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Entre outros, os nossos repelentes protegem contra as picadas de insetos como o. Proteção de mosquitos testada para espécie Culex Quinquefasciatus e Aedes Aegypti, este último transmissor das doenças Dengue, Zika, e Chikungunya.
Conheça o Universo do Pé
Minhas pernas doem quando corro. E agora?
Quem começa a correr pode enfrentar desconfortos musculares logo no início do treino. Muitas vezes, as dores fazem parte do processo de adaptação do corpo à nova atividade, mas também podem indicar algo errado, como postura inadequada ou falta de preparo físico. Diz o fisiologista e educador físico Edson Timóteo que sentir certo incômodo nos primeiros minutos da corrida é até esperado, principalmente para iniciantes ou entre quem ficou muito tempo parado. "Isso acontece porque os músculos ainda não estão aquecidos e preparados para o impacto. Porém, se a dor for intensa, persistente ou acompanhada de outros sintomas, pode ser um sinal de sobrecarga ou até lesão”. Ele diz ainda que a dor pode surgir em diferentes momentos do treino, mas costuma ser mais comum ao final ou depois da atividade, devido ao desgaste muscular. "A chamada dor muscular de início tardio (DMIT) aparece 24 a 48 horas depois do esforço, quando ocorrem microlesões nas fibras musculares", acrescenta. O que fazer para reduzir as dores Se a dor surge já nos primeiros minutos da corrida e atrapalha o desempenho, isso pode ser sinal de que algo precisa ser ajustado. O fisiologista recomenda avaliar alguns pontos: Aquecimento inadequado: começar sem uma preparação muscular pode aumentar a rigidez e dificultar a corrida; Calçado incorreto: um tênis sem amortecimento adequado pode sobrecarregar os músculos e articulações; Técnica errada: pisada inadequada ou postura desalinhada podem gerar dores desnecessárias; Falta de condicionamento: quem começa a correr sem fortalecimento muscular pode sentir mais desconforto. Além desses fatores, condições médicas pré-existentes, como problemas circulatórios e articulares, podem influenciar. "Se a dor for forte logo no início ou persistir por vários dias, é importante procurar um profissional para investigar a causa", alerta o treinador. Como deixar a corrida mais fácil Para evitar dores e melhorar o desempenho, siga essas recomendações: Comece devagar: intercale corrida e caminhada até ganhar resistência; Faça um bom aquecimento: exercícios de mobilidade e alongamentos dinâmicos ajudam a preparar o corpo; Use calçados adequados: um bom tênis evita impactos excessivos; Hidrate-se e alimente-se bem: correr em jejum ou desidratado pode causar fadiga precoce; Respeite o ritmo do seu corpo: aumente a intensidade gradualmente e evite comparações com outros corredores. "O mais importante é criar consistência e não forçar o corpo além do limite. Com o tempo, a corrida se torna mais natural e prazerosa", enfatiza Timóteo. Sinais de alerta Algumas dores são comuns, mas outras exigem atenção médica. É importante ficar atento às que não melhoram com descanso e a outros sinais, como inchaço ou hematomas, dificuldade para movimentar os pés e as pernas, formigamento ou dormências nos membros e dores que irradiam para outras partes do corpo. Caso algum desses sintomas apareça, o educador físico explica que a corrida deve ser interrompida imediatamente para não agravar o caso. Na sequência, não se deve hesitar em procurar ajuda médica. “No início, achei que correr não era para mim” O administrador Rafael Costa, de 34 anos, sempre teve vontade de correr, mas enfrentou dores intensas logo no começo. "Minhas panturrilhas queimavam e sentia pontadas nos joelhos. Achei que eu simplesmente não tinha jeito para a corrida – e olha que eu nem estava tão fora de forma assim", lembra. Com orientação profissional, percebeu que o problema estava na falta de fortalecimento muscular e no uso de um tênis inadequado. "Ajustei a postura, comecei a fazer exercícios específicos e respeitei muito o meu ritmo. Em poucas semanas, a corrida deixou de ser um sacrifício e virou prazer. Hoje, não fico sem!", conta.
Pé inchado: o que pode ser e como tratar?
O inchaço nos pés, também conhecido como edema, é um problema comum que pode ter diferentes causas – desde fatores simples, como ficar muito tempo em pé ou sentado, até condições mais sérias, ligadas ao coração e às veias e circulação. Segundo o cirurgião vascular e angiologista Eduardo Toledo de Aguiar, professor de cirurgia vascular da USP, o inchaço ocorre principalmente em razão do acúmulo de líquido no espaço entre as células, sendo mais frequente nos membros inferiores por conta da gravidade. Existem muitos fatores que podem deixar os pés inchados e as pernas com edema, e o especialista elenca algumas das causas mais comuns. Causas mais comuns Insuficiência venosa crônica, ou seja, dificuldade das veias em retornar o sangue ao coração, que causa acúmulo de líquido nos membros inferiores; Retenção de líquidos, provocada por ingestão excessiva de sódio, desequilíbrios hormonais ou uso de medicamentos como anti-hipertensivos; Gravidez, já que o aumento do volume sanguíneo e a compressão de veias abdominais pelo útero contribuem para o edema; Problemas cardíacos, renais ou hepáticos, que são condições que afetam o equilíbrio de líquidos no corpo; Linfedema, a intercorrência no sistema linfático, que pode ser congênita ou surgir após cirurgias, infecções ou traumas. Trombose venosa profunda (TVP), uma formação de coágulos nas veias profundas, causando inchaço, dor e vermelhidão. Fatores mecânicos ou posturais, uma vez que longos períodos sentado, viagens prolongadas e uso de calçados inadequados dificultam a circulação e resultam em inchaço temporário. Quando pé inchado é sinal de algo mais grave Embora o inchaço nos pés possa ser ocasional e inofensivo, o sintoma também pode acender o alerta para algo mais sério. Por isso, é fundamental estar de olho a outros sinais associados, como: Dor intensa ou sensação de peso: são comuns na insuficiência venosa e TVP. Vermelhidão ou calor local: podem indicar inflamação ou infecção. Alterações na cor da pele: escurecimento crônico pode ser um sinal de insuficiência venosa avançada. Úlceras ou feridas: surgem em estágios mais graves de problemas circulatórios. Dispneia ou cansaço extremo: indicativos de edema generalizado, como na insuficiência cardíaca. “Se o inchaço for persistente, doloroso ou acompanhado de outros sintomas, é fundamental procurar um médico para avaliação”, reforça o cirurgião Eduardo Toledo de Aguiar. Grupos mais propensos ao inchaço nos pés Algumas pessoas têm maior predisposição a ter pés inchados, portanto, devem redobrar os cuidados e a atenção. O especialista médico destaca os seguintes grupos: Idosos, uma vez que sua circulação sanguínea já é menos eficiente; Gestantes, devido ao aumento do volume sanguíneo e das alterações hormonais típicas da gestação; Obesos, pois o excesso de peso sobrecarrega os sistemas venoso e linfático; Indivíduos sedentários ou imobilizados, pois a falta de movimentação dificulta o retorno venoso; Pacientes com doenças crônicas, como insuficiência cardíaca, renal ou hepática. Prevenção e tratamento Para evitar ou aliviar o inchaço nos pés, adotar hábitos saudáveis e medidas simples são os dois caminhos mais recomendados e efetivos. Isso porque, juntos, conseguem tratar ou melhorar a maioria das condições causadoras do edema. Desse modo, o vascular indica: Para prevenir Movimente-se regularmente: evite ficar muito tempo em pé ou sentado; faça pequenas caminhadas ao longo do dia; Eleve os pés: sempre que possível, coloque os pés em um nível acima do coração para facilitar o retorno venoso; Opte por calçados adequados: prefira os confortáveis e que não apertam os pés; Controle o peso e a dieta: reduza o consumo de sódio e mantenha uma alimentação equilibrada. Use meias de compressão: são recomendadas em casos de insuficiência venosa, pois ajudam no retorno do sangue ao coração. Para tratar Drenagens linfáticas manuais: técnica é indicada para linfedema e retenção de líquidos; Medicamentos sob prescrição: podem ser receitados diuréticos, por exemplo; Terapias avançadas: no caso de linfedema, a terapia linfática combina exercícios, drenagem, dieta e medicamentos; Cuidados direcionados: insuficiência venosa, trombose e condições cardíacas ou renais exigem tratamentos específicos. “Além de tratar o inchaço, é crucial investigar e tratar a causa subjacente. Muitas vezes, o edema é apenas o sintoma de um problema maior”, finaliza o angiologista, que ressalta a importância da indicação, orientação e acompanhamento médico.
Qual a função da palmilha ortopédica?
Rosi Sant’Ana, podóloga especialista em palmilhas, explica que a função da palmilha ortopédica é corrigir ou melhorar a postura e o alinhamento dos pés, proporcionando suporte adequado para aliviar ou prevenir dores e desconfortos. “A palmilha ortopédica é indicada em diversas situações, especialmente quando há desconfortos ou problemas relacionados aos pés, postura ou movimento, como por exemplo nos casos de fascite plantar, esporão de calcâneo, canelite, pés planos, pés cavos, dentre outras patologias”, explica Rosi. A podóloga, que também é nutricionista, diz que sempre soube que seria da área da saúde e quando descobriu a podologia, se sentiu abraçada e acolhida pela profissão. “Aprendi com a minha mãe a profissão manicure, mas sempre me perguntei se não existia algo além do embelezamento”, conta ela. Hoje, Rosi tem sua própria clínica, a Sant’podologia em Vitória no Espírito Santo. Quando a palmilha é indicada? Alguns sinais podem acionar o alerta para a necessidade do uso de palmilhas. “Devemos sempre estar atentos a dores persistentes, desconforto ao andar, alterações visíveis no formato dos pés, dores que irradiam para outras partes do corpo etc.”, explica Rosi. Segundo ela, geralmente o próprio corpo apresenta sinais, por isso ela recomenda estar sempre atento. Dentre os benefícios do uso de palmilhas, além dos ortopédicos, também existem palmilhas apropriadas para tratar o suor e o mau cheiro nos pés, outras palmilhas promovem estímulos sensoriais e até servem para massagear a região dos pés e há até palmilhas mais simples apenas para promover maior conforto no uso de determinados calçados. Qual a melhor palmilha para dores no pé? A podóloga especializada em palmilhas ortopédicas explica que como cada paciente tem suas particularidades e patologias diferentes, a indicação de uma palmilha ortopédica é extremamente individualizada. “Somente com uma análise individualizada e observação clínica conseguimos desenvolver uma palmilha específica para o paciente”, afirma Rosi. Por isso, antes de usar uma palmilha é importante passar por uma avaliação profissional e garantir que o uso e a palmilha são adequados para você. Quanto dura uma palmilha ortopédica? Uma palmilha de boa qualidade dura em torno de 2 a 3 anos, segundo Rosi. E o custo de um par pode variar de acordo com a região do país. O uso de palmilha resolve todos problemas? O uso de palmilhas é bastante eficaz de modo geral, segundo Rosi, mas ela confirma que de fato algumas patologias precisam de um olhar mais cauteloso. São as seguintes condições: Deformidades ósseas; Pé equino ou pé torto congênito; Artroses avançadas; Osteoartrite nos pés e nas articulações; Problemas neuro musculares. Rosi conta que no Brasil ainda falta informação de qualidade em relação ao uso adequado das palmilhas ortopédicas. “A falta de conteúdo de qualidade pode levar a mal entendidos e até ao uso inadequado das palmilhas ortopédicas”, alerta a podóloga. “Quando se faz o uso correto das palmilhas ortopédicas vemos resultado”, diz Rosi. Ela conta de um caso recente de um paciente que tinha muita instabilidade para andar e um quadro de condromalácia grau 3 nos joelhos. O paciente adulto tinha o sonho de voltar a correr sem dor. “Realizamos toda as análises necessárias para a confecção e desenvolvimento de uma palmilha personalizada para ele. Após 30 dias esse paciente volta para o retorno já sem dor e conseguindo correr seus 5km livre de instabilidade e zero dor”, conta Rosi. “É uma alegria muito grande poder por meio do conhecimento poder ajudar meus pacientes. É muito gratificante ser Podóloga!”, complementa Rosi. Assista ao vídeo: [video width="480" height="848" mp4="https://www.baruel.com.br/wp-content/uploads/2024/12/palmilha-ortopedica-rosi-santana.mp4"][/video] Pise bem, viva melhor!
Conheça o Universo Infantil
Nem toda birra é desafio: pode ser exaustão infantil
Quem ainda não tem filhos ou mesmo pais e mães de primeira viagem podem não saber (ainda), mas nem toda “explosão” infantil é um teste de limites. Em muitos casos, o que os adultos interpretam como “birra” pode ser apenas sinal de exaustão física e emocional. A diferença parece sutil, mas muda completamente a forma de intervir e pode evitar confrontos desnecessários dentro de casa. Foi isso que a assessora de imprensa Jéssica Moraes, mãe de duas crianças pequenas, percebeu após meses lidando com crises intensas no fim do dia. A filha ia bem para a escola integral, não apresentava resistência à rotina nem grandes problemas de comportamento, até que começou a ter explosões no retorno para casa. “Eu achava que era birra. Pensava que precisava ser mais firme, que era questão de educação”, conta. Só mais tarde ela entendeu que os episódios tinham outro significado: cansaço acumulado após 12 horas de escola com muitas atividades. Birra X exaustão A psicóloga Aline Carvalho explica que muitas situações classificadas como birras são, na verdade, manifestações de exaustão emocional. Quando a criança ultrapassa sua capacidade de lidar com demandas, estímulos ou frustrações, o comportamento deixa de ser uma escolha intencional e passa a sinalizar sobrecarga do sistema emocional. Essa exaustão costuma aparecer como: irritabilidade persistente; choro intenso ou prolongado; oposição frequente; regressões comportamentais; hipersensibilidade a estímulos; baixa tolerância à frustração; comportamentos desorganizados, mesmo sem um limite claro imposto. Já as birras associadas ao teste de limites tendem a surgir em situações específicas, com objetivo reconhecível e maior capacidade de reorganização quando o adulto mantém previsibilidade e consistência. “A diferença central está na frequência, na duração e na capacidade de autorregulação: a exaustão desorganiza; a birra pontual responde à presença reguladora do adulto”, esclarece a especialista em atendimento infantil. Por que a criança “explode”? A turma pequena ainda passa pelo desenvolvimento emocional, neurológico e linguístico. Não consegue reconhecer, nomear e comunicar com clareza estados internos como o cansaço emocional. Quando a autorregulação é imatura, a sobrecarga se manifesta pelo corpo e pelo comportamento. Situações do próprio dia a dia podem levar ao quadro, como: rotinas muito estimulantes ou desorganizadas; excesso de atividades e compromissos; uso prolongado de telas; privação ou irregularidade do sono; mudanças frequentes de ambiente; expectativas incompatíveis com a idade; barulhos excessivos; cobranças por desempenho; falta de tempo para descanso e brincadeiras livres. “Assim, choro intenso, irritação e oposição funcionam como formas imaturas de comunicação de uma necessidade não atendida e não como tentativa consciente de confronto”, avalia a profissional. O que fazer no momento da crise Diante de uma explosão, a orientação não é ignorar limites, mas reorganizar prioridades. A psicóloga Aline Carvalho recomenda oferecer contenção emocional antes de qualquer correção comportamental. Isso significa manter presença calma, voz firme e limites claros, sem negociar regras durante a crise. Lembre-se: validar sentimentos não é validar o comportamento. É possível reconhecer o cansaço, interromper estímulos e garantir segurança, deixando a orientação e o ensino de limites para quando a criança estiver novamente regulada. A partir do momento que a família passa a enxergar os episódios como sinais de exaustão, a dinâmica muda. Os adultos deixam de reagir a partir do confronto e passam a responder com leitura emocional, prevenção e contenção. O resultado: menos conflitos, mais segurança e fortalecimento do vínculo. O que muda dentro de casa Jéssica diz que percebeu tarde o que acontecia à sua frente. “Eu senti culpa por não ter entendido antes o verdadeiro motivo. Sinto que ignorei a possibilidade por medo de não conseguir resolvê-la”, lembra. Isso porque ela não tinha condições de tirar a filha do integral naquele momento, mas buscou ajustes possíveis, como diálogo com a escola. Ao entender que não se tratava de má-educação, mas de limite emocional, sua postura mudou. Houve menos confronto e mais tentativa de reorganização: menos atividades no tempo escolar e maior observação do contexto. Por isso, a especialista Aline reforça que compreender o comportamento infantil a partir das necessidades emocionais permite intervenções mais eficazes e respeitosas. Reconhecer a exaustão como um sinal legítimo contribui para o desenvolvimento emocional saudável da criança e para relações mais empáticas no dia a dia.
E se o vínculo com o bebê não vier como nos filmes?
É comum imaginar que a ligação com o bebê surgirá imediatamente após o nascimento. Mas isso nem sempre acontece e está tudo bem! Para muitas famílias, esse vínculo é construído aos poucos, em meio à adaptação da nova rotina. O processo é único e não deve ser comparado com outras vivências, sobretudo às histórias dos filmes. A forma como o bebê foi idealizado, a preparação durante a gestação e a presença da rede de apoio influenciam diretamente nisso. "O vínculo nem sempre surge de forma imediata e não existe um momento 'certo' para essa relação acontecer. Afinal, a parentalidade também se aprende e exige investimento emocional, tempo e adaptação”, destaca a psicóloga Simone Camargo, vice-presidente da Associação Brasileira de Terapia Familiar (Abratef). Conexão pode demorar Fadiga, sobrecarga física e emocional do puerpério, mudanças bruscas na rotina e insegurança diante dos primeiros cuidados podem tornar essa aproximação mais lenta. Outros fatores que também influenciam são: o contexto familiar; a ajuda no dia a dia; experiências anteriores, como perdas ou violência. A especialista reforça que isso não significa que exista algo de errado com os pais ou o bebê. Pelo contrário: ausência de vínculo não é falta de amor nem incapacidade parental, mas um processo de construção marcado por tentativas e aprendizados. Quanto mais organizada e apoiada estiver a família, menor tende a ser a sobrecarga e maior o espaço para que essa conexão aconteça naturalmente. Vínculo nasce no dia a dia Para a psicóloga Simone Camargo, essa relação se fortalece justamente nas pequenas interações da rotina. Alimentar, trocar a fralda, dar banho, colocar para dormir ou oferecer colo são momentos que funcionam como um investimento afetivo gradual. Durante esses cuidados, algumas atitudes ajudam na conexão: olhar nos olhos do bebê; conversar e cantar durante a rotina; acolher por meio do toque; estar emocionalmente disponível. Os familiares podem contribuir oferecendo ajuda prática, como cozinhar, cuidar da casa ou ficar com o bebê por alguns momentos. Mais do que dar conselhos ou fazer comparações, o acolhimento deve respeitar o ritmo dos pais e compreender que cada família constrói sua própria forma de viver a parentalidade. Sentimentos difíceis Embora o vínculo possa levar tempo para acontecer, também é importante cuidar da saúde emocional nessa fase, sobretudo das mães, e reconhecer sinais de atenção. Tristeza persistente, ansiedade incapacitante, sensação de pânico e pensamentos intrusivos merecem avaliação psicológica e, quando necessário, psiquiátrica. Aliviar a pressão por uma parentalidade perfeita é uma medida importante e necessária. Afinal, entre o bebê imaginado durante a gestação e a experiência real de cuidar de uma criança existe um caminho de adaptação, descobertas e aprendizado. “Não há um manual único nem uma forma "certa" de construir esse vínculo: ele nasce, principalmente, da convivência e das experiências compartilhadas no dia a dia”, finaliza a especialista.
Meu filho quer raspar o cabelo por bullying. Devo deixar?
Querer raspar o cabelo por estar sofrendo bullying não é apenas uma vontade estética: é um pedido carregado de dor e sofrimento. Para os responsáveis, o corte pode dar a sensação de ser uma solução rápida, já que a mudança de aparência tende a encerrar o assunto. Mas é preciso olhar além disso para proteger a criança. O psicólogo Ricardo Davids lembra que isso é um tipo de violência e mexe diretamente com a autoestima e a identidade de quem sofre. A criança pode começar a acreditar que precisa se adaptar para ser aceita, só que o verdadeiro problema está no ambiente. Por isso, o foco não deve ficar apenas na vítima – tudo deve ser observado. “Para chegar a esse ponto, de raspar o cabelo, já existe um problema sistêmico gravíssimo, que transcende o grupinho imediato que faz o bullying. Esse espaço diz que a pessoa não pode ser o que ela é”, alerta o profissional. O que esse pedido revela Crianças usam o corpo para comunicar estados internos antes de conseguirem explicar tudo em palavras. Assim, o desejo de “apagar” um traço da própria aparência pode vir acompanhado de sensações corporais difíceis e emoções intensas, como raiva, nojo e rejeição de si mesmo. Achar que é uma simples fase ou um exagero tende a minimizar o sofrimento. Além disso, existe diferença entre o desejo genuíno de mudança e o pedido movido pela tentativa de evitar dor. Quando ocorre por afirmação de identidade e pertencimento em grupos harmônicos, pode ser saudável. Agora, se for uma pré-condição para ser aceito por quem exclui ou ridiculariza, exige intervenção. Segundo Davids, o impacto disso pode ser profundo. Ele cita a autora Melanie Harned ao mencionar pensamentos que podem se consolidar com a repetição do bullying, como “sou feio, defeituoso e indesejável” ou “eu não pertenço”. Com o tempo, a criança pode passar a se esconder para não ser criticada. Como acolher sem agir no impulso A orientação central é acolher e validar o que está acontecendo, sem atender ao pedido de imediato quando ele surge como reação a um ambiente hostil. Permitir a mudança sem trabalhar o que está por trás pode reforçar os termos da exclusão. Para entender o que ocorre na escola, o profissional recomenda ouvir sem julgar e sem induzir respostas. Repetir com suas palavras o que a criança contou e fazer perguntas abertas – como “o que mais aconteceu?”, “quem participou?” e “o que você sentiu?” – ajudam a ampliar a compreensão. “Depois disso, é essencial investigar o ambiente e envolver a instituição. Um caso de bullying nunca é resolvido individualmente, porque é um problema coletivo”, orienta o psicólogo Ricardo Davids. Sinais de alerta e próximos passos O conceito de bullying já caracteriza o intolerável, pois se trata de um processo sistêmico e crônico em que a vítima raramente consegue se proteger sozinha. Mas alguns sinais indicam que o impacto está exigindo apoio psicológico mais próximo: alterações de humor (muita raiva ou muita tristeza); isolamento social; relutância em ir à escola; negligência com o autocuidado; mudanças bruscas de comportamento; vergonha e tentativa de esconder o sofrimento. Lembre-se: a escola tem papel central e indispensável. “É comum que a vítima desenvolva habilidades e, ainda assim, o bullying continue, porque o ambiente mantém a estigmatização. Desconfie de instituições que criam barreiras para enfrentar o problema”, reforça o profissional. Ricardo ainda lembra que quem vive o bullying sofre prejuízos no desenvolvimento de habilidades sociais, negociação e tolerância à frustração. A naturalização da violência traz consequências futuras, em relações e até no trabalho.

