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A importância da avaliação biomecânica na infância
Biomecânica

A importância da avaliação biomecânica na infância

Camila Silva
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O desenvolvimento do pé infantil é um processo contínuo e essencial para a construção de uma marcha saudável. Durante a infância, os pés passam por diversas adaptações estruturais que influenciam diretamente a postura e o equilíbrio. Nesse contexto, a avaliação biomecânica precoce desempenha um papel crucial na identificação de alterações que podem comprometer o caminhar ao longo da vida.

Entre as principais alterações observadas está a hiperpronação, caracterizada pelo excesso de medialização do eixo da subtalar e possíveis alterações estruturais como desabamento do arco longitudinal medial durante a marcha. Embora seja comum durante a infância devido à imaturidade estrutural, sua persistência pode levar a desalinhamentos posturais, sobrecarga articular e disfunções musculoesqueléticas no futuro.

O podólogo especializado em biomecânica tem um papel essencial na detecção dessas alterações, analisando a marcha, a pisada, o alinhamento dos membros inferiores e o desenvolvimento do arco plantar. Por meio da baropodometria, testes posturais durante a avaliação biomecânica, é possível estabelecer estratégias corretivas, que podem incluir encaminhamento correto para fisioterapia e o uso de palmilhas personalizadas para estabilização, apoio e impulsão do pé.

A intervenção precoce não apenas corrige disfunções, mas também previne complicações ortopédicas na adolescência, na fase adulta, e principalmente na velhice, promovendo um crescimento mais equilibrado, saudável e com qualidade de vida. Assim, a avaliação biomecânica, a intervenção precoce e o acompanhamento regular pelo podólogo são essenciais para assegurar que alterações não comprometam a saúde e o bem-estar no futuro.

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Nos últimos meses, os chamados "ugly shoes" ("sapatos feios", em tradução livre) voltaram a ganhar destaque nas passarelas e até viraram trend na internet, sobretudo no Tik Tok. A tendência reúne modelos que fogem do formato tradicional dos calçados, com propostas que chamam atenção justamente pelo visual inusitado. Mas, mais do que uma questão estética, estes modelos despertaram uma discussão sobre conforto, estabilidade e saúde dos pés. Afinal, até que ponto um design diferente pode afetar a biomecânica de quem o usa? Entre os exemplos estão os sapatos Tabi da Maison Margiela (e de várias outras marcas), com a divisão entre o dedão e os demais dedos; os tênis FiveFingers, da Vibram, com compartimentos individuais para cada divisória do pé as sandálias sem sola da Chanel, que deixam a frente do pé totalmente exposta - aliás, deram o que falar nesta semana, na première do filme Ponto sem Retorno, em Londres. A atriz Margaret Qualley, que vive uma das personagens principais, usou look todo Chanel, inclusive as excêntricas sandálias sem solado. Como os demais modelos incomuns, viralizaram nas redes sociais e ajudaram a popularizar essa estética "diferentona".   View this post on Instagram   A post shared by Maison Margiela (@maisonmargiela) Para o ortopedista Afonso Klein Junior, qualquer alteração fora do comum no modelo de um calçado tem potencial para interferir na forma como o corpo se movimenta durante a caminhada. “Se o modelo tem um solado rígido, semirrígido, salto alto ou formato diferente do habitual, ele mexe diretamente na biomecânica da marcha”, argumenta o especialista. Modelos alteram mecânica dos pés Entre os calçados que mais impactam a forma de pisar, o destaque vai para os saltos altos acima de seis centímetros associados a bicos finos e estreitos. Essa combinação modifica a distribuição das cargas sobre os pés e favorece o surgimento de diferentes problemas.   View this post on Instagram   A post shared by Vibram (@vibram) Na avaliação do médico, os modelos mais compatíveis com a anatomia costumam reunir algumas características específicas: solado mais espesso, material macio, câmara anterior ampla e uma pequena elevação do calcanhar em relação à parte da frente do pé. Por isso, o efeito de um sapato considerado fashion ou diferentão depende de diversos fatores. Algumas pessoas conseguem se adaptar melhor, enquanto outras desenvolvem desconfortos ou alterações com mais facilidade. Estética fala mais alto que a função Quando um calçado prioriza apenas a estética e deixa de considerar aspectos funcionais, as alterações na biomecânica tendem a ser maiores. É por isso que modelagens muito distantes do padrão anatômico podem causar lesões e desconfortos. Entre as possíveis complicações estão: metatarsalgias; talalgias; fascite plantar; neuroma de Morton; fraturas por estresse; dores decorrentes de sobrecargas mecânicas. “A moda vai e volta, mas os pés ficam. Existem patologias causadas pelo uso de calçados inadequados que podem não ter retorno e acompanhar a pessoa por muito tempo”, alerta o ortopedista. Antes de seguir uma tendência Alguns pontos devem ser observados antes de comprar um novo calçado. O especialista recomenda experimentá-lo no final da tarde ou no início da noite. Nesse período, os pés costumam estar mais inchados e sensíveis, o que ajuda a identificar possíveis pontos de desconforto. Outro cuidado importante é evitar os extremos: saltos muito altos, modelagens excessivamente estreitas; solados extremamente finos. Isso porque esses formatos tendem a alterar a mecânica da marcha e aumentar o risco de lesões ao longo do tempo. No caso da sola muito fina, a pessoa passa a sentir com mais intensidade as irregularidades do solo durante a caminhada. Na visão do médico, a escolha mais segura passa pelos modelos mais tradicionais, capazes de equilibrar conforto, funcionalidade e estabilidade. Entre as opções que podem ser indicadas em algumas situações estão os calçados com solado tipo rocker bottom, caracterizados pela curvatura semelhante ao movimento de uma cadeira de balanço. Esse formato facilita a transição da pisada e pode ajudar a reduzir a sobrecarga em determinadas áreas do pé. “O solado rocker bottom existe em várias marcas e modelos. É um tênis extremamente indicado e funcional”, afirma o médico.

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Muitas pessoas procuram atendimento relatando dores nos joelhos, desconforto nos quadris ou até na região lombar, sem imaginar que a origem do problema pode estar nos pés. A forma como pisamos interfere diretamente no alinhamento de todo o corpo. Os pés são a base da nossa sustentação e qualquer alteração nesta base pode gerar compensações ascendentes ao longo da cadeia muscular e articular. Quando há uma pisada inadequada, seja ela excessivamente pronada, supinada ou com sobrecargas mal distribuídas, ocorre um desalinhamento progressivo que impacta tornozelos, joelhos e quadris. Esse desalinhamento modifica o eixo biomecânico do membro inferior, alterando a forma como as articulações absorvem impacto e distribuem peso durante a marcha. Com o tempo, essas compensações podem resultar em dores articulares, desgaste precoce e processos inflamatórios. O joelho, por exemplo, depende de um bom alinhamento do tornozelo e do pé para manter seu funcionamento adequado. Se o arco plantar colapsa ou há instabilidade na pisada, o joelho pode sofrer uma rotação interna ou externa além do fisiológico. Já os quadris podem ser afetados por diferenças de apoio e desequilíbrios musculares gerados por essa base instável. Na podologia, a análise da pisada e da marcha é uma etapa fundamental da avaliação. Observar como o paciente caminha, onde concentra mais pressão e como distribui o peso corporal permite identificar padrões que muitas vezes passam despercebidos. Não se trata apenas de olhar para os pés isoladamente, mas de compreender o corpo como um sistema integrado. Quando identificamos alterações biomecânicas, podemos atuar de forma preventiva e terapêutica, seja por meio de orientações, órteses digitais, cuidados com pontos de pressão ou encaminhamento interdisciplinar quando necessário. O objetivo não é apenas aliviar sintomas locais, mas contribuir para o equilíbrio funcional do corpo como um todo. Cuidar da pisada é cuidar das articulações. Muitas vezes, ao melhorar a base, conseguimos reduzir dores que pareciam não ter relação alguma com os pés. Esse olhar ampliado faz parte da podologia moderna: entender que cada passo influencia toda a estrutura corporal e que prevenir é sempre mais eficaz do que tratar consequências futuras.

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Dores frequentes nos pés, calos fora do lugar e sensação de pisada “errada” nem sempre começam no próprio pé, sabia? Em muitos casos, o problema está na postura. Identificar e corrigir esses desalinhamentos ajuda a redistribuir a carga, reduzir sobrecargas e preservar a mobilidade ao longo do tempo. A fisioterapeuta Mariana Milazzotto, mestre em Ciências Médicas, explica que o corpo funciona como um sistema integrado: quando a postura sai do eixo, os pés acabam absorvendo impactos que não deveriam. Embora não exista uma única postura certa, há padrões posturais aceitáveis que devem ser considerados. “Andar com a cabeça muito projetada para frente (olhando o celular), ombros rodados ou pelve excessivamente inclinada, deslocam o centro de gravidade. Com isso, o padrão de marcha muda e o pé deixa de absorver o impacto como deveria”, exemplifica a profissional. Um erro, muitas consequências Quando esses desvios posturais acontecem com frequência, alguns incômodos (e consequências) podem começar a surgir. Fique de olho no seguinte: Menor contato do calcanhar no início da pisada; Maior impacto na parte da frente do pé; Sobrecarga da musculatura da sola do pé; Dores plantares recorrentes. Em casos de anteversão pélvica acentuada, por exemplo, a mobilidade do quadril diminui e o pé passa a trabalhar mais para garantir estabilidade, favorecendo a pronação excessiva e a sobrecarga no dedão. O efeito dominó dos desalinhamentos Para compreender melhor essa relação de causa e efeito, pense que o corpo funciona como uma cadeia cinética, ou seja, todas as articulações estão conectadas. Assim, um desalinhamento mais acima pode “descer” até os pés sem que a pessoa perceba. Na prática, Mariana Milazzotto aponta que alterações como escoliose na coluna podem gerar desalinhamento da pelve, rotação do quadril, joelho valgo e, por fim, colapso do arco do pé. Esse encadeamento ajuda a explicar por que algumas pessoas desenvolvem pé chato ou dores persistentes, mesmo usando calçados adequados. Nesses casos, certos pontos passam a receber mais carga do que outros, o que pode resultar em: Desgaste desigual da sola dos calçados; Sobrecarga no hálux (dedão); Dores localizadas e calos em regiões específicas. Ficar parado também sobrecarrega. Permanecer longos períodos em pé, sentado ou caminhar de forma inadequada contribui para a fadiga da musculatura postural. Quando esses músculos se cansam, o corpo cria compensações automáticas para continuar funcionando - a partir daí, vem a sobrecarga, que pode afetar os pés. Quando o problema não é só o calçado Alguns sinais ajudam a indicar que a origem da dor pode estar na postura e não apenas no tipo de pisada ou no tênis usado: Desgaste muito diferente entre um sapato e outro; Calos sempre no mesmo ponto, especialmente na região dos metatarsos; Dor concentrada na parte da frente do pé; Sensação de que uma perna trabalha mais do que a outra. Calos são um bom exemplo disso: costumam surgir como resposta ao excesso de pressão e podem refletir deslocamentos do centro de gravidade causados por alterações na coluna ou na pelve. Não adianta “só” tratar o pé Do ponto de vista ortopédico, Juliano Martynetz, especialista em cirurgia de pé e tornozelo dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, em Curitiba (PR), explica que o pé foi projetado para absorver impacto e distribuir o peso do corpo de forma eficiente. “Quando a postura global está alterada, essa distribuição muda. Com o tempo, áreas específicas do pé passam a receber carga excessiva, favorecendo dor, inflamação e deformidades progressivas”, afirma o médico. Dessa forma, condições como fascite plantar, tendinites, dores crônicas e a progressão do joanete muitas vezes estão associadas a alterações posturais e desalinhamentos do membro inferior. Fisioterapia e cuidado integrado A fisioterapia é uma grande aliada nesses casos, porque permite uma avaliação postural completa, da cabeça aos pés, e consegue identificar a origem do problema. Com isso definido, é possível trabalhar musculaturas estabilizadoras, alongamentos, fortalecimento específico e reeducação do movimento. O ortopedista Juliano Martynetz reforça que, quando há dor persistente, deformidades em progressão ou limitação funcional, o acompanhamento multidisciplinar se torna essencial. Enquanto a ortopedia avalia a estrutura e define o diagnóstico, a fisioterapia atua na correção do movimento e na prevenção da cronificação da dor.

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