Pé Cavo
Por que o pé cavo causa instabilidade ao caminhar
O pé cavo é caracterizado por um arco plantar exageradamente alto, que faz com que apenas o calcanhar e a ponta do pé toquem o chão. Essa configuração altera a forma como o peso é distribuído e compromete o equilíbrio, podendo gerar instabilidade na marcha, além de desconforto e dor intensa em diferentes partes do pé.
A concentração de peso no calcanhar e na parte da frente do pé força ossos, tendões e ligamentos e leva à sobrecarga dessas estruturas. O resultado é dor latejante, calosidades e maior propensão a entorses.
“O arco excessivamente alto reduz a capacidade de absorção de impacto e torna o tornozelo menos estável, o que aumenta o risco de torções”, explica o fisioterapeuta Rodrigo Nascimento, do Hospital São Francisco da Providência de Deus (HSF-RJ).
É possível, inclusive, que surjam deformidades nos dedos, como o chamado “dedo em martelo” ou “dedo em garra”, dificultando a locomoção no andar e no correr.
Impacto no corpo e sintomas mais comuns
Apesar do nome fazer referência apenas ao membro inferior, Rodrigo Nascimento esclarece que o pé cavo afeta e compromete mais de uma estrutura. Entre as principais estão:
Fáscia plantar, responsável por sustentar o arco e absorver o impacto;
Metatarsos e calcanhar, que sofrem sobrecarga constante;
Tornozelos e articulações adjacentes, afetados pela má distribuição do peso.
Isso acontece porque a elevação do arco concentra a pressão em áreas pequenas da sola do pé, causando dor, inflamação e até desequilíbrio. Quando as regiões começam a ser afetadas, os sintomas mais frequentes e comuns são:
Calosidades na planta e nas laterais dos pés;
Dor intensa e latejante;
Deformidades nos dedos, como dedo em garra;
Entorses recorrentes.
Se tais sintomas forem notados, a orientação é sempre buscar ajuda médica, como de um fisioterapeuta ou ortopedista, para um diagnóstico rápido e assertivo.
Calçados e palmilhas ideais
O tipo de calçado tem papel fundamental na redução da dor e da instabilidade. Nesse sentido, o especialista em fisioterapia recomenda:
Tênis com bom amortecimento e suporte, que reduz a pressão sobre o calcanhar e os metatarsos;
Solado firme e mais largo para melhor a estabilidade;
Tecidos macios e flexíveis, que evitam atrito e irritação.
Já o uso de palmilhas ortopédicas também é importante. Embora não corrijam a deformidade, podem ajudar de outras maneiras:
Melhoram a estabilidade;
Redistribuem a pressão de forma uniforme;
Ajudam no alinhamento e no conforto durante a reabilitação.
“O uso de palmilha faz parte do tratamento, mas o que realmente traz melhora é o fortalecimento, a mobilidade e o treino de propriocepção”, complementa o profissional.
Fortalecimento e exercícios
Nesse contexto, vale adicionar que a fisioterapia é essencial para devolver estabilidade e aliviar os sintomas. O fisioterapeuta destaca que os exercícios devem sempre focar em força, alongamento e equilíbrio.
Entre os mais indicados estão:
Pegar objetos com os dedos dos pés;
Empurrar o chão com os dedos para ativar o arco plantar;
Alongar e mobilizar os pés com elásticos;
Treinar o equilíbrio em pranchas, estimulando a propriocepção.
“O paciente deve realizar os exercícios descalço para ampliar a mobilidade. É um trabalho repetitivo, com observação constante do movimento, que traz excelentes resultados”, afirma Rodrigo Nascimento.
Acompanhamento contínuo e cirurgia
Em casos mais graves, o pé cavo requer fisioterapia contínua, especialmente quando há doenças neurológicas, internações prolongadas ou sintomas progressivos associados. Nesses casos, é importante saber que:
A gravidade e a resposta do paciente definem o tempo de tratamento;
Pacientes jovens e ativos costumam responder mais rapidamente;
Casos associados a doenças neurológicas exigem acompanhamento prolongado.
Quando o tratamento conservador (com palmilhas, exercícios e órteses) não traz melhora, a cirurgia corretiva pode ser necessária. “Após o procedimento, o paciente precisa de fisioterapia intensiva para recuperar força, mobilidade e estabilidade. O processo é gradual e requer acompanhamento de longo prazo”, orienta Rodrigo.
Ele reforça a importância de buscar um profissional diante de sinais como dor persistente, dificuldade de equilíbrio, rigidez muscular e deformidade visível. Afinal, esses sintomas podem irradiar para joelhos, quadris e costas, e quanto antes forem avaliados, maiores as chances de evitar complicações.