Autoestima
Por que adolescentes sofrem mais com chulé
Na adolescência, o mau cheiro nos pés costuma ser muito mais frequente e incomodar bastante. O famoso e indesejado chulé pode afetar diretamente a autoestima, justamente em um período marcado por tantas mudanças físicas e emocionais. Embora seja comum, não acontece por acaso. Compreender a causa ajuda na solução.
Conforme explica a dermatologista Nádia Aires, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, o suor em si não tem cheiro. Na verdade, o odor desagradável aparece quando bactérias da flora natural da pele degradam os componentes do suor.
“Durante a puberdade, as alterações hormonais levam ao aumento da atividade das glândulas sudoríparas e a uma mudança importante na composição cutânea. Por isso, há mais volume de suor e bactérias com maior capacidade de decompor o suor produzido em substâncias com mau cheiro”, explica a médica.
O que acontece nos pés nessa fase
A especialista reforça que os fungos não são a causa do chulé. Ainda assim, são os vilões de outras condições, como as micoses, que podem causar fissuras na pele, aumentar a proliferação de bactérias e, consequentemente, agravar o odor.
Alguns hábitos comuns na adolescência criam o ambiente ideal para esse processo:
Uso prolongado de calçados fechados (menos ventilação e mais temperatura).
Optar por meias sintéticas, que não absorvem o suor e mantêm a pele úmida e com pH elevado.
Não lavar nem secar os pés corretamente.
Usar as mesmas meias e calçados diariamente.
Utilizar sapatos úmidos.
Isso porque o suor é predominantemente formado por água, eletrólitos, aminoácidos e ácidos graxos. Esses componentes servem de substrato para as bactérias, que os transformam em compostos voláteis de odor ácido ou sulfuroso característico.
O papel dos hormônios e do estresse
A endocrinologista Andressa Heimbecher, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional de São Paulo (SBEM-SP), lembra que a adolescência é marcada pelo amadurecimento do eixo hormonal. Isso eleva a produção de hormônios como a testosterona, que estimula as glândulas apócrinas.
“Nos pés, predominam as glândulas écrinas, que já produzem mais suor. Além disso, situações de estresse e ansiedade, que são comuns nessa fase, podem aumentar a liberação de adrenalina e estimular a transpiração”, observa a médica.
Já o desbalanço do sistema nervoso simpático leva ao suor excessivo, conhecido como hiperidrose. A condição pode atingir pés, mãos e axilas, mesmo sem calor ou estresse.
Como cuidar e em que ficar de olho
A dermatologista Nádia Aires reforça que, na maior parte das vezes, o chulé está relacionado a fatores locais. Por isso, incorporar cuidados simples à rotina é suficiente, como:
Lavar os pés com sabonetes antissépticos.
Secar bem os pés e entre os dedos.
Usar meias de algodão ou de tecido tecnológico respirável e trocá-las com frequência.
Revezar os calçados, deixando o par usado secar por, pelo menos, 24 horas antes de ser reutilizado.
Dar preferência a sapatos abertos ou com ventilação.
Em casos de suor excessivo, utilizar antitranspirantes ou talcos secativos, sempre com orientação profissional.
Mas vale ficar de olho em alguns sinais de alerta. Busque avaliação médica se houver:
Odor muito intenso e persistente que não cede com os hábitos de higiene;
Suor excessivo;
Vermelhidão e descamação;
Fissuras entre os dedos com maceração;
Fissuras dolorosas com secreção amarelada ou purulenta.
“Se o suor intenso vier com perda de peso, tremores, queda de cabelo ou alterações de pressão, é importante investigar possíveis alterações hormonais, como distúrbios da tireoide ou da suprarrenal”, orienta a endocrinologista Andressa Heimbecher.