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Filho que brinca sozinho: o que você deve observar
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Filho que brinca sozinho: o que você deve observar

Ver o filho brincando sozinho por um longo período pode dar um aperto no coração e até gerar preocupação sobre o comportamento ser ou não normal. Embora a dúvida seja frequente, isso costuma ser esperado em certas fases e não indica, necessariamente, uma dificuldade social. Observar os sinais certos é o melhor a fazer. Segundo o psicólogo Kaique Gomes, nas fases iniciais da infância, é esperado que a criança passe por momentos de brincar solitário ou apenas próxima de outras da mesma idade – etapas descritas pelas renomadas autoras e estudiosas Diane Papalia e Ruth Feldman como parte natural do desenvolvimento, antes de surgirem interações mais complexas. “O que precisa ser observado não é apenas o fato de a criança brincar sozinha, mas o contexto. Ela também interage quando convidada? Demonstra interesse pelo outro em algum momento? Quando isso acontece, estamos falando de autonomia, não de isolamento”, pontua o profissional. Autonomia, criatividade e autorregulação Além de ser comum, a brincadeira individual exerce um papel importante no desenvolvimento cognitivo e emocional dos pequeninos. Isso porque o próprio ato de brincar é um dos principais motores do progresso infantil. Kaique observa que, quando a criança se entretém sozinha, ela organiza o pensamento, exercita a criatividade, resolve pequenos problemas e treina a capacidade de foco e concentração. Sem contar que é esperado que ela também brinque em grupos, faça contato visual e compartilhe descobertas espontaneamente com os adultos. “Existe um ganho emocional importante: nesse processo, a criança aprende a lidar com pequenas frustrações e descobre que consegue se autorregular. Isso fortalece a autonomia, a autoconfiança e a capacidade de explorar o ambiente com segurança”, afirma o psicólogo. Sinais de dificuldade Também no contexto educacional o brincar sozinho costuma ser entendido como parte do desenvolvimento. A psicopedagoga e pesquisadora da infância Adelir Marinho defende que não existe apenas um único jeito de se entreter e que a brincadeira livre faz parte do repertório saudável das primeiras fases de vida. Mas vale a atenção dos responsáveis. A mediação do educador passa a ser necessária quando essa se torna a única forma de brincar e não há variação nas atividades ou interação com outras crianças ao longo do tempo. Evitar contato, responder pouco ou não compartilhar interesses são sinais que merecem atenção. Nesses casos, o papel do professor não é forçar a socialização, mas criar condições e oportunidades reais de participação e pertencimento no grupo. Do contrário, não há problema algum. “Muitas vezes, é justamente nesses momentos de solitude que a criança desenvolve regulação emocional, atenção sustentada, memória, planejamento e resolução de problemas, além de ampliar o pensamento simbólico”, destaca a especialista em Neurociência, Educação e Desenvolvimento Infantil. O ambiente e a observação dos adultos Ambientes organizados e acolhedores favorecem tanto a brincadeira individual quanto a coletiva. Espaços acessíveis, com materiais diversos e compartilháveis, estimulam diferentes formas de interação e ampliam oportunidades de aprendizagem, conforme explica a pedagoga Adelir Marinho. Isso porque, ao explorar objetos e brinquedos de maneira independente, a criança cria novas funções para eles, inventa narrativas, estabelece regras próprias, enfrenta obstáculos e ajusta estratégias. Esse processo envolve também avaliar resultados e flexibilizar ideias, habilidades importantes para o desenvolvimento cognitivo. Por isso, a orientação para as famílias é observar o comportamento de forma global. Brincar sozinho ocasionalmente é normal e faz parte do desenvolvimento, enquanto padrões persistentes de isolamento, sofrimento evidente ou dificuldades amplas de interação social com atrasos de linguagem merecem atenção. “Ofereça oportunidades de convivência sem imposição, acompanhe com presença e intervenha apenas quando houver sinais consistentes de dificuldade”, recomenda a educadora.

Como entender o choro do meu bebê em cada fase
Choro

Como entender o choro do meu bebê em cada fase

Nos primeiros meses de vida, o choro é um reflexo de sobrevivência. Como o bebê ainda não possui linguagem, autorregulação ou compreensão simbólica, ele utiliza esse recurso como principal canal de comunicação com seus cuidadores. Mas, com o passar do tempo, os motivos por trás das lágrimas costumam mudar. A psicóloga infantil e psicopedagoga Bianca Zambon explica que, segundo a Teoria do Apego, do psiquiatra John Bowlby (1907-1990), o choro ativa o sistema de cuidado do adulto, funcionando como um chamado por presença e proteção. “Entre seis e oito semanas de vida, é comum um choro mais intenso no final do dia, que pode indicar sono, fome, dor, frio ou calor. Os pais passam a reconhecer os significados com o tempo e convivência”, assegura a profissional. Quando o choro ganha novos significados Com o passar do tempo, as lágrimas vão ganhando novos motivos. Por volta de seis a nove meses, por exemplo, o choro começa a apresentar componentes emocionais. Já depois dos 2 anos, com o avanço da linguagem e da consciência, expressa frustração, raiva, ciúme, necessidade de atenção e sobrecarga. Bianca destaca que o padrão também muda. Além do choro, podem surgir falas, gritos ou birras, especialmente quando a criança já tenta comunicar melhor o que sente, mas ainda não consegue regular as emoções. Conforme o cérebro amadurece, a turma mirim começa a nomear emoções e prever frustrações. Como a autorregulação segue em construção, o choro vira uma descarga emocional e passa a se relacionar com causas, não apenas com respostas fisiológicas. Interpretando cada lágrima No dia a dia, não há uma resposta exata para diferenciar cada tipo de choro, mas é possível fazer relações com o contexto. Quando acontece no final do dia, costuma estar ligado ao cansaço, com irritabilidade, e tende a diminuir com colo, atenção e um ambiente mais tranquilo. Agora, se for um choro de frustração ou birra, geralmente aparece após um “não” e pode vir acompanhado de raiva. Nesses casos, a orientação é acolher, explicar o motivo da negativa e estabelecer combinados prévios, que ajudam a diminuir essas reações. “Uma criança pequena não tem maturidade para manipular de forma estratégica. Na maioria das vezes, é uma tentativa de regulação emocional. Elas também agem intencionalmente por tentativa e erro: se fizeram algo anteriormente e conseguiram o que queriam, esse comportamento tende a se intensificar”, esclarece a psicopedagoga. O papel do adulto Ignorar o choro pode ter efeitos diferentes, dependendo da fase. Nos primeiros anos, essa postura gera insegurança, ansiedade e dificuldade de identificar emoções, enquanto a presença do adulto ensina que sentimentos são aceitos. A psicóloga infantil Bianca Zambon reforça que, ao ser ignorada pelo cuidador, a criança pode intensificar o choro ou inibir emoções. Por isso, é importante avaliar cada caso e cuidar para não desvalidar sentimentos. Se os episódios forem frequentes e excessivos, vale buscar ajuda profissional. Para lidar com a situação no dia a dia, ela orienta usar o diálogo: conversar, fazer combinados, nomear emoções, falar de como se sente e dar exemplos positivos. Com o tempo, o papel do adulto deixa de ser apenas cessar o choro e passa a ajudar a criança a reconhecer emoções, tolerar frustrações e encontrar estratégias alternativas.

Pequenas tarefas hoje, filhos mais responsáveis amanhã
Desenvolvimento e Autonomia

Pequenas tarefas hoje, filhos mais responsáveis amanhã

Guardar brinquedos, escolher a roupa ou ajudar em tarefas simples podem até parecer pequenos gestos do dia a dia, mas têm um papel importante na vida das crianças. Mais do que facilitar a rotina da casa, essas ações ensinam sobre ser mais responsável, cooperar e até ter autonomia, previsibilidade e segurança emocional. Na casa da estrategista digital Luana Rosário, mãe de duas crianças pequenas, essa participação começou aos poucos. Como os filhos têm três anos de diferença, ela precisou adaptar as tarefas para que ambos pudessem colaborar de alguma forma, mesmo com habilidades diferentes. “Pesquisando e conversando com a psicóloga deles, entendi que podia atribuir ações diferentes e complementares. Muitas vezes, o caçula entra como apoio da mais velha e isso foi muito positivo para o senso de responsabilidade e cooperação da nossa família”, relata. Como os hábitos estruturam a rotina infantil Segundo a terapeuta ocupacional Lígia Carvalho, mestre em Educação e Desenvolvimento Infantil e fundadora da Ludens Cursos, os pequenos hábitos cotidianos são muito importantes, porque ajudam a estruturar emocionalmente o dia a dia dos pequeninos e isso traz diversos benefícios. “Na primeira infância, o cérebro está em intenso processo de maturação. Quando há consistência na organização das atividades, isso oferece previsibilidade e continuidade, o que reduz a ansiedade e aumenta a sensação de segurança”, explica a especialista. Além disso, a repetição diária dessas ações, como guardar brinquedos, lavar as mãos ou seguir uma sequência antes de dormir, fortalece a autorregulação. Com o tempo, a criança passa a antecipar etapas, esperar sua vez e concluir pequenas tarefas, desenvolvendo organização interna e maior autonomia. Incentivar a participação independe da idade De acordo com a profissional, envolver a criança em pequenas responsabilidades já é possível pouco antes dos dois anos de vida, desde que as atividades respeitem seu nível de desenvolvimento e não exijam maturidade antes da hora. Entre os exemplos de participação no dia a dia estão: Por volta de 1 ano e meio a 2 anos: com ajuda de um adulto, pode guardar brinquedos, levar a fralda ao lixo ou colocar a roupa no cesto. Entre 3 e 4 anos: consegue assumir tarefas um pouco mais estruturadas, como organizar materiais, ajudar a colocar a mesa ou cuidar dos próprios pertences com mais independência. A partir dos 5 anos: com supervisão, já pode organizar a mochila conforme as atividades do dia e escolher a roupa que prefere usar. “Quando a criança participa ativamente da rotina, deixa de ser apenas conduzida pelo adulto e passa a se reconhecer como parte importante do funcionamento da casa. Essa vivência fortalece o senso de pertencimento e de competência”, afirma a terapeuta ocupacional Lígia Carvalho. Se a criança não quer colaborar A resistência à repetição das tarefas é comum na primeira infância e costuma fazer parte do próprio processo de desenvolvimento. A especialista detalha que essas recusas podem estar ligadas ao cansaço, sobrecarga ou dificuldade na transição entre atividades. Algumas estratégias simples para lidar com a situação incluem: dividir a tarefa em etapas mais simples; torná-la mais lúdica e concreta; oferecer escolhas limitadas; antecipar o que será feito (por exemplo: “daqui a cinco minutos vamos guardar”); validar emoções e manter limites consistentes. No caso de Luana Rosário, a maior resistência não veio dos filhos, mas das pessoas de fora. Isso porque havia uma visão equivocada de que os pais, ao dar pequenas tarefas aos pequenos, querem se livrar da responsabilidade ou do trabalho. Para ela, é o oposto: isso ensina valores muito importantes, como cooperação e igualdade. “Nós estamos construindo uma rotina mais justa para todos. Se desde pequeno o menino souber que também é responsável pelos afazeres da casa na mesma medida que a menina, vamos criar homens que dividem tarefas com as mulheres”, avalia a mãe.

Como acertar no shampoo e condicionador do bebê
Banho

Como acertar no shampoo e condicionador do bebê

Com as prateleiras cheias de opções e novas linhas infantis surgindo o tempo todo, escolher o melhor shampoo e condicionador para o bebê pode ser uma tarefa mais difícil do que parece ser. No entanto, para além do cheirinho gostoso e das embalagens coloridas, é preciso prestar atenção na composição para evitar riscos à saúde. O pediatra Henrique Albuquerque, da plataforma de consultas INKI, explica que os recém-nascidos têm a pele até 30% mais fina que a do adulto, ou seja, é mais permeável e absorve substâncias químicas com maior facilidade. Por isso, a primeira atenção deve estar nos componentes presentes no rótulo do produto. “A recomendação é priorizar fórmulas com pH fisiológico entre 4,5 e 6,0, que ajudam a preservar o chamado ‘manto ácido’ da pele do bebê. Essa camada de proteção é fundamental, porque a barreira cutânea ainda imatura torna a região mais suscetível a irritações e alergias”, orienta o especialista. Fórmulas suaves são mais seguras Além do pH adequado, o médico recomenda verificar se o produto é hipoalergênico, testado oftalmologicamente e livre de substâncias potencialmente irritantes. Entre os componentes que merecem atenção estão sulfatos agressivos, parabenos, corantes artificiais e fragrâncias intensas, capazes de desencadear irritações no couro cabeludo e até nos olhos. Ainda segundo Henrique Albuquerque, não há necessidade clínica de lavar o cabelo do bebê diariamente, exceto em situações específicas, como suor excessivo, regurgitação ou manejo da crosta láctea. No geral, duas a três vezes por semana são suficientes. A frequência de lavagem também influencia na escolha da formulação. Quanto maior for a regularidade, mais necessário será optar por shampoos com composição extremamente suave, sem agentes de limpeza agressivos. Aliás, basta usar uma pequena quantidade, equivalente ao tamanho de uma moeda, para limpar bem. Diferenças do shampoo infantil Para Elizabeth Borgo, doutora em Ciências Farmacêuticas da Ecosmetics, formulações infantis têm características específicas que as tornam mais adequadas para a pele das crianças. Compostos químicos mais suaves são um exemplo disso, pois seu potencial irritante é menor e conseguem respeitar a sensibilidade do couro cabeludo. “Esses produtos também costumam conter menos fragrâncias, corantes e ativos cosméticos quando comparados aos convencionais, priorizando segurança e tolerabilidade. Em muitos shampoos infantis, o pH neutro em torno de 7,0 é adotado para reduzir a irritação nos olhos durante o banho”, completa a profissional. Ela ainda aconselha ficar de olho em termos como ‘hipoalergênico’ e ‘dermatologicamente testado’. Tais menções indicam que o produto foi desenvolvido para reduzir o risco de alergias e passou por testes de tolerância na pele. Mesmo assim, vale lembrar que cada ser humaninho pode responder de forma diferente aos ingredientes. Rotina simples é a melhor escolha Como dica de ouro, os especialistas reforçam que menos é mais e que, no caso de bebês, o básico bem feito funciona muito bem. Por isso, eles recomendam evitar o uso de muitos produtos na rotina capilar infantil, já que a exposição a múltiplas fórmulas aumenta o risco de alergias, irritações e ressecamentos. Outras orientações incluem: ler os rótulos; escolher opções adequadas à faixa etária; evitar fórmulas com substâncias mais irritantes; priorizar escolhas seguras; preferir produtos com menos componentes; lavar o cabelo do bebê apenas no final do banho para manter o calor. O pediatra Henrique Albuquerque acrescenta que o uso de condicionador nem sempre é necessário nos primeiros meses de vida. “Em geral, passa a ser útil apenas quando o cabelo se torna mais longo ou tende a embaraçar, sendo aplicado em pequena quantidade e apenas no comprimento dos fios”, ensina.

Filho doente: como adaptar a rotina sem culpa
Doenças e Dores

Filho doente: como adaptar a rotina sem culpa

Quando uma criança adoece, a rotina da casa costuma se reorganizar automaticamente. Horários mudam, tarefas são redistribuídas e as prioridades passam a girar em torno do cuidado. Nesses momentos, o ideal é não se cobrar, mas focar no restabelecimento do filho e ajustar aquilo que é possível no dia a dia. Na casa da estrategista digital Luana Rosário, mãe de duas crianças pequenas, a rotina costuma ser bastante organizada quando todos estão saudáveis. Acordam cedo, tomam café juntos e, após deixar os filhos na escola integral, os pais seguem para o trabalho. A família se reencontra à noite para o jantar, o banho e a leitura. “Mas se uma das crianças fica doente, muda tudo. Às vezes, precisamos pedir ajuda para minha mãe ou minha sogra durante o dia e, quando chegamos em casa, ainda temos remédio, inalação e até ida ao hospital. É uma bagunça!”, conta a mãe. Cuidado com a culpa Segundo a psicóloga Thamiris Camargo, da Clínica Revitalis, quando uma criança adoece, os pais entram em um estado emocional de alerta bastante primitivo. Mesmo doenças leves podem despertar medo, culpa e sensação de impotência. “Até quadros simples causam pensamentos como ‘será que demorei para perceber?’ ou ‘poderia ter evitado?’. Esse movimento é natural e protetivo, mas o problema surge quando o estado de alerta não desacelera”, observa a especialista em saúde mental. Se a tensão permanecer por muito tempo, o clima emocional da casa pode se tornar mais pesado. A criança pequena talvez não compreenda exatamente o que está acontecendo com seu corpo, mas percebe o tom da voz dos adultos, a pressa e a preocupação no ambiente. A casa entra em modo cuidado Do ponto de vista psicológico, a doença reorganiza a dinâmica da família porque todos passam a operar em torno da proteção de quem adoeceu. Entre as mudanças mais comuns (e totalmente compreensíveis) nesses períodos estão: flexibilização de horários; redistribuição das tarefas da casa; irmãos recebendo menos atenção por alguns dias; maior presença dos pais ou cuidadores. “Essa reorganização comunica algo importante para a criança: naquele momento, o foco é protegê-la. Porém, o risco aparece quando a casa continua girando em torno da fragilidade mesmo depois da melhora”, pondera a psicóloga Thamiris Camargo. Ou seja, é importante reavaliar as prioridades nesses dias, mas existe um limite saudável até mesmo para a preocupação e as mudanças na rotina. Embora seja fundamental adotar todos os cuidados recomendados, também é necessário retomar a rotina aos poucos, devolvendo à criança a sensação de normalidade e estabilidade. Como conduzir com mais segurança Pequenos rituais de cuidado ajudam a criança a se sentir segura durante os dias de doença. Gestos simples, repetidos com calma, criam previsibilidade e ajudam a organizar emocionalmente o momento mais delicado. Nesse sentido, a profissional destaca: administrar o remédio com calma; oferecer mais colo e presença; manter pequenos rituais, como leitura antes de dormir; flexibilizar algumas regras temporariamente. A mãe Luana Rosário conta que prefere retomar a rotina rapidamente quando os filhos estão melhores. “Assim que retornam para a escola, tudo volta ao normal, mesmo que ainda tenha algum remédio ou retorno no médico”, compartilha.

Filho é “outro” fora de casa: por que o comportamento muda?
Comportamento

Filho é “outro” fora de casa: por que o comportamento muda?

É comum que crianças apresentem comportamentos diferentes dependendo do ambiente em que estão. Em casa, costumam se sentir mais seguras e previsíveis, enquanto em espaços externos, como escola, festas ou encontros sociais, podem se manifestar de maneiras que surpreendem os pais. A pergunta é: como agir nesses casos? Segundo a psicóloga Priscila Evangelista, isso acontece porque todos nós desempenhamos papéis sociais distintos conforme o contexto. Assim como um adulto não se comporta da mesma forma em casa, no trabalho ou com amigos, a criança aprende gradualmente a se adaptar ao ambiente em que está. “Ela ainda está aprendendo a lidar com esses papéis sociais. Por isso, apresentar comportamentos diferentes em cada espaço é algo muito comum e faz parte do processo de desenvolvimento e socialização”, explica a especialista em saúde da família. Desafios dentro e fora de casa Ficar excessivamente tímido, agressivo ou desobediente em ambientes externos pode ter relação com os desafios que a criança enfrenta fora do espaço familiar. Novas regras, pessoas desconhecidas e situações sociais diferentes exigem uma organização emocional que ainda está em construção durante a infância. Priscila também considera o contexto que o pequeno está vivendo naquele momento para justificar comportamentos mais “primitivos”, como gritar ou se opor, sendo uma forma de defesa. “Ele pode estar lidando com a separação dos pais, desafios sociais ou simplesmente algo que ainda não sabe como administrar emocionalmente”, observa. A própria adaptação a novos ambientes influencia diretamente essas reações. Como a criança está aprendendo a organizar internamente suas emoções e interações sociais, é natural que mudanças de comportamento apareçam enquanto ela se ajusta ao novo local. Quando o comportamento pede atenção Na maioria das vezes, mudar fora de casa não é motivo de preocupação. No entanto, também é importante observar o tempo e a intensidade dessas mudanças, já que comportamentos persistentes sem construção de novos vínculos podem indicar que a criança está enfrentando mais dificuldade para se adaptar do que o esperado. A especialista explica que o alerta surge quando há prejuízo claro no funcionamento da criança. Assim, alguns sinais merecem a atenção dos pais e cuidadores: Ficar excessivamente quieta ou retraída. Deixar de socializar com amigos ou parentes com quem antes interagia. Perder o interesse por brincadeiras de que costumava gostar. Evitar sair do quarto ou participar de atividades sociais. Outro ponto importante é evitar comparações com outras crianças. Isso porque o paralelo a coloca em um lugar de desvalorização e não ajuda no desenvolvimento emocional, intensificando sentimentos de inferioridade e falta de pertencimento. Como os pais podem agir A reação dos adultos é uma peça essencial nessas situações. De acordo com a psicóloga Priscila Evangelista, o primeiro passo é oferecer acolhimento em vez de responder à tensão com ainda mais tensão, além de conversar com a criança antes de chegar a um lugar novo, antecipando o que pode acontecer e reduzindo sua insegurança. “Se a criança grita ou se joga no chão, não adianta gritar de volta. É preciso acolher a emoção que está sendo expressa ali, mostrar que está tudo bem sentir aquilo e ajudar a encontrar uma forma de resolver a situação”, orienta a profissional. Depois que ela estiver mais calma, falem sobre o ocorrido e como funcionam ambientes diferentes. Por último, vale lembrar que, quando há segurança emocional, é mais fácil enfrentar os desafios e construir vínculos em novos espaços. Além disso, o processo envolve ajudar o pequeno a perceber que outras pessoas podem se tornar essa referência segura, como professores e cuidadores.

Canção de ninar ou ruído branco? O que é melhor para o bebê dormir
Sono e Soneca

Canção de ninar ou ruído branco? O que é melhor para o bebê dormir

Na tentativa de ajudar o bebê a dormir melhor, muitos pais recorrem a recursos sonoros que prometem acalmar e facilitar o adormecer. Entre os mais conhecidos estão as canções de ninar e o chamado ruído branco. Mas qual dessas estratégias funciona melhor? Spoiler: depende da criança. Ambas as opções costumam ajudar no relaxamento dos nenês, conforme afirma a pediatra Ana Maria Melo, do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas. No entanto, o efeito não é igual para todos. Essa resposta depende sobretudo das características e da sensibilidade de cada um. “Há bebês que se acalmam com o ruído branco, principalmente nos primeiros meses de vida, quando o som pode lembrar o ambiente auditivo do útero materno. Mas também existem aqueles que não se adaptam”, pondera a médica. Como o ruído atua no cérebro do bebê Ruído branco é aquele som constante, que reúne diversas frequências audíveis ao mesmo tempo. Exemplos comuns incluem o barulho da chuva, das ondas do mar ou de aparelhos que o reproduzem continuamente. Segundo Ana Maria, esse padrão sonoro cria um ambiente auditivo uniforme, capaz de bloquear ruídos externos que poderiam distrair ou despertar o bebê. Essa sensação de conforto costuma favorecer o relaxamento e o sono. Além disso, o ruído branco tem impacto sobre o córtex cerebral, região responsável pela percepção e pelo processamento de estímulos. Ao mascarar sons externos, o barulhinho pode reduzir distrações e ajudar o bebê a manter o foco no descanso. Músicas também são eficientes As famosas canções de ninar têm um papel importante não apenas no relaxamento, como na construção de vínculos afetivos. Isso porque o contato do bebê com sons e vozes começa desde a gestação e continua sendo relevante. A especialista Ana Maria Melo explica que a audição começa a se desenvolver ainda no útero e o pequenino não só percebe sons do ambiente, mas também reconhece a voz dos próprios pais nos últimos meses da gravidez. “Uma melodia suave, calma e relaxante pode ser adicionada à rotina do sono e proporcionar sensações agradáveis para o bebê, além de favorecer o vínculo com o cuidador”, diz a profissional. Por outro lado, o silêncio não deve ser descartado, especialmente quando há costume com ambientes mais tranquilos. Cuidados na rotina de sono Embora esses recursos possam ajudar no relaxamento, o uso precisa ser equilibrado e com bastante responsabilidade. O volume deve ser moderado e não ultrapassar cerca de 50 decibéis, que é o limite considerado seguro para os bebês. Ainda é importante evitar que o pequenino se torne dependente sempre do mesmo estímulo sonoro para conseguir dormir, ou seja, é melhor variar as opções ao longo do dia. Entre as orientações que podem ajudar nesse processo estão: Manter o volume dos sons em níveis baixos. Usar ruído branco ou música apenas como apoio ao relaxamento. Variar os estímulos auditivos durante o dia. Evitar exposição sonora contínua, por longos períodos. Prestar atenção a como o filho reage aos diferentes sons. “Cada bebê é único e precisa ser observado em suas necessidades e preferências. Nem todos se adaptam ao ruído branco ou à música, e isso faz parte do processo de desenvolvimento”, reforça Ana Maria Melo.

Mala da maternidade cedo demais: organização ou ansiedade?
Mala da Maternidade

Mala da maternidade cedo demais: organização ou ansiedade?

Na reta final da gravidez, preparar a mala da maternidade costuma ser um marco simbólico. É quando a espera ganha forma concreta, com roupinhas dobradas e listas conferidas. Mas, quando essa mala fica pronta cedo demais, vale se perguntar o que esse gesto pode estar dizendo. A psicóloga Anastacia Brum explica que a mala vai muito além da função prática. Ela representa uma travessia silenciosa, marcando a passagem da mulher para a maternidade e organizando, junto aos itens do bebê, sentimentos e expectativas. “Ao dobrar cada roupinha, muitas gestantes tentam, de forma inconsciente, organizar também as próprias inseguranças. É nesse momento que o bebê idealizado começa a se transformar no bebê real”, avalia. Planejamento X medo Preparar a mala com antecedência não significa, necessariamente, ansiedade. Quando a tarefa acontece de forma tranquila, como parte do planejamento, tende a ser apenas organização mesmo. O sinal de alerta só aparece quando a mala passa a funcionar como uma tentativa de aliviar um medo constante. Nesse caso, alguns pensamentos costumam surgir durante o processo: E se o bebê nascer antes do previsto? E se algo importante for esquecido? E se eu não souber o que fazer? E se algo sair do controle? No fundo, a mala pode ser uma forma concreta de tentar responder a uma pergunta mais profunda da gestante: será que vou dar conta? Junto da expectativa e da alegria, pode surgir também uma sensação de despedida da vida anterior, da autonomia e do controle que já não serão os mesmos. Quando a preparação gera tensão “Existe, sim, uma relação entre a mala pronta cedo demais e o medo de perder o controle. O parto é, por natureza, imprevisível e, mesmo com planejamento, há aspectos que fogem ao domínio da mãe”, aponta a psicóloga Anastacia Brum. Assim, se tudo é preparado muito antes e revisado repetidamente, pode indicar uma tentativa de organizar o que está à mão para compensar a sensação interna de incerteza. Diante disso, cabe um alerta: se gera sofrimento, não é algo saudável. Para identificar se é hora de buscar ajuda psicológica para lidar com a ansiedade, a orientação da profissional é observar alguns sinais de alerta, como: pensamentos sobre o parto que ocupam grande parte do dia; dificuldade para dormir por preocupação; irritabilidade frequente; necessidade constante de confirmação de que tudo está certo; sensação permanente de urgência; crises de choro constantes; pensamentos catastróficos persistentes; taquicardia ou falta de ar recorrente; histórico prévio de ansiedade ou depressão. Expectativa sem sobrecarga Segundo Anastacia, é importante validar as emoções da mãe sem deixar que os sentimentos dominem. Isso porque o medo não precisa desaparecer para dar lugar à sensação de ser capaz, uma vez que eles podem coexistir. Algumas estratégias simples podem ajudar a gestante a viver esse momento com mais equilíbrio: Limitar o tempo de pesquisa sobre parto e possíveis complicações. Definir uma data para preparar a mala e evitar mexer no que foi separado. Conversar abertamente sobre medos reais com o obstetra. Praticar respiração consciente e prestar atenção ao corpo. “A mala pronta cedo demais não fala apenas do parto, mas da história dessa mulher. Pode refletir perdas anteriores, tentativas frustradas ou uma necessidade antiga de controle como forma de se sentir segura. Compreender essas camadas ajuda a atravessar essa fase com mais consciência e menos julgamento”, conclui a psicóloga.

Amiga não deixa o filho fazer nada sozinho: devo opinar?
Desenvolvimento e Autonomia

Amiga não deixa o filho fazer nada sozinho: devo opinar?

Observar a forma como outras famílias cuidam de seus filhos nem sempre é simples. Em alguns casos, pode até levar a uma preocupação genuína com o desenvolvimento do bebê. Com isso, surge o dilema: vale a pena dar um toque na mãe sobre a importância da autonomia infantil ou é melhor respeitar as escolhas dela? Quem viveu situação parecida foi a gestora de negócios Thayná da Costa. Próxima da prima, foi convidada para ser madrinha do bebê dela, o que a levou a acompanhar ainda mais de perto o crescimento do menino. No dia a dia, porém, notou que algumas atitudes da mãe parecem ir na contramão da diversão da infância. “Eu observo que, às vezes, ela é muito protetora e isso acaba impedindo meu afilhado de fazer coisas que não seriam perigosas. Eu cresci no interior e lá tinha terra, bicho, cachoeira. Já ele não pode viver nem fazer nada disso”, conta. Cuidado ou superproteção? Segundo a psicóloga e educadora parental Marcella Andretta, do Colégio Santo Anjo, quando o adulto faz tudo pela criança, pode acabar limitando algumas oportunidades que são importantes para a aprendizagem. “A criança aprende observando, tentando e reproduzindo. Se o adulto faz tudo, a impede de tentar, errar e tentar novamente”, detalha a profissional. Com o tempo, esse comportamento pode gerar insegurança e dependência. Em vez de experimentar novas tentativas, os pequenos passam a esperar que o responsável resolva situações que eles já poderiam enfrentar sozinhos. Muitas vezes, isso acontece mais por ansiedade do adulto do que por necessidade real do bebê. Quando a comparação vira tensão Outro ponto delicado nessas situações são as comparações entre crianças. Se o desenvolvimento de um bebê vira referência para avaliar o outro, a conversa facilmente se transforma em julgamento entre amigas e conhecidas. Segundo a psicóloga Marcella Andretta, essas comparações podem criar a sensação de competição ou de avaliação constante, fazendo com que muitas mães passem a questionar se estão fazendo algo errado. Alguns sentimentos comuns incluem: medo de que o filho esteja “atrasado” em relação aos demais; insegurança sobre a própria forma de educar; receio de julgamento por outras mães. “A maternidade não deve ser um campo de batalha. Quando comparadas, muitas mães passam a sentir que estão sendo avaliadas ou que o desenvolvimento do filho está sendo colocado em dúvida”, observa a educadora parental. Como abrir a conversa com cuidado Antes de falar sobre o assunto com a mãe, a especialista recomenda refletir sobre alguns pontos importantes. Em primeiro lugar, vale lembrar que nem toda preocupação precisa se transformar em intervenção, especialmente quando não há risco real para a criança. Experimente se perguntar: Temos intimidade suficiente para tocar nesse assunto? Minha observação realmente pode ajudar aquela família? Tenho conhecimento ou informação para levantar essa questão? Mesmo se houver abertura para conversar, o ideal é falar com cuidado e acolhimento, preferindo conversas particulares e evitando comparações entre crianças. De acordo com a profissional, uma forma de iniciar é dizendo algo mais simples, como: “Posso compartilhar uma coisa que observei? Falo com carinho e posso estar enganada”. Thayná diz que, no seu caso, a proximidade ajuda a lidar com o tema com mais naturalidade. Apesar do medo de parecer crítica, ela recorda momentos da infância com a prima e reforça que o afilhado também merece viver coisas assim. Ao mesmo tempo, consegue refletir sobre como pretende lidar com a autonomia quando for mãe.

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