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Conheça o Universo do Pé
Biomecânica do pé: entenda a função e como cuidar dela
Os pés desempenham um papel essencial na sustentação e mobilidade do corpo humano e sua biomecânica, ou seja, a interação entre forças, articulações, tendões e músculos, é fundamental para garantir equilíbrio, postura e locomoção. Nesse contexto, cuidados preventivos são importantíssimos para manter a funcionalidade ao longo da vida. Como ressalta o ortopedista Greenhalgh Dias Fernandes Junior, do Hospital Japonês Santa Cruz, os pés e tornozelos são a base da mobilidade humana. “Eles compõem um sistema de articulações, ligamentos e tendões que garantem movimentos como flexão, extensão, inversão e eversão, permitindo caminhar, correr e saltar com eficiência”, descreve. O podólogo Armando Bega, presidente da Associação Brasileira de Podólogos (ABP), reforça que os pés atuam na distribuição do peso corporal e na relação entre forças ascendentes e descendentes. “São responsáveis pela postura, pelo equilíbrio e pelo contato do corpo com o solo; garantem estabilidade em cada passo”, reforça. Biomecânica X postura e equilíbrio Você sabia que a biomecânica dos pés influencia diretamente o alinhamento corporal? Isso porque alterações nessa estrutura podem impactar não apenas a marcha, mas as articulações como tornozelos, joelhos e até quadris. “Problemas na mobilidade ou posição dos pés resultam em desequilíbrios corporais que podem atingir desde os membros inferiores até a coluna”, afirma o ortopedista Greenhalgh Dias Fernandes Junior. O profissional destaca ainda que tais mudanças têm um efeito cascata, ou seja, acabam por afetar a qualidade de vida e a saúde geral do paciente. Para Armando Bega, a biomecânica é comparável ao funcionamento de um motor. “Assim como o motor de um carro depende de engrenagens e amortecedores, a biomecânica dos pés garante o movimento adequado ao alinhar forças aplicadas sobre o solo e recebidas de volta pelo corpo”, compara. Principais problemas biomecânicos nos pés Alterações biomecânicas podem levar a condições que comprometem a saúde e a qualidade de vida. Entre os problemas mais comuns citados pelos especialistas, estão: Deformidades estruturais, como pés planos (toda a planta toca o chão), pés cavos (apenas calcanhares e pontas do dedo tocam) e desvios do antepé (pronação, inclinada para dentro, e supinação, para fora); Tendinopatias, em geral relacionadas ao tendão de Aquiles e frequentemente causadas por sobrecarga; Anomalias da marcha, caracterizados por desvios nos eixos articulares ou encurtamento de cadeias musculares; Retropé em valgo (calcanhar para fora) ou varo (calcanhar para dentro), tipificados com desalinhamentos que alteram a distribuição do peso no calcanhar e sobrecarregam articulações. Segundo o podólogo, essas condições afetam tanto os pés como as articulações superiores, gerando dor e até limitações no dia a dia. “A sobrecarga tecidual causada por movimentos inadequados pode resultar em lesões que comprometem o desempenho físico”, alerta. Impacto de calçados inadequados O uso de calçados inapropriados é uma das principais causas de problemas biomecânicos nos pés. Sapatos de solado reto, por exemplo, aumentam o risco de fascite plantar e tendinopatias, enquanto o uso frequente de salto alto pode causar deformidades como hálux valgo e contratura do tendão de Aquiles. “O ideal é optar por calçados confortáveis, com amortecimento adequado e uma leve elevação posterior, características que geralmente encontramos em tênis comuns”, sugere o ortopedista. O podólogo complementa que “calçados inadequados podem interferir na marcha e na distribuição das pressões plantares, o que, com o tempo, gera estresse tecidual e desencadeia lesões”. Como preservar a biomecânica dos pés Manter a biomecânica dos pés saudável requer atenção a fatores como postura, peso corporal e escolhas diárias. Os especialistas recomendam: Uso de calçados adequados: prefira modelos com amortecimento, flexibilidade moderada e bom suporte; Alongamentos regulares: esticar os músculos dos pés e tornozelos várias vezes ao dia ajuda a evitar rigidez e dores; Controle de peso: evitar sobrecarga excessiva nas articulações reduz o risco de lesões; Acompanhamento profissional: consultar regularmente ortopedistas e podólogos permite detectar e corrigir alterações precocemente. O podólogo Armando Bega também destaca a importância de avaliar a pisada desde a infância, buscando orientação especializada quando necessário. “Acompanhar o desenvolvimento do aparelho locomotor garante a prevenção de problemas futuros e melhora a qualidade de vida em todas as fases”, conclui.
Escalda-pés: 3 receitas para relaxamento e bem-estar
Depois de um longo dia, um escalda-pés pode ser a solução ideal para aliviar o cansaço, melhorar a circulação e promover o bem-estar. A prática consiste em mergulhar os pés em água morna com ingredientes que potencializam seus benefícios, como sais, óleos essenciais e ervas naturais. Segundo a esteticista e cosmetóloga Talita Bovi, um bom escalda-pés é capaz de atender e tratar diversas queixas, entre cansaço, estresse, ansiedade, ressecamento, insônia, inchaço e peso, tensão e rigidez, hiperidrose e até bromidrose, o famoso chulé. A dica é deixar a temperatura da água por volta de 36 °C e 40 °C, proporcionando relaxamento sem causar desconforto. "Pode ser feito de uma a duas vezes por semana, especialmente após dias intensos ou longos períodos em pé. Apesar disso, repetir semanalmente é suficiente para manter os pés hidratados e saudáveis", ensina. Benefícios do escalda-pés Sem restrições de idade, o ritual é um convite ao relaxamento e ainda tem uma série de benefícios, como: Alívio do cansaço e tensão muscular. Melhora a circulação sanguínea. Redução do estresse e ansiedade. Hidratação e recuperação da pele ressecada. Diminuição da sensação de inchaço nos pés. No entanto, a profissional alerta para situações em que o escalda-pés não é recomendado. "Pessoas com diabetes descompensada, hipotensão, trombose, doenças de pele ou feridas abertas devem evitar a prática para não agravar suas condições", orienta. Gestantes na reta final da gravidez também fazem parte da lista. De acordo com a especialista, o calor excessivo nos pés pode aumentar o fluxo sanguíneo de forma indesejada e causar desconfortos. É importante ter liberação médica e supervisão. Caseiro X profissional Apesar de poder ser realizado em casa, o escalda-pés feito por um profissional oferece algumas vantagens adicionais. "Em clínicas especializadas, é possível personalizar os ingredientes e combinar a técnica com massagens relaxantes, reflexologia e hidratação profunda, intensificando os resultados", ressalta a cosmetóloga. Mas se a ideia é aproveitar o momento de cuidado em casa, a especialista compartilha três receitas fáceis e eficazes para diferentes necessidades. Aprenda e aproveite! Como fazer escalda-pés em casa Escalda-pés relaxante Indicado para alívio do estresse e relaxamento profundo. Serão necessários: 3 litros de água morna 1/2 xícara de sal grosso 5 gotas de óleo essencial de lavanda 3 colheres (sopa) de flores secas de camomila ou 3 sachês de chá de camomila Creme hidratante para os pés Modo de preparo 1. Com a água em temperatura confortável, adicione o sal grosso e misture bem até dissolver. 2. Acrescente o óleo essencial e as flores (ou sachês de chá) de camomila. 3. Mergulhe os pés por 15 a 20 minutos, preferencialmente estando em um ambiente tranquilo. 4. Para finalizar, seque os pés e aplique o creme hidratante. Escalda-pés para bromidrose (chulé) Recomendado para controle de odores, redução do suor e combate a bactérias. Serão necessários: 3 litros de água morna 1/2 xícara de vinagre de maçã 5 gotas de óleo essencial de melaleuca (tea tree) 2 colheres (sopa) de hortelã fresca ou seca Creme hidratante antisséptico para os pés Modo de preparo 1. Com a água em temperatura confortável, adicione o vinagre de maçã. 2. Acrescente o óleo essencial e as folhas de hortelã. 3. Mergulhe os pés por 20 minutos. 4. Seque bem e aplique o hidratante antisséptico. Escalda-pés para dores musculares Ajuda a aliviar tensões e dores nos pés e pernas. Serão necessários: 3 litros de água quente 1/2 xícara de sal grosso 5 gotas de óleo essencial de eucalipto 5 gotas de óleo essencial de alecrim 2 colheres (sopa) de hortelã fresca ou seca Creme hidratante para os pés Modo de preparo 1. Com a água em temperatura quente, mas confortável, acrescente e dissolva o sal grosso. 2. Acrescente os óleos essenciais e a hortelã. 3. Deixe os pés imersos por 20 minutos. 4. Finalize com um creme hidratante. “Uma dica final: sempre hidrate bem os pés após o escalda-pés, especialmente se utilizou sal ou vinagre, para evitar ressecamento”, conclui a esteticista.
Beleza dos pés é uma questão cultural. Entenda!
Pés bonitos, feios ou sagrados? Na verdade, é tudo uma questão cultural. No Brasil, por exemplo, o formato egípcio (aquele em que os dedos formam uma “escadinha”) é considerado o padrão de beleza para a região. Mas será que o mundo todo enxerga assim? A podóloga Fabiana Lopes desvenda essas questões. Formada pelo Senac Guarulhos e especialista em atendimento a idosos e pés diabéticos, a profissional explica que pés bonitos são aqueles bem cuidados – e ponto final! Assim, quando a pessoa não dedica um tempinho para eles, fica difícil o membro figurar entre as listas dos mais belos. “Os principais indicadores de um pé malcuidado é a presença de frieiras, bolhas, chulé e rachaduras”, afirma Fabiana Lopes. Ainda segundo ela, fatores como hidratação regular, unhas cortadas e saudáveis são determinantes para enquadrar um pé no padrão considerado bonito. Beleza não é exclusividade brasileira A preocupação com a aparência dos pés é, sim, mais comum no Brasil, onde há maior exposição desta parte do corpo devido ao clima e à cultura. Porém, tal comportamento não é verificado só aqui. Mas há diferenças óbvias de país para país. Em outros lugares, como nos Estados Unidos, as pessoas tendem a usar calçados fechados por mais tempo, o que pode causar umidade e facilitar o surgimento de micoses e fungos. Em contrapartida, há culturas que possuem relações únicas com os pés. Na Índia, por exemplo, são parte de rituais tradicionais. “Um dia antes do casamento, os pés e as mãos da noiva são pintados com henna para protegê-la e trazer boa sorte na nova vida. No segundo dia, os pés são lavados, simbolizando pureza”, conta a podóloga. Na China antiga, os “pés de lótus” eram um padrão de beleza amplamente difundido. Jovens meninas tinham os pés enfaixados para moldá-los em um formato menor e modificado, considerado atrativo para o casamento. “Embora essa prática tenha sido extinta, mostra como a percepção cultural varia e pode ser influenciada por diferentes fatores”, pontua a profissional. 10 cuidados para ter pés bonitos e saudáveis Manter os pés bem tratados é fundamental não apenas para a aparência, mas também para a saúde. Fabiana Lopes reforça que seguir uma rotina de cuidados pode evitar problemas como micoses, rachaduras e outras condições que afetam o bem-estar. Por isso, ela recomenda: 1. Lave os pés diariamente com sabonete adequado; 2. Seque-os bem com uma toalha limpa e macia; 3. Mantenha as unhas curtas e retas; 4. Faça hidratações diárias com cremes específicos, como de ureia, se não houver contraindicações (gestantes, por exemplo, não podem usar); 5. Use calçados e meias adequados e confortáveis; 6. Higienize os sapatos sempre e alterne o uso; 7. Evite andar descalço; 8. Beba bastante água; 9. Vá ao podólogo mensalmente; 10. Não fique mais de uma semana com o mesmo esmalte. Vale lembrar que cuidados adicionais são necessários para os pés diabéticos. “Observe diariamente as solas dos pés, use meias brancas para identificar possíveis feridas e escolha cremes hidratantes específicos para evitar complicações”, reforça Lopes. Beleza vai além da aparência Mais importante do que se encaixar em padrões criados de tempos em tempos pela sociedade, é ter pés saudáveis, bem cuidados e que sustentam o corpo e permitem a mobilidade diária. Por isso, a podóloga acrescenta que pés bonitos são aqueles saudáveis. “Ignorar pequenos sinais, como rachaduras ou desconforto, pode levar a complicações mais sérias. Portanto, cuidar dos pés deve ser um hábito constante, independentemente de padrões estéticos ou culturais”, conclui.
Conheça o Universo Infantil
Assadura é comunicação: o que a pele do bebê diz?
Nem sempre a assadura é apenas um incômodo local. Muitas vezes, é também o primeiro sinal de que algo no ambiente do bebê precisa ser ajustado. Quando a pele fica vermelha, sensível ou mais úmida do que o habitual, o corpo está reagindo a um desequilíbrio e precisa de atenção e cuidados específicos. Para o pediatra Antônio Carlos Turner, da clínica Total Kids, dizer que a assadura é uma forma de comunicação significa reconhecer que o corpo do bebê “fala” quando algo foge do esperado. Como o pequeno ainda não tem repertório verbal, a pele utiliza o processo inflamatório para sinalizar que o microclima da fralda não está bem. “É um pedido de socorro biológico. A pele está manifestando um desequilíbrio homeostático, com rubor, calor e edema, para avisar que algo no ambiente imediato não está em harmonia com a fisiologia do bebê”, alerta o médico. Decifrando os sinais na pele Cada situação costuma deixar uma espécie de “digital” visível. Observar o aspecto da vermelhidão e o local em que aparece ajuda os adultos a entenderem se o problema está relacionado à umidade excessiva, ao atrito ou a uma reação de contato. Entre os sinais mais comuns, o especialista destaca: Umidade: a pele pode ficar com aspecto murcho ou macerado; a assadura esbranquiçada nas bordas, antes de se tornar vermelha, sinal de que a barreira cutânea está encharcada e fragilizada. Atrito: a vermelhidão tende a ser mais intensa nas áreas de maior contato, como dobrinhas das coxas ou onde o elástico da fralda aperta. Reação química: quando há vermelhidão localizada logo após a troca de fralda ou uso de produto novo, pode indicar dermatite de contato irritativa. Mudanças na rotina também provocam respostas quase imediatas. Isso porque a pele do bebê possui um pH levemente ácido que funciona como proteção natural. Ao alterar o tipo de fralda ou utilizar lenços com fragrâncias fortes, essa barreira pode ser rompida, levando à inflamação localizada. Fezes, urina e calor na equação Outros fatores fazem parte do quadro, já que a química do próprio corpo tem papel central na formação da assadura. A urina é um bom exemplo: quando fica muito tempo em contato com a pele, produz amônia e eleva o pH da derme. Isso ativa enzimas das fezes, que começam a agredir a camada superficial cutânea. Além disso, há outras mudanças sistêmicas que interferem: a introdução alimentar pode alterar o pH e a microbiota das fezes, tornando-as mais agressivas; o uso frequente de antibióticos causa diarreia e modifica a flora intestinal e da pele, abrindo caminho para assaduras por fungos; o calor intenso aumenta a vasodilatação e a sudorese, acelerando o processo inflamatório. “O suor, especialmente em dias quentes, soma-se a tudo isso criando um ambiente de ‘estufa’ dentro da fralda, facilitando a proliferação de fungos, como a Candida albicans”, acrescenta o pediatra Antônio Carlos Turner. Como ler os sinais e prevenir Lembre-se: o bumbum do bebê traz pistas importantes, tanto visuais quanto comportamentais. Pontinhos vermelhos ao redor da mancha costumam indicar infecção fúngica, enquanto vermelhidão e pele brilhante sugerem irritação química ou acidez. Se houver choro na hora da troca, o dano pode ter atingido os nervos. Para tratar e prevenir novas assaduras, o médico recomenda adotar o mantra “Limpar, Secar e Proteger”, ou seja": trocar o lenço umedecido por algodão e água morna sempre que possível; deixar o bebê alguns minutos por dia com o “bumbum livre”, permitindo que o ar ajude na cicatrização; aplicar cremes com óxido de zinco ou dexpantenol para criar uma barreira protetora; evitar apertar demais a fralda, permitindo mínima circulação de ar. Os pais também devem observar além da pele: irritabilidade no sono, choro agudo ao urinar e recusa alimentar podem estar relacionados ao quadro. Quando a assadura se torna frequente, pode indicar necessidade de ajustar a rotina e incluir mais trocas de fraldas. Ao surgirem sintomas físicos ou comportamentais, é necessário procurar um pediatra.
Casquinha na cabeça do bebê: posso retirar com produto?
As “casquinhas” na cabeça do bebê chamam a atenção dos pais e cuidadores de primeira viagem, mas não costumam indicar problemas. Trata-se de uma situação comum nos primeiros meses de vida e a presença delas faz parte de uma condição benigna da pele, que tende a melhorar com o tempo e cuidados simples no dia a dia, como alguns produtos seguros. A pediatra, alergista e imunologista Fernanda Soubak explica que essas escamas são conhecidas como crosta láctea, nome popular da dermatite seborreica do lactente. Aparecem como escaminhas amareladas ou esbranquiçadas, às vezes com aspecto oleoso e, geralmente, grudadas no couro cabeludo. Além da cabeça, essas lesões podem surgir em áreas onde a pele produz mais oleosidade, como sobrancelhas (ou entre elas), cantos do nariz, maçãs do rosto e atrás das orelhas. Apesar do aspecto, não são contagiosas e, na maioria dos casos, não causam dor nem grande desconforto ao bebê. Por que a crosta láctea aparece Nos primeiros meses de vida, é comum o bebê apresentar maior oleosidade da pele. Isso acontece porque as glândulas sebáceas ficam mais ativas nessa fase, influenciadas por questões hormonais. Esse excesso facilita o acúmulo de células mortas e, consequentemente, a formação das escamas. Segundo a dermatologista Maria Carolina Corsi, da Beneficência Portuguesa, esse processo pode ter também a participação de um fungo que faz parte da flora normal da pele, chamado Malassezia, sem que isso signifique infecção. A boa notícia é que, normalmente, a crosta melhora sozinha em semanas ou poucos meses e se torna bem menos comum após o primeiro ano de vida. Como diferenciar de outros problemas de pele Entender o que é crosta láctea ou outra questão dermatológica infantil não é tão difícil. As especialistas ouvidas garantem que a identificação é baseada em três pontos: 1. local das lesões; 2. o aspecto da pele; 3. comportamento do bebê. Além disso, os sintomas são visuais e leves: escamas amareladas ou esbranquiçadas, sem coceira intensa nem impacto no bem-estar. Já outros quadros, como a dermatite atópica, costumam se manifestar de forma diferente. A pele tende a ficar mais seca, muito vermelha, irritada e com coceira importante, deixando o bebê mais inquieto. Esse tipo de dermatite também pode surgir em outras partes do corpo e costuma ser recorrente. Posso usar algum produto nas casquinhas? Na maioria dos casos, os cuidados podem ser feitos em casa, com medidas simples e suaves, repetidas algumas vezes por semana e sem pressa. As médicas orientam um passo a passo seguro: amolecer a crosta, aplicando um óleo vegetal suave ou próprio para bebês e aguardando de 15 a 30 minutos; soltar a crosta láctea com delicadeza, usando uma escovinha macia de bebê ou uma gaze, sem forçar; lavar a cabecinha normalmente, com shampoo infantil neutro, enxaguando bem. O objetivo é reduzir as escamas aos poucos, sem tentar retirar tudo de uma vez. É importante não puxar as crostas secas, nem usar unhas, objetos ou esfregar com força, pois isso pode machucar a pele e aumentar o risco de inflamação ou infecção. Quando procurar ajuda Apesar de ser uma condição comum, é importante buscar avaliação médica especializada (pediatra ou dermatologista) se surgirem sinais como: vermelhidão intensa, dor ou irritação importante; secreção, mau cheiro, pus ou crostas com aspecto “melado”; coceira intensa ou lesões em outras áreas do corpo; falhas de cabelo em placas; ausência de melhora após algumas semanas, mesmo com cuidados suaves. Por fim, a pediatra Fernanda Soubak e a dermatologista Maria Carolina Corsi reforçam que a crosta láctea é transitória, não está relacionada à falta de higiene e não causa queda permanente de cabelo. Ainda assim, na dúvida ou diante de qualquer mudança no quadro, a orientação profissional é sempre a melhor escolha.
Quem amamenta pode tomar Mounjaro? Veja o que se sabe
Afinal, uma mãe pode usar Mounjaro enquanto ainda amamenta o bebê? Se essa dúvida parece descabida, saiba que o mesmo questionamento levou milhares de pessoas ao Google e foi a principal pergunta sobre amamentação feita na plataforma em apenas um ano, com mais de 70 mil buscas. A resposta, porém, não é tão simples. Igor Viana, especialista em endocrinologia e metabologia, conta que já existem dados tranquilizadores sobre a passagem da tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro) para o leite materno, mas as evidências ainda são insuficientes para considerar seu uso plenamente seguro para o aleitamento. Por isso, o medicamento não deve ser usado de maneira indiscriminada nesse período, especialmente quando o objetivo é exclusivamente estético. A decisão precisa considerar a necessidade clínica da mãe, a idade e as condições do bebê, a fase da lactação, as alternativas disponíveis e os benefícios e possíveis riscos envolvidos. A tirzepatida passa para o leite materno? De acordo com o médico, a bula mais recente do Mounjaro, nos Estados Unidos, já incorpora um estudo específico de lactação. Os dados disponíveis indicam que essa passagem existe, mas parece ser muito pequena. No impresso do medicamento, cita-se que 11 mulheres lactantes receberam uma dose única de 5 mg, sendo que a tirzepatida foi indetectável em 164 de 171 amostras de leite. Nas demais, a quantidade total encontrada correspondeu a menos de 0,02% da dose administrada. Ainda assim, o médico destaca que o número de mulheres estudadas é pequeno e que o principal estudo avaliou apenas uma dose do medicamento. “Faltam dados robustos sobre o uso contínuo, doses mais altas e possíveis efeitos a longo prazo no crescimento e no desenvolvimento dos bebês”, alerta. É por isso que, neste momento, ainda não se pode falar em risco zero para os lactentes. Inclusive, até a saúde da própria mãe deve entrar nessa discussão. Tudo porque o remédio reduz o apetite e pode provocar sintomas como náuseas, vômitos e diarreia na mulher, enquanto a amamentação, por si só, aumenta as demandas nutricionais e hídricas. A indicação médica muda tudo A real necessidade do tratamento faz toda a diferença nessa decisão. Para Karoline Prado, ginecologista e obstetra, uma mulher com diabetes tipo 2 pode receber indicação, já que precisa manter o controle adequado da doença, mas ainda existem opções mais experientes na literatura, como a metformina e a insulina. Se a finalidade é exclusivamente a perda de peso, a avaliação muda. Dependendo do caso, pode ser possível priorizar inicialmente outros cuidados durante o pós-parto, como: alimentação adequada e acompanhamento nutricional; atividade física progressiva, quando houver liberação médica; atenção ao sono e à recuperação materna; acompanhamento das condições metabólicas e de possíveis comorbidades. Isso não significa, porém, ignorar a obesidade ou reduzi-la a uma questão de força de vontade. “Mas não existe uma regra única para todas as lactantes”, afirma a especialista. Grau de obesidade, presença de outras doenças e necessidade clínica devem entrar na balança para encontrar o melhor equilíbrio entre o tratamento da mãe, a segurança do bebê e a manutenção da amamentação. Usuárias antigas Outra dúvida é se é preciso esperar o desmame para retomar o Mounjaro? Nem sempre. De acordo com a ginecologista Karoline Prado, atualmente não existe uma recomendação universal de que toda mulher precise aguardar o desmame para voltar a usar tirzepatida, se já fazia uso prévio. Por outro lado, os dados disponíveis também não significam que qualquer lactante possa simplesmente retomá-lo após o parto. A orientação é considerar o contexto: idade e saúde do bebê, prematuridade, momento do aleitamento, estado nutricional da mãe, indicação de tratamento e, sobretudo, a existência de alternativas mais experientes e seguras - tudo sob respaldo médico. Caso o medicamento seja utilizado, alimentação, hidratação e manutenção da produção de leite pedem merecem acompanhamento multidisciplinar. Para a obstetra, é importante evitar que essa discussão se transforme em uma escolha entre amamentar e cuidar da própria saúde. “Doenças como obesidade e diabetes merecem tratamento, mas o puerpério também não deve ser marcado pela pressão para retornar rapidamente ao corpo anterior à gestação”, defende.

