Pés inchados: causas, sinais de alerta e como tratar o edema
Tipos de calos nos pés: diferenças e como identificar cada um
Pé diabético: a importância do cuidado constante
Hidratação dos pés em casa: passo a passo completo
Exercícios fortalecem os pés em casa e melhoram o equilíbrio
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Caminhada faz bem: benefícios para todo o corpo
Calçados inadequados trazem riscos aos pés
Calcanhar rachado: causas, tratamentos e como evitar
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Conheça o Universo do Pé
3 exercícios eficazes para fortalecer os pés e evitar lesões
Os pés desempenham um papel fundamental na estabilidade e mobilidade do corpo, mas muitas vezes são negligenciados na rotina de exercícios. Fortalecê-los pode prevenir lesões, melhorar o equilíbrio e até mesmo beneficiar atividades físicas como corrida e caminhada. Segundo a educadora física Alessandra Nascimento, diretora da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo (SBGG-SP), antes de iniciar o fortalecimento, é essencial melhorar a mobilidade dos pés para potencializar a oxigenação dos tecidos e estimular a sensibilidade. A profissional também explica que os benefícios trazidos pelos treinos vão depender de cada perfil. “Especialmente para pessoas idosas, estes exercícios vão proteger e fortalecer os tendões, músculos e ligamentos, evitando lesões”, complementa. Aprenda três exercícios de fortalecimento Outra boa notícia é que, além de trazer tantas vantagens para a saúde física, os exercícios para fortalecer os pés podem ser feitos em casa e sem aparelhos de ginástica. Bola de tênis, garrafa, cadeira e até a parede são alguns dos recursos que podem ser usados para treinar o fortalecimento no dia a dia. A seguir, a profissional ensina três exercícios: 1. Mobilidade com bola de tênis ou rolo Função: estimular a circulação e preparar os pés para outros exercícios. Você vai precisar de: bola de tênis, pequeno rolo ou garrafa de plástico congelada. Como fazer? Com o objeto sob a sola do pé, realize movimentos suaves para frente e para trás por um minuto em cada pé, repetindo três séries. O movimento ajuda a irrigar os tecidos e potencializar a sensibilidade plantar. 2. Exercício de equilíbrio e estabilidade Função: fortalecer os músculos e melhorar a propriocepção (capacidade do corpo de reconhecer sua posição no espaço). Você vai precisar de: cadeira ou parede. Como fazer? Trata-se de um apoio unipodal. Em pé, tire um pé do chão e mantenha o joelho flexionado para trás. Se precisar, segure-se em uma cadeira ou parede e, conforme ganhar segurança, tente fazer sem apoio. A orientação é manter a posição por 30 segundos em cada pé, realizando três séries. 3. Elevação de calcanhares Função: um dos melhores exercícios para fortalecer a panturrilha e melhorar a saúde cardiovascular. Você vai precisar de: nada! Como fazer? Em pé, levante os calcanhares e mantenha a posição por 10 segundos. Depois, faça 15 repetições de subida e descida, repetindo três séries. De acordo com Alessandra, dentro de três a quatro semanas já é possível sentir os benefícios proporcionados pelos exercícios. Porém, para isso acontecer, é preciso constância no processo, ou seja, manter regularidade nas práticas. Outras formas de fortalecer os pés Além dos exercícios, incluir alongamentos diários para os músculos da perna e dos pés é essencial para manter a flexibilidade dos tendões e ligamentos. Independentemente da idade ou do nível de condicionamento físico, os exercícios de fortalecimento dos pés podem ser incluídos na rotina, promovendo saúde, prevenção de lesões e maior qualidade de vida.
Máquina do tempo: será que os sapatos mudaram muito?
O design dos calçados evoluiu bastante nas últimas décadas, mas nem sempre a estética andou de mãos dadas com o bem-estar. Saltos altos, bicos finos e solas duras continuam entre os modelos preferidos por muitos, mesmo podendo comprometer a saúde dos pés, especialmente quando usados com frequência. Na opinião da podóloga Thayná Magalhães, formada pelo SENAC, é comum que a moda ignore o conforto. “Isso ocorre mesmo existindo sapatos muito abertos, com salto fino ou bico estreito que prejudicam a pisada e causam dor, calos e até rachaduras”, pontua. De acordo com ela, a virada no foco para funcionalidade só aconteceu entre os anos 1980 e 1990, com a popularização dos calçados esportivos. Já a estilista e designer de calçados Mariah Blois destaca o papel da tecnologia nesse processo. “Com materiais inteligentes e escaneamento 3D, conseguimos hoje calçados que se moldam melhor aos pés, promovem conforto real e ainda previnem lesões”, pondera. Do conforto ao símbolo cultural Ao longo da história, os sapatos foram ganhando mais (e novas) formas, funções e até significados. Alguns marcos importantes apontados pela designer de calçados Mariah Blois são: Revolução Industrial: viabilizou a produção em massa e trouxe materiais mais duráveis, como couro tratado; Vulcanização da borracha e os primeiros sneakers: transformaram os calçados esportivos; Salto vermelho usado por Luís XIV e os sapatos de lótus na China: ambos mostram como status e cultura moldaram o calçado; Tênis: no século XX, passaram a refletir identidade individual, associando-se a subculturas como o hip-hop e o punk. Além disso, a estilista destaca que os calçados se tornaram extensão do corpo e da personalidade. Em culturas orientais, por exemplo, tirá-los para entrar em casa ou em templos mostra como o ato de calçar vai além da utilidade. Erros que ainda prejudicam os pés Apesar da evolução, muitos modelos atuais ainda impactam negativamente a saúde. Para a podóloga Thayná Magalhães, os principais problemas continuam sendo: Salto fino ou excessivamente alto; Bico fino e apertado; Modelos sem amortecimento ou com solas muito rígidas; Sandálias muito abertas, que não oferecem suporte. Essas escolhas podem prejudicar a pisada, aumentar o risco de quedas e causar dor ou rachaduras. “Nem sempre a moda considera conforto e saúde”, constata a podóloga. O que levar em conta ao comprar Na hora da compra, vale seguir algumas recomendações simples: 1. Experimente o sapato no fim do dia, quando os pés estão mais inchados; 2. Prefira modelos que não apertem e sejam confortáveis logo no primeiro uso; 3. Opte por calçados com bom acolchoamento e espaço adequado na frente; 4. Evite saltos altos e bicos estreitos no dia a dia. Além de seguir esse guia básico quando for adquirir um novo par, vale pensar nas escolhas diárias, que também importam para cuidar dos pés. “Nossos pés trabalham intensamente para podermos fazer tudo, de dia até à noite. Na maioria das vezes, negligenciamos os cuidados necessários para eles sofrerem menos”, pondera Mariah. Nesse sentido, outra dica é pensar na opção certa para cada ocasião também. Isso porque muitos eventos pedem por determinados tipos de sapato, mas o conforto deve ser considerado, sobretudo para evitar problemas indesejáveis depois. Além do mais, Mariah Blois reforça a importância do papel da ciência no futuro da indústria. “Pesquisas acadêmicas, aliadas à tecnologia, estão permitindo o desenvolvimento de calçados mais saudáveis, duráveis e sustentáveis – e isso precisa ser o novo padrão”, defende.
Esporão de calcâneo precisa de cirurgia? Conheça tratamentos
O esporão de calcâneo é uma condição que afeta a região do calcanhar, muitas vezes resultando em dor intensa e desconforto. Entre as causas, a sobrecarga da região é o motivo mais apontado pelos médicos e pode ser evitada. “A dor no esporão é aguda e pode ser muito chata, especialmente ao levantar da cama ou após longos períodos sentado. O primeiro passo é buscar diagnóstico médico para confirmar se é realmente o esporão e iniciar o tratamento”, explica o ortopedista Tiago Baumfeld, especialista em pé e tornozelo do Hospital Felício Rocho. Medidas para aliviar os sintomas Segundo o profissional, o tratamento inicial do esporão de calcâneo não é cirúrgico e inclui medidas conservadoras que ajudam a aliviar a dor e promover a cura. Os principais cuidados são: Alongamento da fáscia plantar e panturrilha, por meio de exercícios simples, pois ajudam a aliviar a tensão na área e melhorar a mobilidade; Uso de calçados adequados, como modelos com amortecimento, que reduzem o impacto no calcanhar, prevenindo o agravamento dos sintomas; Órtese noturna, que é indicada especialmente para fascite plantar porque mantém o pé em posição adequada durante o sono, promovendo alívio; Massagem com gelo, que também ajuda. A dica caseira do ortopedista Tiago Baumfeld para aliviar a dor em momento de crise é congelar uma garrafinha d’água e rolá-la sob o pé por 10 minutos. Além disso, terapias como ondas de choque e infiltrações com ácido hialurônico podem ser indicadas em casos mais persistentes, oferecendo alívio e promovendo regeneração na região. Quando a cirurgia é necessária? Embora menos comum, a cirurgia pode ser indicada em casos graves ou quando os tratamentos conservadores não apresentaram resultados satisfatórios. A intervenção, que geralmente é minimamente invasiva, deve remover partes do osteófito ou liberar a fáscia plantar. “A cirurgia tem bons resultados, sim, e apresenta baixa taxa de recidiva, mas deve ser uma exceção, considerada somente após avaliação criteriosa e falha nos outros métodos de tratamento”, esclarece o médico. A rotina de quem convive com o esporão O mensageiro de hotel Josivan de Farias, 51 anos, conhece bem os impactos do esporão de calcâneo no dia a dia. Após anos de desconforto ignorado, uma lesão ao pisar em um prego agravou os sintomas, forçando-o a buscar ajuda médica. “O pé ficou tão inchado que parecia uma bola, e a dor era insuportável. Foi aí que comecei a fisioterapia e aprendi exercícios para alongar a fáscia plantar e a panturrilha. Também uso palmilhas para aliviar o impacto”, relata Josivan. Apesar das melhorias, ele admite que exageros nas atividades ainda provocam crises ocasionais. “Quando não respeito meus limites, a dor volta, mas é muito mais controlada agora”, adiciona. Evite o problema antes que ele surja A prevenção do esporão de calcâneo passa por cuidados simples, mas essenciais: Praticar atividades físicas regularmente. Os exercícios fortalecem os músculos e ajudam a manter o peso sob controle. Usar calçados adequados no dia a dia. Prefira modelos com amortecimento e evite solados duros. Faça alongamentos diários. Isso ajuda a manter a flexibilidade da fáscia plantar e da panturrilha. Evite a sobrecarga. Programe atividades físicas gradualmente e não execute mudanças bruscas na intensidade. “Com as medidas corretas, é possível prevenir o esporão ou, ao menos, evitar complicações graves”, finaliza Tiago Baumfeld.
Como (e por que) higienizar sapatos por dentro
Lavar os pés corretamente nem sempre é suficiente para evitar mau cheiro, micose e outros desconfortos. Tudo porque os sapatos também acumulam suor, calor e resíduos ao longo do dia, criando um ambiente favorável para fungos e bactérias. Por isso, higienizar o interior dos calçados faz parte da rotina de saúde dos pés. De acordo com a dermatologista Priscila Rettore, os sapatos funcionam como um microambiente fechado, com pouca ventilação e alta umidade. Mesmo quando os pés estão limpos, o contato frequente com um calçado contaminado pode comprometer a saúde da pele. “O suor, as células mortas e os resíduos acumulados dentro do sapato servem como alimento para microrganismos. Sem higienização adequada, o calçado pode se tornar um reservatório de agentes infecciosos”, alerta a médica. Chulé também é sinal de alerta Ao contrário do que muita gente pensa, o famoso “chulé” não é apenas uma questão estética. Segundo a especialista, o odor desagradável indica desequilíbrio da microbiota dos pés causado pela ação de bactérias sobre o suor acumulado. Além do mau cheiro, a falta de cuidado com os calçados pode causar: frieira e micose nos pés; bromidrose; infecções bacterianas superficiais; irritações e dermatites. A dermatologista explica que a umidade acumulada dentro dos sapatos ainda fragiliza a barreira natural da pele, favorecendo pequenas lesões e dificultando até a eficácia de tratamentos dermatológicos tópicos. Como higienizar corretamente Segundo Joicy Silva, coordenadora de operações da OMO Lavanderia, o interior dos calçados exige cuidados delicados, sobretudo em modelos sociais ou casuais, que possuem múltiplas camadas internas e menor ventilação. No dia a dia, a profissional recomenda o seguinte: usar antissépticos em pó próprios para sapatos; deixar os pares ventilar após o uso; evitar guardá-los imediatamente; alternar os modelos durante a semana; nunca guardá-los enquanto úmidos. Produtos líquidos, detergentes e soluções improvisadas devem ser evitados dentro dos sapatos, já que podem causar manchas, ressecamento, craquelamento e até desgaste precoce do material. Secagem correta contra odores Depois da higienização, o processo de secagem também merece atenção. O uso de calor intenso, secadores e exposição direta ao sol podem acabar piorando o problema ao “fixar” odores e resíduos no material interno do calçado. “O ideal é permitir que os sapatos sequem naturalmente, em ambiente ventilado e com circulação de ar. Ventiladores podem ajudar no processo, desde que não haja aquecimento direto”, orienta Joicy Silva. Além disso, ela recomenda deixar os sapatos descansarem por, pelo menos, 30 minutos antes de guardá-los e, se possível, armazená-los em sacos respiráveis, como os de TNT, para evitar acúmulo de umidade e poeira.
Hidratação dos pés preserva a pele e evita calos. Entenda
Manter a hidratação dos pés é mais importante do que parece. Afinal, a pele dessa região é mais espessa, especialmente na planta, e tende a ressecar com mais facilidade. Para evitar rachaduras, calosidades e garantir conforto, uma rotina de cuidados com a hidratação faz toda a diferença. O podólogo Joaquim Sato salienta que o hábito de hidratar os pés é essencial, porque preserva a integridade da pele, evitando que ela se rompa com facilidade. “Além disso, retarda o crescimento de calos e calosidades e mantém a pele mais próxima do que era na juventude, com maciez e elasticidade”, acrescenta. Benefícios da hidratação Portanto, investir na hidratação regular dos pés traz diversos benefícios, principalmente: Prevenção de rachaduras e fissuras, que podem se tornar dolorosas; Retardo do crescimento de calos e calosidades; Manutenção da elasticidade da pele; Sensação de maciez e conforto; Proteção contra ressecamento extremo. Como e quando hidratar os pés? Existe, sim, jeito e hora mais adequada para a hidratação. Nesse sentido, o podólogo recomenda que seja feita sempre que possível, mas com preferência para o período noturno. “À noite, os pés ficam mais tempo em contato com o produto, permitindo que a pele absorva melhor o hidratante. Nesse momento, pode-se até usar um creme mais consistente, que traz melhores resultados”, orienta. Os diferentes tipos de hidratantes Falando nos cremes, é importante escolher a fórmula certa. Isso porque, embora haja uma grande variedade disponível no mercado, nem todas as formulações oferecem o mesmo nível de hidratação. Joaquim Sato reforça que, quanto mais consistente, melhor será o efeito. Veja opções: Hidratantes à base de ureia: são conhecidos por seu alto poder de hidratação, ajudam a reter água na pele; Manteigas vegetais (karité, cacau): oferecem nutrição profunda e são ideais para peles secas; Óleos e parafina: formam uma película que evita a perda de água, mantendo a hidratação por mais tempo, mas não hidratam diretamente. Vale lembrar que casos de pele extremamente seca, fissuras e calosidades demandam uma atenção maior. Nessas situações, a hidratação intensiva (com os produtos sugeridos acima) costuma ser recomendada, mas pode ser insuficiente. É aí que entra o acompanhamento profissional para novas orientações. Hidratante e emoliente: qual a diferença? Além de todos os hidratantes, existem os chamados emolientes. Apesar de muitas pessoas confundirem os dois, eles têm funções diferentes: Hidratantes: repõem água na pele, mantendo a maciez e a elasticidade; Emolientes: ajudam a amolecer e a soltar o excesso de pele, geralmente utilizados por podólogos para tratar áreas mais ressecadas ou com calosidades. De acordo com o especialista, para um tratamento mais completo, o ideal é combinar os dois, mas sempre com avaliação de um profissional capacitado. “Em casos de excesso de pele, usamos o emoliente primeiro para soltar as áreas endurecidas. Depois, aplicamos um bom hidratante para garantir a nutrição da pele”, cita. Hidratação caseira ou profissional É totalmente possível manter os pés bem hidratados em casa, porém, a hidratação feita por um podólogo tem alguns diferenciais importantes. “No consultório, usamos produtos voltados para profissionais e preparamos os pés para receber a hidratação de forma mais eficiente, removendo calosidades e promovendo tratamentos específicos”, explica o especialista. Se a ideia é potencializar os cuidados em casa, o podólogo recomenda o seguinte protocolo: 1. Faça um tratamento podológico para preparar os pés; 2. Aplique um creme hidratante consistente; 3. Após alguns minutos, finalize com óleo ou parafina para selar a pele e prolongar o efeito da hidratação.
A importância da biomecânica na podologia
Segundo estudos, a podologia é uma área da saúde dedicada ao estudo, prevenção e tratamento de doenças que afetam os pés. Dentro dessa especialidade, existem diversas subáreas fundamentais. Alguns exemplos são a podologia clínica, a podogeriatria, a podopediatria, a ortopodologia e a podologia esportiva, entre outras. Cada uma tem um papel essencial no cuidado podológico. Apesar da ampla diversidade dentro da podologia, todas as suas especialidades contêm conhecimentos essenciais em anatomia, fisiologia e biomecânica. Isso garante uma abordagem completa e eficaz no tratamento das patologias dos pés. Quando falamos em biomecânica a abordagem torna-se mais complexa, pois, muitas vezes, é vista como um verdadeiro "bicho de sete cabeças" e, infelizmente, subestimado. No entanto, esse conhecimento não é apenas fundamental na podologia, como também é responsável por solucionar mais de 80% dos casos de disfunções e patologias que afetam os pés. Ignorar a biomecânica significa deixar de lado uma das principais ferramentas para um diagnóstico preciso e um tratamento eficaz. A primeira atitude fundamental é se conscientizar sobre a importância da biomecânica na podologia, especialmente nos atendimentos primários, como os realizados em casos de hiperqueratose, onicofoses, onicocriptoses e outras podopatias tão comuns em consultórios. Muitas dessas condições poderiam ser solucionadas de forma definitiva com a aplicação da biomecânica, mas ainda existem muitas dúvidas sobre como utilizar esse recurso para tratar essas questões rotineiras de maneira eficaz. A onicocriptose é caracterizada pelo crescimento de uma forma interna, em direção às bordas do dedo, popularmente conhecida como "unha encravada", relatada de inflamação e infecção. No entanto, ao olhar além do tratamento convencional, podemos abordar essa condição com protocolos biomecânicos, proporcionando um tratamento mais eficaz, profundo e respaldado pela ciência. O hálux (dedão) desempenha um papel fundamental na marcha humana, especialmente na fase final, responsável pela impulsão. No entanto, engana-se quem acredita que ele é relevante apenas nesse momento. O mecanismo Windlass, uma das teorias biomecânicas mais amplamente reconhecida mundialmente, explica como a dorsiflexão do hálux, a amplitude de movimento do arco longitudinal medial e a rotação externa da tíbia trabalham de forma integrada, garantindo a eficácia na deliberação de impacto no mediopé e na impulsão do antepé. Caso o hálux apresente resistência ao movimento de dorsiflexão, todos os outros movimentos serão automaticamente comprometidos, consequentemente o halux sofre ainda mais pressão, podendo desenvolver a onicocriptose recorrente. A onicocriptose não se desenvolve apenas por cortes ou crescimentos inadequados de unha. Ela também pode ser causada por forças e pressões plantares exercidas no hálux durante a marcha. Quando analisamos o desenvolvimento de alterações não antecipadas, constatamos que 80% delas têm origem no retropé devido à instabilidade do calcâneo. A Lei de Root aborda essa questão e é amplamente reconhecida e aceita no meio científico. Ao entendermos que 80% das podopatias no antepé têm origem no retropé, podemos concluir que uma órtese plantar deve ter o objetivo de estabilizar o retropé, redistribuindo as forças e pressões no antepé. Essas forças são fundamentais para o crescimento da unha e podem influenciar diretamente no desenvolvimento ou não da onicocriptose. Nesse contexto total, a biomecânica oferece uma nova abordagem para o tratamento, trazendo um segundo protocolo para a onicocriptose. Além da espiculotomia, que é uma técnica primordial, a aplicação de técnicas biomecânicas e o uso de palmilhas são fundamentais, especialmente em pacientes com recidivas da condição, proporcionando um tratamento mais eficaz e preventivo.

