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Massagem nos pés pós-praia alivia inchaço e desconforto
Reflexologia e Massagem

Massagem nos pés pós-praia alivia inchaço e desconforto

Depois de um dia de sol e caminhadas na areia, é comum sentir os pés cansados, sensíveis e até inchados. A boa notícia é que uma massagem bem feita devolve leveza, melhora a circulação e ajuda o corpo a se recuperar do calor. Tudo isso com técnicas simples que podem ser reproduzidas em casa. Karine Mariano, massoterapeuta especialista em terapia integrativa, destaca que a massagem pós-praia reativa a circulação, reduz o inchaço e libera tensões da planta do pé e dos tornozelos. Dessa maneira, potencializa o relaxamento iniciado pelo próprio contato com o mar e areia - a última atua como relaxante muscular leve graças ao sódio natural contido em sua estrutura. Pés inchados e doloridos pós-praia? “Caminhar na areia exige mais dos músculos estabilizadores, como tornozelos e panturrilhas. Somado à vasodilatação do calor, favorece o acúmulo de líquidos. Além disso, o atrito da areia pode sobrecarregar a fáscia plantar e deixar a região sensível”, descreve. O esforço extra para estabilizar o corpo na areia somado ao calor leva à vasodilatação e à retenção de líquido, gerando o que chamamos de edema – popularmente conhecido como inchaço. Isso porque a textura da areia, embora benéfica para a propriocepção, pode aumentar a sensibilidade da fáscia plantar. Por essa razão, depois da praia é comum sentir peso, rigidez e até um certo desconforto nos pés e nas pernas ao fim do dia. A boa notícia é que a sensação é passageira e uma boa massagem, com as técnicas certas, tende a resolver a situação. Técnicas, tempo e produtos Para uma sessão eficiente em casa, Karine recomenda unir técnicas de massagem relaxante, alongue massage e reflexologia em uma sequência contínua de 15 a 25 minutos, tempo suficiente para restaurar a circulação sem hiperestimular tecidos sensibilizados pelo sol. Veja cada passo: Deslizamento profundo do calcanhar aos dedos, em ritmo contínuo, para ativar a circulação e favorecer a drenagem; Amassamento leve e rítmico nas áreas mais tensas, soltando a fáscia plantar e diminuindo a sobrecarga dos músculos estabilizadores; Movimentos circulares no arco do pé, com a polpa dos polegares, para liberar pontos de tensão e aumentar a flexibilidade; Alongue massage (com pressão e deslizamento) suave nos dedos e nos tornozelos, promovendo mobilidade articular e alívio das microtensões após longas caminhadas; Pressões reflexológicas em pontos de rins, fígado e sistema linfático (leia abaixo), estimulando desintoxicação e equilíbrio energético; Bombagens (pressão rítmica, intermitente e controlada) suaves na região dos tornozelos (maleolares) para drenar líquidos. Se for possível, finalize com compressas frias ou óleo essencial de hortelã-pimenta para equilibrar a temperatura dos tecidos. “Para o deslizamento, prefira óleos vegetais leves e calmantes, como semente de uva ou coco. Pode-se aromatizar com lavanda, hortelã-pimenta e cipreste para sensação refrescante e apoio à drenagem”, indica a massagista. Ela ressalta: “Se houver sensibilidade ou leve queimadura solar, evite produtos com álcool, cânfora ou mentol.” Movimentos seguros de autocuidado Depois do banho, vale manter a rotina com gestos simples que prolongam o alívio sem exigir experiência prévia. Nesse sentido, a profissional recomenda: Pressionar o centro da planta do pé com o polegar e soltar lentamente; Rolar uma bolinha de tênis sob a planta do pé para soltar a fáscia; Massagear o dorso até o tornozelo com as duas mãos, em movimentos ascendentes. O autocuidado não para aí: a reflexologia complementa a massagem ao estimular áreas reflexas ligadas a órgãos e sistemas, favorecendo o reequilíbrio integral. Assim, após um dia de sol, os pontos de rins (arco do pé, quase ao centro, logo abaixo da base dos dedos), fígado (no pé direito, na região do arco do pé) e sistema linfático (em torno dos tornozelos e na parte superior do peito do pé) colaboram com a eliminação de líquidos e a desintoxicação, além de promoverem sensação de descanso. Conforme a massoterapeuta, os direcionamentos também incluem: Centro do arco plantar (diafragma/adrenais): ajuda a equilibrar o sistema nervoso; Base dos dedos (região da cabeça): alivia tensão mental e ocular; Calcanhar (pelve): relaxa lombar e quadris. Lembre-se de pressionar os pontos com cuidado e interromper o ritual a qualquer sinal de desconforto. Cuidados antes e depois Para proteger a pele exposta ao sol e à areia e otimizar a resposta do corpo, Karine indica um pequeno protocolo: Antes da massagem: Lave bem os pés para retirar sal, areia e resíduos; Hidrate com água termal ou gel calmante; Verifique se há queimaduras, bolhas ou descamação. Depois da massagem: Beba água para favorecer a drenagem natural; Eleve as pernas por 10 minutos; Evite andar descalço imediatamente após o cuidado.

Corredores experientes dão dicas para corrida segura
Corrida

Corredores experientes dão dicas para corrida segura

O Relatório Anual sobre Tendências de Esportes do aplicativo fitness Strava revela que a corrida foi o esporte mais praticado no mundo em 2024. O levantamento ainda mostra que o Brasil está em segundo nesse ranking com quase 20 milhões de corredores. Mas quais serão os truques desses atletas para correr? Fomos atrás para descobrir. A corrida é uma atividade muito benéfica para a saúde física e psicológica. Porém, exige cuidados especiais para não acabar lesionando os pés, como aconteceu com a psicóloga Tatiane Andrade, corredora amadora desde 2023, que enfrentou uma fascite plantar após algum tempo no esporte. “Na época, fiz acompanhamento com o fisioterapeuta para tratar a condição. Hoje está tudo bem”, conta. “De lá para cá, aprendi algumas coisas importantes: ser assistida por um personal, seguir a planilha de corrida e fazer fortalecimento com musculação”. Mesmo quem é maratonista já teve seu início e aprendeu com isso. O trainer comportamental Cesar Aarão começou a correr aos 40 anos, cerca de uma década atrás, e participa atualmente de uma a duas maratonas por ano. “Dos truques que aprendi, o principal é não pensar apenas no ato de correr, mas de se hidratar, se alimentar, ter uma boa noite de sono e cuidar do corpo. Isso serve para você esteja bem com o treino”, compartilha o maratonista. “Quanto mais você se prepara e tem cuidado, mais o esporte renderá e será prazeroso”. Tatiane Andrade começou a correr após um período difícil de luto e problemas de saúde. "Meus exames estavam péssimos e tanto o meu terapeuta quanto meu médico disseram que era urgente que eu começasse a praticar atividades físicas", lembra. Além de ajudar nas questões físicas dela, a corrida teve impacto positivo em sua saúde mental. A superação também foi o caminho que levou Cesar Aarão de encontro com a modalidade durante uma fase delicada em sua vida em que passava por uma separação e transição de carreira. "A corrida foi um meio que encontrei de me curar e cuidar de mim mesmo. Sempre foi um grande remédio para a minha saúde mental", afirma. Hábitos de quem corre Antes de iniciar a corrida, é fundamental consultar um profissional, como ortopedista ou fisioterapeuta, para checar se não há nenhuma contraindicação para a prática. Com o esporte liberado, deve-se atentar aos cuidados essenciais para prevenir lesões, melhorar a performance e correr com segurança. Tatiane e Cesar dão dicas para corredores amadores a maratonistas: Hidrate os pés antes e depois de correr; Mantenha a pele seca, sem umidade; Aplique produtos relaxantes após os treinos; Corte as unhas regularmente e em formato reto; Fique atento a assaduras, machucados e alergias; Escolha um tênis apropriado; Opte por meias de qualidade, como as de algodão; Vá ao podólogo mensalmente; Sempre tenha acompanhamento profissional; Não ignore dores e lesões.   “Desfrute cada etapa da corrida. O processo é muito legal. Às vezes, estamos focados em resultados, mas apreciar a passagem é importante”, aconselha Cesar. O maratonista ainda incentiva quem está começando a correr: “É um grande autocuidado”. Tatiane concorda e reforça: encontre um esporte e pratique! “O importante é se sentir bem e se cuidar acima de tudo. Pode ter certeza: sua vida muda. Enquanto profissional de saúde mental, percebo os resultados tanto em mim quanto em meus pacientes após práticas regulares de atividade física”, conclui a psicóloga.

Como desinflamar o canto da unha? Especialistas ensinam
Unha Encravada

Como desinflamar o canto da unha? Especialistas ensinam

A inflamação no canto de unhas é uma situação comum e pode ser extremamente dolorosa. Em muitos casos, o problema surge por conta de traumas, cortes errados ou até mesmo pelo uso de calçados inadequados. Quando não tratada corretamente, a inflamação pode evoluir para infecções mais graves, tornando necessário o acompanhamento de um profissional. Conforme explica a dermatologista Talita Pompermaier, essa inflamação, chamada de paroníquia, pode ocorrer devido a diferentes fatores. “Pode ser causada por infecção bacteriana ou fúngica, unhas encravadas, umidade excessiva e até mesmo manipulação inadequada das unhas”, esclarece a médica. Em alguns casos, inflamações recorrentes podem indicar a existência de doenças subjacentes, como diabetes ou problemas circulatórios. A podóloga Ana Carla Costa reforça que o problema, muitas vezes, está relacionado a cortes inadequados e ao uso de calçados que apertam os pés. “O canto da unha inflama porque a unha cresce em formato errado, o sapato aperta ou o corte não foi feito corretamente. Isso machuca e pode infeccionar”, alerta. É possível aliviar a inflamação no canto da unha? Se o problema for leve, podem ser adotadas algumas medidas para reduzir o incômodo e acelerar a recuperação. Entre os principais cuidados recomendados pelas especialistas estão: Manter a região sempre limpa e seca para evitar infecção; Fazer compressas mornas para reduzir o inchaço e aliviar a dor; Aplicar pomadas antibacterianas ou antifúngicas, conforme necessidade; Evitar cutucar a área afetada ou tentar remover a pele inflamada, pois isso pode piorar a situação. Vale lembrar que, em casos mais graves, pode ser necessária a remoção da parte da unha que está causando o problema. “Se houver pus, dor intensa ou inchaço persistente, o podólogo pode ajustar o corte da unha e aliviar a inflamação”, explica Ana Carla. Tipos de curativos para unha inflamada Não é qualquer curativo que pode ser adotado em uma unha inflamada. Isso vai depender do nível da inflamação. As profissionais Talita e Ana Carla indicam as opções mais comuns e explicam suas funções: Curativo com gaze e pomada: ajuda na cicatrização e evita infecção; Curativo hidrocoloide: mantém o ambiente úmido e favorece a recuperação da pele; Curativo antibacteriano: contém agentes antimicrobianos para evitar contaminações; Afinal, é melhor um curativo aberto ou fechado? Depende do caso. Deixar a região respirar pode ser benéfico, mas, se houver atrito com calçados, protegê-la é o mais importante. Se a inflamação não melhorar, é necessário buscar um profissional para avaliar a melhor abordagem. “Sinais como vermelhidão intensa, secreção purulenta ou febre podem ser indicativos de uma infecção mais grave”, alerta Talita. Podólogo X dermatologista O podólogo desempenha um papel essencial na prevenção e tratamento de inflamações nas unhas. “Nós limpamos, cortamos a unha da maneira correta e orientamos sobre os cuidados para evitar novos encravamentos”, explica Ana Carla. Se o quadro já estiver muito avançado, o profissional pode encaminhar o paciente a um dermatologista. “Nos casos mais graves, como infecções severas ou granulomas, o médico pode indicar antibióticos ou até procedimentos mais invasivos”, complementa Talita. Como evitar inflamações no canto da unha? Além do tratamento correto, prevenir novas inflamações é fundamental. As especialistas entrevistadas recomendam algumas práticas para manter as unhas saudáveis: Cortar as unhas sempre em formato reto, sem arredondar os cantos; Usar calçados confortáveis que não pressionem os dedos; Não mexer nos cantos das unhas ou remover cutículas em excesso; Manter os pés sempre secos e higienizados para evitar infecções fúngicas. “Não tente resolver o problema sozinho, cortando a unha mais fundo. Isso pode piorar a inflamação e aumentar o risco de infecção”, finaliza Ana Carla.

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E se o vínculo com o bebê não vier como nos filmes?
Vínculo

E se o vínculo com o bebê não vier como nos filmes?

É comum imaginar que a ligação com o bebê surgirá imediatamente após o nascimento. Mas isso nem sempre acontece e está tudo bem! Para muitas famílias, esse vínculo é construído aos poucos, em meio à adaptação da nova rotina. O processo é único e não deve ser comparado com outras vivências, sobretudo às histórias dos filmes. A forma como o bebê foi idealizado, a preparação durante a gestação e a presença da rede de apoio influenciam diretamente nisso. "O vínculo nem sempre surge de forma imediata e não existe um momento 'certo' para essa relação acontecer. Afinal, a parentalidade também se aprende e exige investimento emocional, tempo e adaptação”, destaca a psicóloga Simone Camargo, vice-presidente da Associação Brasileira de Terapia Familiar (Abratef). Conexão pode demorar Fadiga, sobrecarga física e emocional do puerpério, mudanças bruscas na rotina e insegurança diante dos primeiros cuidados podem tornar essa aproximação mais lenta. Outros fatores que também influenciam são: o contexto familiar; a ajuda no dia a dia; experiências anteriores, como perdas ou violência. A especialista reforça que isso não significa que exista algo de errado com os pais ou o bebê. Pelo contrário: ausência de vínculo não é falta de amor nem incapacidade parental, mas um processo de construção marcado por tentativas e aprendizados. Quanto mais organizada e apoiada estiver a família, menor tende a ser a sobrecarga e maior o espaço para que essa conexão aconteça naturalmente. Vínculo nasce no dia a dia Para a psicóloga Simone Camargo, essa relação se fortalece justamente nas pequenas interações da rotina. Alimentar, trocar a fralda, dar banho, colocar para dormir ou oferecer colo são momentos que funcionam como um investimento afetivo gradual. Durante esses cuidados, algumas atitudes ajudam na conexão: olhar nos olhos do bebê; conversar e cantar durante a rotina; acolher por meio do toque; estar emocionalmente disponível. Os familiares podem contribuir oferecendo ajuda prática, como cozinhar, cuidar da casa ou ficar com o bebê por alguns momentos. Mais do que dar conselhos ou fazer comparações, o acolhimento deve respeitar o ritmo dos pais e compreender que cada família constrói sua própria forma de viver a parentalidade. Sentimentos difíceis Embora o vínculo possa levar tempo para acontecer, também é importante cuidar da saúde emocional nessa fase, sobretudo das mães, e reconhecer sinais de atenção. Tristeza persistente, ansiedade incapacitante, sensação de pânico e pensamentos intrusivos merecem avaliação psicológica e, quando necessário, psiquiátrica. Aliviar a pressão por uma parentalidade perfeita é uma medida importante e necessária. Afinal, entre o bebê imaginado durante a gestação e a experiência real de cuidar de uma criança existe um caminho de adaptação, descobertas e aprendizado. “Não há um manual único nem uma forma "certa" de construir esse vínculo: ele nasce, principalmente, da convivência e das experiências compartilhadas no dia a dia”, finaliza a especialista.

Minha filha de 1 ano quase não tem cabelo. É normal?
Primeiros Fios

Minha filha de 1 ano quase não tem cabelo. É normal?

Alguns pais ficam preocupados quando o bebê completa o primeiro ano de vida e apresenta poucos fios de cabelo. Além da frustração de quem idealizou penteados e da comparação com outras crianças mais cabeludas, surge o medo de aquilo indicar algo grave. Mas vale saber que normalmente essa situação faz parte do desenvolvimento natural. Conforme explica a dermatologista Luiza Turner, da clínica Total Kids, é bastante comum que crianças nessa idade ainda tenham menos cabelo aparente. Isso acontece porque as estruturas responsáveis pelo crescimento do cabelo, conhecidas como folículos capilares, ainda estão em fase de maturação. “Na grande maioria dos casos, ter poucos fios é completamente normal e não representa doença. O crescimento capilar infantil é gradual, e cada criança tem o seu próprio ritmo”, assegura a especialista. Bebês com menos cabelo Sem uma regra universal, a quantidade de fios e o próprio crescimento deles varia para cada pessoinha. Enquanto alguns bebês nascem cabeludos, outros apresentam fios bem fininhos ou até menos cabelo durante o primeiro ano de vida. Segundo a médica, essa diferença costuma estar relacionada a fatores individuais, como genética familiar, espessura natural do fio, etnia e fase do ciclo capilar. Em muitos casos, inclusive, a genética explica boa parte dessas diferenças. Se os pais tiveram pouco cabelo na infância, por exemplo, é bastante provável que a criança apresente um padrão semelhante. Quando é hora de investigar “A recomendação é aguardar até os dois anos de idade para investigar crescimento capilar reduzido, desde que a criança esteja saudável e sem sinais associados”, orienta a especialista Luiza Turner. Mas existem alguns sinais que merecem atenção: áreas completamente sem cabelo (falhas bem definidas); queda de cabelo progressiva; lesões ou descamação no couro cabeludo; alterações no desenvolvimento. Nesses casos, a avaliação médica com pediatra ou dermatologista pode tirar dúvidas, tranquilizar a família e investigar possíveis alterações dermatológicas, genéticas ou nutricionais, se necessário. Adote só cuidados comprovados Mesmo quando o bebê tem poucos fios, alguns cuidados simples ajudam a manter o couro cabeludo saudável durante essa fase. O mais importante é manter hábitos básicos e evitar práticas que possam prejudicar o crescimento capilar. A dermatologista também recomenda: manter uma alimentação equilibrada; realizar a higiene adequada com shampoo infantil suave; evitar tração excessiva nos cabelos, como penteados apertados ou uso frequente de elásticos; não utilizar produtos químicos. “Raspar o cabelo ou usar produtos que prometem ‘fortalecer’ os fios não altera a espessura, a velocidade de crescimento ou o número de cabelos. Isso ocorre de forma fisiológica com o desenvolvimento da criança”, reforça Luiza.

Quando amamentar dói emocionalmente, é preciso agir
Amamentação e Alimentação

Quando amamentar dói emocionalmente, é preciso agir

Amamentar costuma ser associado a vínculo, entrega e conexão. Mas, para muitas mulheres, esse momento também pode ser atravessado por sentimentos difíceis, que nem sempre encontram espaço para serem nomeados. Quando o peito alimenta, mas o coração aperta, é importante olhar para além do gesto. Cinthia Calsinski, enfermeira obstetra e consultora internacional de lactação, explica que a dor emocional na amamentação diz respeito ao impacto psíquico dessa experiência, especialmente diante da expectativa de que tudo deveria acontecer de forma natural, instintiva e prazerosa. “Pode aparecer como frustração, culpa por sentir dificuldade, sensação de incapacidade ou fracasso, solidão - mesmo estando cercada de pessoas -, ansiedade intensa antes ou durante as mamadas, exaustão física e mental, ambivalência e até vergonha de admitir que está difícil”, afirma a especialista. Se o sofrimento vai além da técnica Tais sentimentos tendem a se intensificar em algumas situações específicas. Dor persistente ao amamentar, dificuldades de pega ou ganho de peso do bebê, necessidade de complementação e orientações contraditórias são fatores que costumam fragilizar emocionalmente a mãe, segundo a consultora de amamentação. Também pesam o pouco apoio familiar ou profissional, o cansaço extremo do puerpério imediato, as comparações com outras mulheres e o desmame precoce não planejado. Cada um desses elementos pode reforçar a ideia de que algo está errado. “Mesmo quando a amamentação está funcionando do ponto de vista técnico, o sofrimento emocional pode existir, porque esse bom ‘funcionamento’ não significa necessariamente ausência de sofrimento psíquico”, pontua Cinthia Calsinski. A pressão social e os gatilhos Para a psiquiatra Luana Carvalho, especialista em saúde mental materna, a amamentação acontece em um dos períodos mais sensíveis da vida da mulher. Isso porque, no pós-parto, há queda brusca de hormônios, privação de sono, dor física e adaptação intensa à nova rotina. Inclusive, a oscilação das primeiras semanas pode estar ligada ao chamado “baby blues”, ou melancolia pós-parto, que tende a melhorar em até 15 dias. A expectativa construída durante a gestação também influencia a forma como a mulher vive a realidade. Quando se acredita que amamentar é algo automático e, imediatamente, prazeroso, a discrepância entre idealização e experiência concreta tende a gerar sentimentos negativos, de fracasso. “Se essa experiência não acontece como a mãe imaginou, pode despertar frustração, culpa e sensação de incapacidade. Para algumas mulheres, a dor não é só no peito, é também emocional”, explica a médica. Como atravessar o momento Segundo as especialistas, o primeiro passo é validar a experiência. Reconhecer que amamentar pode, sim, ser difícil já transforma o cenário e diminui a solidão que muitas mães sentem ao enfrentar desafios na amamentação. Alguns pilares ajudam nesse processo: escuta ativa, sem julgamento; avaliação técnica qualificada da mamada; informação baseada em evidência; plano individualizado; inclusão da rede de apoio; evitar frases como “você precisa insistir” ou “amamentar é tão importante”, que costumam aumentar a pressão; monitoramento da saúde mental; encaminhamento quando necessário. Se o sofrimento é frequente, intenso e não melhora com apoio e descanso, é importante investigar quadros como depressão ou ansiedade pós-parto. “Vínculo não se constrói apenas pelo peito, mas no olhar, no toque e na presença. Saúde mental materna não é luxo; é necessidade”, destaca a psiquiatra Luana Carvalho.

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