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Posso ter esporão nos dois pés? Especialistas respondem
É fato: sentir dor no calcanhar, característica comum em casos de esporão de calcâneo, já dificulta a rotina. Quando o incômodo aparece nos dois pés ao mesmo tempo, o impacto costuma ser ainda maior. A boa notícia é que existem caminhos para aliviar a dor e evitar a progressão do quadro. Entender a origem do esporão, ajustar a marcha e adotar cuidados específicos ajudam no controle dos sintomas. O ortopedista Eduardo Novak, do Hospital Universitário Cajuru, explica que o esporão do calcâneo é uma calcificação que se forma na região onde a fáscia plantar se liga ao osso do calcanhar. “Esse tecido fibroso ajuda a manter a curvatura do pé e, quando submetido à tração repetida ao longo dos anos, pode sofrer microlesões”, detalha. Como resposta disso, o organismo produz a calcificação, ou seja, o esporão. Quando ocorre nos dois pés, é por causa da distribuição de peso entre eles, que costuma ser semelhante. Assim, se a sobrecarga acomete ambos os lados, o problema também pode surgir bilateralmente. Esporão bilateral indica algo mais grave? Calma! Ter esporão nos dois pés não é incomum e não significa, necessariamente, um quadro mais grave. Isso indica que ambos os pés estão sendo submetidos a tensões parecidas. Apesar de o corpo não ser perfeitamente simétrico, alterações similares podem se desenvolver nos dois lados ao mesmo tempo. Quando a dor é bilateral, o tratamento costuma exigir mais conscientização do paciente, já que proteger apenas um pé se torna impossível. Até porque, mesmo nos casos em que a dor aparece em apenas um dos membros, os exercícios e cuidados devem ser feitos bilateralmente para evitar que o problema se instale no outro lado. Mas nem sempre dói Embora o esporão apareça nas radiografias, ele não é a causa primária da dor. O desconforto está relacionado à inflamação ou irritação da fáscia plantar, submetida à tração excessiva por encurtamento, sobrecarga de peso ou uso inadequado de calçados. Por isso, é comum encontrar pessoas com esporão visível no exame de imagem sem sintomas. O ortopedista Eduardo Novak mostra que estudos indicam que até 20% da população pode ter essa calcificação de forma assintomática. E mais: tratar a fáscia costuma aliviar a dor, mesmo que o esporão permaneça. Quando investigar com mais cuidado? Na maioria dos casos, o diagnóstico é clínico, baseado na história do paciente e no exame físico. A radiografia auxilia na identificação do esporão, mas exames complementares podem ser solicitados quando: A dor é persistente ou não melhora com o tratamento inicial; Há suspeita de outras causas associadas; O quadro foge do padrão típico da fascite plantar. Desde as primeiras dores até quadros mais sérios, o ortopedista é o especialista médico mais indicado para acompanhar o paciente. O impacto não se resume aos pés Do ponto de vista funcional, a fisioterapeuta Mayara Barbosa, do Hospital São Marcelino Champagnat, esclarece que a dor nos dois calcanhares dificulta as compensações naturais da marcha. Para evitar o impacto, o corpo passa a adotar adaptações automáticas, como: Passos mais curtos e lentos; Apoio mais plano do pé no solo; Transferência de carga para o antepé; Redução da mobilidade do tornozelo. Com o tempo, essas alterações podem gerar sobrecarga em joelhos, quadris e coluna, além de aumentar o gasto energético e provocar fadiga precoce. Tratamento bilateral Quando o esporão afeta ambos os pés, a fisioterapia tem papel central na reorganização do movimento. O foco não é apenas aliviar a dor, mas evitar compensações que levem a novos problemas. Entre as prioridades estão: Orientações sobre o apoio correto do pé no solo; Ajustes na marcha e nas atividades do dia a dia; Escolha adequada de calçados; Controle do tempo em pé e da exposição ao impacto. “Alongamentos da panturrilha, ganho de mobilidade do tornozelo, fortalecimento dos membros inferiores e reeducação da pisada ajudam a distribuir melhor as cargas e reduzem a tensão sobre a fáscia plantar”, analisa a fisioterapeuta Mayara. Cuidados que fazem diferença Os profissionais destacam que algumas medidas simples auxiliam no controle da dor e na prevenção da piora do quadro bilateral: Usar calçados com curvatura adequada no arco do pé; Evitar rasteirinhas e chinelos muito planos; Alongar antes de sair da cama, reduzindo a fisgada matinal; Diminuir atividades de impacto durante crises; Manter-se ativo, respeitando os limites do corpo. Além disso, a avaliação conjunta com ortopedista e fisioterapeuta permite identificar o problema de origem, ajustar o tratamento e preservar a qualidade de vida em qualquer situação.
O que é o pé diabético e quais são os cuidados essenciais?
Quem tem diabetes precisa caprichar na hidratação e checar os pés todo dia para evitar feridas que prejudiquem sua saúde. Algumas pessoas que têm diabetes podem desenvolver uma condição chamada de “pé diabético”. Isso acontece quando se tem uma ou mais complicações do diabetes, como neuropatia (que afeta o funcionamento dos nervos), circulação reduzida ou deformidades na estrutura do pé. A neuropatia causa uma perda de sensibilidade que não deixa a pessoa sentir dor e desconforto nos pés se tiver uma irritação na pele, que pode virar uma ferida (ou úlcera). “Essa ferida é a uma causa importante de amputação”, alerta a endocrinologista Sharon Nina Admoni, responsável pelo ambulatório de pé diabético do grupo de diabetes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e médica do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês. Já a doença vascular reduz a circulação nas pernas e nos pés devido ao acúmulo de placas de gordura na parede das artérias, dificultando a cicatrização de feridas e piorando o inchaço. E a deformidade dos pés, combinada com a neuropatia e/ou a diminuição da circulação, pode levar ao desenvolvimento de uma ferida que pode ter graves consequências. “Essa ulceração é mais comum na planta do pé. Se não for tratada, pode destruir os tecidos mais profundos, levando à amputação”, explica Roseanne Montargil Rocha, enfermeira especialista em Estomaterapia e coordenadora do Departamento do Pé Diabético da Sociedade Brasileira de Diabetes. Um sapato apertado, uma pedrinha na meia ou uma pressão sob determinada área do pé, por exemplo, cria uma calosidade. “Por baixo desse calo pode acontecer uma hemorragia, que não é sentida por causa da perda de sensibilidade e dá origem à úlcera, que afeta as camadas por baixo da pele”, diz Admoni. Nesses casos, é preciso consultar um especialista para remover o calo e tratar a lesão ou infecção — e jamais fazer isso em casa. Isso porque, dependendo da seriedade do problema, será preciso debridar a úlcera, ou seja, remover o tecido que necrosou e limpar a lesão para deixar somente a pele e os tecidos saudáveis. Como cuidar do pé diabético Como quem tem pé diabético pode não sentir dor ao se ferir ou ao pisar de maneira diferente por causa de alterações na estrutura do pé, precisa dedicar um tempinho ao cuidado diário com os pés. “Essa inspeção deve ser feita todo dia, especialmente em caso de perda de sensibilidade”, diz Rocha. Para começar essa rotina diária de cuidado, a Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda observar a textura da pele e ver se algum ponto está mais áspero ou ressecado —especialmente no calcanhar— e se há calosidades, vermelhidão, inchaço, rachaduras na pele ou aumento da temperatura, que podem ser indícios de uma infecção. Na rotina de cuidado, também é importante afastar os dedos dos pés para procurar feridas ou um aspecto esbranquiçado na pele, que pode sinalizar a presença de micoses (como as frieiras). E, claro, manter os hábitos de higiene, como lavar e secar bem os pés e, principalmente, aplicar hidratante específico para eles. “A neuropatia deixa o pé mais ressecado, mais propenso a ter rachaduras e fissuras”, afirma Admoni. Uma vez por semana, é bom fazer uma esfoliação nos pés. Os esfoliantes removem as células mortas da superfície da pele e estimulam sua renovação, além de preparar a pele para absorver melhor o hidratante. Quem tem pé diabético precisa de calçados especiais? Outra recomendação importante é nunca andar com os pés descalços, especialmente quem tem neuropatia, porque isso aumenta as chances de machucar os pés sem perceber e pode causar úlceras. Os calçados devem estar na medida certa: nem muito apertados nem muito largos, para não causar bolhas e outras feridas por causa do atrito. “O calçado inadequado é a principal causa externa das ulcerações no pé”, afirma Rocha. Além disso, deve ter um solado rígido. “Assim, ele organiza o caminhar e distribui de maneira melhor as pressões sobre os pés”, completa Admoni. “Também é importante, especialmente para quem tem neuropatia, que o calçado tenha um contraforte. É aquela estrutura na parte do calcanhar, para que o pé não escorregue.” Para não machucar o pé, escolha calçados sem costuras internas ou rebarbas e feitos de materiais macios. Com eles, é bom usar meias de algodão, também sem costuras, e de preferência claras, que “denunciam” se houver algum machucado. Se a meia tiver costuras, o melhor é usá-la do avesso. 5 dicas para a saúde do pé Verifique sempre a glicemia para mantê-la sob controle; Inspecione seus pés diariamente para ver se existe alguma lesão, inchaço ou aumento de temperatura; Aplique hidratante todo dia para melhorar a qualidade da pele; Use calçados adequados, de solado rígido, para dar apoio aos pés; Se descobrir alguma lesão, procure auxílio médico — não tente tratar em casa.
Como aliviar dores de joanetes
Quem tem joanete sabe que passar muito tempo com um calçado apertado, que incomoda a saliência do osso, é sinônimo de chegar em casa com o pé dolorido. Afinal, quando esse osso meio saltado é pressionado, a bursa — uma bolsa com líquido que envolve a joanete — inflama, causando uma dor aguda e vermelhidão no local. Nessas horas, o que fazer? Quando o joanete já está dolorido, a primeira atitude a tomar é tirar o sapato assim que possível. Confira, a seguir, o que mais você pode fazer para aliviar a dor no pé. Faça uma bolsa de gelo Ao chegar em casa, você pode fazer um escalda-pés com água quente ou aplicar uma bolsa de gelo por dez minutos nessa região do pé —fazer uma massagem também pode aliviar. Aplique anti-inflamatório Para aliviar a dor, outra opção é aplicar um gel ou um spray anti-inflamatório na região do joanete, indica Isnar Moreira de Castro Junior, especialista em pé e tornozelo e chefe do grupo de pé e tornozelo do Instituto Nacional de Traumato Ortopedia (INTO). Tome um analgésico Quando o pé está dolorido, tomar um analgésico também ajuda a reduzir esse desconforto, afirma o médico ortopedista José Sanhudo, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Dê uma folga para o pé Se no dia seguinte o joanete estiver ainda um pouco incômodo, é melhor evitar usar o calçado que causou a dor. Escolha um sapato confortável, sem salto (ou de salto baixo), que tenha uma biqueira larga que acomode bem o pé. “O uso de calçados abertos, sem atrito com o joanete, costuma ajudar muito nos períodos de crise dolorosa”, afirma Sanhudo. Castro Junior sugere, também, exigir menos do pé. “Quando o joanete está dolorido, é bom diminuir a demanda”, diz. Use um protetor de joanete Para evitar o atrito com o calçado e a volta da dor, você pode usar um protetor de joanete —mas, antes, cheque se há espaço suficiente para acomodá-lo. “Uma vez que começa a haver uma deformação óssea do dedo, as áreas de osso proeminentes ficam em atrito com o calçado, e isso dói. Quando você protege as áreas que estão sob pressão no calçado, isso alivia a dor”, diz Castro Junior. Escolha um calçado confortável No dia a dia, a melhor maneira de lidar com o joanete para evitar as dores é usar o calçado certo, bem ajustado à largura do seu pé — e evitar os de salto alto, bico fino ou apertados. Quando devo procurar um(a) ortopedista? Se, mesmo tomando esses cuidados, as dores no joanete forem persistentes e começarem a ocorrer com mais frequência ou a prejudicar o caminhar, é melhor procurar um(a) ortopedista. “Se você tem o joanete, mas não tem muita dor, ainda assim vale a pena procurar um ortopedista para ver se é indicado fazer a cirurgia. Operar um joanete pequeno, no começo, é mais simples do que fazer o mesmo com a deformidade bem mais evoluída”, afirma Castro Junior. “A cirurgia visa retirar um pedaço do osso proeminente e corrigir a deformidade do primeiro dedo.”
Conheça o Universo Infantil
É normal o bebê chorar muito? O que saber sobre isso
O choro faz parte do desenvolvimento do bebê, especialmente nos primeiros meses de vida. Nem todo choro é igual e entender os padrões ajuda os cuidadores a saberem quando é algo esperado ou se merece mais atenção. Frequência, intensidade e sinais são pontos importantes para diferenciar o que é rotineiro de algo a ser investigado. Nos primeiros meses, é esperado que o bebê chore mais, sobretudo entre a quarta e a sexta semana de vida, com melhora gradual até os três ou quatro meses. Afinal, o choro é a principal forma de comunicação dele para expressar necessidades e desconfortos, como fome, sono ou excesso de estímulos. A pediatra Greter Fernandez explica que, dentro desse período, existe inclusive um padrão clássico para definir o choro excessivo, conhecido como cólica do lactente. É a chamada “regra dos 3s”: choro por mais de 3 horas por dia, em pelo menos 3 dias da semana, por 3 semanas consecutivas, em bebês saudáveis e com ganho de peso adequado. Por que alguns bebês choram mais As causas do choro frequente são multifatoriais e nem sempre estão ligadas a doenças. Entre os motivos mais comuns listados pela médica estão: necessidades básicas não atendidas, como fome, fralda suja, frio, calor ou sono; cólicas relacionadas à imaturidade do sistema gastrointestinal e neurológico; fatores psicossociais, como o ambiente e a interação entre cuidador e bebê, intolerâncias alimentares, como a alergia à proteína do leite de vaca; mais raramente, condições orgânicas (refluxo gastroesofágico patológico, infecções ou dores específicas são alguns exemplos). A enfermeira obstetra e educadora perinatal Emanuela Gomes destaca também que nem sempre o choro tem uma causa óbvia. Pode ser desde uma etiqueta de roupa incomodando até a necessidade de colo. Tem bebê que só se acalma ao ouvir a batida do coração da mãe, um som que ele reconhece desde a gestação, por exemplo. Choro normal ou sinal de dor O choro considerado normal costuma ser episódico, aparece mais no fim do dia, pode ser consolado com estratégias simples e não vem acompanhado de outros sintomas. Já quando há dor ou algum problema de saúde, o comportamento tende a ser diferente. Para não ter dúvidas, as profissionais recomendam observar os seguintes sinais: vermelhidão facial intensa; respiração irregular ou acelerada; retração dos membros; arqueamento do corpo; irritabilidade contínua que não melhora com o cuidado do adulto; alterações na alimentação; vômitos persistentes, febre e dificuldade para ganhar peso. A pediatra Greter Fernandez indica avaliação médica imediata em casos de febre superior a 38°C, vômitos com biles, letargia, sangramentos e quadros neurológicos, como convulsões ou abaulamento da fontanela – popularmente chamada de “moleira estufada”. Como lidar com a cólica do lactente Apesar de angustiante, a cólica do lactente é um diagnóstico clínico de exclusão, ou seja, que descarta condições mais sérias, e tende a melhorar com o amadurecimento do bebê. Os episódios podem surgir logo nas primeiras semanas de vida do recém-nascido e atingir o pico entre seis e oito semanas, com piora do quadro, principalmente, no final do dia. Contudo, essa causa necessita de tempo para ser confirmada. Nesse sentido, a enfermeira obstetra Emanuela Gomes reforça que, nos primeiros 15 dias do bebê, o choro não costuma ser causado por cólica. “O recém-nascido ainda está se adaptando ao mundo fora do útero e chora porque é sua única forma de expressão. Chás ou medicamentos sem prescrição são precoces e contraindicados”, pontua. Entre as estratégias não farmacológicas que podem ajudar estão: colo; contato pele a pele; embalo rítmico; sucção não nutritiva; banho morno; massagem abdominal; cuidado com o ambiente, evitando excesso de luz e barulho. Rotina, ambiente e apoio fazem diferença Criar uma rotina previsível, respeitando o ritmo do bebê, ajuda a reduzir o estresse ao longo do dia. Cada criança reage de forma diferente aos estímulos e essa sintonia se constrói com o convívio diário, sem comparações ou rótulos precoces. As especialistas entrevistadas ponderam que erros comuns, geralmente feitos por cansaço ou desespero, como oferecer fórmula sem necessidade nos primeiros dias, também podem piorar o desconforto do bebê. O estômago do recém-nascido é pequeno e a oferta excessiva pode causar mais mal-estar do que alívio.
Banho no recém-nascido: 10 dicas para se sentir mais seguro
O banho do recém-nascido é daqueles momentos que mais despertam insegurança nos pais. Medo do bebê escorregar, de se afogar, de a água entrar no ouvido ou de não saber segurar direito estão entre os receios comuns registrados nas primeiras semanas. O cuidado envolve confiança e adaptação, mas algumas dicas podem ajudar. Antes do primeiro banho da filha, a relações públicas Ana Cristina, 28 anos, tentou se preparar ao máximo. Ela e o marido fizeram cursos, assistiram a vídeos, leram livros e até deram banho em bebês de amigos, mas ainda assim o receio persistia. O maior medo era de afogamento na banheira ou de o suporte dela ceder. A solução veio ao optar pelo chuveiro, no colo e com a água controlada. Isso trouxe mais segurança à mãe, que conseguiu finalmente relaxar e aproveitar o momento de verdade. “Parece que meu medo desapareceu e pude curtir o banho da minha filha pela primeira vez”, lembra. Por que banho gera tanto medo Para a enfermeira obstetra Karina Trevisan, o medo do banho está muito ligado ao desconhecido. Afogar o bebê ou deixá-lo escorregar são os receios mais frequentes, especialmente nas primeiras experiências. Também surgem dúvidas sobre a necessidade do banho diário, principalmente quando há muitas trocas no dia. “Essa avalanche de questionamentos mostra que o medo não está apenas na técnica, mas no excesso de informação e na falta de confiança. A própria preparação da banheira pode aumentar a tensão de quem está inseguro: montar, encher, organizar”, acrescenta a especialista em cuidados da saúde. A temperatura é outro ponto de insegurança dos cuidadores. Nos dias frios, a dica é aquecer o próprio ambiente antes de começar o banho, o que ajuda na sensação de aconchego. Já no calor, o bebê regula melhor a temperatura, mas o local ainda precisa estar com um clima confortável. Dicas que aumentam a confiança Você sabia que o bebê não tem medo de água? Ou que não é ruim cair água no rosto ou no ouvido dele, por exemplo? Embora muitos pais imaginam isso, o bebezinho costuma até aproveitar o momento. Por isso, a confiança deve vir do adulto. Quanto mais centrado e consciente do que está fazendo, mais tranquila será a experiência. Algumas dicas podem ajudar a “destravar”: 1. Testar a temperatura da água no antebraço, garantindo que esteja morna, sem necessidade obrigatória de termômetro. 2. Enrolar o bebê em uma fraldinha no início, tanto na banheira quanto no chuveiro, para dar mais segurança. 3. Apoiar o corpo do bebê junto ao do adulto e segurar a cabeça com firmeza. 4. Ter atenção ao virar o bebê na banheira para não molhar o rosto inadvertidamente. 5. Iniciar o banho pela cabeça, especialmente na imersão, antes de mergulhar totalmente o corpo. 6. Evitar estímulos excessivos e tornar o momento menos técnico e fluido. 7. Considerar o banho de chuveiro como alternativa prática e calmante. 8. Observar como o bebê reage após o banho (alguns ficam mais relaxados, outros mais despertos) para escolher o melhor horário. 9. Se o banho noturno favorecer um sono mais longo, aproveitar para descansar junto com o bebê. 10. Manter uma rotina, mas entendendo que cada família pode adaptar o horário conforme a resposta da criança. “A dica-chave é confiar. Existe um instinto por trás da maternidade e da paternidade. Você é capaz de dar banho no seu bebê de uma maneira tranquila”, afirma a enfermeira obstetra Karina Fernandes Trevisan. Quando a segurança chega Na experiência de Ana Cristina, entender que não existe só um jeito correto para o banho acabou mudando a percepção. “Tudo bem não usar a banheira e optar pelo chuveiro. Isso não nos torna menos pais. Considere a melhor opção para a sua família”, diz. Nesse sentido, a especialista alerta os pais a não deixarem que comentários inseguros ou opiniões alheias interfiram nesse momento. Avós e familiares costumam transmitir seus próprios medos, mas o banho só deve ter espaço para troca, carinho e confiança. “Um ambiente calmo, uma conversa durante o banho, a sensação de segurança no toque e a confiança de quem conduz fazem com que o momento se torne mais prazeroso e menos cercado de tensão. Outra pessoa não precisa assumir isso por insegurança dos pais”, finaliza Karina.
Meu filho quer copiar o cabelo dos amigos. Devo deixar?
Quando o filho pede para fazer o cabelo igual ao dos outros meninos que convive, alguns pais podem se sentir bastante incomodados. A reação costuma vir carregada de julgamentos: “acho feio”, “isso não combina” ou “não gosto desse estilo”. Mas, para a criança, o corte pode significar muito mais do que moda e estética. Flávia Magalhães, empresária e mãe de um menino de 10 anos, viveu essa situação durante a Copa do Mundo de 2022, quando os colegas começaram a copiar os cortes dos jogadores e o filho quis fazer o mesmo. Ela conta que já imaginava que isso aconteceria em algum momento, lembrando da fase em que seu irmão mais novo quis usar o famoso moicano do Neymar. “Há muito tempo é moda copiar o cabelo de jogadores famosos e a Copa amplia isso. Querer fazer um corte com os amigos também pode ter relação com se sentir parte daquele grupo e acho isso bacana”, comenta a mãe. Ela conta que torceu o nariz para alguns estilos, mas acha importante que o menino tenha essa experiência. Pertencimento e identidade Segundo a psicóloga Ana Paula Martins, especialista em educação, a forma de se vestir (e de cortar o cabelo) desempenha papel fundamental na formação da identidade e da autoestima infantil. Isso porque a maneira como a criança se apresenta influencia também como ela se enxerga e como é vista pelo meio em que vive. “Na infância e adolescência, o desejo de copiar colegas pode ser visto como uma fase social normal. Imitar roupas, cortes ou até falas representa, emocionalmente, a busca por aceitação, segurança e pertencimento ao grupo social”, explica a profissional. Fatores externos ajudam a consolidar esse movimento. Normas de pertencimento e referências do ambiente destacam o grupo ao qual a criança quer se vincular, reforçando símbolos visuais (e de aparência) como forma de integração. Nunca diga que é feio Para a especialista, classificar como “feio” algo que o filho gosta pode ter impacto negativo no desenvolvimento emocional. Esse tipo de fala tende a comprometer a autoestima e o senso de identidade, afetando a forma como o garoto passa a se perceber. Portanto, evite: Rotular como “feio”. Desqualificar o gosto da criança. Ironizar ou ridicularizar. Em vez disso, prefira: Perguntar o motivo da escolha. Validar o sentimento antes de opinar. Explicar seus valores com respeito. “O equilíbrio não está entre liberar ou negar tudo, mas em criar um espaço de diálogo sobre valores familiares, negociação e responsabilidade pelas próprias escolhas. A autonomia se sustenta de forma saudável quando há escuta e acolhimento”, reforça a psicóloga Ana Paula Martins. Até onde permitir De forma prática, vale ceder quando o pedido não oferece nenhum perigo. A especialista lembra que o aprendizado vem das vivências e fortalece o desenvolvimento ao longo do crescimento. Nesse sentido, os pais podem avaliar se: a escolha oferece risco físico ou psicológico; fere valores fundamentais da família; é apenas uma experimentação estética temporária; gera espaço para negociação e responsabilidade. A mãe Flávia Magalhães seguiu essa linha ao orientar o filho a escolher com consciência, lembrando que o cabelo levaria um tempo para crescer e não seria possível “colar de volta”. Ainda assim, incentivou a experiência porque, como diz, cabelo cresce e permitir essas escolhas também constrói memórias da infância.

