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Pés de idosos precisam de cuidados específicos
Podo Profilaxia ou Profilaxia Podal

Pés de idosos precisam de cuidados específicos

São os pés que sustentam cada história de vida, até a velhice chegar. Quando isso acontece, não é incomum que a parte inferior do corpo esteja “cansada” e precisando de cuidados específicos. Para continuar garantindo o bem-estar e a mobilidade dos idosos, a podoprofilaxia geriátrica entra em ação com conhecimentos próprios para essa fase. “O processo de senescência, ou seja, o envelhecimento, afeta todo o corpo, inclusive os pés. Com o passar do tempo, surgem alterações na pisada, calosidades, ressecamento da pele e das unhas, e enrijecimento das articulações”, explica a podóloga gerontogeriátrica Maria Eliza Henriques Silva. As mudanças são naturais. Segundo a especialista, é esperado que a pele fique mais fina e ressecada, além de as unhas engrossarem e até mudarem de cor – são fatores acarretados pelas modificações nas estruturas anatômicas e fisiológicas dos humanos ao longo da vida. “Isso inclui encurtamento dos tendões, sobreposição de dedos, queda na cabeça dos metatarsos e atrofia do coxim gorduroso - a camada adiposa localizada na planta dos pés com função de amortecer o antepé e o calcanhar, quando fazem contato com o solo -, tornando os pés mais sensíveis”, aponta. Questões particulares também influenciam essas mudanças. Entre elas, vale destacar doenças sistêmicas, transtornos de marcha, falta de cuidados com os pés e até traumatismos, que, muitas vezes, comprometem a integridade das unhas, pele, nervos, vasos sanguíneos e estruturas ósseas. Principais queixas dos idosos Durante os atendimentos, Maria Eliza Henriques Silva percebe que as queixas dos pacientes mais velhos seguem um padrão e costumam incluir: Dores nos pés; Calos doloridos; Calos dorsais; Unhas encravadas; Pé de atleta (frieira); Infecções fúngicas. “A prevenção e o tratamento adequado dessas condições são essenciais para evitar complicações maiores”, alerta a profissional. Por isso, ela recomenda: Higienização diária: com sabão neutro e água morna, seguida por secagem dos pés, principalmente entre os dedos; Corte correto das unhas: sempre retas, evitando os cantos para prevenir unhas encravadas; Hidratação: com cremes hidratantes próprios para a região, especialmente nas áreas mais ressecadas, como calcanhares e planta dos pés; Uso de calçados adequados: escolher os mais confortáveis, com boa largura e altura de salto adequada; Troca de meias: deve acontecer diariamente, preferindo tecidos que permitem a respiração da pele, como algodão; Avaliação diária dos pés: busca por calos, lesões, infecções ou alterações nas unhas para tratar precocemente; Atenção a sinais de infecção: sempre procurar o podólogo ao notar sinais de infecção, como vermelhidão, dor ou secreção nas unhas e/ou pele. Em contrapartida, é muito importante não cutucar ou retirar calos em casa sem orientação profissional e não usar produtos para tratamento de calosidades ou fungos, sem prescrição do podólogo, dermatologista ou ortopedista. Outra recomendação é evitar calçados inadequados que possam prejudicar a mobilidade, como sandálias sem suporte, sapatos muito apertados ou de bico fino. Adaptação aos novos cuidados Embora os cuidados com os pés ao longo da vida permaneçam os mesmos em muitas áreas, a velhice exige algumas adaptações, como um olhar mais atento nos pés, diariamente. Se o idoso não consegue fazer isso por conta própria, é necessário que um cuidador ou parente execute a tarefa para ele. “No atendimento podológico, a análise detalhada da pele e das unhas é essencial, e a podoprofilaxia é realizada com o auxílio de brocas e produtos adequados para cada tipo de pele e unhas”, comenta a especialista.

Corte errado é o vilão da unha encravada? Mitos e verdades
Unha Encravada

Corte errado é o vilão da unha encravada? Mitos e verdades

A unha encravada, chamada cientificamente de onicocriptose, é uma das queixas mais comuns no consultório de podologia. Dor, inchaço e até pus podem surgir quando a lâmina da unha cresce para dentro da pele e causa inflamação na lateral do dedo. Mas será que a culpa é só de cortar as unhas do jeito errado? Para a podóloga Deise Ferraz, o corte inadequado realmente pesa no encravamento, mas não é o único fator envolvido. Há questões genéticas, tipo de calçado e até traumas repetidos que também influenciam no quadro. “Cortar de modo incorreto é, sim, uma das causas da onicocriptose, principalmente quando a pessoa tira demais ou cava os cantinhos. Ainda assim, não dá para colocar toda a culpa só no cortador”, afirma a profissional. 5 mitos e verdades sobre unha encravada A seguir, a podóloga desvenda os principais mitos e verdades, do corte à unha encravada. 1) Cavar os cantos ajuda a “limpar” a unha? MITO. Esse é o grande erro. Ao cavar os cantinhos – e cortar a unha rente à carne – a pessoa abre espaço para a unha crescer para dentro da pele, o que favorece o encravamento. 2) O corte reto evita unha encravada? VERDADE. O corte reto é o mais indicado na maioria dos casos, sempre mantendo os cantos levemente aparentes. Porém, vale uma ressalva: cada unha tem seu formato, então não existe uma regra totalmente universal. 3) Só um corte errado causa unha encravada? MITO. Sapatos apertados, especialmente de bico fino ou tênis muito justos, traumas e hábitos repetidos, unhas naturalmente mais curvadas, fatores genéticos e até transpiração excessiva (o que deixa a pele mais sensível) também contribuem para o quadro. 4) “Cutucar” em casa piora a unha encravada? VERDADE. Mexer com palito ou alicate tende a piorar a inflamação, causar sangramento e até infecção com pus. O que era simples pode se transformar em um problemão. 5) Cortar a unha muito arredondada evita que ela encrave? MITO. Deixar um formato muito arredondado facilita que os cantos cresçam para dentro da pele. A unha não deve ser uma “lua cheia”. A regra é que os cantos precisam aparecer levemente. Quando é hora de procurar ajuda Segundo a podóloga Deise Ferraz, a unha encravada deve sempre ser resolvida por um profissional. Porém, alguns sinais de alerta reforçam a gravidade do caso: dor intensa ao encostar; inchaço importante; vermelhidão; febre local; secreção; formação de granuloma (“bolinha de carne”); pus, cheiro forte ou dor latejante (que pulsa) indicam infecção instalada. Além disso, pessoas com diabetes não devem esperar o quadro piorar para buscar avaliação. Quanto antes o atendimento especializado acontece, menores são as chances desse grupo ter complicações. “Para prevenir novas crises, mantenha o corte reto, evite sapatos apertados, higienize e seque bem os pés, e tenha acompanhamento regular com o podólogo”, resume Deise.

Soap Nails: tendência promete elegância e naturalidade
Unhas e Esmaltação

Soap Nails: tendência promete elegância e naturalidade

As Soap Nails estão conquistando espaço nos salões e nas redes sociais por apostarem em um visual elegante e sem excessos. A tendência acompanha o sucesso da estética clean girl, que valoriza uma beleza mais natural e sofisticada. A manicure e nail designer Natália Cardoso explica que essa proposta busca transmitir a sensação de unhas naturalmente impecáveis, saudáveis e bem cuidadas. “Muitas clientes estão trocando esmaltações mais chamativas por esse estilo. Adesivos, pedrarias, glitter e formatos maiores e mais afiados acabaram perdendo espaço para a delicadeza”, observa a profissional. O que torna as Soap Nails diferentes Embora sejam frequentemente associadas às unhas nude ou minimalistas, as Soap Nails possuem características próprias. O nome, que significa "unhas de sabonete", faz referência ao visual limpo, brilhante e saudável que a trend busca reproduzir. Brilho, transparência e naturalidade são os elementos que definem a ideia. O resultado transmite uma aparência hidratada e polida, como se a unha estivesse sempre perfeita e sem exigir esforço. É justamente aquele efeito de “acordei assim sem precisar fazer nada”. Uma produção atemporal, clássica e que harmoniza com qualquer ocasião, roupa ou acessório. A influência da estética clean girl O crescimento das Soap Nails acompanha uma mudança de comportamento observada no universo da beleza. Em vez de produções chamativas, muitas pessoas passaram a buscar uma imagem mais leve, elegante e atemporal. Para a nail designer Natália Cardoso, a tendência conversa diretamente com a ideia de luxo discreto, conhecida também como quiet luxury. O foco deixa de ser a ostentação e passa a ser a aparência de cuidado e sofisticação. Quem costuma aderir são pessoas que gostam de acompanhar novidades do mundo da beleza e preferem visuais menos extravagantes. Nesse sentido, as unhas curtas e médias são as que mais combinam, mas todos os formatos são compatíveis. Como conquistar e manter o efeito A preparação das unhas é fundamental para alcançar o resultado desejado. A superfície precisa estar uniforme e as cutículas bem cuidadas para valorizar o acabamento limpo característico desse estilo. Nas unhas naturais, o efeito costuma ser criado com esmaltes translúcidos ou leitosos. Já nas unhas de gel, a recomendação é trabalhar com camadas finas e uma finalização bastante brilhante, sem recorrer a glitter ou brilhos chamativos. Para preservar esse aspecto sofisticado, a manicure recomenda hidratar regularmente as mãos e as cutículas, além de manter a manutenção em dia. As esmaltações tradicionais devem ser semanais, enquanto as de gel duram cerca de um mês.

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Avó cuida do neto, mas do jeito dela. Como resolver isso?
Família

Avó cuida do neto, mas do jeito dela. Como resolver isso?

Quando a avó passa a ser responsável pelos cuidados da criança com frequência, é comum surgirem diferenças na forma de educar. Regras sobre alimentação, sono, escola ou disciplina podem gerar tensão dentro de casa e desafiar a autoridade dos pais. Com isso, vem o dilema: como impor limites sem parecer ingratidão? O equilíbrio é difícil, mas possível. A empreendedora Lilian Melo, de 40 anos, viveu esse tipo de situação na própria família. Ela foi mãe muito jovem e, com a filha mais velha, contou intensamente com a ajuda da própria mãe para conseguir terminar o estudo e começar a trabalhar. Com o tempo, percebeu que a avó acabou assumindo muitas decisões sobre a criação da neta, incluindo questões ligadas à escola, alimentação e até regras. “Na época, eu ainda era adolescente e não tinha repertório sobre maternidade, então era difícil entender se aquilo era certo ou errado. Depois que tive minha segunda filha, já mais velha, percebi que minha mãe tentou retomar o mesmo papel, mas dessa vez eu senti que precisava assumir esse lugar como mãe”, conta. Conflito também de gerações O psicólogo André Machado, mestre e doutor pela PUC-RJ, avalia que conflitos desse tipo são comuns porque a educação dos filhos envolve valores muito profundos, ligados à identidade e, também, às experiências de cada geração. De um lado, os pais estão construindo seu próprio jeito de formar uma família e, muitas vezes, tentando corrigir ou transformar aspectos da própria infância. Já do outro lado, a avó tende a repetir práticas que, para ela, funcionaram como mãe. Além disso, o próprio envelhecimento leva a mudanças no modo de cuidar. “O problema aparece quando esses jeitos colidem. Os pais podem sentir que sua autoridade está sendo ameaçada, enquanto a avó pode interpretar que sua ajuda está sendo desvalorizada. No fundo, é menos sobre certo ou errado e mais sobre proteger a autoestima e o pertencimento dentro da família”, explica o profissional. Como equilibrar ajuda e autoridade A boa notícia é que existe, sim, uma linha saudável entre reconhecer a ajuda da avó e manter a autoridade parental. Para o especialista, esse equilíbrio – difícil, mas possível – costuma surgir quando gratidão e clareza de papéis caminham juntas. Nesse sentido, demonstrar reconhecimento pelo cuidado oferecido ajuda a diminuir tensões. Ao mesmo tempo, os pais precisam definir o que é inegociável na criação da criança, como segurança física, limites saudáveis, rotina de sono e alimentação. “Conversas colaborativas costumam funcionar melhor. Algo como ‘vamos alinhar juntos o que é importante para ele crescer bem?’ tende a reduzir o clima de confronto e reforçar a ideia de parceria”, orienta o psicólogo André Machado. Onde flexibilizar e onde ter limites O primeiro passo é reconhecer que nem todas as diferenças precisam virar discussão. Afinal, cada familiar tem um papel importante na rotina e na criação da criança: Avós: costumam oferecer mais colo, brincadeiras livres e histórias de família. Essas experiências fortalecem o apego e ajudam na construção da resiliência emocional. Pais: tendem a agir com mais firmeza, que se torna essencial quando estão em jogo aspectos centrais do desenvolvimento da criança, como segurança física, ausência de agressões, limites no uso de telas, qualidade do sono e alimentação equilibrada. O especialista André Machado ainda sugere transformar o alinhamento familiar em um hábito. Conversas periódicas ajudam a prevenir atritos e permitem que todos entendam quais pontos são realmente inegociáveis e onde há espaço para flexibilizar. No caso de Lilian, o melhor caminho foi mesmo a conversa, mas ela não foi nada fácil. Apesar do medo de magoar a mãe, a empreendedora precisou agir com firmeza quando a filha mais nova tinha cerca de 3 anos. O diálogo foi essencial para escrever um capítulo diferente no seu jeito de maternar. “Eu tenho uma gratidão enorme por tudo que minha mãe fez por mim e pelas minhas filhas, mas entendi que precisava tomar as rédeas da maternidade. Hoje, acredito que cada mulher precisa assumir esse papel, principalmente quando está criando os filhos sozinha”, compartilha.

Mala da maternidade cedo demais: organização ou ansiedade?
Mala da Maternidade

Mala da maternidade cedo demais: organização ou ansiedade?

Na reta final da gravidez, preparar a mala da maternidade costuma ser um marco simbólico. É quando a espera ganha forma concreta, com roupinhas dobradas e listas conferidas. Mas, quando essa mala fica pronta cedo demais, vale se perguntar o que esse gesto pode estar dizendo. A psicóloga Anastacia Brum explica que a mala vai muito além da função prática. Ela representa uma travessia silenciosa, marcando a passagem da mulher para a maternidade e organizando, junto aos itens do bebê, sentimentos e expectativas. “Ao dobrar cada roupinha, muitas gestantes tentam, de forma inconsciente, organizar também as próprias inseguranças. É nesse momento que o bebê idealizado começa a se transformar no bebê real”, avalia. Planejamento X medo Preparar a mala com antecedência não significa, necessariamente, ansiedade. Quando a tarefa acontece de forma tranquila, como parte do planejamento, tende a ser apenas organização mesmo. O sinal de alerta só aparece quando a mala passa a funcionar como uma tentativa de aliviar um medo constante. Nesse caso, alguns pensamentos costumam surgir durante o processo: E se o bebê nascer antes do previsto? E se algo importante for esquecido? E se eu não souber o que fazer? E se algo sair do controle? No fundo, a mala pode ser uma forma concreta de tentar responder a uma pergunta mais profunda da gestante: será que vou dar conta? Junto da expectativa e da alegria, pode surgir também uma sensação de despedida da vida anterior, da autonomia e do controle que já não serão os mesmos. Quando a preparação gera tensão “Existe, sim, uma relação entre a mala pronta cedo demais e o medo de perder o controle. O parto é, por natureza, imprevisível e, mesmo com planejamento, há aspectos que fogem ao domínio da mãe”, aponta a psicóloga Anastacia Brum. Assim, se tudo é preparado muito antes e revisado repetidamente, pode indicar uma tentativa de organizar o que está à mão para compensar a sensação interna de incerteza. Diante disso, cabe um alerta: se gera sofrimento, não é algo saudável. Para identificar se é hora de buscar ajuda psicológica para lidar com a ansiedade, a orientação da profissional é observar alguns sinais de alerta, como: pensamentos sobre o parto que ocupam grande parte do dia; dificuldade para dormir por preocupação; irritabilidade frequente; necessidade constante de confirmação de que tudo está certo; sensação permanente de urgência; crises de choro constantes; pensamentos catastróficos persistentes; taquicardia ou falta de ar recorrente; histórico prévio de ansiedade ou depressão. Expectativa sem sobrecarga Segundo Anastacia, é importante validar as emoções da mãe sem deixar que os sentimentos dominem. Isso porque o medo não precisa desaparecer para dar lugar à sensação de ser capaz, uma vez que eles podem coexistir. Algumas estratégias simples podem ajudar a gestante a viver esse momento com mais equilíbrio: Limitar o tempo de pesquisa sobre parto e possíveis complicações. Definir uma data para preparar a mala e evitar mexer no que foi separado. Conversar abertamente sobre medos reais com o obstetra. Praticar respiração consciente e prestar atenção ao corpo. “A mala pronta cedo demais não fala apenas do parto, mas da história dessa mulher. Pode refletir perdas anteriores, tentativas frustradas ou uma necessidade antiga de controle como forma de se sentir segura. Compreender essas camadas ajuda a atravessar essa fase com mais consciência e menos julgamento”, conclui a psicóloga.

Nem toda birra é desafio: pode ser exaustão infantil
Comportamento

Nem toda birra é desafio: pode ser exaustão infantil

Quem ainda não tem filhos ou mesmo pais e mães de primeira viagem podem não saber (ainda), mas nem toda “explosão” infantil é um teste de limites. Em muitos casos, o que os adultos interpretam como “birra” pode ser apenas sinal de exaustão física e emocional. A diferença parece sutil, mas muda completamente a forma de intervir e pode evitar confrontos desnecessários dentro de casa. Foi isso que a assessora de imprensa Jéssica Moraes, mãe de duas crianças pequenas, percebeu após meses lidando com crises intensas no fim do dia. A filha ia bem para a escola integral, não apresentava resistência à rotina nem grandes problemas de comportamento, até que começou a ter explosões no retorno para casa. “Eu achava que era birra. Pensava que precisava ser mais firme, que era questão de educação”, conta. Só mais tarde ela entendeu que os episódios tinham outro significado: cansaço acumulado após 12 horas de escola com muitas atividades. Birra X exaustão A psicóloga Aline Carvalho explica que muitas situações classificadas como birras são, na verdade, manifestações de exaustão emocional. Quando a criança ultrapassa sua capacidade de lidar com demandas, estímulos ou frustrações, o comportamento deixa de ser uma escolha intencional e passa a sinalizar sobrecarga do sistema emocional. Essa exaustão costuma aparecer como: irritabilidade persistente; choro intenso ou prolongado; oposição frequente; regressões comportamentais; hipersensibilidade a estímulos; baixa tolerância à frustração; comportamentos desorganizados, mesmo sem um limite claro imposto. Já as birras associadas ao teste de limites tendem a surgir em situações específicas, com objetivo reconhecível e maior capacidade de reorganização quando o adulto mantém previsibilidade e consistência. “A diferença central está na frequência, na duração e na capacidade de autorregulação: a exaustão desorganiza; a birra pontual responde à presença reguladora do adulto”, esclarece a especialista em atendimento infantil. Por que a criança “explode”? A turma pequena ainda passa pelo desenvolvimento emocional, neurológico e linguístico. Não consegue reconhecer, nomear e comunicar com clareza estados internos como o cansaço emocional. Quando a autorregulação é imatura, a sobrecarga se manifesta pelo corpo e pelo comportamento. Situações do próprio dia a dia podem levar ao quadro, como: rotinas muito estimulantes ou desorganizadas; excesso de atividades e compromissos; uso prolongado de telas; privação ou irregularidade do sono; mudanças frequentes de ambiente; expectativas incompatíveis com a idade; barulhos excessivos; cobranças por desempenho; falta de tempo para descanso e brincadeiras livres. “Assim, choro intenso, irritação e oposição funcionam como formas imaturas de comunicação de uma necessidade não atendida e não como tentativa consciente de confronto”, avalia a profissional. O que fazer no momento da crise Diante de uma explosão, a orientação não é ignorar limites, mas reorganizar prioridades. A psicóloga Aline Carvalho recomenda oferecer contenção emocional antes de qualquer correção comportamental. Isso significa manter presença calma, voz firme e limites claros, sem negociar regras durante a crise. Lembre-se: validar sentimentos não é validar o comportamento. É possível reconhecer o cansaço, interromper estímulos e garantir segurança, deixando a orientação e o ensino de limites para quando a criança estiver novamente regulada. A partir do momento que a família passa a enxergar os episódios como sinais de exaustão, a dinâmica muda. Os adultos deixam de reagir a partir do confronto e passam a responder com leitura emocional, prevenção e contenção. O resultado: menos conflitos, mais segurança e fortalecimento do vínculo. O que muda dentro de casa Jéssica diz que percebeu tarde o que acontecia à sua frente. “Eu senti culpa por não ter entendido antes o verdadeiro motivo. Sinto que ignorei a possibilidade por medo de não conseguir resolvê-la”, lembra. Isso porque ela não tinha condições de tirar a filha do integral naquele momento, mas buscou ajustes possíveis, como diálogo com a escola. Ao entender que não se tratava de má-educação, mas de limite emocional, sua postura mudou. Houve menos confronto e mais tentativa de reorganização: menos atividades no tempo escolar e maior observação do contexto. Por isso, a especialista Aline reforça que compreender o comportamento infantil a partir das necessidades emocionais permite intervenções mais eficazes e respeitosas. Reconhecer a exaustão como um sinal legítimo contribui para o desenvolvimento emocional saudável da criança e para relações mais empáticas no dia a dia.

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