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Pés dão pistas sobre doenças; veja os sinais mais comuns
Calcanhar Rachado

Pés dão pistas sobre doenças; veja os sinais mais comuns

Dor, inchaço, mudanças na cor da pele e perda de sensibilidade nos pés nem sempre indicam apenas um problema localizado. Essas alterações também podem estar relacionadas a condições que afetam outras partes do organismo. O médico clínico e cirurgião geral Anderson Oliveira lembra que os pés estão entre as regiões menos observadas no dia a dia. No entanto, infecções, edemas, fissuras e mudanças estruturais na base do corpo podem fornecer pistas importantes sobre o estado de saúde. “A observação regular dos pés pode ajudar a identificar precocemente alterações importantes. Isso é especialmente relevante para pessoas com diabetes, doenças vasculares ou outras condições crônicas”, salienta. Condições que podem se manifestar nos pés A localização, o tipo de dor e os sintomas associados ajudam a orientar a investigação. Confira algumas condições que podem provocar alterações nos pés e qual especialista procurar em cada caso, de acordo com o médico. [caption id="attachment_5745" align="alignnone" width="780"] O que os pés revelam sobre a sua saúde[/caption]   DIABETES O que afeta: dedos, planta dos pés e calcâneo. Como se manifesta: queimação e fisgadas no início; em casos avançados, pode haver perda de sensibilidade. Rachaduras, ressecamento, calosidades e deformidades dos dedos também podem surgir. Sintomas associados: aumento da urina, da sede e da fome e, em situações de descompensação glicêmica importante, tonturas. Qual médico procurar: endocrinologista. DOENÇA RENAL Onde afeta: ambos os pés; quando há desconforto, ele pode aparecer nos tornozelos e no dorso. Como se manifesta: sensação de peso e inchaço bilateral. Sintomas associados: progressão do edema para pernas e coxas, inchaço nas pálpebras e redução da quantidade de urina. Qual médico procurar: nefrologista. DANO NERVOSO Onde afeta: dedos, calcâneo e dorso dos pés. Como se manifesta: formigamento e dormência, que podem evoluir para a sensação de pequenos choques elétricos. Sintomas associados: fraqueza muscular, redução dos reflexos dos tendões e, em casos avançados, atrofia muscular. Qual médico procurar: neurologista. Quando a neuropatia estiver relacionada ao diabetes, o acompanhamento com endocrinologista também é importante. VARIZES OU INSUFICIÊNCIA VENOSA Onde afeta: tornozelos e região dos pés. Como se manifesta: peso, inchaço, desconforto e queimação. Sintomas associados: edema dos membros inferiores, tromboflebite, trombose venosa e escurecimento crônico da pele, chamado dermatite ocre. Qual médico procurar: cirurgião vascular. INFECÇÕES Onde afeta: diferentes regiões dos pés, incluindo pontas dos dedos e calcâneos. Como se manifesta: dor, queimação e, dependendo do quadro, dor lancinante. Sintomas associados: febre, mal-estar e outros sinais sistêmicos. Qual médico procurar: clínico geral, que poderá encaminhar o paciente conforme a causa e a gravidade. GOTA Onde afeta: a articulação na base do dedão (também chamado hálux), principalmente. Como se manifesta: dor intensa em pontada ou fisgada, vermelhidão e inchaço. As crises podem piorar à noite e evoluir com rigidez articular. Sintomas associados: dores nas articulações, edema, sintomas febris e tofos gotosos. Qual médico procurar: reumatologista. FASCITE PLANTAR Onde afeta: planta do pé, especialmente a região do calcâneo. Como se manifesta: fisgada ou queimação, geralmente mais intensa nos primeiros passos após períodos de repouso. Fatores associados: sobrepeso, sedentarismo e falta de alongamento. Qual médico procurar: ortopedista. DOENÇA CARDÍACA Onde afeta: tornozelos e pés, principalmente. Como se manifesta: sensação de peso provocada pelo edema, que pode deixar uma depressão na pele após a pressão com o dedo. Sintomas associados: cansaço, mal-estar, falta de ar durante esforços e dificuldade para respirar ao deitar. Qual médico procurar: cardiologista. ARTRITE REUMATOIDE Onde afeta: antepé e articulações dos dedos. Como se manifesta: inchaço, dor e rigidez, frequentemente nos dois pés. Sintomas associados: nódulos reumatoides, fadiga, febre baixa e, em alguns casos, perda de peso. O ressecamento dos olhos e da boca pode aparecer quando há condições associadas, como a síndrome de Sjögren. Qual médico procurar: reumatologista. ANEMIA Onde afeta: os sintomas não costumam se restringir a uma região específica dos pés. Como se manifesta: depende do tipo de anemia. Na ferropriva, predominam cansaço, fraqueza e indisposição; na deficiência de vitamina B12, podem ocorrer formigamentos e alterações neurológicas; e, na anemia falciforme, crises vaso-oclusivas podem causar dor intensa em diferentes regiões. Sintomas associados: cansaço, fraqueza, indisposição, desânimo, palidez e dificuldade de concentração. Qual médico procurar: hematologista. INFECÇÕES POR FUNGOS Onde afeta: entre os dedos, na lateral e na planta dos pés. Como se manifesta: coceira, descamação, fissuras e, em alguns casos, dor ou ardência. Sintomas associados: fissuras podem facilitar infecções bacterianas secundárias. Febre ou dor intensa exigem avaliação para descartar complicações. Qual médico procurar: dermatologista. DEFICIÊNCIA DE VITAMINAS Onde afeta: extremidades do corpo, incluindo pés e dedos. Como se manifesta: formigamento, dormência e alterações de sensibilidade, de acordo com a deficiência e sua gravidade. Sintomas associados: fraqueza, alterações ósseas, dores, manifestações neurológicas e mudanças cognitivas. A falta de vitamina B12 pode causar neuropatia periférica. Qual médico procurar: clínico geral ou nutrólogo, com encaminhamento conforme a causa. Sinais que exigem ainda mais atenção O médico Anderson Oliveira esclarece que o inchaço pode aparecer ao final do dia em quem passa muitas horas em pé. Mas, se o sintoma persistir por mais de 24 horas ou deixar uma depressão na pele após a pressão com o dedo, pode estar relacionado a alterações cardiovasculares ou renais e merece avaliação. Mudanças de coloração também devem ser observadas. “O escurecimento da pele pode estar associado à insuficiência venosa crônica, enquanto palidez e alterações de temperatura ou cor acompanhadas de dor ao caminhar podem sugerir comprometimento arterial”, alerta o cirurgião. Já pele enegrecida, secreção, mau odor ou outros sinais de infecção exigem atendimento urgente. Por isso, a dica é observar regularmente a planta dos pés, os espaços entre os dedos e os cantos das unhas.

Telas e sedentarismo afetam mobilidade de crianças e jovens
Mobilidade Articular

Telas e sedentarismo afetam mobilidade de crianças e jovens

Correr, pular, brincar: a infância costumava ser marcada por atividades em movimento. Com o aumento do tempo em frente às telas, porém, muitas crianças e adolescentes acabam não se mexendo tanto e isso pode impactar até a mobilidade dos pés. O resultado é a dor precoce, típica de adulto, como se o corpo estivesse envelhecendo antes do tempo. “Quando a criança se movimenta menos, os pés deixam de receber estímulos importantes para fortalecimento muscular, ganho de equilíbrio, alongamento e até para a mudança natural do formato durante o crescimento”, afirma o ortopedista pediátrico Tiago Mascarenhas, do Hospital viValle, da Rede D’Or. Ele ainda reforça que ficar parado por longos períodos também contribui para essa redução: o corpo funciona como um músculo, ou seja, precisa ser usado para se desenvolver bem. Com o tempo, isso pode gerar rigidez, encurtamento e dores nos pés, tornozelos e pernas. Dor de adulto já aos oito anos A jornalista Juliana Franco percebeu que a filha começou a reclamar de dor ao acordar quando tinha apenas oito anos. “O primeiro sinal foi quando ela dizia que doía ao colocar o pé no chão. Achamos que era dor de crescimento, mas passou a se repetir”, conta. A menina, hoje com nove anos, também sentia incômodo depois de muito tempo sentada e, aos poucos, começou a evitar atividades comuns da idade. “Ela dizia que parecia um repuxar ou queimar a sola do pé. Não corria nem pulava mais. Em passeios, queria sentar ou pedia colo. Era estranho, parecia uma velhinha com dor”, relembra a mãe. Após a avaliação com um ortopedista pediátrico, a criança recebeu o diagnóstico de sobrecarga da fáscia plantar, causada principalmente pela falta de movimento e pelo excesso de tempo sentada. O tratamento envolveu fisioterapia, alongamentos orientados, ajustes na rotina e mais atenção aos calçados. Gerações diferentes, pés diferentes O especialista Tiago Mascarenhas observa que há diferenças perceptíveis na saúde dos pés da turma jovem hoje, especialmente após a pandemia, quando muitas crianças ficaram mais tempo dentro de casa. Isso porque o aumento dos intervalos diante de tela tem reduzido atividades que estimulam equilíbrio, fortalecimento muscular e controle neurológico. Nesse sentido, o médico destaca a amplificação de casos de marcha equina idiopática, em que a criança passa a andar na ponta dos pés, associado, entre outros fatores, à imaturidade no controle neurológico dos músculos. Quando buscar ajuda Alguns sinais indicam que a criança já pode estar perdendo mobilidade ou função nos pés. Entre os principais estão: Dores frequentes ao brincar ou praticar esportes; Cansaço rápido em tarefas simples; Quedas constantes; Dificuldade para acompanhar colegas; Evitar correr ou brincar; Músculos aparentando pouco volume ou fraqueza. Esses sintomas merecem atenção, principalmente quando interferem na rotina. O ortopedista pediátrico alerta que a infância é uma fase essencial para formar pés fortes e funcionais – e a falta de estímulo pode aumentar o risco de dores e lesões no futuro. Cuidados do dia a dia A boa notícia é que hábitos simples do dia a dia fazem diferença na saúde de crianças e adolescentes. Assim, vale incluir na rotina: Equilibrar o acesso a telas com a movimentação diária; Estimular brincadeiras ao ar livre e esportes; Correr durante o recreio escolar e se movimentar ao longo do dia; Permitir contato dos pés com grama, terra ou areia; Evitar ficar parado a semana inteira e concentrar tudo no fim de semana. “A tecnologia faz parte da vida moderna, mas não pode substituir o movimento, porque o desenvolvimento dos pés depende de estímulos constantes desde os primeiros passos até o fim da adolescência”, conclui o especialista.

Biomecânica do pé geriátrico: degeneração natural e desafios funcionais
Biomecânica

Biomecânica do pé geriátrico: degeneração natural e desafios funcionais

O processo de envelhecimento impacta profundamente a biomecânica do sistema musculoesquelético — e, entre as estruturas mais afetadas, está o pé. Ele deixa de ser apenas base e suporte: torna-se reflexo direto da perda de função global. Entender a biomecânica do pé geriátrico é compreender um território onde senescência, sarcopenia e senilidade se entrelaçam e redefinem o modo como o corpo se relaciona com o chão. A senescência, processo natural de envelhecimento biológico, impõe alterações progressivas nos tecidos do pé. Tecidos conjuntivos tornam-se menos elásticos, articulações perdem mobilidade, e há uma redução na produção de líquido sinovial. Esses fatores combinados levam à rigidez articular e à diminuição da capacidade adaptativa durante o apoio, prejudicando os mecanismos naturais de amortecimento e propulsão. Já a sarcopenia, caracterizada pela perda progressiva de massa muscular e força, tem impacto direto na sustentação e estabilidade dos pés. Com menor ativação dos músculos intrínsecos e extrínsecos do pé, a estrutura perde sustentação ativa, favorecendo colapsos, como a queda do arco longitudinal medial e o aumento da base de apoio como tentativa compensatória. A instabilidade decorrente da sarcopenia aumenta o risco de quedas — uma das principais causas de morbidade em idosos —, além de alterar padrões de marcha e gerar sobrecargas articulares nos tornozelos, joelhos e quadris. No campo da senilidade, que compreende o envelhecimento patológico, encontramos uma condição ainda mais complexa. Alterações cognitivas e neurológicas podem comprometer os ajustes motores finos, o controle postural e a propriocepção, agravando disfunções já presentes. A falta de coordenação motora fina e a resposta postural tardia intensificam o desequilíbrio e a insegurança na locomoção, fazendo com que o pé deixe de cumprir seu papel adaptativo e dinâmico no ciclo da marcha. Do ponto de vista biomecânico, o pé geriátrico costuma apresentar: Redução da mobilidade em articulações como o hálux (podendo resultar em hallux limitus); Rigidez do tornozelo, especialmente na dorsiflexão, prejudicando a fase de apoio médio e impulsão; Redistribuição de cargas plantares com aumento de pressão em regiões como o antepé ou calcâneo; Enfraquecimento dos músculos plantares e perda do controle intrínseco, afetando o equilíbrio em superfícies irregulares; Alterações no padrão da marcha, como menor tempo de apoio unipodal, redução da velocidade de passada e aumento do tempo de dupla base.   Essas mudanças biomecânicas impactam não apenas o deslocamento, mas também a autonomia funcional, a qualidade de vida e a prevenção de lesões, como calosidades, úlceras por pressão e quedas. Por isso, uma avaliação biomecânica geriátrica exige sensibilidade, conhecimento técnico e olhar integral. Não basta observar a pisada — é preciso compreender a fisiologia do envelhecimento e suas repercussões no movimento. Somente assim é possível propor estratégias de cuidado que envolvam desde o uso de palmilhas personalizadas até programas de fortalecimento e estímulo neuromotor, respeitando a complexidade de cada indivíduo.

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