Conheça o Universo do Pé
Flexor curto dos dedos do pé: conheça o músculo da mobilidade
Já ouviu falar no flexor curto dos dedos do pé? Essa parte do corpo é um músculo essencial para a mobilidade e a estabilidade do arco plantar. No entanto, lesões nessa região podem causar dor e dificultar a movimentação. “O flexor curto dos dedos do pé se origina no calcanhar e se estende até os dedos. Sua principal função é flexionar os dedos, ou seja, dobrá-los, além de manter o arco longitudinal do pé ativado”, explica o fisioterapeuta e acupunturista Rodrigo Ricardo. A condição mais frequente que afeta esse músculo é a tendinopatia do flexor curto dos dedos do pé, uma inflamação na região. Os principais sintomas incluem: Dor na sola do pé, especialmente ao caminhar ou mexer os dedos; Inchaço na região afetada; Dificuldade de movimentação, o que pode comprometer a mobilidade. A identificação do problema depende da análise de um profissional, que avaliará os sintomas e a causa da inflamação. Fisioterapia é o caminho para tratar O tratamento fisioterapêutico pode aliviar a dor e melhorar a função do músculo, desde que indicados e aplicados corretamente, sempre por um profissional qualificado. Rodrigo Ricardo destaca algumas das técnicas mais eficazes: Crioterapia: aplicação de gelo nos primeiros três dias para reduzir inflamação e dor; Termoterapia: após 72 horas, o uso de calor ajuda a relaxar a musculatura e melhorar a circulação; Liberação miofascial e mobilização articular: técnicas que reduzem a tensão no músculo e aumentam a flexibilidade; Acupuntura, eletroterapia e ultrassom: ajudam na recuperação do tecido lesionado. “Para evitar a sobrecarga nessa região, o ideal é manter o músculo bem alongado e adotar uma rotina de mobilidade do tornozelo e do pé. Exercícios que promovam essa mobilidade e o ganho de amplitude são indispensáveis para uma musculatura saudável", aponta o especialista. Palmilhas podem ajudar Ainda de acordo com o fisioterapeuta, o uso de órteses pode aliviar a dor, mas apenas a curto prazo. Para um período maior, o ideal é recorrer a palmilhas ortopédicas, sobretudo os modelos feitos sob medida para o paciente. A instrução de não recorrer às palmilhas prontas é respaldada no fato de cada pessoa ser diferente, logo, o produto não terá uma indicação específica para cada um, sem ajudar na questão e podendo ainda causar outros problemas. Vale lembrar que a dor é sempre um sinal de alerta. Rodrigo Ricardo destaca que, ao sentir desconforto na região, o ideal é procurar um fisioterapeuta, pois o profissional pode iniciar o tratamento sem necessidade de encaminhamento médico. “O fisioterapeuta é um profissional de primeira instância nesse caso. Mas, se os sintomas persistirem mesmo com o tratamento, é indicado ir a uma consulta médica para abordagens mais gerais”, conclui.
Quem tem diabetes pode fazer tratamento com laser?
“Quem tem diabetes pode e deve fazer tratamento com laser”, diz Sonia Bauer, podóloga com atenção ao pé diabetico e laserterapeuta. O uso de laser no pé diabético tem vários benefícios. “Desde a cicatrização mais rápida até protocolos de inativação de microorganismos, além disso a técnica ILIB melhora e muito o sistema imunológico dos pacientes”, explica a podóloga. ILIB é uma sigla em inglês para Intravascular Laser Irradiation of Blood. Em português seria Irradiação Intravascular do Sangue com Laser. É um laser de baixa intensidade de uso terapêutico que vem sendo usado entre diabéticos e também idosos porque oferece bons resultados em doenças crônicas, melhorando a qualidade de vida do paciente. O ILIB induz reações no interior das células sem ser invasivo, ou seja é indolor, tem custo acessível e é seguro. Desde a década de 80, seu uso para tratamento de doenças cardiovasculares comprovou ser eficaz para a microcirculação. Hoje vem sendo utilizado para controle da dor, doenças metabólicas etc. Quem pode aplicar a laserterapia? Somente um profissional que possua capacitação específica em fotobiomodulacão pode aplicar a laserterapia. E apesar do uso não apresentar contraindicações e efeitos colaterais consideráveis, não é recomendado para pacientes com fotossensibilidade, câncer de pele e grávidas. “Os protocolos precisam ser personalizados, então não é uma receita de bolo que eu diga 10 ou 13 seções”, explica Sonia Bauer. Segundo ela, é preciso avaliar o paciente globalmente para poder elaborar um protocolo de acordo com as necessidades específicas dele. “A ficha de anamnese é obrigatória e é com ela que vou conseguir montar um protocolo personalizado e conversar com o paciente sobre o que é esse tratamento, explicar os benefícios e efeitos que irá proporcionar”, diz a podóloga. “Dessa forma o paciente se sente seguro e tranquilo para realizar o tratamento”, conclui Sonia.
Pé de bailarina sofre desgaste intenso
O balé encanta por sua leveza, mas os pés de quem se dedica à arte enfrentam um desgaste intenso. Não à toa, a expressão “pé de bailarina” é usada para descrever as alterações que surgem principalmente pelo uso prolongado da sapatilha de ponta, impactando ossos, articulações e tendões. Em muitos casos, essas mudanças anatômicas causam e provocam até lesões mais sérias. As maiores deformidades estão relacionadas à flexão plantar extrema, segundo o ortopedista Roberto Nahon, presidente da Sociedade Paulista de Medicina Desportiva (SPAMDE). “O movimento constante de ficar na ponta dos pés gera instabilidade no tornozelo, aumento da laxidão dos ligamentos e maior risco de entorses. Também é comum o surgimento de tendinites e lesões traumáticas”, explica. Entre os problemas mais comuns, ele destaca o trauma no primeiro dedo, chamado hálux, que pode desencadear o joanete (hálux valgo), além da sesamoidite, uma inflamação dos ossos localizados sob esse dedo. “A fratura por estresse é outra lesão recorrente, especialmente quando há déficit nutricional e baixa massa óssea, como na síndrome da RED-S”, alerta o médico. Principais riscos De acordo com o especialista, as complicações mais associadas ao chamado “pé de bailarina” são: Laxidão ligamentar e instabilidade do tornozelo; Tendinites nos músculos estabilizadores (tibial anterior, fibulares e tendão de Aquiles); Joanete agravado por trauma repetitivo no hálux; Fraturas por estresse, especialmente no sesamoide e no quinto metatarso; Sesamoidite e necrose por sobrecarga no primeiro dedo; Entorses e lesões ligamentares recorrentes; Quadro agravado em quem sofre de osteopenia (diminuição da densidade mineral óssea) ou tem alimentação inadequada. O médico lembra ainda que esses impactos podem se intensificar com o passar dos anos, especialmente quando não há um acompanhamento ortopédico adequado. Até quem não dança Apesar do nome, o pé de bailarina não é exclusividade do balé clássico. Conforme Nahon, bailarinos que não usam sapatilha de ponta e até praticantes de esportes podem apresentar lesões semelhantes. “Movimentos em meia-ponta ou torções frequentes, como no voleibol e no futebol, causam sobrecarga semelhante nos tendões e ossos do pé e tornozelo”, acrescenta. O ortopedista reforça ainda que alongamento em excesso e treinos mal orientados também aumentam o risco de lesão. Por isso, o ideal é ter acompanhamento profissional desde o início da atividade, incluindo avaliação ortopédica regular. “Eu só queria dançar, mas meu corpo cobrou depois” Aos 59 anos, a aposentada Amélia Francisco lembra com carinho dos tempos em que dançava balé clássico. Iniciou a prática aos oito anos e seguiu até os 32, quando dores constantes nos pés a obrigaram a parar. Décadas depois, ainda sente os efeitos daquele período. “Fui diagnosticada com sesamoidite e desgaste nos tendões. Meu ortopedista disse que é sequela do tempo em que dancei na ponta sem o acompanhamento adequado”, conta a ex-bailarina. “Na época, a gente não tinha muito acesso a profissionais especializados. Eu só queria dançar, mas não sabia o quanto meu corpo ia cobrar essa conta depois”. Hoje, ela faz fisioterapia e usa palmilhas para aliviar a dor, mas reconhece que algumas limitações se tornaram permanentes.
Conheça o Universo Infantil
Minha filha sempre chora ao pentear o cabelo: o que fazer?
Pentear o cabelo deveria ser parte simples da rotina, mas pode virar um cenário de choro e tensão. Muitas famílias relatam resistência diária, principalmente em crianças pequenas, que reclamam de dor ou simplesmente se recusam a colaborar. Identificar o motivo dessa reação e aprender a lidar com ela é fundamental. “Existe uma cultura de que ‘dói, mas tem que doer’. Só que a criança pode ser mais sensível e não consegue expressar isso em palavras. Quando o adulto acolhe e cria um momento seguro, o contexto muda”, explica a psicóloga Priscila Evangelista, especialista em saúde da família e atendimento a mulheres. Ela ainda esclarece que nem sempre o estresse é apenas pela dor física. Embora algumas crianças realmente apresentem maior sensibilidade no couro cabeludo, outras já criaram expectativas sobre como o próprio cabelo “deveria” ser. Assim, fatores familiares, externos e até culturais também acabam influenciando. Quando o problema é técnico Do ponto de vista do cuidado capilar, o choro costuma ter causas bastante objetivas. O cabeleireiro Maycon Peterson, instrutor do Instituto Embelleze de Santana, destaca alguns motivos comuns: O cabelo infantil embaraça com facilidade, porque os fios são mais finos e frágeis, aumentando o atrito. A ausência de condicionador, a presença de resíduos de shampoo e o hábito de pentear a seco agravam o problema. Começar o desembaraço pela raiz ou tentar desfazer o nó com força só piora. Escovas rígidas e pentes de dentes muito finos não são adequados para fios infantis, sobretudo os cacheados ou mais longos. O profissional alerta para a tração excessiva nos fios e no couro cabeludo, capaz de gerar dor imediatamente. Para evitar, a dica é nunca começar pela raiz: inicie pelas pontas e avance aos poucos, até chegar no topo. Trabalhar com o cabelo úmido e produtos específicos facilita bastante e reduz o desconforto. A rotina que evita nós Já para o hairstylist Alcimar Ramos, do Jacques Janine Center Norte, o segredo está na prevenção. Quanto melhor for o preparo do fio, menor será o desconforto depois. Uma rotina simples, mas constante, transforma completamente o momento de pentear. A sequência começa ainda no banho e o profissional recomenda: usar shampoo suave e aplicar condicionador sempre que possível; desembaraçar delicadamente com os dedos durante o enxágue; retirar o excesso de água sem esfregar a toalha; aplicar leave-in ou spray desembaraçante adequado ao tipo de cabelo; dividir em mechas e pentear das pontas para a raiz, com calma. “Pentes de dentes largos e escovas flexíveis ajudam muito porque acompanham o movimento do fio e não puxam com tanta força. Pequenos ajustes na rotina já são suficientes para transformar esse momento”, afirma o cabeleireiro. Cuidado também é vínculo Mesmo com as técnicas corretas, o comportamento do adulto ainda faz diferença. A psicóloga Priscila Evangelista reforça que o modo como o cuidado é conduzido pode evitar que o ato vire uma disputa de poder. Frases duras, pressa excessiva e a ideia de obrigação tendem a aumentar a resistência. O que pais, cuidadores ou responsáveis podem fazer: incluir a criança no processo; permitir a escolha do penteado, acessório ou finalização; ensinar que pentear o cabelo é autocuidado, assim como tomar banho; orientar sobre respeito à textura e formato dos fios. “Não ensinamos no grito, nem no caos, mas no acolhimento. Cabe ao adulto organizar o momento e mostrar que cuidar do cabelo não precisa ser sofrimento. Quando existe escuta e respeito, o cuidado deixa de ser trauma e vira conexão”, ensina a especialista. Mas atenção: se o choro for intenso, recorrente e não melhorar com ajustes na técnica e acolhimento, é indicado buscar avaliação profissional para investigar uma sensibilidade sensorial mais acentuada.
“Eu faço sozinho”: o que essa fase revela sobre seu filho
Entre a pressa do adulto e a descoberta da criança, nasce um dos momentos mais intensos da primeira infância: a fase do “eu faço sozinho”. Comer, vestir ou guardar brinquedos deixam de ser apenas tarefas e passam a representar autonomia quando os pequenos adotam essa frase. Sabemos, porém, que quando o relógio aperta, o desejo de independência pode virar tensão. A analista administrativa Jennifer Cristina percebeu essa mudança logo após a filha iniciar na creche. A menina passou a querer repetir em casa o que fazia na escola, especialmente na hora da comida. Prestes a completar 3 anos, surpreendeu: pegou o pote de brócolis da geladeira, abriu e começou a comer sozinha, no tempo dela. No entanto, essa diferença de ritmo entre os adultos pode causar uma certa tensão. “O pai dela acha mais fácil cortar e dar na boca para ser mais rápido. Eu defendo que ela precisa dessa autonomia e quero que faça no tempo dela, mesmo quando estou cansada do trabalho”, diz a mãe. O que significa o “eu faço sozinho” A psicóloga Thamiris Camargo, que atende crianças da primeira infância na Clínica Revitalis, explica que essa fase é marcada pelo desejo intenso de agir por conta própria. Ela surge com força entre 1 ano e meio e 3 anos, quando a criança começa a se perceber como um sujeito separado do adulto. “O ‘eu faço sozinho’ é, no fundo, um ‘eu existo’”, explica a profissional. Assim, essa etapa se caracteriza por atitudes como: tentativa de realizar ações sem ajuda, mesmo sem coordenação suficiente; insistência em tarefas ligadas ao próprio corpo e ao ambiente; resistência quando o adulto interfere rapidamente; necessidade de experimentar causa e efeito. Cognitivamente, a criança já compreende que, ao tentar fazer sozinha alguma atividade, algo sempre vai acontecer. Pelo lado emocional, tal manifestação constrói identidade, autoestima e senso de competência. Quando o adulto permite a tentativa, a mensagem é de confiança; quando impede constantemente, pode transmitir insegurança. Em que ações essa fase aparece mais O desejo de autonomia costuma surgir nas tarefas que envolvem o próprio corpo e o controle do ambiente, como: comer sozinho, mesmo que derrube comida; tentar vestir ou tirar a roupa; escovar os dentes; guardar brinquedos; subir escadas. Não se trata apenas de prática diária, mas de algo simbólico. Ao realizar essas ações, a criança experimenta domínio sobre si mesma e o espaço ao redor, fortalecendo a noção de autoria e iniciativa. A especialista em comportamento infantil ainda reforça que não é uma birra do pequeno. “Isso gera um conflito de tempos, porque o adulto vive no relógio, enquanto a criança está na experiência”, justifica. Por que isso gera tanta tensão O conflito nasce justamente porque os ritmos são diferentes. Os pais e cuidadores têm horários a cumprir, enquanto as crianças precisam sentir que são capazes de fazer aquilo, independentemente do tempo. Essa tensão aumenta quando autonomia e pressa se encontram. Para a psicóloga Thamiris Camargo, equilibrar incentivo e organização familiar exige escolhas realistas. Nem sempre será possível permitir que a criança faça tudo sozinha, especialmente quando há compromissos a cumprir. O importante é estar ciente que, reconhecer isso não significa falhar. Como incentivar sem transformar em conflito Quando a criança quer fazer algo sozinha, mas ainda não consegue dar conta do recado, a orientação é oferecer ajuda sem assumir totalmente o controle. Ou seja, deve-se considerar antecipar-se e dividir as tarefas com o pequeno, sempre valorizando a tentativa dele para fortalecer a confiança. “Essa fase não é um problema a ser corrigido, mas um sinal de desenvolvimento saudável. Crianças que podem tentar, errar e tentar novamente constroem autonomia emocional, tolerância à frustração e confiança. O papel do adulto não é acelerar, mas sustentar – com paciência, limite e respeito”, garante a profissional.
O recém-nascido dorme demais? Entenda se é normal
Nos primeiros dias em casa, muitos pais se assustam ao perceber que o recém-nascido parece passar mais tempo dormindo do que acordado. É comum baterem as dúvidas: será que existe um período considerado normal? Devo acordar meu bebê para mamar? Spoiler: não precisa de tanta preocupação. O pediatra Luis Bonilha, do dr.consulta, garante que dormir bastante faz parte do desenvolvimento esperado nessa fase inicial da vida. “Das 24 horas do dia, o recém-nascido tende a dormir entre 16 e 20 horas, com despertares para mamar”, esclarece. E aí: quando o sono é considerado normal? Apegar-se ao relógio nem sempre é o melhor caminho. Além das horas dormidas, o médico destaca que o comportamento do bebê quando está acordado também importa. Isso porque um recém-nascido saudável costuma: acordar para mamar; sugar bem; reagir aos estímulos. Também é recomendado observar o contexto: molhar várias fraldas por dia e ganhar peso adequadamente são ótimos indicadores de que tudo está dentro do previsto. Se isso estiver acontecendo, os pais e cuidadores podem ficar tranquilos: o sono é fisiológico. É preciso acordar para mamar? Segundo o especialista Luis Bonilha, pode ser necessário acordar o bebê para mamar nas primeiras semanas de vida, caso ele passe muitas horas sem se alimentar. Essa orientação costuma valer até que o recém-nascido apresente bom ganho de peso, acompanhado nas consultas regulares com profissionais. “A puericultura é o acompanhamento periódico feito pelo pediatra para avaliar crescimento e desenvolvimento. Manter a frequência nessas consultas é essencial para garantir que tudo esteja evoluindo como esperado”, orienta. Esses encontros também são fundamentais para definir abordagens individualizadas. Por exemplo, esclarecer o intervalo entre cada mamada e saber quando se deve (ou não) interromper o sono para realizar a amamentação. O sono como sinal de alerta Na maioria das vezes, dormir muito é normal, mas o pediatra Luis Bonilha sugere avaliação médica quando o bebê: não acorda para mamar; mama pouco; fica muito “molinho”; não ganha peso. Esses sinais devem ser relatados em consultório para uma investigação mais detalhada, se necessário. A melhor estratégia e o segredo para observar o cenário sem ansiedade envolvem ter um profissional de confiança por perto. “A puericultura dá tranquilidade às famílias e ajuda a identificar precocemente qualquer alteração”, reforça o médico.

