Conheça o Universo do Pé
Alongamentos para evitar canelite em trilhas e praias
A canelite é uma inflamação na região interna da canela, causada pelo esforço repetitivo e pelo impacto constante durante atividades físicas. Em trilhas por terra e caminhadas na areia de praias, o terreno irregular e a instabilidade dos passos favorecem a sobrecarga na tíbia. Sem o preparo adequado, a dor pode aparecer ao longo das práticas e pode ser evitada com alongamentos. Quem confirma é o fisioterapeuta Caio Caires, especialista em quiropraxia e osteopatia. Ele argumenta que o alongamento é, definitivamente, uma das formas mais eficazes de prevenir o problema nessas situações. “A melhora da flexibilidade reduz a tensão sobre a canela, prevenindo sobrecargas e inflamações”, explica. Já para a fisiologista Bianca Vilela, mestre em fisiologia do exercício, o segredo está em preparar o corpo antes mesmo de começar a atividade. “Ao iniciar qualquer trilha ou caminhada longa, é essencial aquecer a musculatura e escolher calçados adequados. Isso faz diferença na prevenção de dores e lesões, como a canelite”, afirma. Antes e depois da atividade Informação importante: o tipo de alongamento muda conforme o momento do exercício, ou seja, se feito previamente ou depois das caminhadas. Isso evita tanto lesões quanto desconfortos. Antes da trilha, por exemplo, a recomendação é apostar em exercícios dinâmicos, que envolvem movimento e ajudam a aquecer os músculos e articulações. Algumas opções são: Balanço de pernas: apoiado em alguma superfície (uma árvore, por exemplo), mantenha um pé no chão e suspenda a outra perna, balançando-a para frente e para trás Elevação dos joelhos: de pé, puxe os joelhos de encontro ao tronco, envolvendo-os com os braços e mantendo a posição por alguns segundos; Rotações de tornozelos e quadril: apoie a ponta de um dos pés no chão e faça movimentos em círculos para a direita e para a esquerda. O mesmo vaivém deve ser feito com os quadris, logo na sequência. “Esses alongamentos preparam o corpo para o impacto e ativam articulações importantes, como tornozelos e quadris”, indica Bianca. Após o exercício, porém, prefira os estáticos, mantendo as posições citadas por alguns segundos. Tais posturas ajudam a relaxar e a recuperar a musculatura depois do esforço. A alternância prepara o corpo para o impacto e facilita a recuperação. Músculos que merecem atenção Para evitar a canelite, também é fundamental priorizar grupos musculares que estabilizam as pernas e amortecem o impacto durante o movimento. Tais músculos atuam como uma espécie de “escudo” protetor da canela. São eles: Panturrilhas: em pé, apoiado em alguma parede ou estrutura vertical, mantenha um joelho mais à frente e o calcanhar no chão, alongando a outra perna reta, para trás; Músculos tibiais (parte anterior da perna): afaste os pés alinhando-os com os ombros, flexione-os e equilibre-se sobre os calcanhares; nesta posição, caminhe por cerca de 30 segundos; Músculos isquiotibiais (posteriores da coxa): em pé, mantenha um pé ao lado do outro e a posição reta e, então, curve-se para baixo, tentando tocar os pés com as mãos; Quadríceps: em pé, puxe o calcanhar direito em direção ao glúteo, segurando o pé com a mão direita e mantendo os joelhos próximos e a postura, ereta. “Esses grupos ajudam a manter o equilíbrio e reduzem o estresse sobre a tíbia, especialmente em terrenos irregulares”, acrescenta Caio. Por isso, alongá-los e fortalecê-los é essencial para distribuir melhor a carga e não sobrecarregar esse osso. Trilhas, praias e pausas necessárias Terrenos irregulares e a areia fofa da praia exigem mais do corpo, especialmente das panturrilhas e da parte anterior das pernas. De acordo com a fisiologista Bianca Vilela, o esforço é maior porque o pé afunda e a musculatura precisa compensar a instabilidade. Mas há alternativas eficazes para isso, como caminhar em faixas de areia mais firme, próximas à água, o que reduz o impacto e ajuda na adaptação. Bianca também recomenda atenção ao ritmo e às pausas: Respeite o próprio limite; Mantenha ritmo constante; Faça pequenas pausas a cada 30 a 40 minutos; Hidrate-se e aproveite as pausas para alongar levemente. Esses momentos de descanso aliviam a fadiga muscular e previnem inflamações. Quando buscar ajuda profissional Nem toda dor é “normal” após o exercício. O fisioterapeuta Caio Caires orienta ser preciso interromper a atividade e procurar avaliação se houver: Dor constante; Inchaço; Sensibilidade ao toque; Dificuldade para andar. Ele também esclarece que, após o diagnóstico, o tratamento é baseado em fisioterapia e exige respeitar o tempo de recuperação, que varia de 4 a 12 semanas, conforme a gravidade da inflamação. O retorno às atividades deve ser gradual e sempre com orientação profissional. O especialista salienta que a prevenção deve ser parte da rotina de quem pratica trilhas ou caminhadas. Alongamentos regulares, fortalecimento das pernas e o uso de calçados adequados fazem toda a diferença para evitar problemas. “O pós-trilha é tão importante quanto o preparo”, reforça a especialista. “Alongar, hidratar e, em caso de dor, aplicar gelo ajudam na recuperação. Se o desconforto persistir, é sinal de que o corpo precisa de descanso ou avaliação profissional.”
Como desinfectar tênis e meias para evitar frieiras
Coceira, descamação, rachaduras entre os dedos e mau cheiro podem indicar o início de uma frieira. Além de tratar os pés, desinfetar corretamente tênis e meias também é essencial para evitar a multiplicação de fungos e até reinfecções. Nerivalda Lima, treinadora da OMO Lavanderia, explica que os calçados costumam criar um ambiente propício para a proliferação de microrganismos porque o pé passa horas dentro de um espaço fechado, quente e úmido. “Na prática, é como se o pé ficasse abafado o dia todo. O suor e o calor favorecem odores, micoses e outras condições, como a frieira”, afirma a especialista em limpeza. Passo a passo para desinfectar os tênis Para evitar o acúmulo de fungos e bactérias nos tênis, Nerivalda orienta um passo a passo simples de desinfecção: não guarde o tênis imediatamente ao chegar em casa; deixe o calçado ventilar em local arejado; limpe a parte interna com pano úmido e desinfetante indicado para vestuário; deixe secar naturalmente; aplique sprays ou pós antissépticos; evite usar o mesmo par todos os dias. Além do tempo de uso, os materiais e tipos dos tênis fazem diferença. Modelos muito fechados, rígidos ou de plástico dificultam a respiração da pele e retêm mais suor. Já tecidos leves, com telas ou furinhos ajudam na circulação e reduzem a umidade. Meias precisam de atenção Não adianta desinfectar os pares de sapato e esquecer das meias. Afinal, elas absorvem o suor diretamente da pele. Se ficam úmidas por muito tempo, também favorecem a propagação de microrganismos. Para essas peças, a especialista em higienização recomenda: não deixe as meias enroladas no cesto ainda molhadas; abra os pares antes de lavar ou secar para evitar umidade no tecido; faça uma pré-lavagem de 10 minutos com água e detergente ou sabão; priorize modelos de algodão com maior absorção de suor; não reutilize peças sem lavagem adequada. “Mesmo quem mantém bons hábitos de higiene está sujeito a esse cenário, simplesmente pelo tempo prolongado de uso. Por isso, é fundamental adotar cuidados regulares com ventilação e higienização”, reforça a profissional. Frieira volta sem desinfecção correta Já a podóloga Sheila Cristina Alves pontua que a frieira é um tipo de micose que costuma surgir principalmente entre os dedos dos pés. Coceira, ardência, descamação, rachaduras e pele esbranquiçada são alguns dos sinais mais comuns. Inclusive, a condição recebeu o nome de “pé de atleta” justamente por aparecer em pessoas que transpiram bastante nos pés e usam tênis fechados por longos períodos, como esportistas e praticantes de atividades físicas. “Em casos recorrentes, a desinfecção do calçado tem papel importante no controle da infecção. Às vezes, a pessoa trata o pé, mas continua usando o mesmo tênis ou a mesma meia contaminada, e acaba se reinfectando”, alerta a podóloga. Por último, Nerivalda Lima completa que, além da manutenção em casa, higienizações profissionais podem ser necessárias. Em serviços especializados, o processo considera o tipo de material do tênis e pode incluir tecnologias específicas, como controle de temperatura e luz UV.
3 fatores que deixam os pés ressecados no inverno
Nossa colunista, Rosi Sant'Ana, podóloga há mais de 13 anos e proprietária da rede Sant’Podologia no estado do Espírito Santo, alerta para três fatores que ressecam os pés no inverno. São eles: 1. Ar mais seco e frio No inverno, a umidade do ar diminui, e o frio faz os vasos sanguíneos se contraírem para conservar calor. Isso reduz a irrigação da pele e diminui a produção natural de óleos, deixando a pele dos pés (já naturalmente mais seca) ainda mais desidratada. 2. Banhos quentes e demorados A água quente remove a camada de gordura protetora da pele, o que agrava o ressecamento. Como no inverno as pessoas tomam banhos mais quentes e longos, isso piora o quadro. 3. Uso de meias e sapatos fechados O ambiente abafado dentro dos sapatos e meias retém suor, que depois evapora, contribuindo para a perda de água da pele. Além disso, impede a pele de “respirar”, colaborando para o ressecamento. Como resultado, a pele dos pés fica mais seca, áspera e suscetível a rachaduras e fissuras, o que pode abrir portas para fungos e bactérias.
Conheça o Universo Infantil
Fazer cafuné nos filhos também é um ato de cuidado
Nem todo cuidado com a família aparece em grandes gestos. Muitas vezes, ele está em atitudes simples, como um cafuné antes de dormir ou um abraço após um dia difícil. Embora pareçam pequenos, esses momentos têm impacto direto no desenvolvimento emocional de uma criança e ajudam a construir segurança desde cedo. A neuropsicóloga infantil Aline Graffiette, fundadora da Mental One, explica que o desenvolvimento emocional dos pequenos acontece a partir das experiências cotidianas que eles vivem com o ambiente. Emoções, pensamentos e comportamentos começam a se estruturar nesse contato diário com as pessoas e o mundo. “Para a criança, o toque comunica, de forma não verbal, mensagens centrais como: ‘estou seguro’, ‘sou importante’ e ‘não estou sozinho’. Essas experiências ajudam a formar crenças mais saudáveis sobre si mesma e sobre os outros, fortalecendo a base emocional ao longo da infância”, garante a especialista. Toque é necessidade; nunca, excesso O carinho não deve ser visto como complemento, mas parte essencial do cuidado. Se alimentação e rotina organizam as necessidades fisiológicas, o afeto físico atua diretamente no desenvolvimento emocional, cognitivo e corporal na infância. A psicóloga destaca estudos em neurociência que associam o contato afetuoso à liberação de ocitocina – hormônio ligado ao vínculo – e à redução de cortisol, relacionado ao estresse. O toque ainda impacta áreas cerebrais correspondentes à memória emocional, atenção, aprendizagem e controle das emoções. Por outro lado, pesquisas com crianças privadas de contato físico adequado mostram prejuízos no desenvolvimento cognitivo, dificuldades de vínculo e maior vulnerabilidade emocional. Isso reforça que o afeto não é exagero nem mimo: é uma necessidade do desenvolvimento saudável. Carinho regula emoções Vale lembrar que as crianças ainda não possuem maturidade neuropsicológica suficiente para autorregular emoções sozinhas. Por isso, o toque pode funcionar como um regulador externo, ajudando o sistema nervoso a sair de estados de alerta, estresse ou insegurança. “Com a repetição dessas experiências, o filho passa a internalizar essa sensação de proteção e desenvolve, gradualmente, estratégias próprias de autorregulação”, esclarece Aline Graffiette. Esse cuidado não perde importância com o passar dos anos. Na adolescência, mesmo com maior busca por autonomia, o toque continua relevante, desde que respeite limites e consentimento. São bem-vindos, sempre: um abraço breve; um toque no ombro; um gesto silencioso de acolhimento. Essas demonstrações comunicam: “estou aqui, oferecendo apoio emocional mesmo quando você não verbaliza suas necessidades”. Ritual de cuidado no dia a dia A educadora parental Marcella Andretta, do Colégio Santo Anjo, ressalta que o afeto é a base do vínculo porque transmite segurança emocional e valida o sentimento de ser amado. Essa experiência fortalece a autoestima e permite que a criança explore o mundo com mais confiança, sabendo que tem um porto seguro para onde retornar. O cafuné pode se transformar em ritual de cuidado em diferentes momentos da rotina: Ao acordar: ajuda a organizar emoções para enfrentar o dia. No retorno da escola: funciona como reconexão com as principais referências afetivas. Antes de dormir: auxilia a desacelerar pensamentos e preparar o corpo para o repouso. “Cafuné e carinho não ‘estragam’ a criança. Pelo contrário, contribuem para maior autonomia, melhor tolerância à frustração e habilidades sociais mais adaptativas. O toque não perde importância com o tempo; ele apenas se transforma”, afirma Marcella. Presença possível em dias corridos Nem sempre é possível oferecer longos momentos de brincadeira ou disponibilidade extensa. Ainda assim, a qualidade da interação é mais importante do que a quantidade de tempo. Permanecer próximo enquanto a criança brinca, demonstrar interesse genuíno e evitar distrações como o celular já são formas consistentes de presença. Segundo a educadora parental, outras demonstrações simples também cumprem esse papel de apoio, como um abraço após um momento de desregulação emocional, um carinho nas costas ou no cabelo antes de dormir, uma massagem nos pés para relaxar, o toque discreto acompanhado de escuta atenta e mesmo a criação de pequenos gestos personalizados entre pais e filhos. Juntas, as profissionais lembram: respeitar o jeito de cada criança receber afeto também é fundamental. Algumas preferem abraços longos; outras se sentem mais confortáveis com gestos breves. Adaptar o cuidado à fase do desenvolvimento e à individualidade reforça segurança e confiança.
Meu filho já se compara com os colegas. E ele tem só 8 anos
Se uma criança começa a dizer que o colega é melhor, mais bonito ou que “todo mundo tem” algo e ela não, muitos pais se preocupam. A sensação é de que a comparação chegou cedo demais e pode impactar a autoestima e a autoconfiança. Para saber como lidar com os episódios, é preciso entender o comportamento antes. A coordenadora pedagógica Isabel Marconcin, da educação infantil e ensino fundamental I do Colégio Bom Jesus, alerta que é importante ter cautela antes de classificar o comportamento como comparação propriamente dita. Isso porque, na primeira infância, existe um movimento mais natural, a imitação. “Crianças pequenas costumam imitar o comportamento de adultos e até mesmo de outras crianças. Elas observam, aprendem e reproduzem. Podem querer usar o cabelo como a professora, caminhar como o avô ou cantarolar porque viram alguém fazendo isso”, afirma a educadora. Quando a comparação preocupa Na infância, as referências vêm de diferentes contextos: da escola, das falas em casa, telas e até entre irmãos. Já o impacto disso depende da frequência e de como acontece. Quando a comparação é recorrente e estimulada por adultos, pode passar a impressão de que a criança não é suficiente e deve melhorar para ter amor e aprovação. Mas comparar também pode ser, na verdade, uma estratégia dos pequenos para conseguirem o que desejam. Segundo Isabel, esse argumento de negociação infantil é visto em frases como “a mãe do fulano deixa” ou “o fulano tem celular”, usadas para tentar convencer os pais e não, necessariamente, como sinal de baixa autoestima. “Nesses casos, sentar e conversar de forma clara ajuda a criança pequena a compreender as opções da família e a entender que dizer ‘não’ também é um ato de amor e de cuidado”, orienta a coordenadora pedagógica. O papel do desenvolvimento A evolução também pode estar por trás desses episódios. Conforme destaca a pediatra Nicole Biral Klas, do departamento de saúde escolar do Colégio Bom Jesus, a comparação passa a fazer parte do desenvolvimento social em determinado momento. “A partir dos 7 ou 8 anos, a criança começa a desenvolver a percepção social. Ela passa a entender que faz parte de um grupo e, naturalmente, começa a perceber as semelhanças e diferenças entre ela e os demais. Nessa idade, a comparação faz parte da construção da identidade”, avalia a médica. Assim, comparações pontuais fazem parte da experiência humana. O alerta só deve surgir quando esse comportamento for frequente, intenso e vir acompanhado de: sofrimento emocional; desistência de tarefas; autocrítica elevada; isolamento; frases como “eu não vou conseguir” ou “eu sou burro”; fuga de situações sociais; sintomas físicos antes de ir à escola, como dor de barriga; mudanças no apetite ou no sono após situações que geram comparação. Nesses casos, é importante investigar o que está acontecendo e buscar apoio profissional, como a própria escola ou um psicólogo especialista em crianças. Como os adultos podem agir As especialistas listam algumas atitudes que ajudam a reduzir o impacto da comparação e fortalecer a autoestima: validar o sentimento da criança sem reforçar a lógica comparativa; evitar frases como “você é melhor que ele”, pois mantêm a comparação; valorizar o esforço e o comportamento, e não apenas o resultado; reservar tempo de qualidade para vínculo, escuta e acolhimento; observar sinais como apatia, irritabilidade, isolamento ou desistência constante. “Em vez de elogiar características como ‘você é muito inteligente’, é mais saudável reconhecer o esforço e o comportamento da criança. Caso não tenha tido sucesso, mas tenha se esforçado, é importante valorizar o progresso e encorajá-la a tentar novamente”, orienta a pediatra Nicole Biral Klas. Já a coordenadora pedagógica Isabel Marconcin lembra que regras e limites também são importantes, mas devem estar atrelados a um ambiente seguro e estável, com um adulto que acolhe e acalma. “Crianças precisam se sentir vistas, escutadas, valorizadas e amadas. O vínculo é a base da regulação emocional”, finaliza.
Rotina de sono: 5 erros mais comuns de pais novatos
Organizar o sono de um bebê parece simples na teoria, mas costuma ser um dos maiores desafios para pais de primeira viagem. Na tentativa de ajudar, muitos acabam adotando hábitos que, sem perceberem, dificultam o adormecer e a consolidação do sono. A boa notícia é que ajustes pontuais e consistentes podem fazer grande diferença. “Alguns deslizes se repetem com frequência nas famílias que estão começando essa jornada. Eles envolvem desde ambiente inadequado até expectativas irreais sobre o ritmo biológico da criança”, observa a otorrinolaringologista Saramira Bohadana, especialista em sono infantil do Grupo Santa Joana. De acordo com a médica, o sono não se ajusta de forma imediata e exige previsibilidade para amadurecer. No entanto, é comum que, nos primeiros meses, os pais e cuidadores tenham dificuldade em entender que se trata de um processo. Erros mais comuns A má higiene do sono é um dos pontos que mais impactam negativamente o descanso infantil. Quando os horários de dormir e despertar variam muito, o ciclo circadiano encontra mais dificuldade para se organizar. Entre os erros mais frequentes na rotina de sono, estão: 1. Permitir que a criança durma na cama dos pais, em vez de ter berço ou cama própria. 2. Estabelecer horário de dormir muito tarde ou sem regularidade. 3. Acostumar o bebê a adormecer apenas com artifícios como colo ou balanço. 4. Oferecer tempo de tela prolongado. 5. Manter uma má higiene do sono. Criar uma rotina previsível ajuda o cérebro da criança a compreender que o dia está terminando. Assim, o preparo para dormir deve incluir atividades relaxantes, como leitura e histórias, além de redução da luminosidade e afastamento de estímulos. O que evitar e o que fazer O excesso de estímulos antes de dormir ativa o estado de alerta do cérebro quando ele deveria desacelerar. Por isso, é importante evitar luz intensa, telas e brincadeiras agitadas. Criar uma zona de transição de 30 a 60 minutos com ambiente calmo e iluminação reduzida também costuma ajudar. “A confusão não está em oferecer colo ou peito, especialmente nos primeiros meses, mas em fazer com que o bebê dependa exclusivamente disso para pegar no sono e voltar a dormir após despertares”, esclarece a especialista Saramira Bohadana. Além disso, alguns sinais indicam que a janela do sono está chegando, como olhar perdido, quietude e menor interação. Não os interpretar na hora certa (ou confundi-los) pode levar o nenê ao supercansaço, com a liberação de cortisol e adrenalina, o que paradoxalmente dificulta ainda mais o adormecer. Dicas de ouro Embora poucos pais e cuidadores saibam, a ansiedade dos adultos interfere diretamente na construção do sono saudável. Mudar frequentemente de estratégia, ter expectativa de resultados imediatos e buscar por soluções rápidas gera inconsistência e confunde o pequenino, que precisa de repetição para aprender. Há também diferenças importantes conforme a criança cresce: Nos primeiros meses de vida, os erros estão ligados à interpretação do funcionamento biológico e às expectativas irreais sobre longos períodos de sono. Após os 4 a 6 meses, surgem desafios comportamentais, associações mais rígidas, resistência para dormir e maior impacto da irregularidade de horários, com retirada de sonecas, transição para a cama e medo do escuro, por exemplo. “A dica de ouro é buscar consistência, não perfeição. Escolher horários aproximados para acordar, respeitar as janelas de sono e manter um ritual simples e repetido todos os dias já promove grande diferença”, finaliza a médica.

