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Conheça o Universo do Pé
O que faz o pé ficar áspero e como evitar
Se manter a pele do rosto e das mãos hidratada já é hábito para muita gente, os pés ainda costumam ser esquecidos. Só que tal prática não deveria ser ignorada, uma vez que a região plantar é naturalmente mais seca e espessa, ficando ainda mais vulnerável ao ressecamento, aspereza e rachaduras, caso não receba os cuidados adequados. Para a podóloga Thayná Magalhães, formada pelo Senac, o estilo de vida moderno contribui diretamente para o problema. “Hábitos como beber pouca água, andar descalça, usar rasteirinhas e tomar banhos muito quentes fazem com que a pele dos pés perca ainda mais hidratação. Para se proteger dessas agressões, o corpo acaba engrossando a pele da região”, explica. Essa característica é reforçada pela dermatologista Luana Vieira, da Kora Saúde. Ela lembra que, desde a formação embrionária, a pele dos pés é diferente do restante do corpo. “A planta dos pés desenvolve uma camada espessa de queratina para suportar o peso e proteger contra cortes e lesões. Além disso, é uma área com poucas glândulas sebáceas, o que torna sua hidratação natural limitada”, esclarece. Doenças e maus hábitos agravam problema Além de fatores externos, algumas condições de saúde também favorecem o ressecamento intenso. Entre elas: Psoríase: provoca descamação e deixa a pele ainda mais seca; Infecções fúngicas: espessam a pele e causam descamações típicas; Diabetes: reduz a hidratação natural e aumenta o risco de fissuras. “Em todos esses casos, o comprometimento da barreira cutânea dos pés exige atenção redobrada para hidratação e cuidados preventivos”, alerta a médica. Outro fator que merece atenção é o tipo de calçado escolhido no dia a dia. A podóloga Thayná Magalhães reforça que rasteirinhas, chinelos e sapatos abertos expõem os pés à sujeira, atrito e ressecamento excessivo, prejudicando a saúde da pele. “Optar por sapatos fechados, confortáveis e que protejam a região é essencial”, orienta. E a lixa: pode ou não? Quando usada corretamente, a lixa tende a ajudar a suavizar a pele dos pés. Mas o excesso é prejudicial. “Se for feita com cuidado, por um profissional e com uma boa lixa, a esfoliação ajuda. Agora, lixar demais, em casa, estimula a pele a engrossar ainda mais - o chamado efeito rebote”, explica a podóloga. Portanto, a recomendação é: Esfoliar suavemente, de uma a duas vezes por semana (no máximo); Utilizar lixas apropriadas e em movimentos delicados; Evitar o uso excessivo, que pode agravar a aspereza. Como hidratar corretamente A chave para pés sempre macios está na hidratação diária, feita com os ativos certos. De acordo com a dermatologista Luana Vieira, as substâncias mais eficazes para essa área são: Ureia, em concentrações variadas, para hidratar e esfoliar suavemente; Alantoína, capaz de acelerar a regeneração e acalmar a pele; Lactato de amônio, ótimo para reter a água na epiderme; Ácido salicílico, que promove uma renovação suave da camada externa. “É fundamental usar hidratantes, e não apenas emolientes”, orienta a médica. Isso porque, enquanto o emoliente apenas cria uma barreira na superfície, o hidratante realmente repõe a umidade e restaura o equilíbrio hídrico da pele. A melhor rotina para pés lisinhos Manter os pés hidratados e protegidos depende de uma rotina simples, mas constante. As especialistas recomendam: Aplicar o hidratante nos primeiros três minutos após o banho, aproveitando a pele ainda úmida; À noite, usar cremes mais densos e vestir meias de algodão para potencializar a absorção; Escolher calçados que reduzam o atrito e evitar andar descalço por longos períodos; Esfoliar suavemente para remover células mortas, sem estimular a hiperprodução de queratina.
Como evitar rachaduras no calcanhar
As rachaduras, também conhecidas como fissuras podais, são causadas pela combinação do ressecamento com a pressão sobre a pele. Se a pele em questão for a do calcanhar, a melhor maneira de tratar e prevenir um calcanhar rachado é caprichar na hidratação da pele e usar calçados confortáveis, adotando os seguintes cuidados: Passe um hidratante especial para os pés ao menos uma vez por dia (para não escorregar, use meias depois de aplicar o creme); Quando for possível, cubra os pés usando meias e calçados confortáveis ou use calçados que não são abertos na parte de trás (especialmente se você já tem a pele do pé seca); Não ande descalço(a) em pisos ou na areia quente; Se você tem diabetes, cheque os pés com frequência para ver se tem calosidades ou fissuras.
Metatarsalgia ou fascite plantar: saiba diferenciar a dor
Dor na sola dos pés pode até parecer tudo igual, mas não é. Entre as causas mais comuns estão a metatarsalgia e a fascite plantar, duas condições diferentes, embora muitas vezes confundidas. Saber onde e como a dor se manifesta é o primeiro passo para o diagnóstico correto e o tratamento adequado. Como explica o ortopedista Paulo Frederico, especialista em cirurgia do pé e tornozelo e presidente da Comissão de Ensino e Treinamento da SBOT-RJ, as duas doenças têm origens e sintomas distintos e podem estar relacionadas à sobrecarga mecânica, alterações na pisada e até mesmo escolha errada de calçados. “A metatarsalgia afeta a parte da frente do pé, enquanto a fascite plantar compromete a região do calcanhar. Cada uma das condições exige atenção e abordagem específica para aliviar a dor e evitar complicações”, situa o médico. Como cada problema se manifesta Para entender melhor, o ortopedista destaca que vale olhar onde dói, quando dói e o que costuma piorar o quadro. Por exemplo: Metatarsalgia é a dor localizada na parte anterior do pé, sob as cabeças dos metatarsos, área identificada um pouco antes dos dedos. Surge quando há sobrecarga nessa região, seja por longos períodos em pé, uso de salto alto ou bico fino ou alterações na pisada. A metatarsalgia pode gerar a sensação de “pedrinha no sapato” e piora ao caminhar descalço, em pisos duros ou com o uso de salto alto. Fascite plantar é uma inflamação ou degeneração da fáscia plantar, tecido que vai do calcanhar até a base dos dedos e sustenta o arco do pé. A dor costuma se concentrar no calcanhar, geralmente na parte inferior e mais medial, sendo mais intensa nos primeiros passos da manhã ou depois de ficar muito tempo sentado. Com o tempo, pode também irradiar pela sola. Diferenças e semelhanças A principal diferença entre as duas condições está na localização e no comportamento da dor. Ainda assim, elas podem coexistir. Nesses casos, o tratamento precisa considerar o pé como um todo, não só a área onde dói com mais intensidade. De acordo com o ortopedista Paulo Frederico, não é raro que a fascite plantar apareça junto com sobrecarga no antepé, principalmente em pés cavos ou em pessoas que mudam a pisada para aliviar um ponto dolorido e acabam sobrecarregando outro. Além disso, elas compartilham fatores de risco importantes, como: Sobrepeso; Sedentarismo; Pé plano ou pé cavo; Encurtamento do tendão de Aquiles; Uso de calçados inadequados; Aumento súbito da atividade física (muito comum em corredores amadores ou em quem passa muito tempo em pé). O tipo de pisada influencia diretamente a distribuição da carga sobre o pé. Outro fator determinante são os calçados: saltos altos, bicos finos, solas muito rígidas ou tênis gastos alteram o alinhamento e favorecem os dois quadros. “O padrão ouro é o tênis esportivo de corrida”, afirma o profissional. Diagnóstico e tratamento O diagnóstico costuma ser essencialmente clínico, mas pode ser complementado por exames quando necessário: Metatarsalgia: o raio-X avalia deformidades ósseas e a ressonância magnética identifica bursites, sinovites e alterações de partes moles. Em alguns casos, a baropodometria (exame que analisa a distribuição de pressão plantar) ajuda a mapear sobrecargas e orientar palmilhas personalizadas. Fascite plantar: ultrassom e ressonância magnética mostram espessamento da fáscia e sinais inflamatórios. Já sobre o tratamento, o médico reforça que o objetivo é reduzir a sobrecarga, melhorar o alinhamento e aliviar a dor, mas a abordagem varia conforme o local afetado. Entre as principais procedimentos possíveis entram: Metatarsalgia: realinhamento do antepé com palmilhas metatarsais, correção de calçados, reeducação postural e, em alguns casos específicos, cirurgia para corrigir deformidades como joanete ou dedos em garra. A operação é exceção e fica reservada aos quadros refratários. Fascite plantar: alongamento do tendão de Aquiles e da fáscia plantar, fisioterapia e, quando indicado, palmilhas com suporte de arco. Quando procurar um especialista Saiba que é hora de marcar uma consulta se: A dor começar a limitar as atividades diárias; Houver inchaço persistente; Sentir dificuldade para apoiar o pé; O incômodo não melhorar após algumas semanas de cuidados simples, como repouso, alongamento e/ou troca de calçado. A recomendação do especialista é não banalizar as dores crônicas. “O pé sustenta todo o peso do corpo e absorve impacto a cada passo. Pequenos desequilíbrios, se não corrigidos, podem gerar dores crônicas e perda de performance”, finaliza.
Conheça o Universo Infantil
Assadura é comunicação: o que a pele do bebê diz?
Nem sempre a assadura é apenas um incômodo local. Muitas vezes, é também o primeiro sinal de que algo no ambiente do bebê precisa ser ajustado. Quando a pele fica vermelha, sensível ou mais úmida do que o habitual, o corpo está reagindo a um desequilíbrio e precisa de atenção e cuidados específicos. Para o pediatra Antônio Carlos Turner, da clínica Total Kids, dizer que a assadura é uma forma de comunicação significa reconhecer que o corpo do bebê “fala” quando algo foge do esperado. Como o pequeno ainda não tem repertório verbal, a pele utiliza o processo inflamatório para sinalizar que o microclima da fralda não está bem. “É um pedido de socorro biológico. A pele está manifestando um desequilíbrio homeostático, com rubor, calor e edema, para avisar que algo no ambiente imediato não está em harmonia com a fisiologia do bebê”, alerta o médico. Decifrando os sinais na pele Cada situação costuma deixar uma espécie de “digital” visível. Observar o aspecto da vermelhidão e o local em que aparece ajuda os adultos a entenderem se o problema está relacionado à umidade excessiva, ao atrito ou a uma reação de contato. Entre os sinais mais comuns, o especialista destaca: Umidade: a pele pode ficar com aspecto murcho ou macerado; a assadura esbranquiçada nas bordas, antes de se tornar vermelha, sinal de que a barreira cutânea está encharcada e fragilizada. Atrito: a vermelhidão tende a ser mais intensa nas áreas de maior contato, como dobrinhas das coxas ou onde o elástico da fralda aperta. Reação química: quando há vermelhidão localizada logo após a troca de fralda ou uso de produto novo, pode indicar dermatite de contato irritativa. Mudanças na rotina também provocam respostas quase imediatas. Isso porque a pele do bebê possui um pH levemente ácido que funciona como proteção natural. Ao alterar o tipo de fralda ou utilizar lenços com fragrâncias fortes, essa barreira pode ser rompida, levando à inflamação localizada. Fezes, urina e calor na equação Outros fatores fazem parte do quadro, já que a química do próprio corpo tem papel central na formação da assadura. A urina é um bom exemplo: quando fica muito tempo em contato com a pele, produz amônia e eleva o pH da derme. Isso ativa enzimas das fezes, que começam a agredir a camada superficial cutânea. Além disso, há outras mudanças sistêmicas que interferem: a introdução alimentar pode alterar o pH e a microbiota das fezes, tornando-as mais agressivas; o uso frequente de antibióticos causa diarreia e modifica a flora intestinal e da pele, abrindo caminho para assaduras por fungos; o calor intenso aumenta a vasodilatação e a sudorese, acelerando o processo inflamatório. “O suor, especialmente em dias quentes, soma-se a tudo isso criando um ambiente de ‘estufa’ dentro da fralda, facilitando a proliferação de fungos, como a Candida albicans”, acrescenta o pediatra Antônio Carlos Turner. Como ler os sinais e prevenir Lembre-se: o bumbum do bebê traz pistas importantes, tanto visuais quanto comportamentais. Pontinhos vermelhos ao redor da mancha costumam indicar infecção fúngica, enquanto vermelhidão e pele brilhante sugerem irritação química ou acidez. Se houver choro na hora da troca, o dano pode ter atingido os nervos. Para tratar e prevenir novas assaduras, o médico recomenda adotar o mantra “Limpar, Secar e Proteger”, ou seja": trocar o lenço umedecido por algodão e água morna sempre que possível; deixar o bebê alguns minutos por dia com o “bumbum livre”, permitindo que o ar ajude na cicatrização; aplicar cremes com óxido de zinco ou dexpantenol para criar uma barreira protetora; evitar apertar demais a fralda, permitindo mínima circulação de ar. Os pais também devem observar além da pele: irritabilidade no sono, choro agudo ao urinar e recusa alimentar podem estar relacionados ao quadro. Quando a assadura se torna frequente, pode indicar necessidade de ajustar a rotina e incluir mais trocas de fraldas. Ao surgirem sintomas físicos ou comportamentais, é necessário procurar um pediatra.
Nem toda birra é desafio: pode ser exaustão infantil
Quem ainda não tem filhos ou mesmo pais e mães de primeira viagem podem não saber (ainda), mas nem toda “explosão” infantil é um teste de limites. Em muitos casos, o que os adultos interpretam como “birra” pode ser apenas sinal de exaustão física e emocional. A diferença parece sutil, mas muda completamente a forma de intervir e pode evitar confrontos desnecessários dentro de casa. Foi isso que a assessora de imprensa Jéssica Moraes, mãe de duas crianças pequenas, percebeu após meses lidando com crises intensas no fim do dia. A filha ia bem para a escola integral, não apresentava resistência à rotina nem grandes problemas de comportamento, até que começou a ter explosões no retorno para casa. “Eu achava que era birra. Pensava que precisava ser mais firme, que era questão de educação”, conta. Só mais tarde ela entendeu que os episódios tinham outro significado: cansaço acumulado após 12 horas de escola com muitas atividades. Birra X exaustão A psicóloga Aline Carvalho explica que muitas situações classificadas como birras são, na verdade, manifestações de exaustão emocional. Quando a criança ultrapassa sua capacidade de lidar com demandas, estímulos ou frustrações, o comportamento deixa de ser uma escolha intencional e passa a sinalizar sobrecarga do sistema emocional. Essa exaustão costuma aparecer como: irritabilidade persistente; choro intenso ou prolongado; oposição frequente; regressões comportamentais; hipersensibilidade a estímulos; baixa tolerância à frustração; comportamentos desorganizados, mesmo sem um limite claro imposto. Já as birras associadas ao teste de limites tendem a surgir em situações específicas, com objetivo reconhecível e maior capacidade de reorganização quando o adulto mantém previsibilidade e consistência. “A diferença central está na frequência, na duração e na capacidade de autorregulação: a exaustão desorganiza; a birra pontual responde à presença reguladora do adulto”, esclarece a especialista em atendimento infantil. Por que a criança “explode”? A turma pequena ainda passa pelo desenvolvimento emocional, neurológico e linguístico. Não consegue reconhecer, nomear e comunicar com clareza estados internos como o cansaço emocional. Quando a autorregulação é imatura, a sobrecarga se manifesta pelo corpo e pelo comportamento. Situações do próprio dia a dia podem levar ao quadro, como: rotinas muito estimulantes ou desorganizadas; excesso de atividades e compromissos; uso prolongado de telas; privação ou irregularidade do sono; mudanças frequentes de ambiente; expectativas incompatíveis com a idade; barulhos excessivos; cobranças por desempenho; falta de tempo para descanso e brincadeiras livres. “Assim, choro intenso, irritação e oposição funcionam como formas imaturas de comunicação de uma necessidade não atendida e não como tentativa consciente de confronto”, avalia a profissional. O que fazer no momento da crise Diante de uma explosão, a orientação não é ignorar limites, mas reorganizar prioridades. A psicóloga Aline Carvalho recomenda oferecer contenção emocional antes de qualquer correção comportamental. Isso significa manter presença calma, voz firme e limites claros, sem negociar regras durante a crise. Lembre-se: validar sentimentos não é validar o comportamento. É possível reconhecer o cansaço, interromper estímulos e garantir segurança, deixando a orientação e o ensino de limites para quando a criança estiver novamente regulada. A partir do momento que a família passa a enxergar os episódios como sinais de exaustão, a dinâmica muda. Os adultos deixam de reagir a partir do confronto e passam a responder com leitura emocional, prevenção e contenção. O resultado: menos conflitos, mais segurança e fortalecimento do vínculo. O que muda dentro de casa Jéssica diz que percebeu tarde o que acontecia à sua frente. “Eu senti culpa por não ter entendido antes o verdadeiro motivo. Sinto que ignorei a possibilidade por medo de não conseguir resolvê-la”, lembra. Isso porque ela não tinha condições de tirar a filha do integral naquele momento, mas buscou ajustes possíveis, como diálogo com a escola. Ao entender que não se tratava de má-educação, mas de limite emocional, sua postura mudou. Houve menos confronto e mais tentativa de reorganização: menos atividades no tempo escolar e maior observação do contexto. Por isso, a especialista Aline reforça que compreender o comportamento infantil a partir das necessidades emocionais permite intervenções mais eficazes e respeitosas. Reconhecer a exaustão como um sinal legítimo contribui para o desenvolvimento emocional saudável da criança e para relações mais empáticas no dia a dia.
Por que alguns rituais acalmam mais os pais do que o bebê?
Nos primeiros anos de vida, muitos pais criam sequências quase coreografadas para dar banho, colocar para dormir ou acalmar o choro. Nem sempre esses rituais mudam o comportamento do bebê, mas podem ter um efeito importante em quem cuida dele. Se houver segurança, flexibilidade e regulação entre os adultos, está tudo bem. A psicóloga Cibele Pejan, do dr.consulta, explica que o adulto precisa de previsibilidade para regular o próprio sistema emocional. Diante de choro, sono picado e situações difíceis de interpretar, o ritual oferece sensação de controle e competência, reduz ansiedade e evita decisões tomadas no improviso. “Mesmo que o ritual não faça o bebê dormir mais rápido, se ele deixa o adulto menos tenso, mais presente e mais paciente, já melhora o clima do cuidado. Às vezes a estratégia muda para quem cuida e isso muda a experiência”, observa a profissional. Quais são os rituais? As imprevisibilidades dos primeiros anos, como sono fracionado, mudanças no corpo e na identidade dos pais, motivam esses hábitos. Nesses casos, os rituais são como um suporte emocional: organizam o dia, diminuem conflitos entre cuidadores, estabelecem um “jeito de fazer” e ajudam no medo de “errar” com o bebê. A profissional cita algumas das estratégias que acabam acalmando mais os adultos do que os próprios bebês: Sequência fixa de banho–luz baixa–música–frase final. Checar repetidamente fralda, temperatura e ruído. Aplicativo de sono e busca pelo “horário perfeito”. Paninho específico ou ruído branco em frequência exata. Checklist mental: “mamou, arrotou, trocou”. Vale lembrar também que, no dia a dia, os bebês captam tom de voz, ritmo do toque, respiração, pressa e tensão corporal de seus cuidadores. Assim, um adulto regulado consegue transmitir segurança, enquanto quem está ansioso pode comunicar que algo está errado. Se os rituais ajudam nessa regulação, eles também beneficiam os pequenos. Limites importantes Não há problema em manter esses hábitos desde que: não se tornem imposição rígida; não atrapalhem necessidades básicas, como sono e fome; não geram brigas ou culpa; possam ser adaptados. “Um cuidador regulado é um recurso essencial para o bebê. Ele precisa de segurança, que requer menos técnica e mais qualidade de presença. Quando há regulação, a mensagem é de que aquele espaço é seguro”, avalia a psicóloga Cibele Pejan. Os sinais de alerta só aparecem quando o adulto entra em pânico se não consegue seguir o protocolo, quando o bebê vira “refém” da sequência perfeita ou quando o ritual passa a desgastar mais do que ajudar. Se a prática aumenta a ansiedade e reduz a capacidade de escutar, perde-se o equilíbrio. É importante avaliar a situação e pedir ajuda. Como manter flexibilidade e segurança Para diferenciar rituais acolhedores de práticas mantidas por medo ou culpa, algumas perguntas ajudam: Depois do ritual, eu fico mais calmo(a) e conectado(a) ou mais tenso(a)? Se eu não fizer hoje, tudo bem? Eu me adapto ao bebê ou forço o bebê a caber no meu plano? O ritual me serve ou eu sirvo o ritual? “Muitos pais carregam a ideia de que, se fizerem tudo certo, o bebê não vai sofrer. Mas bebê chora, muda, tem fases. O objetivo não é eliminar todo desconforto, e sim ser um adulto suficientemente bom, presente e ajustável”, esclarece a especialista. A dica final é pensar em pontos de referência, não em regras rígidas. Estabelecer duas ou três ações simples é suficiente, como luz mais baixa, voz calma e toque tranquilo. Traçar planos A e B também auxilia. Já em momentos de tensão, o adulto deve focar em se autorregular: beber água, respirar e revezar o cuidado com o par antes de lidar com o bebê novamente.

