer junto. Quando o sono desandou A recrutadora Ketlen Silva, mãe de uma bebê de seis meses, investiu na higiene do sono desde o nascimento. Ainda no hospital, começou a estruturar um ritual noturno com banho, luz baixa, ruído branco, mamada e ausência de estímulos. Durante os quatro meses em que esteve em casa, a rotina funcionou quase perfeitamente. No entanto, quando ela retornou ao trabalho presencial, tudo mudou, mesmo mantendo os passos da noite normalmente. A avó assumiu os cuidados da menina, mas Ketlen se mantinha responsável pelo sono e, então, percebeu que aquele ritual de sucesso já não funcionava mais. “Eu fiquei muito chateada. Não soube lidar bem no início. Insisti na mesma rotina por um tempo, como se nada tivesse mudado. Até perceber que o dia inteiro tinha se transformado. Não adiantava querer manter a noite igual”, lembra a mãe. O ajuste exigiu reorganização completa. Nos três dias em que trabalhava fora, a avó ficou responsável pelo banho e pelo sono. Além disso, os horários precisavam ser os mesmos do home office para garantir consistência. Após um mês de tentativa e erro, as coisas parecem ter se encaixado em uma nova rotina, que também funciona e traz paz. A alimentação virou disputa Com Eloise Teixeira, mãe de uma menina de 3 anos, a rotina que funcionava era a da alimentação. Desde a introdução alimentar, a filha comia bem: aceitava arroz, feijão, carne, frango e legumes. As refeições eram feitas à mesa, sem celular, com a família reunida. Para a dona de casa, essa era uma parte resolvida da maternidade. A mudança veio entre os dois e três anos. De forma repentina, a menina passou a dizer que não gostava mais da comida da mãe, empurrava o prato, reclamava que estava ruim e até saía da mesa sem comer, além de tentar barganhar com salgadinhos, doce e joguinhos. “Comecei a me perguntar o que estava fazendo de errado. Quanto mais eu insistia, maior era a resistência dela. Cada refeição parecia mais uma disputa para ver quem ganhava”, relembra a mãe, que investiu cada vez mais na paciência para tentar lidar. Com apoio do pai e orientação do pediatra, ela decidiu mudar a postura. Passou a manter a oferta da mesma comida, sem substituir por alternativas industrializadas, e reduziu o tom de confronto. Também incluiu a filha no preparo dos alimentos seguros. “Quando ela ajuda, demonstra mais interesse em experimentar depois”, compartilha. O que aprenderam no processo As duas mães relatam que o ponto de virada foi entender que mudanças fazem parte do desenvolvimento e que insistir na fórmula antiga pode aumentar a tensão. Entre as estratégias que ajudaram, elas destacam: aceitar que fases mudam e que ajustes são necessários; evitar transformar a situação em disputa; manter a constância, mesmo quando o resultado não é imediato; contar com a rede de apoio; incluir a criança no processo, quando possível. “O que funciona hoje pode não funcionar amanhã – e está tudo bem! Às vezes, é preciso recalcular logo a rota para ter paz novamente”, aconselha Ketlen Silva. Para Eloise Teixeira, a chave está na paciência, mesmo não sendo fácil. “Não entrar em guerra com a criança muda tudo. A constância é melhor do que a pressão”, conclui.
Nem toda birra é desafio: pode ser exaustão infantil
Quem ainda não tem filhos ou mesmo pais e mães de primeira viagem podem não saber (ainda), mas nem toda “explosão” infantil é um teste de limites. Em muitos casos, o que os adultos interpretam como “birra” pode ser apenas sinal de exaustão física e emocional. A diferença parece sutil, mas muda completamente a forma de intervir e pode evitar confrontos desnecessários dentro de casa. Foi isso que a assessora de imprensa Jéssica Moraes, mãe de duas crianças pequenas, percebeu após meses lidando com crises intensas no fim do dia. A filha ia bem para a escola integral, não apresentava resistência à rotina nem grandes problemas de comportamento, até que começou a ter explosões no retorno para casa. “Eu achava que era birra. Pensava que precisava ser mais firme, que era questão de educação”, conta. Só mais tarde ela entendeu que os episódios tinham outro significado: cansaço acumulado após 12 horas de escola com muitas atividades. Birra X exaustão A psicóloga Aline Carvalho explica que muitas situações classificadas como birras são, na verdade, manifestações de exaustão emocional. Quando a criança ultrapassa sua capacidade de lidar com demandas, estímulos ou frustrações, o comportamento deixa de ser uma escolha intencional e passa a sinalizar sobrecarga do sistema emocional. Essa exaustão costuma aparecer como: irritabilidade persistente; choro intenso ou prolongado; oposição frequente; regressões comportamentais; hipersensibilidade a estímulos; baixa tolerância à frustração; comportamentos desorganizados, mesmo sem um limite claro imposto. Já as birras associadas ao teste de limites tendem a surgir em situações específicas, com objetivo reconhecível e maior capacidade de reorganização quando o adulto mantém previsibilidade e consistência. “A diferença central está na frequência, na duração e na capacidade de autorregulação: a exaustão desorganiza; a birra pontual responde à presença reguladora do adulto”, esclarece a especialista em atendimento infantil. Por que a criança “explode”? A turma pequena ainda passa pelo desenvolvimento emocional, neurológico e linguístico. Não consegue reconhecer, nomear e comunicar com clareza estados internos como o cansaço emocional. Quando a autorregulação é imatura, a sobrecarga se manifesta pelo corpo e pelo comportamento. Situações do próprio dia a dia podem levar ao quadro, como: rotinas muito estimulantes ou desorganizadas; excesso de atividades e compromissos; uso prolongado de telas; privação ou irregularidade do sono; mudanças frequentes de ambiente; expectativas incompatíveis com a idade; barulhos excessivos; cobranças por desempenho; falta de tempo para descanso e brincadeiras livres. “Assim, choro intenso, irritação e oposição funcionam como formas imaturas de comunicação de uma necessidade não atendida e não como tentativa consciente de confronto”, avalia a profissional. O que fazer no momento da crise Diante de uma explosão, a orientação não é ignorar limites, mas reorganizar prioridades. A psicóloga Aline Carvalho recomenda oferecer contenção emocional antes de qualquer correção comportamental. Isso significa manter presença calma, voz firme e limites claros, sem negociar regras durante a crise. Lembre-se: validar sentimentos não é validar o comportamento. É possível reconhecer o cansaço, interromper estímulos e garantir segurança, deixando a orientação e o ensino de limites para quando a criança estiver novamente regulada. A partir do momento que a família passa a enxergar os episódios como sinais de exaustão, a dinâmica muda. Os adultos deixam de reagir a partir do confronto e passam a responder com leitura emocional, prevenção e contenção. O resultado: menos conflitos, mais segurança e fortalecimento do vínculo. O que muda dentro de casa Jéssica diz que percebeu tarde o que acontecia à sua frente. “Eu senti culpa por não ter entendido antes o verdadeiro motivo. Sinto que ignorei a possibilidade por medo de não conseguir resolvê-la”, lembra. Isso porque ela não tinha condições de tirar a filha do integral naquele momento, mas buscou ajustes possíveis, como diálogo com a escola. Ao entender que não se tratava de má-educação, mas de limite emocional, sua postura mudou. Houve menos confronto e mais tentativa de reorganização: menos atividades no tempo escolar e maior observação do contexto. Por isso, a especialista Aline reforça que compreender o comportamento infantil a partir das necessidades emocionais permite intervenções mais eficazes e respeitosas. Reconhecer a exaustão como um sinal legítimo contribui para o desenvolvimento emocional saudável da criança e para relações mais empáticas no dia a dia.

