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Por que a dor no calcanhar pode chegar ao tornozelo?
Dor no Calcanhar

Por que a dor no calcanhar pode chegar ao tornozelo?

Sentir dor no calcanhar já é desconfortável. Quando começa a se espalhar para o tornozelo, então, o sinal de alerta se acende. Esse tipo de irradiação costuma estar ligada a alterações na marcha e sobrecargas em cadeia, mas tem solução. Com o diagnóstico correto e tratamento adequado, o quadro tende a responder bem. A ortopedista Marília Manfrinato, especialista em cirurgia de pé e tornozelo do Hospital São Marcelino Champagnat, explica que as causas mais comuns de dor no calcanhar incluem fascite plantar (associada ou não ao esporão), tendinopatias do tendão de Aquiles, atrofia do coxim gorduroso plantar e compressões nervosas. “A fascite plantar responde por cerca de 80% dos casos de dor no calcanhar. Quando há sobrecarga nessa região, a forma de pisar muda e isso pode aumentar a tensão no tornozelo”, justifica a médica. Por que a dor pode irradiar? A dor não se espalha por acaso do pé para o calcanhar. Estruturas como a fáscia plantar, o tendão de Aquiles e a musculatura da panturrilha funcionam como uma cadeia integrada nos movimentos do pé e do tornozelo. Quando o calcanhar dói, o corpo altera a marcha para aliviar o impacto e essa adaptação acaba sobrecarregando outras regiões. Em casos crônicos de fascite plantar, por exemplo, a dor pode se espalhar mesmo sem lesões estruturais mais graves. O alerta surge quando aparecem sintomas como: Dor em queimação, formigamento ou dormência; Dor muito intensa, difusa e persistente; Piora súbita, com dificuldade para apoiar o pé ou caminhar. Tais sinais podem indicar compressões nervosas, fraturas ou rupturas e exigem avaliação médica imediata. Estruturas que podem estar envolvidas Quando a dor atinge calcanhar e tornozelo ao mesmo tempo, diferentes estruturas podem estar associadas ao quadro, como: Nervo tibial posterior; Nervos plantares; Nervo calcâneo inferior; Nervo sural; Fáscia plantar, tendão de Aquiles e articulações do pé e do tornozelo. O padrão da dor ajuda na investigação, mas não define sozinho a causa. Vale saber: Dores mecânicas costumam piorar com o uso e melhorar com o repouso; Dores inflamatórias são mais intensas em repouso, especialmente pela manhã; Dores degenerativas tendem a combinar características dos dois tipos (mecânicas e inflamatórias). Quando investigar a dor mais a fundo A especialista Marília Manfrinato diz que dores persistentes, crônicas ou sem causa bem definida pedem investigação mais aprofundada. Também merecem atenção especial os casos de: Dor intensa após quedas ou entorses; Sinais inflamatórios ou infecciosos, como inchaço, calor e vermelhidão; Piora progressiva da dor, especialmente em pessoas com diabetes; Manutenção da dor mesmo após cirurgia ou tratamento conservador bem conduzido. O diagnóstico parte da história clínica e do exame físico. Em muitas situações, a fascite plantar pode ser confirmada por ultrassonografia, enquanto compressões nervosas e tendinopatias podem exigir ressonância magnética. O papel da fisioterapia no controle da dor Do ponto de vista funcional, a fisioterapeuta Flavia Makoski Ciescilivski, do Hospital Universitário Cajuru, esclarece que a reação automática à dor no calcanhar é a pessoa tentar tirá-lo do chão o mais rápido possível. “Isso encurta o tempo de apoio inicial e antecipa a carga sobre o tornozelo, que passa a absorver impacto sem a ajuda adequada do calcâneo”, detalha a profissional. Na prática, esse mecanismo de proteção gera compensações como pisar mais de lado, sobrecarregar músculos que não deveriam assumir essa função e perder eficiência na caminhada. Com o tempo, surgem cansaço precoce, sensação de peso na perna e dor em novas regiões. Reorganizar o movimento é essencial A fisioterapia atua para interromper esse efeito em cadeia, não apenas aliviando a dor, mas reorganizando a forma de andar. Entre as abordagens mais utilizadas estão: Reintrodução progressiva do contato do calcanhar com o solo; Exercícios de transferência lenta de peso do retropé para o antepé; Treinos de apoio respeitando a tolerância à carga; Fortalecimento e reeducação do movimento. “O fortalecimento e a reeducação são decisivos para evitar que a dor se espalhe ou se torne crônica. Não é só tratar o calcanhar, mas devolver ao corpo uma pisada eficiente”, reforça a fisioterapeuta. Além disso, a ortopedista Marília reforça que a dor no calcanhar não deve ser normalizada. Quanto mais precoce for a avaliação, maiores são as chances de resolução com tratamentos mais simples e conservadores.

Neuropatia nos pés: veja causas, sintomas e tratamento
Prevenção de Lesões

Neuropatia nos pés: veja causas, sintomas e tratamento

Sensações como queimação, perda de sensibilidade ou desequilíbrio ao caminhar podem estar relacionadas à neuropatia periférica, uma disfunção dos nervos que afeta especialmente os pés e exige atenção médica. A condição costuma ter origem ortopédica ou vascular, e o diagnóstico correto é essencial para indicar o melhor tratamento. Segundo o ortopedista Bernardo Aurélio, cirurgião do pé e tornozelo da Kora Saúde, o quadro se manifesta de forma progressiva. “Os principais sintomas são queimação e alteração da sensibilidade térmica e dolorosa. Em casos mais graves, há perda de força e até impacto na marcha”, explica. Já o cirurgião vascular Fabio Rodrigues Ferreira, do Hospital São Camilo, acrescenta que a destruição química dos nervos, como ocorre em pacientes com diabetes, também pode causar neuropatia. “É uma perda de sensibilidade que pode se tornar permanente e levar até a úlceras e amputações, se não tratada”, alerta. É só dormência ou neuropatia? Embora ambos os sintomas estejam relacionados aos nervos, há diferenças claras entre eles. A dormência comum é transitória e geralmente melhora em poucos minutos ou semanas, especialmente se for causada por má postura ou compressão passageira de nervos. Tende a desaparecer completamente em até três meses. “A neuropatia é mais lenta, progressiva e com pouca ou nenhuma melhora espontânea”, afirma Aurélio. Rodrigues Ferreira complementa que “a compressão repetida do nervo, como em casos de hérnia de disco ou estenose do canal medular, causando uma lesão duradoura”. Assim, a dormência não passa mais – e aí temos uma neuropatia instalada. Principais causas da neuropatia Entre os fatores ortopédicos e sistêmicos que podem desencadear o quadro, os especialistas destacam: Compressões nervosas por alterações na coluna, como hérnia ou estenose; Diabetes mellitus (neuropatia diabética); Deficiências nutricionais; Infecções como hanseníase, HIV e herpes zoster; Doenças autoimunes; Exposição a toxinas e metais pesados; Uso de medicamentos como quimioterápicos e antibióticos; Alcoolismo crônico; Traumas e fatores hereditários; Insuficiência renal. Ainda de acordo com o ortopedista, alterações na coluna podem prejudicar a condução dos sinais nervosos entre a medula e os membros inferiores. Fabio Rodrigues Ferreira, por sua vez, faz um comparativo: “É como se a pessoa ficasse sentada sobre o nervo por dias”. Isso porque a compressão constante machuca e também impede a recuperação. Tratamento e prevenção O tratamento para a neuropatia no pé varia conforme a origem do problema. De modo geral, o foco está em controlar a causa e aliviar os sintomas. Se a origem for ortopédica: Medicação para dor e inflamação; Fisioterapia e acupuntura; Bloqueio do gânglio simpático ou implante de eletrodo medular (em casos graves). Agora, se houver envolvimento vascular ou sistêmico: Controle rigoroso do diabetes e de outras doenças crônicas; Acompanhamento com cirurgião de coluna ou vascular; Cirurgias para descompressão dos nervos. “É fundamental tratar a causa e não apenas o sintoma. Cada plano deve ser individualizado, conforme a condição do paciente”, orienta o cirurgião vascular. Além do tratamento, os médicos alertam para os riscos da perda de sensibilidade prolongada, que pode evoluir para feridas graves ou infecções.

Neuroma de Morton: ‘pedrinha no sapato’ é alerta
Neuroma de Morton

Neuroma de Morton: ‘pedrinha no sapato’ é alerta

A dor na parte frontal do pé que parece uma “pedrinha no sapato” é um relato clássico de quem tem Neuroma de Morton. O problema envolve um nervo entre os dedos que sofre pressão repetidamente, gerando desconforto, queimação, formigamento ou fisgada, que piora com calçados apertados e costuma aliviar ao ficar descalço. “Neuroma de Morton é uma inflamação com espessamento de um pequeno nervo entre os ossos do antepé. Na prática, acontecem compressão e espessamento ao mesmo tempo”, diz o ortopedista Mateus Jerônimo. Significa que o espaço reduzido comprime o nervo, a pressão contínua o engrossa e inflama, e o aumento de volume amplia ainda mais a compressão - um ciclo que explica a persistência da dor. “O nervo inflamado forma uma pequena saliência na planta do pé. Quando a pessoa apoia o peso, essa área é pressionada entre os ossos e o chão, gerando a sensação de ter uma pedrinha dentro do calçado, mesmo descalço”, acrescenta o médico. O que evitar Conforme aponta o especialista, alguns fatores aumentam a chance de desenvolver a condição. Entre os principais estão: Usar sapatos de bico fino ou salto alto, que comprimem os dedos; Estar com excesso de peso, que sobrecarrega o antepé; Ter alterações no formato do pé, como pé plano ou cavo, joanete e dedos em garra; Praticar atividades de impacto (corrida, dança, esportes com salto); Passar longos períodos em pé, sobretudo com calçados rígidos. É fundamental evitar esses hábitos e, se possível, pensar em alternativas para cada um deles. No caso dos calçados, por exemplo, vale trocar o bico estreito pelo mais largo e o salto alto pelo baixo, de até 3 centímetros, com solado macio e palmilhas de apoio central, que ajudam a distribuir o peso e reduzem o atrito. Mateus Jerônimo também observa que, em atividades de impacto, especialmente corrida, a frente do pé absorve grande parte da carga. “Por isso, é decisivo usar tênis com bom amortecimento e espaço para os dedos, além de ajustar o volume dos treinos, evitando aumentos bruscos”, orienta. Diagnóstico e tratamento O diagnóstico é clínico. Ou seja, é essencial ir ao ortopedista, que identifica a queixa típica e localiza o ponto doloroso ao pressionar o espaço entre os dedos. Exames como ultrassonografia e ressonância magnética confirmam o espessamento do nervo e afastam outras possibilidades, se houver dúvidas. A boa notícia é que, na maioria dos casos, a solução também é clínica e bastante eficaz. O especialista destaca as seguintes medidas: Troca de calçados por modelos mais confortáveis e largos; Uso de palmilhas ortopédicas com apoio metatarsal; Fisioterapia para fortalecer a musculatura do pé e equilibrar as cargas; Prescrição de medicamentos e infiltrações para reduzir a inflamação e aliviar a dor. “A cirurgia só é considerada quando a dor persiste, de 3 a 6 meses, apesar do tratamento clínico. O procedimento libera o nervo ou remove a área mais afetada, conforme a avaliação médica”, acrescenta Mateus Jerônimo. Por último, cabe ressaltar que, embora raro, o Neuroma de Morton pode voltar mesmo após a cirurgia. O ortopedista observa que alguns pacientes acabam desenvolvendo uma cicatriz sensível no local, portanto, é fundamental manter as medidas de controle e proteção.

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O ressecamento da pele, principalmente das pernas e dos pés, é uma condição comum que pode resultar em desconforto, fissuras e até inflamações. Manter a hidratação adequada é essencial para prevenir o aparecimento de rachaduras, especialmente em áreas mais suscetíveis do corpo, como os calcanhares e cotovelos.

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