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Conheça o Universo do Pé
A culpa é do salto? Veja motivos para o pé cavo em mulheres
O pé cavo é uma condição caracterizada pelo aumento do arco na sola do pé, que reduz a área de contato com o chão. Essa alteração pode ser leve e apenas uma variação anatômica ou estar associada a doenças neurológicas. Em ambos os casos, a atenção aos sintomas e aos cuidados diários é fundamental para evitar dor e complicações. Será que o salto usado por mulheres têm influência nisso? O diagnóstico para pé cavo é feito, principalmente, por exame clínico, complementado por radiografias. Quando necessário, são aplicados exames específicos, como a baropodometria, e feitas investigações neurológicas. “Essas avaliações ajudam a identificar se o caso é apenas uma variação anatômica ou se tem origem patológica, o que influencia diretamente no tratamento”, observa o ortopedista Ernane Bruno Osório, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia do Ceará (SBOT-CE). Conforme ele explica, o aumento do arco deixa a pisada diferente, com menor contato do pé com o chão. “Dependendo da causa e do grau, pode trazer desconfortos e dores, além de exigir uma análise cuidadosa para definir o cuidado mais adequado”, esclarece ele, especialista em Cirurgia e Medicina de Pé e Tornozelo. A causa precisa ser descoberta As principais causas do pé cavo estão relacionadas a fatores neurológicos. A mais comum é a doença de Charcot-Marie-Tooth, que provoca desequilíbrio muscular, enfraquecendo alguns músculos. Esse descompasso resulta no aumento do arco, flexão dos metatarsos e inclinação do calcanhar para dentro, ou seja, o pé cavo varo. Ainda de acordo com o médico, outras causas incluem a poliomielite – hoje menos frequente graças à vacinação – e o pé cavo sutil, uma variação mais leve da anatomia, que não tem origem patológica. É fundamental identificar a causa para poder desenhar o tratamento, já que são distintos. Impacto do salto alto Antes de culpar o salto, Ernane Bruno Osório lembra que a prevalência da condição entre homens e mulheres é a mesma. Logo, usar calçados elevados não vai aumentar o arco do pé, mas pode, certamente, piorar sintomas de quem já convive com a doença. Isso acontece porque, na anatomia do pé cavo, os metatarsos ficam naturalmente mais inclinados para baixo, concentrando pressão na parte frontal do pé. “Quando a paciente usa salto, essa sobrecarga aumenta ainda mais, causando dor intensa, calosidades e até feridas espessas, chamadas de hiperqueratoses”, esclarece. Além disso, o calcanhar inclinado para dentro favorece uma pisada supinada (externa), aumentando a propensão a entorses de tornozelo, por exemplo. Outro ponto de atenção são os dedos em garra, deformidade comum em casos mais graves. O uso repetitivo de saltos, principalmente os de bico fino, pode piorar essa condição, pois comprime ainda mais os dedos e intensifica a dor. Tipos de salto que mais prejudicam Certo modelos de saltos podem ser piores que outros. Nesse contexto, os altos e finos são tidos como os mais prejudiciais, com maior sobrecarga. Já a anabela, com seu solado rígido e com diferenças de tamanho, pode causar menos problemas e, dependendo da doença, até ser indicada. “Os calçados estreitos na parte frontal são os que mais devem ser evitados, pois comprimem os dedos e pioram as deformidades”, alerta o especialista. Sintomas que merecem atenção O pé cavo pode ser assintomático, mas quando começa a causar problemas, alguns sinais se tornam frequentes, como: Dor na região frontal do pé, chamada metatarsalgia; Calosidades na sola, principalmente na parte da frente; Entorses recorrentes por conta da pisada supinada; Dor ou lesões nos tendões fibulares, na lateral do tornozelo. Em casos mais graves, pode ocorrer tendinopatia, que é um desgaste dos tendões. O médico alerta ainda que entorses repetidas podem levar à instabilidade do tornozelo e exigir, em algumas situações, cirurgia corretiva, tanto do tornozelo quanto do próprio pé cavo. Cuidados e tratamento Para mulheres que apresentam sintomas, o primeiro passo é procurar um ortopedista especializado em pé e tornozelo. Em casos neurológicos, o tratamento deve ser multidisciplinar, com acompanhamento também de um neurologista. Entre os cuidados gerais estão: Evitar saltos altos e sapatos apertados; Fortalecer a musculatura dos pés; Alongar a musculatura posterior da perna; Dar preferência a tênis adequados. O ortopedista acrescenta que o uso de palmilhas pode ajudar, não para corrigir o formato do pé, mas para acomodá-lo melhor dentro do calçado e distribuir o peso de forma mais equilibrada. A ajuda médica deve acontecer em casos de dor intensa, calosidades que não melhoram, deformidade visível nos dedos ou entorses frequentes. "É essencial diferenciar se estamos diante de um pé cavo patológico ou apenas de uma variação anatômica leve. O acompanhamento médico garante o diagnóstico correto e a definição dos melhores cuidados”, finaliza Ernane Bruno Osório.
Canelite: como identificá-la desde os primeiros sinais
A dor na canela que surge após treinos intensos pode até parecer passageira, mas também pode ser sinal de um problema conhecido como canelite. A condição, que afeta principalmente quem pratica atividades de impacto, é resultado da inflamação na musculatura e na membrana que reveste o osso da tíbia. Se não cuidado, o caso tende a se agravar. Para entender melhor, o ortopedista Edson Pignata, especialista em pé do Hospital Moriah, esclarece que a canelite surge quando há sobrecarga repetitiva sobre a tíbia, que inflama. O quadro costuma se manifestar por dor difusa na parte interna da perna, logo abaixo do joelho, principalmente durante ou logo após o exercício. Não para por aí: a dor tende a se intensificar gradualmente, e o repouso nem sempre é suficiente para resolvê-la. “Nos estágios iniciais, a dor pode parecer simples, mas é o corpo avisando que algo está errado. Se não houver pausa ou tratamento adequado, piora e pode se tornar contínua, limitando o movimento e, em casos mais graves, evoluindo para uma fratura por estresse”, explica o médico. Quando a dor é sinal de alerta A canelite pode começar de forma discreta e evoluir rapidamente, caso seja ignorada. “Quando a dor persiste mesmo em repouso, dificulta a caminhada ou vem acompanhada de inchaço, é hora de procurar o ortopedista”, alerta Edson. Isso porque, se deixar o caso avançar sem o acompanhamento adequado, o risco de fratura por estresse aumenta - e esse caso exige um período de recuperação bem maior do que a condição por si só. Além da dor, a localização ajuda a diferenciar o problema de outras lesões. “Na canelite, a dor é mais difusa, como se se espalhasse por uma faixa da perna. Já as fraturas por estresse causam dor pontual, em um ponto específico do osso”, detalha Edson Pignata. Principais causas e fatores de risco A canelite aparece geralmente por sobrecarga e repetição. Entre os principais fatores que contribuem para o problema estão: Aumento repentino da carga de treino; Calçados inadequados ou desgastados; Sobrepeso; Tipo de pisada pronada (quando o pé “entra” ao apoiar); Prática de exercícios em superfícies muito duras; Falta de alongamento e fraqueza muscular. Ainda de acordo com o especialista, a dor é mais comum em quem pratica corrida, futebol, crossfit e caminhada intensa, sobretudo quando há mudança brusca na intensidade ou frequência dos treinos. Cabe ressaltar que o tipo de tênis faz toda a diferença para quem quer evitar dores e inflamações. Por essa razão, avaliar o tipo de pisada e ajustar o modelo ao formato dos pés são medidas simples que ajudam na prevenção. “Calçados sem amortecimento adequado aumentam o impacto sobre a tíbia. Já a pisada pronada causa uma torção que sobrecarrega os músculos e as articulações”, detalha Pignata. Tratamentos e alívio dos sintomas Em casos leves, o repouso pode aliviar o desconforto, mas o acompanhamento médico é indispensável para tratar a causa e evitar que o quadro volte. O ortopedista pode indicar fisioterapia, palmilhas e ajustes no treino para reequilibrar o esforço sobre a perna. Outras medidas que ajudam na recuperação incluem: Aplicação de gelo; Alongamentos antes e depois da atividade; Fortalecimento da panturrilha; Fisioterapia com liberação miofascial e reequilíbrio postural. Em casos recorrentes, o uso de palmilhas personalizadas pode ser decisivo para corrigir o apoio e aliviar a tensão sobre os músculos da perna. Prevenção é sempre o melhor tratamento, Por isso, evitar aumentos bruscos de intensidade, usar calçados adequados e respeitar o tempo de descanso entre os treinos são cuidados simples que reduzem o risco de canelite. “Essa dor é um sinal de alerta do corpo. Insistir no exercício sem investigar a causa pode transformar uma inflamação simples em uma lesão mais séria”, reforça o médico.
Mulheres já são maioria nas corridas, aponta pesquisa
A participação feminina nas corridas de rua tem crescido significativamente nos últimos anos. Segundo a pesquisa State of Running, de 2019, que analisou dados de 70 mil eventos em 193 países, pela primeira vez na história, o número de mulheres amadoras superou o de homens. Em 1986, apenas 20% dos corredores eram mulheres, mas em 2018 esse percentual subiu para 50,24%. O crescimento, que continua evidente nas corridas, reflete não apenas a busca do público feminino por qualidade de vida, mas também a luta por igualdade de gêneros no esporte, sempre tido como um ambiente majoritariamente masculino. "A corrida é uma prática acessível, que não exige grandes investimentos e proporciona benefícios físicos e mentais", destaca o especialista em treinamento esportivo Christian Zamprogna, do Estúdio Fly. De acordo com o profissional, as diferenças fisiológicas entre homens e mulheres impactam o treinamento e requerem adaptações. "A anatomia feminina, principalmente nos membros inferiores, influencia a biomecânica da corrida", diz. Além disso, as flutuações hormonais, sobretudo durante o ciclo menstrual, fazem com que cada corredora responda de uma forma e precise de um planejamento individual. Benefícios para a saúde O esporte traz diversos benefícios para a saúde feminina, como: Fortalecimento ósseo: essencial para prevenir osteoporose, comum após a menopausa; Melhora da circulação sanguínea: auxilia na oxigenação do corpo; Redução do risco de doenças cardíacas: fortalece o coração e ajuda no controle da pressão arterial; Controle do diabetes tipo 2: corredores regulares têm menor risco da doença; Bem-estar emocional: libera endorfinas e ajuda a reduzir sintomas de ansiedade e depressão; Melhora do sono: regula o ciclo do sono e reduz a insônia; Aceleração do metabolismo: contribui para a queima de gordura corporal. Prevenção de lesões Assim como em qualquer atividade física, a corrida exige alguns cuidados para evitar lesões, especialmente quando se é iniciante na prática. Nesse sentido, Christian Zamprogna recomenda: Fortalecer os músculos para reduzir impactos nas articulações; Variar o tipo de solo e adaptar-se a diferentes superfícies; Realizar aquecimento adequado antes do treino; Respeitar os limites do corpo, evitando exageros que possam levar a sobrecargas musculares. Equipamento adequado faz diferença A primeira decisão importante para correr é sobre qual calçado usar. Para isso, o especialista afirma ser essencial reconhecer o seu tipo de pisada – neutra, pronada ou supinada. “Também deve-se usar tênis com amortecimento macio e caimento perfeito, nem muito justo, nem muito largo. Isso oferece mais conforto, ajuda a reduzir o impacto e proporciona uma sensação de suavidade”, ensina. Já para as roupas, o importante é se sentir bem consigo mesma e estar confortável para a prática. Se for comprar peças esportivas, a indicação é avaliar se elas oferecem leveza, mobilidade e suporte adequado, principalmente para mulheres com busto maior. A sustentação fará toda a diferença. A corrida como autocuidado A paulista Giovanna Moura, de 26 anos, encontrou na corrida um caminho para melhorar sua saúde e bem-estar. "Engravidei e ganhei 20 kg. Meu médico recomendou atividade física, e minha terapeuta sugeriu a corrida para ajudar na depressão e ansiedade", conta. O começo foi difícil: "Eu não tinha condicionamento, sentia falta de ar. Mas fui descobrindo meu ritmo". Com o tempo, os benefícios ficaram evidentes para a dona de casa. "Minha disposição melhorou e hoje consigo subir escadas sem ficar sem ar". Apesar de desafios, como a pressão estética no meio esportivo, ela encontrou motivação na própria evolução. “Apenas comece! O começo não é a parte mais legal, mas o processo faz tudo valer a pena. Vão ter dias difíceis, a roupa não fica boa, o ar some, mas realmente melhora. A cada obstáculo que a gente supera dá aquela sensação de capacidade”, compartilha. Entre as dicas de Giovanna para quem deseja se aventurar nas corridas, estão: protetor solar, roupas confortáveis, beber bastante água, meias de algodão e cabelos presos. Além disso, consultar um especialista e ter acompanhamento é fundamental.
Conheça o Universo Infantil
O recém-nascido dorme muito? Entenda se é normal
Nos primeiros dias em casa, muitos pais se assustam ao perceber que o recém-nascido parece passar mais tempo dormindo do que acordado. É comum baterem as dúvidas: será que meu bebê dorme muito? Será que existe um período considerado normal? Devo acordar meu bebê para mamar? Spoiler: não precisa de tanta preocupação. O pediatra Luis Bonilha, do dr.consulta, garante que dormir bastante faz parte do desenvolvimento esperado nessa fase inicial da vida. “Das 24 horas do dia, o recém-nascido tende a dormir entre 16 e 20 horas, com despertares para mamar”, esclarece. E aí: quando o sono é considerado normal? Apegar-se ao relógio nem sempre é o melhor caminho. Além das horas dormidas, o médico destaca que o comportamento do bebê quando está acordado também importa. Isso porque um recém-nascido saudável costuma: acordar para mamar; sugar bem; reagir aos estímulos. Também é recomendado observar o contexto: molhar várias fraldas por dia e ganhar peso adequadamente são ótimos indicadores de que tudo está dentro do previsto. Se isso estiver acontecendo, os pais e cuidadores podem ficar tranquilos: o sono é fisiológico. É preciso acordar para mamar? Segundo o especialista Luis Bonilha, pode ser necessário acordar o bebê para mamar nas primeiras semanas de vida, caso ele passe muitas horas sem se alimentar. Essa orientação costuma valer até que o recém-nascido apresente bom ganho de peso, acompanhado nas consultas regulares com profissionais. “A puericultura é o acompanhamento periódico feito pelo pediatra para avaliar crescimento e desenvolvimento. Manter a frequência nessas consultas é essencial para garantir que tudo esteja evoluindo como esperado”, orienta. Esses encontros também são fundamentais para definir abordagens individualizadas. Por exemplo, esclarecer o intervalo entre cada mamada e saber quando se deve (ou não) interromper o sono para realizar a amamentação. O sono como sinal de alerta Na maioria das vezes, dormir muito é normal, mas o pediatra Luis Bonilha sugere avaliação médica quando o bebê: não acorda para mamar; mama pouco; fica muito “molinho”; não ganha peso. Esses sinais devem ser relatados em consultório para uma investigação mais detalhada, se necessário. A melhor estratégia e o segredo para observar o cenário sem ansiedade envolvem ter um profissional de confiança por perto. “A puericultura dá tranquilidade às famílias e ajuda a identificar precocemente qualquer alteração”, reforça o médico.
Febre que vai e volta: melhora entre picos também importa
Quando a febre diminui, muitos pais respiram aliviados. Mas a observação deve ir além do termômetro: o comportamento da criança entre os picos de temperatura costuma trazer informações importantes sobre a gravidade do quadro. A pediatra Paulla Linhares explica haver uma expectativa sobre esse intervalo. “A criança deve voltar a brincar, interagir, aceitar líquidos e demonstrar interesse pelo ambiente, mesmo que permaneça um pouco mais quieta do que o normal”, cita. Por outro lado, se a temperatura baixa, mas a prostração continua, a avaliação médica ainda é necessária. Sonolência, irritação inconsolável, recusa hídrica, dificuldade para respirar ou falta de reação também são sinais de alerta. O que observar entre um pico e outro Na pediatria, a regra é tratar a criança e não somente o número que aparece no termômetro. Por essa razão, a forma como o pequeno age entre os picos de febre acaba sendo mais importante do que a temperatura em si. Assim, esses intervalos são uma boa oportunidade para acompanhar a evolução da doença. Atente-se a: disposição para brincar, explorar o ambiente e interagir; contato visual, resposta quando é chamado e interesse pelas pessoas; aceitação de líquidos e sinais de boa hidratação, como boca úmida e urina clara; alimentação, mesmo que em pequenas quantidades; sono, observando se há apenas cansaço ou sonolência excessiva; respiração, verificando se permanece confortável ou apresenta esforço. Segundo a especialista, essas observações ajudam muito mais do que saber apenas qual foi a temperatura máxima. Uma criança que volta ao comportamento normal costuma transmitir tranquilidade, enquanto o oposto merece atenção. Nem toda febre que volta é sinal de piora A febre costuma oscilar ao longo do dia em muitas infecções, principalmente nas virais. Nos primeiros dois ou três dias, é comum a criança apresentar um pico, melhorar após o antitérmico ou com a queda natural da temperatura e voltar a ter febre horas depois. “Esse padrão, isoladamente, não indica agravamento. O que realmente orienta a conduta é o contexto, especialmente o estado geral da criança entre os episódios”, observa a médica. Em geral, a reavaliação médica é indicada quando: a febre persiste por mais de 72 horas; retorna depois de um período longo sem febre; surge acompanhada de dificuldade para respirar, convulsões, rigidez na nuca, manchas na pele, recusa persistente de líquidos ou prostração importante. Os bebês com menos de três meses também precisam de atendimento rápido em casos de febre, ainda que pareçam bem. Como acompanhar a evolução em casa Enquanto a criança estiver doente, a principal recomendação é oferecer líquidos com frequência e respeitar seu ritmo. A diminuição do apetite durante uma infecção é esperada, por isso não é indicado forçar grandes refeições. E não precisa de repouso o tempo todo: estar disposta para brincar ou realizar atividades leves é um ótimo sinal. Vale reservar o termômetro para os momentos de desconforto ou quando sentir a pele mais quente. Já as medicações são outro ponto destacado pela pediatra Paulla Linhares. Isso porque os antitérmicos devem ser usados para aliviar sintomas e não apenas pela temperatura alta. Novamente, o comportamento infantil é um bom marcador. “Uma temperatura alta nem sempre significa uma doença grave. Do mesmo modo, uma condição mais séria pode ocorrer com febre baixa ou até sem febre. Observem mais a criança e menos o termômetro”, finaliza a médica.
Como entender o choro do meu bebê em cada fase
Nos primeiros meses de vida, o choro é um reflexo de sobrevivência. Como o bebê ainda não possui linguagem, autorregulação ou compreensão simbólica, ele utiliza esse recurso como principal canal de comunicação com seus cuidadores. Mas, com o passar do tempo, os motivos por trás das lágrimas costumam mudar. A psicóloga infantil e psicopedagoga Bianca Zambon explica que, segundo a Teoria do Apego, do psiquiatra John Bowlby (1907-1990), o choro ativa o sistema de cuidado do adulto, funcionando como um chamado por presença e proteção. “Entre seis e oito semanas de vida, é comum um choro mais intenso no final do dia, que pode indicar sono, fome, dor, frio ou calor. Os pais passam a reconhecer os significados com o tempo e convivência”, assegura a profissional. Quando o choro ganha novos significados Com o passar do tempo, as lágrimas vão ganhando novos motivos. Por volta de seis a nove meses, por exemplo, o choro começa a apresentar componentes emocionais. Já depois dos 2 anos, com o avanço da linguagem e da consciência, expressa frustração, raiva, ciúme, necessidade de atenção e sobrecarga. Bianca destaca que o padrão também muda. Além do choro, podem surgir falas, gritos ou birras, especialmente quando a criança já tenta comunicar melhor o que sente, mas ainda não consegue regular as emoções. Conforme o cérebro amadurece, a turma mirim começa a nomear emoções e prever frustrações. Como a autorregulação segue em construção, o choro vira uma descarga emocional e passa a se relacionar com causas, não apenas com respostas fisiológicas. Interpretando cada lágrima No dia a dia, não há uma resposta exata para diferenciar cada tipo de choro, mas é possível fazer relações com o contexto. Quando acontece no final do dia, costuma estar ligado ao cansaço, com irritabilidade, e tende a diminuir com colo, atenção e um ambiente mais tranquilo. Agora, se for um choro de frustração ou birra, geralmente aparece após um “não” e pode vir acompanhado de raiva. Nesses casos, a orientação é acolher, explicar o motivo da negativa e estabelecer combinados prévios, que ajudam a diminuir essas reações. “Uma criança pequena não tem maturidade para manipular de forma estratégica. Na maioria das vezes, é uma tentativa de regulação emocional. Elas também agem intencionalmente por tentativa e erro: se fizeram algo anteriormente e conseguiram o que queriam, esse comportamento tende a se intensificar”, esclarece a psicopedagoga. O papel do adulto Ignorar o choro pode ter efeitos diferentes, dependendo da fase. Nos primeiros anos, essa postura gera insegurança, ansiedade e dificuldade de identificar emoções, enquanto a presença do adulto ensina que sentimentos são aceitos. A psicóloga infantil Bianca Zambon reforça que, ao ser ignorada pelo cuidador, a criança pode intensificar o choro ou inibir emoções. Por isso, é importante avaliar cada caso e cuidar para não desvalidar sentimentos. Se os episódios forem frequentes e excessivos, vale buscar ajuda profissional. Para lidar com a situação no dia a dia, ela orienta usar o diálogo: conversar, fazer combinados, nomear emoções, falar de como se sente e dar exemplos positivos. Com o tempo, o papel do adulto deixa de ser apenas cessar o choro e passa a ajudar a criança a reconhecer emoções, tolerar frustrações e encontrar estratégias alternativas.

