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Conheça o Universo do Pé
Descubra quais os países que mais cuidam da saúde dos pés
Embora o cuidado com os pés tenha origens milenares em diferentes civilizações, quando se fala em desenvolvimento técnico e valorização profissional, os Estados Unidos se destacam como principal referência no mundo. Por lá, a podologia é tratada como especialidade médica e integra todo o sistema de saúde de forma estruturada e reconhecida. Mas não são só eles que dedicam atenção extra aos pés: México, Espanha e Itália também têm uma visão mais avançada. A podologista Viviane dos Santos, docente em cursos de formação, explica porque os EUA estão bem à frente na área. “O profissional é considerado quase um médico especialista. A formação é longa, com faculdade e disciplinas como anatomia, fisiologia e cirurgia. É algo realmente completo, bem diferente do que vemos no Brasil”, diz. Já a podóloga Beatriz Teixeira complementa que a regulamentação da profissão e a cultura de prevenção contribuíram para esse cenário norte-americano. “A população entende que cuidar dos pés é parte da saúde, não só uma questão estética. Isso fez toda a diferença para o reconhecimento da profissão e o avanço tecnológico na área”, avalia. Formação, estrutura e reconhecimento De acordo com as entrevistadas, nos Estados Unidos, a formação do podólogo é feita em nível semelhante ao universitário, com foco em conhecimento clínico e técnico aprofundado. Além disso, a atuação é regulamentada há décadas, com exigências legais para prática profissional, e o cuidado com os pés faz parte da formação em saúde. No mais, os profissionais atuam em hospitais, clínicas e centros de reabilitação, bem como a valorização social e profissional é ampla, com reconhecimento nas equipes multidisciplinares. “Aqui no Brasil, ainda existe a visão de que podólogo só corta unha ou lixa calos, mas a atuação vai muito além disso. Nos Estados Unidos, esse olhar já foi superado”, pontua Viviane. Da Europa à América Latina Segundo as especialistas, o México é um dos destaques na América Latina, com forte atuação na podologia clínica, especialmente no cuidado com o pé diabético. Na Europa, Itália e Espanha chamam atenção pela integração dos serviços podológicos aos sistemas públicos de saúde, com foco na prevenção e acesso universal. A saber: No México, a atenção ao pé diabético é uma prioridade crescente. “Algumas clínicas públicas já contam com podólogos especializados e há investimento em tecnologias como curativos avançados e orientações de autocuidado”, diz a podóloga Beatriz Teixeira. Na Itália, os podólogos têm formação universitária e atuam legalmente no sistema de saúde pública, com autonomia para tratar desde calos até úlceras graves. “O país montou uma ampla rede de centros especializados em pés diabéticos, conectados a equipes multidisciplinares”, acrescenta a profissional. Já na Espanha, “apesar de ainda haver desafios na inclusão da podologia no serviço público em todas as regiões, iniciativas recentes como a integração de podólogos nos hospitais da Andaluzia vêm ampliando o acesso a esses cuidados”, avalia a podologista Viviane dos Santos, que destaca serviços para idosos e diabéticos oferecidos ali. Campanhas e tecnologias como inspiração Nos Estados Unidos, o país mais à frente no quesito saúde dos pés, a valorização também se reflete em campanhas voltadas ao tema. De acordo com Beatriz Teixeira, há ações focadas na prevenção de lesões em idosos, cuidados com o pé diabético e orientação postural e cuidados preventivos. No campo tecnológico, o país também está à frente com palmilhas personalizadas com impressão 3D, escaneamento digital para órteses sob medida, exames de pisada com sensores de alta precisão e uso de laser terapêutico avançado. “No Brasil, até existem algumas dessas tecnologias, mas ainda são restritas e, muitas vezes, em fase de protótipo”, diz a podóloga. Ambas as especialistas consideram que o Brasil pode se inspirar no modelo norte-americano e nas ações aplicadas no México, na Itália e na Espanha. “Investir em formação de qualidade e mostrar à população a importância dos pés na saúde geral pode reduzir quedas, lesões e complicações crônicas. É uma questão de prevenção e de valorização profissional”, reforça Beatriz Teixeira. Viviane dos Santos, por sua vez, acredita que a mudança tem de ocorrer também entre as pessoas em geral: “O pé é a base do corpo, e o cuidado com ele precisa ser levado a sério, com a mesma atenção que damos a outras especialidades médicas. O exemplo dos Estados Unidos mostra que isso é verdadeiramente possível.”
Pé inchado: o que pode ser e como tratar?
O inchaço nos pés, também conhecido como edema, é um problema comum que pode ter diferentes causas – desde fatores simples, como ficar muito tempo em pé ou sentado, até condições mais sérias, ligadas ao coração e às veias e circulação. Segundo o cirurgião vascular e angiologista Eduardo Toledo de Aguiar, professor de cirurgia vascular da USP, o inchaço ocorre principalmente em razão do acúmulo de líquido no espaço entre as células, sendo mais frequente nos membros inferiores por conta da gravidade. Existem muitos fatores que podem deixar os pés inchados e as pernas com edema, e o especialista elenca algumas das causas mais comuns. Causas mais comuns Insuficiência venosa crônica, ou seja, dificuldade das veias em retornar o sangue ao coração, que causa acúmulo de líquido nos membros inferiores; Retenção de líquidos, provocada por ingestão excessiva de sódio, desequilíbrios hormonais ou uso de medicamentos como anti-hipertensivos; Gravidez, já que o aumento do volume sanguíneo e a compressão de veias abdominais pelo útero contribuem para o edema; Problemas cardíacos, renais ou hepáticos, que são condições que afetam o equilíbrio de líquidos no corpo; Linfedema, a intercorrência no sistema linfático, que pode ser congênita ou surgir após cirurgias, infecções ou traumas. Trombose venosa profunda (TVP), uma formação de coágulos nas veias profundas, causando inchaço, dor e vermelhidão. Fatores mecânicos ou posturais, uma vez que longos períodos sentado, viagens prolongadas e uso de calçados inadequados dificultam a circulação e resultam em inchaço temporário. Quando pé inchado é sinal de algo mais grave Embora o inchaço nos pés possa ser ocasional e inofensivo, o sintoma também pode acender o alerta para algo mais sério. Por isso, é fundamental estar de olho a outros sinais associados, como: Dor intensa ou sensação de peso: são comuns na insuficiência venosa e TVP. Vermelhidão ou calor local: podem indicar inflamação ou infecção. Alterações na cor da pele: escurecimento crônico pode ser um sinal de insuficiência venosa avançada. Úlceras ou feridas: surgem em estágios mais graves de problemas circulatórios. Dispneia ou cansaço extremo: indicativos de edema generalizado, como na insuficiência cardíaca. “Se o inchaço for persistente, doloroso ou acompanhado de outros sintomas, é fundamental procurar um médico para avaliação”, reforça o cirurgião Eduardo Toledo de Aguiar. Grupos mais propensos ao inchaço nos pés Algumas pessoas têm maior predisposição a ter pés inchados, portanto, devem redobrar os cuidados e a atenção. O especialista médico destaca os seguintes grupos: Idosos, uma vez que sua circulação sanguínea já é menos eficiente; Gestantes, devido ao aumento do volume sanguíneo e das alterações hormonais típicas da gestação; Obesos, pois o excesso de peso sobrecarrega os sistemas venoso e linfático; Indivíduos sedentários ou imobilizados, pois a falta de movimentação dificulta o retorno venoso; Pacientes com doenças crônicas, como insuficiência cardíaca, renal ou hepática. Prevenção e tratamento Para evitar ou aliviar o inchaço nos pés, adotar hábitos saudáveis e medidas simples são os dois caminhos mais recomendados e efetivos. Isso porque, juntos, conseguem tratar ou melhorar a maioria das condições causadoras do edema. Desse modo, o vascular indica: Para prevenir Movimente-se regularmente: evite ficar muito tempo em pé ou sentado; faça pequenas caminhadas ao longo do dia; Eleve os pés: sempre que possível, coloque os pés em um nível acima do coração para facilitar o retorno venoso; Opte por calçados adequados: prefira os confortáveis e que não apertam os pés; Controle o peso e a dieta: reduza o consumo de sódio e mantenha uma alimentação equilibrada. Use meias de compressão: são recomendadas em casos de insuficiência venosa, pois ajudam no retorno do sangue ao coração. Para tratar Drenagens linfáticas manuais: técnica é indicada para linfedema e retenção de líquidos; Medicamentos sob prescrição: podem ser receitados diuréticos, por exemplo; Terapias avançadas: no caso de linfedema, a terapia linfática combina exercícios, drenagem, dieta e medicamentos; Cuidados direcionados: insuficiência venosa, trombose e condições cardíacas ou renais exigem tratamentos específicos. “Além de tratar o inchaço, é crucial investigar e tratar a causa subjacente. Muitas vezes, o edema é apenas o sintoma de um problema maior”, finaliza o angiologista, que ressalta a importância da indicação, orientação e acompanhamento médico.
Máquina do tempo: será que os sapatos mudaram muito?
O design dos calçados evoluiu bastante nas últimas décadas, mas nem sempre a estética andou de mãos dadas com o bem-estar. Saltos altos, bicos finos e solas duras continuam entre os modelos preferidos por muitos, mesmo podendo comprometer a saúde dos pés, especialmente quando usados com frequência. Na opinião da podóloga Thayná Magalhães, formada pelo SENAC, é comum que a moda ignore o conforto. “Isso ocorre mesmo existindo sapatos muito abertos, com salto fino ou bico estreito que prejudicam a pisada e causam dor, calos e até rachaduras”, pontua. De acordo com ela, a virada no foco para funcionalidade só aconteceu entre os anos 1980 e 1990, com a popularização dos calçados esportivos. Já a estilista e designer de calçados Mariah Blois destaca o papel da tecnologia nesse processo. “Com materiais inteligentes e escaneamento 3D, conseguimos hoje calçados que se moldam melhor aos pés, promovem conforto real e ainda previnem lesões”, pondera. Do conforto ao símbolo cultural Ao longo da história, os sapatos foram ganhando mais (e novas) formas, funções e até significados. Alguns marcos importantes apontados pela designer de calçados Mariah Blois são: Revolução Industrial: viabilizou a produção em massa e trouxe materiais mais duráveis, como couro tratado; Vulcanização da borracha e os primeiros sneakers: transformaram os calçados esportivos; Salto vermelho usado por Luís XIV e os sapatos de lótus na China: ambos mostram como status e cultura moldaram o calçado; Tênis: no século XX, passaram a refletir identidade individual, associando-se a subculturas como o hip-hop e o punk. Além disso, a estilista destaca que os calçados se tornaram extensão do corpo e da personalidade. Em culturas orientais, por exemplo, tirá-los para entrar em casa ou em templos mostra como o ato de calçar vai além da utilidade. Erros que ainda prejudicam os pés Apesar da evolução, muitos modelos atuais ainda impactam negativamente a saúde. Para a podóloga Thayná Magalhães, os principais problemas continuam sendo: Salto fino ou excessivamente alto; Bico fino e apertado; Modelos sem amortecimento ou com solas muito rígidas; Sandálias muito abertas, que não oferecem suporte. Essas escolhas podem prejudicar a pisada, aumentar o risco de quedas e causar dor ou rachaduras. “Nem sempre a moda considera conforto e saúde”, constata a podóloga. O que levar em conta ao comprar Na hora da compra, vale seguir algumas recomendações simples: 1. Experimente o sapato no fim do dia, quando os pés estão mais inchados; 2. Prefira modelos que não apertem e sejam confortáveis logo no primeiro uso; 3. Opte por calçados com bom acolchoamento e espaço adequado na frente; 4. Evite saltos altos e bicos estreitos no dia a dia. Além de seguir esse guia básico quando for adquirir um novo par, vale pensar nas escolhas diárias, que também importam para cuidar dos pés. “Nossos pés trabalham intensamente para podermos fazer tudo, de dia até à noite. Na maioria das vezes, negligenciamos os cuidados necessários para eles sofrerem menos”, pondera Mariah. Nesse sentido, outra dica é pensar na opção certa para cada ocasião também. Isso porque muitos eventos pedem por determinados tipos de sapato, mas o conforto deve ser considerado, sobretudo para evitar problemas indesejáveis depois. Além do mais, Mariah Blois reforça a importância do papel da ciência no futuro da indústria. “Pesquisas acadêmicas, aliadas à tecnologia, estão permitindo o desenvolvimento de calçados mais saudáveis, duráveis e sustentáveis – e isso precisa ser o novo padrão”, defende.
Conheça o Universo Infantil
Casquinha na cabeça do bebê: posso retirar com produto?
As “casquinhas” na cabeça do bebê chamam a atenção dos pais e cuidadores de primeira viagem, mas não costumam indicar problemas. Trata-se de uma situação comum nos primeiros meses de vida e a presença delas faz parte de uma condição benigna da pele, que tende a melhorar com o tempo e cuidados simples no dia a dia, como alguns produtos seguros. A pediatra, alergista e imunologista Fernanda Soubak explica que essas escamas são conhecidas como crosta láctea, nome popular da dermatite seborreica do lactente. Aparecem como escaminhas amareladas ou esbranquiçadas, às vezes com aspecto oleoso e, geralmente, grudadas no couro cabeludo. Além da cabeça, essas lesões podem surgir em áreas onde a pele produz mais oleosidade, como sobrancelhas (ou entre elas), cantos do nariz, maçãs do rosto e atrás das orelhas. Apesar do aspecto, não são contagiosas e, na maioria dos casos, não causam dor nem grande desconforto ao bebê. Por que a crosta láctea aparece Nos primeiros meses de vida, é comum o bebê apresentar maior oleosidade da pele. Isso acontece porque as glândulas sebáceas ficam mais ativas nessa fase, influenciadas por questões hormonais. Esse excesso facilita o acúmulo de células mortas e, consequentemente, a formação das escamas. Segundo a dermatologista Maria Carolina Corsi, da Beneficência Portuguesa, esse processo pode ter também a participação de um fungo que faz parte da flora normal da pele, chamado Malassezia, sem que isso signifique infecção. A boa notícia é que, normalmente, a crosta melhora sozinha em semanas ou poucos meses e se torna bem menos comum após o primeiro ano de vida. Como diferenciar de outros problemas de pele Entender o que é crosta láctea ou outra questão dermatológica infantil não é tão difícil. As especialistas ouvidas garantem que a identificação é baseada em três pontos: 1. local das lesões; 2. o aspecto da pele; 3. comportamento do bebê. Além disso, os sintomas são visuais e leves: escamas amareladas ou esbranquiçadas, sem coceira intensa nem impacto no bem-estar. Já outros quadros, como a dermatite atópica, costumam se manifestar de forma diferente. A pele tende a ficar mais seca, muito vermelha, irritada e com coceira importante, deixando o bebê mais inquieto. Esse tipo de dermatite também pode surgir em outras partes do corpo e costuma ser recorrente. Posso usar algum produto nas casquinhas? Na maioria dos casos, os cuidados podem ser feitos em casa, com medidas simples e suaves, repetidas algumas vezes por semana e sem pressa. As médicas orientam um passo a passo seguro: amolecer a crosta, aplicando um óleo vegetal suave ou próprio para bebês e aguardando de 15 a 30 minutos; soltar a crosta láctea com delicadeza, usando uma escovinha macia de bebê ou uma gaze, sem forçar; lavar a cabecinha normalmente, com shampoo infantil neutro, enxaguando bem. O objetivo é reduzir as escamas aos poucos, sem tentar retirar tudo de uma vez. É importante não puxar as crostas secas, nem usar unhas, objetos ou esfregar com força, pois isso pode machucar a pele e aumentar o risco de inflamação ou infecção. Quando procurar ajuda Apesar de ser uma condição comum, é importante buscar avaliação médica especializada (pediatra ou dermatologista) se surgirem sinais como: vermelhidão intensa, dor ou irritação importante; secreção, mau cheiro, pus ou crostas com aspecto “melado”; coceira intensa ou lesões em outras áreas do corpo; falhas de cabelo em placas; ausência de melhora após algumas semanas, mesmo com cuidados suaves. Por fim, a pediatra Fernanda Soubak e a dermatologista Maria Carolina Corsi reforçam que a crosta láctea é transitória, não está relacionada à falta de higiene e não causa queda permanente de cabelo. Ainda assim, na dúvida ou diante de qualquer mudança no quadro, a orientação profissional é sempre a melhor escolha.
Pequenas tarefas hoje, filhos mais responsáveis amanhã
Guardar brinquedos, escolher a roupa ou ajudar em tarefas simples podem até parecer pequenos gestos do dia a dia, mas têm um papel importante na vida das crianças. Mais do que facilitar a rotina da casa, essas ações ensinam sobre ser mais responsável, cooperar e até ter autonomia, previsibilidade e segurança emocional. Na casa da estrategista digital Luana Rosário, mãe de duas crianças pequenas, essa participação começou aos poucos. Como os filhos têm três anos de diferença, ela precisou adaptar as tarefas para que ambos pudessem colaborar de alguma forma, mesmo com habilidades diferentes. “Pesquisando e conversando com a psicóloga deles, entendi que podia atribuir ações diferentes e complementares. Muitas vezes, o caçula entra como apoio da mais velha e isso foi muito positivo para o senso de responsabilidade e cooperação da nossa família”, relata. Como os hábitos estruturam a rotina infantil Segundo a terapeuta ocupacional Lígia Carvalho, mestre em Educação e Desenvolvimento Infantil e fundadora da Ludens Cursos, os pequenos hábitos cotidianos são muito importantes, porque ajudam a estruturar emocionalmente o dia a dia dos pequeninos e isso traz diversos benefícios. “Na primeira infância, o cérebro está em intenso processo de maturação. Quando há consistência na organização das atividades, isso oferece previsibilidade e continuidade, o que reduz a ansiedade e aumenta a sensação de segurança”, explica a especialista. Além disso, a repetição diária dessas ações, como guardar brinquedos, lavar as mãos ou seguir uma sequência antes de dormir, fortalece a autorregulação. Com o tempo, a criança passa a antecipar etapas, esperar sua vez e concluir pequenas tarefas, desenvolvendo organização interna e maior autonomia. Incentivar a participação independe da idade De acordo com a profissional, envolver a criança em pequenas responsabilidades já é possível pouco antes dos dois anos de vida, desde que as atividades respeitem seu nível de desenvolvimento e não exijam maturidade antes da hora. Entre os exemplos de participação no dia a dia estão: Por volta de 1 ano e meio a 2 anos: com ajuda de um adulto, pode guardar brinquedos, levar a fralda ao lixo ou colocar a roupa no cesto. Entre 3 e 4 anos: consegue assumir tarefas um pouco mais estruturadas, como organizar materiais, ajudar a colocar a mesa ou cuidar dos próprios pertences com mais independência. A partir dos 5 anos: com supervisão, já pode organizar a mochila conforme as atividades do dia e escolher a roupa que prefere usar. “Quando a criança participa ativamente da rotina, deixa de ser apenas conduzida pelo adulto e passa a se reconhecer como parte importante do funcionamento da casa. Essa vivência fortalece o senso de pertencimento e de competência”, afirma a terapeuta ocupacional Lígia Carvalho. Se a criança não quer colaborar A resistência à repetição das tarefas é comum na primeira infância e costuma fazer parte do próprio processo de desenvolvimento. A especialista detalha que essas recusas podem estar ligadas ao cansaço, sobrecarga ou dificuldade na transição entre atividades. Algumas estratégias simples para lidar com a situação incluem: dividir a tarefa em etapas mais simples; torná-la mais lúdica e concreta; oferecer escolhas limitadas; antecipar o que será feito (por exemplo: “daqui a cinco minutos vamos guardar”); validar emoções e manter limites consistentes. No caso de Luana Rosário, a maior resistência não veio dos filhos, mas das pessoas de fora. Isso porque havia uma visão equivocada de que os pais, ao dar pequenas tarefas aos pequenos, querem se livrar da responsabilidade ou do trabalho. Para ela, é o oposto: isso ensina valores muito importantes, como cooperação e igualdade. “Nós estamos construindo uma rotina mais justa para todos. Se desde pequeno o menino souber que também é responsável pelos afazeres da casa na mesma medida que a menina, vamos criar homens que dividem tarefas com as mulheres”, avalia a mãe.
Como saber se o bebê está com cólica ou gases?
Desconfortos abdominais são comuns nos primeiros meses de vida e costumam gerar muita dúvida nos cuidadores. Embora gases e cólicas possam causar as mesmas reações, como choro e irritação, não são situações iguais. Entender a diferença ajuda a lidar melhor com o quadro e tratá-lo corretamente. A gastroenterologista pediátrica Aline Falleiros explica que a cólica do lactente é considerada um distúrbio funcional ligado à maturação dos sistemas gastrointestinal e nervoso. Por outro lado, os gases fazem parte do processo digestivo normal e, na maioria das vezes, causam apenas um incômodo leve e passageiro. Segundo a especialista, gases e cólicas podem ocorrer ao mesmo tempo, já que a fermentação do leite no intestino leva à produção de gases ao longo do dia e da noite. Inclusive, a presença dos gases indica que a digestão está acontecendo normalmente. Gases X cólicas Os gases costumam provocar um desconforto abdominal leve, acompanhado de aumento do volume da barriga e flatulência. O choro, quando aparece, tende a ser esporádico, de menor intensidade e melhora rapidamente, sem se repetir de forma sistemática ao longo dos dias. Já a cólica apresenta um padrão mais previsível e repetitivo. O bebê pode ter episódios frequentes de choro inconsolável, geralmente no fim da tarde ou início da noite, várias vezes na semana. Mesmo que não dure três horas seguidas exatamente, o que define o quadro é a repetição desse comportamento por dias consecutivos. Além disso, alguns sinais corporais costumam acompanhar a dor abdominal mais intensa. A médica destaca os principais para ficar de olho: rosto avermelhado; contrações visíveis no abdome; enrijecimento muscular; torções do corpo; irritação intensa e dificuldade para se acalmar. O que pode causar ou piorar Um dos argumentos populares é que engolir ar durante a mamada ou uso de mamadeira provoca gases. Entretanto, não há evidências de que isso aumente o problema. Na verdade, a produção de gases está relacionada sobretudo à ação das bactérias da microbiota intestinal durante a digestão. Já a cólica do lactente não tem uma única causa definida. Alguns estudos indicam que pode estar associada a fatores como: imaturidade do sistema nervoso central; alterações na motilidade intestinal; hormônios gastrointestinais; composição da microbiota; fatores ambientais e biopsicossociais da família. Apesar de muito desconfortável, a cólica é autolimitada: costuma surgir nas primeiras semanas de vida, atingir o pico entre a sexta e a oitava semana e melhorar progressivamente até os três ou quatro meses, desaparecendo quase sempre antes dos cinco meses. O que alivia gases e cólicas do bebê Durante as crises, o mais importante é tentar acalmar o bebê. Algumas medidas simples e seguras podem ajudar a resolver a questão: dar colo com movimentos ritmados; manter contato direto da barriga do cuidador com a do bebê; enrolar o bebê como um “charutinho”; posicionar de lado ou de bruços (sempre com supervisão); colocar compressas mornas no abdome, com cuidado para evitar queimaduras; recorrer a ruídos brancos. A gastropediatra Aline Falleiros reforça que não há comprovação científica sobre a eficácia dos medicamentos para as cólicas, mesmo que alguns bebês se beneficiem em casos específicos. Os chás também não são indicados antes dos seis meses de vida. Já as restrições alimentares maternas só devem ser consideradas quando houver diagnóstico de alergia ou intolerância feito pelo pediatra. Quando procurar o médico A avaliação médica é recomendada sempre que surgirem sinais de alerta, como: sangue nas fezes; dificuldade para ganhar peso; febre; recusa para mamar; vômitos frequentes ou com sangue. Nessas situações, é fundamental investigar causas além dos desconfortos funcionais comuns da infância para o especialista definir o melhor tratamento.

