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Podologia ou podiatria? Saiba o que fazem e a quem procurar
A saúde dos pés pode ser cuidada por diferentes profissionais, mas é comum haver confusão sobre quem faz o quê. Por exemplo, qual é a diferença entre podologia e podiatria e em quais situações cada uma deve ser procurada? A principal distinção está na formação e no tipo de atuação, de acordo com a enfermeira Silvia Rangel, pós-graduada em podiatria clínica e especialista em pés diabéticos. Enquanto a podologia cuida da parte preventiva e menos complexa, a podiatria tem foco em diagnósticos e tratamentos de doenças. “O podólogo costuma ser requisitado para cuidados básicos e preventivos, como cortar unhas, retirar calosidades, orientar sobre higiene etc. Já o podiatra tem formação em saúde, diagnostica e trata doenças. Em países regulamentados isso é mais comum, mas, no Brasil, a especialização é geralmente feita por enfermeiros”, explica Silvia. Quando procurar cada profissional Se forem situações de rotina, como uma unha levemente encravada, alguns calos ou ressecamento da pele dos calcanhares, a recomendação é agendar um horário com o podólogo de sua confiança. Ele também poderá dar orientações e fazer a manutenção dos cuidados com os pés. A consulta com o podiatra fica para quando o problema é mais sério. “Costumamos brincar que o podiatra é quando a situação aperta. Ele é indicado para dor persistente, deformidade, lesões e doenças como diabetes, artrite ou neuropatia”, detalha a especialista na área. Vale lembrar que, no Brasil, a podiatria ainda não é regulamentada como profissão independente, diferentemente do que ocorre em países como Estados Unidos e Austrália. Aqui, ela é reconhecida como uma especialidade da enfermagem, após decisão do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) em 2023. Condições mais comuns Cada profissional tem áreas de atuação bem definidas. Como vimos, enquanto o podólogo cuida dos aspectos considerados preventivos e menos complexos, o podiatra lida com quadros clínicos mais sérios. Alguns exemplos são: Podólogo: calos e calosidades, fissuras superficiais, unhas encravadas, ressecamento e prevenção de micoses. Podiatra: pé diabético, joanetes, neuropatias, infecções, artrite e artrose. É imprescindível buscar informações sobre a capacitação de cada profissional, pois recorrer ao serviço inadequado pode trazer complicações, sobretudo em casos mais sérios ou complexos. “Se o paciente precisa de avaliação clínica ou até cirurgia e procura apenas um cuidado estético, não vai adiantar. Isso pode trazer riscos, como no pé diabético, que parece simples, mas pode evoluir para infecção e até amputação”, alerta Silvia. Sinais de alerta É fundamental estar de olho em sinais de alerta dos pés – e, caso note algum deles, saber que o melhor a fazer é procurar pelos especialistas em podiatria. Anote alguns deles: Dor persistente; Dificuldade para andar; Deformidades ósseas visíveis; Feridas que não cicatrizam; Infecções graves ou recorrentes; Rigidez do membro; Alterações decorrentes do diabetes; Perda de mobilidade. O podiatra também pode realizar um encaminhamento para especialidades médicas, como o ortopedista, a depender da situação. Um cuidado que se soma A enfermeira reforça que podologia e podiatria devem trabalhar em uma constante atuação conjunta – afinal, não se trata de concorrência, mas integração. O primeiro é essencial na prevenção e no cuidado diário, enquanto o segundo tem foco no diagnóstico e tratamento clínico. Juntos, garantem o bem-estar estético e funcional e ajudam a resolver problemas mais complexos. “Uma não é superior à outra. O podólogo atua de forma preventiva e evita muitos problemas, enquanto o podiatra oferece suporte clínico e tratamentos para os casos graves”, finaliza Silvia.
Biofilme microbiano pode trazer riscos para a saúde
A biossegurança é um fator essencial nos cuidados com os pés e as unhas. Isso porque, em ambientes como salões de beleza e clínicas de podologia, a falta de higienização adequada dos itens utilizados no atendimento pode levar ao acúmulo de bactérias e fungos, favorecendo a formação do chamado biofilme microbiano, que traz riscos à saúde. Segundo a podóloga Fernanda Ribeiro, que atua há 15 anos na área, esse biofilme se forma em superfícies úmidas e pode ser um grande risco. “Trata-se de uma camada que se acumula em objetos mal higienizados, como alicates, lixas e bacias. Se o material não for esterilizado do jeito e no tempo certos, os micro-organismos permanecem ali, aumentando o risco de contaminação”, explica. A boa notícia é que, com os cuidados adequados, é possível evitar esse problema e garantir um atendimento seguro. Só que, para que isso ocorra, tanto os profissionais quanto os clientes precisam ficar atentos às normas de biossegurança. Para começo de conversa, a fim de evitar a proliferação de micro-organismos, a biossegurança estabelece diretrizes rígidas para a limpeza e esterilização de materiais. As principais recomendações incluem: Esterilização correta: uso de autoclave para esterilizar materiais reutilizáveis, já que estufa e fervura não são eficazes; Uso de descartáveis: lixas, palitos e bacias devem ser trocados a cada cliente; Higiene pessoal: uso obrigatório de luvas e máscara pelo profissional; Desinfecção de superfícies: bancadas e equipamentos devem ser higienizados regularmente, pois o biofilme não sai apenas com álcool. “O biofilme é resistente e a limpeza precisa ser feita corretamente para eliminar bactérias, fungos e até vírus. Do contrário, o cliente pode sair do salão com uma infecção”, frisa Fernanda. Quais são os riscos do biofilme? A falta de higienização adequada pode causar diversas complicações para a saúde, principalmente em pessoas com imunidade baixa, como diabéticos. Os principais riscos do biofilme microbiano são: Micose: infecção fúngica que pode atingir a pele e as unhas; Unha encravada infeccionada: o acúmulo de bactérias pode agravar o quadro; Paroníquia: inflamação ao redor da unha, causando dor e inchaço; Infecções graves: em casos mais sérios, a contaminação pode evoluir para problemas mais complexos. Em que ficar de olho A podóloga reforça que os clientes também precisam ficar atentos ao ambiente onde realizam os cuidados com os pés e as unhas. Anote alguns pontos de alerta para ficar de olho nas próximas visitas aos salões: O profissional abre os instrumentos esterilizados na sua frente? Ele usa luvas e máscara durante o atendimento? O ambiente está limpo e organizado? As bacias são descartáveis ou protegidas com plástico? “Se tiver dúvidas, pergunte como os materiais são higienizados. Pode parecer incômodo, mas é sua saúde que está em jogo”, frisa. O papel do podólogo na prevenção Além de garantir um atendimento seguro, o podólogo orienta os clientes sobre a importância da higiene e da escolha correta dos locais para o cuidado dos pés. “Muita gente não faz ideia do perigo que pode haver num salão que não segue as normas direitinho. Nosso papel é educar os clientes e garantir que eles não corram riscos desnecessários”, conclui Fernanda.
Meias certas ajudam a prevenir tendinites. Entenda
Você já pensou que as meias podem ter um papel importante nos casos de tendinite? A condição costuma surgir a partir de microlesões repetitivas nos tendões, e esses itens de vestuário, aparentemente simples, ajudam a reduzir fatores de risco para o quadro. O fisioterapeuta esportivo Eduardo Saraiva garante que a meia não é apenas um acessório de conforto, já que influencia diretamente o pé dentro do calçado. Por isso, meias adequadas ajudam a controlar fatores biomecânicos, como atrito e estabilidade, aspectos importantes para o surgimento da doença. “A meia pode contribuir com a prevenção da tendinite, sobretudo em conjunto com o calçado certo, treino adequado e outros cuidados com o corpo”, afirma o profissional. Tecido e ajuste fazem diferença O tipo de material interfere diretamente no desempenho do pé dentro do tênis. Entre os principais tecidos usados na confecção das meias estão: Algodão puro: absorve o suor, permanece úmido e aumenta o atrito entre o pé e o calçado, gerando bolhas, irritações e microtraumas nos tendões. Poliéster: permite que o suor evapore com mais facilidade, diminuindo a fricção e mantendo o pé mais seco e estável. Segundo Eduardo, a diferença é relevante tanto em treinos quanto em competições, especialmente quando há impacto repetitivo. Além disso, o tamanho da meia deve ser o ideal, pois interfere na biomecânica: Meias apertadas: comprimem os dedos e o calcanhar, alteram a forma como o pé se movimenta e aumentam a tensão nos tendões; Meias largas: podem dobrar dentro do tênis e causar atrito e instabilidade, favorecendo cargas irregulares e dor. Quando escolher cada modelo O fisioterapeuta ressalta que a escolha do formato deve estar alinhada ao tipo de treino e ao calçado utilizado. Cada opção tem uma indicação específica: Meia de cano curto: oferece mais liberdade e menos suporte, ideal para treinos leves; Meia de cano médio ou alto: indicada para corrida, futebol ou trekking por gerar maior proteção na região do tornozelo e na parte superior do tênis, aumentando a estabilidade; Meia compressiva: pode melhorar a circulação, reduzir a vibração muscular e aumentar a percepção de estabilidade do pé, auxiliando na recuperação e na performance. Há também diferenças entre meias comuns e esportivas. Enquanto as comuns apenas cobrem o pé, as esportivas têm áreas de amortecimento, ventilação e ajuste anatômico. “Elas reduzem a fricção e ajudam o pé a trabalhar de forma mais estável, resultando em menor risco de microtraumas e sobrecarga nos tendões”, afirma o especialista. Dicas de quem entende Vale lembrar que a escolha da meia torna-se especialmente relevante em atividades com impacto repetitivo ou mudanças rápidas de direção, como corridas, trilhas, futebol, basquete e tênis, além de crossfit e treinos de musculação intensa com saltos. Na hora da compra, o fisioterapeuta esportivo Eduardo Saraiva sugere priorizar as seguintes características: Respirabilidade, para manter o pé seco. Ajuste anatômico, que evita dobras e apertos. Compressão adequada, porque melhora a estabilidade e circulação. Amortecimento localizado, protegendo calcanhar e antepé. Costuras planas, que reduzem atrito e bolhas. Ainda assim, trocar apenas a meia não resolve a tendinite. É fundamental avaliar o calçado, observar a carga de treino e, se necessário, investigar possíveis alterações biomecânicas no pé ou no tornozelo, que podem exigir avaliação profissional.
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Enxoval já não serve mais: guardar, doar ou descartar?
Quando o bebê cresce, muitos itens do enxoval começam a perder suas funções. Bodies, macacões, calças e meinhas deixam de ser usados quase de um dia para o outro, mas continuam ali, ocupando espaço e carregando memórias. A dúvida da organização é: guardar tudo, doar ou descartar? Te ajudamos na decisão. Transitar do enxoval de bebê para a fase de criança pequena é um dos maiores desafios de organização doméstica, conforme afirma a personal organizer Adriana Moura. Como o crescimento é acelerado, o acúmulo acontece de forma silenciosa e rápida, exigindo método e decisão prática. “O erro mais comum é tentar organizar tudo de uma vez. O primeiro passo ideal é a setorização imediata. Ou seja, assim que uma peça deixa de servir ou um objeto perde a utilidade, deve ser retirado do fluxo de uso diário”, ensina a profissional. Comece pela triagem, não pela arrumação Para evitar bagunça e retrabalho, Adriana recomenda criar uma “estação de saída”, como uma caixa ou cesto temporário fora do armário do bebê. A ideia é simples: tudo o que não serve mais vai para lá antes mesmo de qualquer grande reorganização. Depois, para decidir o que fica e o que vai embora, vale aplicar a regra dos três filtros: Estado de conservação: itens manchados, com elásticos frouxos ou plásticos ressecados devem ser descartados. Valor sentimental: guardar apenas o “fio da meada”, como a saída de maternidade ou o primeiro sapatinho. Frequência de uso: se foi pouco usado por ser pouco prático, dificilmente será útil em outra fase. “Essa triagem por categorias ajuda a enxergar o volume real do que está deixando de ser usado. Em vez de reorganizar o que já perdeu função, a família passa a lidar apenas com o que ainda faz sentido manter”, explica a organizadora. Organizar sem comprometer espaço Quando o espaço é menor, ficar com alguns itens pode ser mais complicado. Nesses casos, a personal organizer Adriana Moura aconselha apostar na verticalização e na compactação como aliadas, sobretudo em apartamentos pequenos. Entre as soluções práticas, ela recomenda: sacos a vácuo: reduzem o volume de roupas e mantas em até 70% e protegem contra umidade e poeira; uso das partes altas dos armários: maleiros e sapateiras elevadas ajudam a ocupar as chamadas “zonas mortas”; identificação clara: etiquetas externas com faixa etária e conteúdo evitam abrir tudo desnecessariamente. Além disso, vale anotar algumas dicas da especialista para manter o controle do que fica e evitar erros comuns ao guardar itens do enxoval: Realize a “ronda do enxoval” a cada troca de estação, quer dizer, revise o que ainda faz sentido e reavalie se o plano de um segundo filho segue no mesmo horizonte de tempo. Crie uma única “caixa de memórias”. O que não couber nela deve ser doado. Lave as roupas antes de guardar para não gerar manchas permanentes. Sempre cheque a validade de itens como bicos e termômetros. Guardar por memória ou por medo? O psicólogo Getúlio Yuzo Okuma, do dr.consulta, explica que o enxoval costuma ter um peso emocional importante porque representa cuidado, expectativa e a construção da identidade como pai e mãe. Assim, as peças deixam de ser um conjunto de objetos e passam a simbolizar o vínculo do que está se formando. “Mas existe diferença entre guardar por memória e por medo ou culpa. Quando evoca lembranças positivas sem sofrimento, o apego é saudável. Já se a ideia de doar provoca ansiedade, sensação de perda irreparável ou conflitos constantes, pode haver um apego sustentado por insegurança emocional”, alerta o profissional. Reconhecer a passagem do tempo é essencial para encerrar os ciclos e isso pode ser difícil. Por outro lado, Okuma lembra que ambientes mais organizados favorecem a funcionalidade, a clareza mental e a redução das tensões domésticas, equilibrando memória e presente. Na dúvida, tire fotos para se lembrar daquilo que foi especial e evite decisões impulsivas – o encerramento deve ser gradual, consciente e saudável.
Rotina de sono: 5 erros mais comuns de pais novatos
Organizar o sono de um bebê parece simples na teoria, mas costuma ser um dos maiores desafios para pais de primeira viagem. Na tentativa de ajudar, muitos acabam adotando hábitos que, sem perceberem, dificultam o adormecer e a consolidação do sono. A boa notícia é que ajustes pontuais e consistentes podem fazer grande diferença. “Alguns deslizes se repetem com frequência nas famílias que estão começando essa jornada. Eles envolvem desde ambiente inadequado até expectativas irreais sobre o ritmo biológico da criança”, observa a otorrinolaringologista Saramira Bohadana, especialista em sono infantil do Grupo Santa Joana. De acordo com a médica, o sono não se ajusta de forma imediata e exige previsibilidade para amadurecer. No entanto, é comum que, nos primeiros meses, os pais e cuidadores tenham dificuldade em entender que se trata de um processo. Erros mais comuns A má higiene do sono é um dos pontos que mais impactam negativamente o descanso infantil. Quando os horários de dormir e despertar variam muito, o ciclo circadiano encontra mais dificuldade para se organizar. Entre os erros mais frequentes na rotina de sono, estão: 1. Permitir que a criança durma na cama dos pais, em vez de ter berço ou cama própria. 2. Estabelecer horário de dormir muito tarde ou sem regularidade. 3. Acostumar o bebê a adormecer apenas com artifícios como colo ou balanço. 4. Oferecer tempo de tela prolongado. 5. Manter uma má higiene do sono. Criar uma rotina previsível ajuda o cérebro da criança a compreender que o dia está terminando. Assim, o preparo para dormir deve incluir atividades relaxantes, como leitura e histórias, além de redução da luminosidade e afastamento de estímulos. O que evitar e o que fazer O excesso de estímulos antes de dormir ativa o estado de alerta do cérebro quando ele deveria desacelerar. Por isso, é importante evitar luz intensa, telas e brincadeiras agitadas. Criar uma zona de transição de 30 a 60 minutos com ambiente calmo e iluminação reduzida também costuma ajudar. “A confusão não está em oferecer colo ou peito, especialmente nos primeiros meses, mas em fazer com que o bebê dependa exclusivamente disso para pegar no sono e voltar a dormir após despertares”, esclarece a especialista Saramira Bohadana. Além disso, alguns sinais indicam que a janela do sono está chegando, como olhar perdido, quietude e menor interação. Não os interpretar na hora certa (ou confundi-los) pode levar o nenê ao supercansaço, com a liberação de cortisol e adrenalina, o que paradoxalmente dificulta ainda mais o adormecer. Dicas de ouro Embora poucos pais e cuidadores saibam, a ansiedade dos adultos interfere diretamente na construção do sono saudável. Mudar frequentemente de estratégia, ter expectativa de resultados imediatos e buscar por soluções rápidas gera inconsistência e confunde o pequenino, que precisa de repetição para aprender. Há também diferenças importantes conforme a criança cresce: Nos primeiros meses de vida, os erros estão ligados à interpretação do funcionamento biológico e às expectativas irreais sobre longos períodos de sono. Após os 4 a 6 meses, surgem desafios comportamentais, associações mais rígidas, resistência para dormir e maior impacto da irregularidade de horários, com retirada de sonecas, transição para a cama e medo do escuro, por exemplo. “A dica de ouro é buscar consistência, não perfeição. Escolher horários aproximados para acordar, respeitar as janelas de sono e manter um ritual simples e repetido todos os dias já promove grande diferença”, finaliza a médica.
É normal o bebê chorar muito? O que saber sobre isso
O choro faz parte do desenvolvimento do bebê, especialmente nos primeiros meses de vida. Nem todo choro é igual e entender os padrões ajuda os cuidadores a saberem quando é algo esperado ou se merece mais atenção. Frequência, intensidade e sinais são pontos importantes para diferenciar o que é rotineiro de algo a ser investigado. Nos primeiros meses, é esperado que o bebê chore mais, sobretudo entre a quarta e a sexta semana de vida, com melhora gradual até os três ou quatro meses. Afinal, o choro é a principal forma de comunicação dele para expressar necessidades e desconfortos, como fome, sono ou excesso de estímulos. A pediatra Greter Fernandez explica que, dentro desse período, existe inclusive um padrão clássico para definir o choro excessivo, conhecido como cólica do lactente. É a chamada “regra dos 3s”: choro por mais de 3 horas por dia, em pelo menos 3 dias da semana, por 3 semanas consecutivas, em bebês saudáveis e com ganho de peso adequado. Por que alguns bebês choram mais As causas do choro frequente são multifatoriais e nem sempre estão ligadas a doenças. Entre os motivos mais comuns listados pela médica estão: necessidades básicas não atendidas, como fome, fralda suja, frio, calor ou sono; cólicas relacionadas à imaturidade do sistema gastrointestinal e neurológico; fatores psicossociais, como o ambiente e a interação entre cuidador e bebê, intolerâncias alimentares, como a alergia à proteína do leite de vaca; mais raramente, condições orgânicas (refluxo gastroesofágico patológico, infecções ou dores específicas são alguns exemplos). A enfermeira obstetra e educadora perinatal Emanuela Gomes destaca também que nem sempre o choro tem uma causa óbvia. Pode ser desde uma etiqueta de roupa incomodando até a necessidade de colo. Tem bebê que só se acalma ao ouvir a batida do coração da mãe, um som que ele reconhece desde a gestação, por exemplo. Choro normal ou sinal de dor O choro considerado normal costuma ser episódico, aparece mais no fim do dia, pode ser consolado com estratégias simples e não vem acompanhado de outros sintomas. Já quando há dor ou algum problema de saúde, o comportamento tende a ser diferente. Para não ter dúvidas, as profissionais recomendam observar os seguintes sinais: vermelhidão facial intensa; respiração irregular ou acelerada; retração dos membros; arqueamento do corpo; irritabilidade contínua que não melhora com o cuidado do adulto; alterações na alimentação; vômitos persistentes, febre e dificuldade para ganhar peso. A pediatra Greter Fernandez indica avaliação médica imediata em casos de febre superior a 38°C, vômitos com biles, letargia, sangramentos e quadros neurológicos, como convulsões ou abaulamento da fontanela – popularmente chamada de “moleira estufada”. Como lidar com a cólica do lactente Apesar de angustiante, a cólica do lactente é um diagnóstico clínico de exclusão, ou seja, que descarta condições mais sérias, e tende a melhorar com o amadurecimento do bebê. Os episódios podem surgir logo nas primeiras semanas de vida do recém-nascido e atingir o pico entre seis e oito semanas, com piora do quadro, principalmente, no final do dia. Contudo, essa causa necessita de tempo para ser confirmada. Nesse sentido, a enfermeira obstetra Emanuela Gomes reforça que, nos primeiros 15 dias do bebê, o choro não costuma ser causado por cólica. “O recém-nascido ainda está se adaptando ao mundo fora do útero e chora porque é sua única forma de expressão. Chás ou medicamentos sem prescrição são precoces e contraindicados”, pontua. Entre as estratégias não farmacológicas que podem ajudar estão: colo; contato pele a pele; embalo rítmico; sucção não nutritiva; banho morno; massagem abdominal; cuidado com o ambiente, evitando excesso de luz e barulho. Rotina, ambiente e apoio fazem diferença Criar uma rotina previsível, respeitando o ritmo do bebê, ajuda a reduzir o estresse ao longo do dia. Cada criança reage de forma diferente aos estímulos e essa sintonia se constrói com o convívio diário, sem comparações ou rótulos precoces. As especialistas entrevistadas ponderam que erros comuns, geralmente feitos por cansaço ou desespero, como oferecer fórmula sem necessidade nos primeiros dias, também podem piorar o desconforto do bebê. O estômago do recém-nascido é pequeno e a oferta excessiva pode causar mais mal-estar do que alívio.

