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Por que é importante cuidar das fissuras nos pés?
Calcanhar Rachado

Por que é importante cuidar das fissuras nos pés?

Apesar das pequenas fissuras nos pés serem quase imperceptíveis no começo, é importante cuidar delas para que não piorem. “Se não forem tratadas, elas ficam mais profundas e podem sangrar. Em alguns casos, a dor é tão profunda que a pessoa não consegue nem encostar o pé no chão”, explica Armando Bega, podólogo responsável pelo Instituto Científico de Podologia, presidente da Associação Brasileira de Podólogos e especialista em Podiatria. Além disso, uma rachadura na pele dos pés pode ser porta de entrada para micro-organismos, como bactérias – uma delas é a que causa erisipela, uma infecção de pele que requer tratamento com antibióticos. Para que isso não aconteça, a dica de Bega é usar hidratantes especiais para os pés, que ajudam a manter a pele hidratada e também a cicatrizar essas fissuras. “As células da pele são unidas por um ‘cimento’ chamado desmossomo. As fissuras nada mais são do que uma abertura que acontece pela perda desse fator que umedece a pele”, afirma Bega. “Por isso é preciso usar um creme com ureia ou substâncias sintéticas semelhantes a ela, pois elas se ligam às moléculas de água, impedindo que ela evapore e permitindo que ela fique mais tempo na pele”.

Distonia é o mesmo que hiperidrose?
Suor e Odor

Distonia é o mesmo que hiperidrose?

Quem sua demais no pé tem hiperidrose ou distonia? Os termos médicos às vezes confundem as pessoas. Saiba qual é a diferença entre essas duas condições. Sabe quando o pé, a mão e as axilas suam demais, mesmo em momentos em que não deveríamos estar transpirando? Tem gente que chama essa condição de distonia, mas isso não está certo. O nome correto é hiperidrose —e vamos explicar aqui a diferença. Para começar, a composição das próprias palavras já diz a que elas vêm. Hiperidrose começa com “hiper”, um prefixo usado quando queremos falar de algo que é excessivo, explica Rosangela Schwarz, enfermeira habilitada em Podiatria e membro da diretoria da Associação Brasileira de Enfermeiros Podiatras (ABENPO). “O prefixo ‘dis’ traz a ideia contrária, de falta, de separação. Por isso não poderia ser usado em uma palavra que se refere a transpirar demais. Além disso, o tônus está relacionado à musculatura, não ao suor.” O que é hiperidrose? A hiperidrose é uma condição onde a transpiração vai além do que você precisa, a ponto de o suor pingar da mão, do pé ou das axilas, por exemplo. Normalmente, suar é uma maneira de manter a temperatura do corpo aliviando o aquecimento interno (quando fazemos exercícios ou temos febre). Só que as pessoas que têm hiperidrose suam em excesso o tempo todo, até quando estão em repouso. É como se as glândulas sudoríparas não parassem nunca de trabalhar. “A hiperidrose tem várias causas. Pode ser hereditária e estar presente em vários membros de uma família ou pode estar relacionada a alguma doença, ao uso de alguns medicamentos”, explica Armando Bega, podólogo responsável pelo Instituto Científico de Podologia, presidente da Associação Brasileira de Podólogos e especialista em Podiatria. Diabetes, problemas de tireoide, ondas de calor na menopausa e alguns tipos de câncer podem causar hiperidrose. Medicamentos como analgésicos e antidepressivos também. Tipos de hiperidrose: Hiperidrose primária ou focal: acontece sem uma causa aparente e afeta áreas específicas, como mãos, pés, axilas ou rosto. Geralmente costuma começar na infância ou adolescência e está ligada a fatores genéticos. Hiperidrose secundária ou generalizada: é causada por algum problema de saúde, como diabetes, infecções, menopausa ou uso de medicamentos. Ela afeta o corpo todo e pode surgir em qualquer fase da vida. E a distonia, o que é? A distonia, por sua vez, é um distúrbio neurológico que afeta os movimentos (e não a transpiração). As pessoas que têm distonia apresentam espasmos e contrações musculares involuntárias. Isso faz com que elas apresentem uma hiperatividade muscular que causa movimentos de torção, posições corporais anormais e, em alguns casos, tremores. Essa condição pode ser causada por medicamentos, pela doença de Parkinson, por um acidente vascular cerebral (ou AVC) ou por lesão cerebral. O que eu faço se tenho hiperidrose no pé? Quem transpira em excesso nos pés pode adotar alguns cuidados para evitar incômodos no dia a dia. “A pessoa que tem hiperidrose localizada nos pés pode usar meias de algodão, evitar calçados feitos de materiais sintéticos e optar pelos feitos com tecidos que absorvam a transpiração”, explica Bega. Além disso, ele recomenda usar o desodorante para os pés. “Mesmo que essa pessoa sue bastante, o antisséptico presente no desodorante impede que as bactérias que causam o mau odor, que gostam de ambientes úmidos e quentes, se multipliquem”, completa o podólogo. Mas, se mesmo com esses cuidados a transpiração excessiva continuar incomodando ou impedindo as atividades cotidianas, será preciso buscar orientação médica. “Nos casos mais graves de hiperidrose é preciso fazer um tratamento cirúrgico, a simpatectomia, que é a remoção do nervo simpático. Isso porque o sistema nervoso simpático está relacionado ao aumento de agilidade nas reações, como suar”, diz Bega.

Como é o pé de quem tem neuropatia?
Cuidado Diário

Como é o pé de quem tem neuropatia?

Quando se tem neuropatia periférica, especialmente nas extremidades como os pés, é essencial tomar cuidados específicos para evitar complicações, como lesões e infecções, já que a sensação de dor, formigamento ou dormência pode dificultar a percepção de ferimentos ou outros problemas. Cuidados com os pés quando se tem neuropatia periférica 1. Inspeção Diária dos Pés Verifique os pés todos os dias, especialmente se você tiver dormência ou perda de sensação. Isso ajuda a identificar qualquer ferimento, bolha, calo ou infecção antes que se tornem problemas sérios. Use uma lupa ou peça para alguém inspecionar a parte inferior dos pés, entre os dedos e outras áreas difíceis de ver. 2. Hidratação da Pele A pele seca pode rachar e se tornar suscetível a infecções. Use cremes ou loções hidratantes, mas evite aplicar entre os dedos, onde o excesso de umidade pode causar infecções fúngicas. 3. Escolher Calçados Adequados Use sapatos confortáveis que não apertem, que ofereçam bom suporte e que sejam adequados ao formato dos seus pés. Evite andar descalço, especialmente em superfícies duras ou irregulares, para prevenir ferimentos não percebidos. Meias devem ser de materiais que permitam a circulação de ar e não causem atrito, como as de algodão ou especiais para diabéticos. 4. Cuidado com Calos e Calosidades Evite cortar ou remover calos e calosidades sozinhos, pois isso pode causar feridas e infecções. Consulte um médico ou podólogo para orientações. Use almofadas ou protetores de calos para reduzir a pressão nas áreas afetadas. 5. Manter o Controle das Condições Subjacentes Se a neuropatia for causada por diabetes, controle rigorosamente os níveis de glicose no sangue, pois níveis elevados de açúcar podem agravar a neuropatia e aumentar o risco de infecções nos pés. Consulte regularmente um médico para monitorar a evolução da neuropatia e tratar qualquer complicação que possa surgir. 6. Evitar Fumar O tabagismo pode piorar a circulação sanguínea, o que é prejudicial para pessoas com neuropatia periférica. Tente parar de fumar para ajudar a manter a saúde dos seus pés. 7. Exercícios e Circulação Se possível, movimente-se regularmente para melhorar a circulação sanguínea nos pés. Exercícios leves como caminhar ou alongamentos podem ajudar. Evite longos períodos de inatividade, como ficar sentado ou deitado por muitas horas. 8. Consultar um Profissional de Saúde Se houver sinais de infecção, como vermelhidão, inchaço, secreção ou dor, procure ajuda médica imediatamente. O acompanhamento com um podólogo especializado pode ser muito útil, pois ele pode fazer o cuidado adequado dos pés e ajudar a evitar problemas mais sérios. Manter esses cuidados diários é crucial para prevenir complicações graves, como úlceras nos pés, que podem resultar em infecções ou até mesmo amputações, caso não sejam tratadas adequadamente.

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O bebê ainda não entende, mas a leitura já funciona
Historinhas

O bebê ainda não entende, mas a leitura já funciona

Antes mesmo de acompanhar e compreender a história, o bebê já ganha muito quando alguém lê para ele. Isso porque, nos primeiros meses de vida, a leitura vai muito além do enredo: envolve voz, colo, contato e afeto que estimulam o desenvolvimento e fortalecem os vínculos. É por isso que o hábito pode entrar cedo na rotina, em momentos simples do dia. Para Adelir Marinho, doutora em educação e pesquisadora da infância, esses momentos expõem o bebê a diferentes sons, ritmos, palavras e expressões, contribuindo para desenvolver a linguagem, a atenção e a memória, além de aumentarem a aproximação com os pais e cuidadores. "Antes mesmo de aprender a ler, a criança começa a perceber que o livro é um objeto de prazer, acolhimento e descoberta. Essa troca também favorece a linguagem receptiva, ou seja, a capacidade de compreender a fala antes mesmo de falar", explica a profissional. Muito além da história Quando um adulto lê para um bebê, não é apenas a narrativa que importa. A voz, a entonação, a repetição e o contato físico que fazem parte dessa experiência ajudam a criar um ambiente seguro e acolhedor. Para tornar esse momento ainda mais rico, a especialista indica: usar diferentes entonações e ritmos durante a leitura; reler a mesma história sem receio, já que a repetição fortalece a memória, amplia o vocabulário e ajuda a reconhecer padrões da linguagem; manter contato visual, sorrir e ficar próximo da criança; permitir que ela toque o livro, observe as imagens e, quando já for maiorzinha, vire as páginas. A leitura não precisa seguir regras rígidas: pode acontecer antes de dormir, depois do banho ou em qualquer parte tranquila do dia. O mais importante é que seja um momento leve, sem cobranças ou expectativa de atenção plena. Se o bebê não quiser ouvir a história Sem frustrações: é completamente esperado que o bebê não se envolva com a leitura. Nos primeiros meses e anos de vida, o interesse dele, muitas vezes, está mais nas imagens, nas cores ou até mesmo no próprio livro do que na sequência da narrativa. "Nesses momentos, vale comentar as imagens, nomear os objetos e respeitar o ritmo da criança. Quando acompanhamos a leitura com leveza e sem cobranças, ela se transforma em uma experiência prazerosa e fortalece o vínculo entre ambos", destaca a pesquisadora Adelir. Por isso, na hora de escolher os livros, prefira modelos resistentes, como os de pano, banho ou cartonados. Imagens grandes, cores contrastantes, pouco texto, linguagem simples, rimas, repetições, temas do cotidiano e elementos interativos (como abas e diferentes texturas) tornam a experiência ainda mais interessante. Como criar hábito desde cedo Não existe uma idade ideal para começar, mas a leitura pode fazer parte da rotina desde o nascimento. Afinal, o mais importante não é terminar um livro ou ler por muito tempo e, sim, criar momentos frequentes de interação e afeto. É justamente dessas experiências afetivas que nasce a relação da criança com os livros. Ou seja, em qualquer fase da vida vale compartilhar esse momento com leveza, respeitando o tempo do bebê e a experiência sobre acolhimento, descoberta e conexão. "O que realmente faz diferença é a constância dessas pequenas interações. Quando a criança cresce em um ambiente em que os livros fazem parte do cotidiano e percebe que a leitura é valorizada, aumenta a probabilidade de desenvolver uma relação positiva com esse universo", finaliza a especialista.

Até onde é normal o cabelo das crianças cair?
Primeiros Fios

Até onde é normal o cabelo das crianças cair?

Ver fios no berço, no travesseiro ou no carrinho pode assustar muitos pais. Afinal, a expectativa costuma ser de que o cabelo do bebê apenas cresça e fique cada vez mais cheio e forte. E logo surge a dúvida: será que é normal ou há algo errado? A tricologista Juliana Souza, especialista em medicina capilar, tranquiliza ao explicar que a queda pode, sim, acontecer em diferentes fases da infância e nem sempre indica problema. Nos primeiros meses de vida, por exemplo, é comum ocorrer uma troca fisiológica dos fios, algo que faz parte da adaptação do organismo. “Muitos pais e cuidadores se surpreendem porque acreditam que o crescimento será contínuo. Mas o cabelo infantil também passa por períodos de troca e sincronização dos ciclos capilares, levando à queda antes da estabilização”, explicou a médica. Cada idade, um motivo Quando o assunto é queda capilar, existem diferenças em cada fase da vida: recém-nascidos: é relacionada às mudanças hormonais após o parto; bebês maiores: ocorre a troca dos fios mais finos (lanugo) pelos mais grossos; crianças maiores: outras causas precisam ser consideradas, como deficiências nutricionais, doenças do couro cabeludo, queda por tração causada por penteados apertados, atrito constante ou até fatores emocionais. Além disso, o ciclo capilar infantil é diferente do adulto. A fase anágena, que é a etapa de crescimento do fio, tende a ser um pouco mais curta na infância. Com o passar dos anos, esse ciclo vai se ajustando gradualmente até se aproximar do padrão adulto. A queda é normal se… Segundo a tricologista Juliana Souza, a queda difusa do cabelinho é bem comum nos primeiros meses de vida. Também é comum notar fios mais ralos na região occipital, na parte de trás da cabeça, devido ao atrito com o berço ou o travesseiro. Em geral, o quadro é esperado, transitório e apresenta recuperação espontânea, ou seja, sem necessidade de intervenção ou tratamento. Nesses casos, não deve haver nenhum outro sintoma além da perda capilar. Quando é hora de investigar É preciso atenção quando surgem sinais diferentes do padrão fisiológico. Entre os principais pontos de alerta estão: falhas localizadas ou placas sem cabelo; rarefação progressiva que aumenta com o tempo; vermelhidão, descamação, coceira ou crostas no couro cabeludo; fios muito quebradiços ou alteração na haste; queda persistente por vários meses sem recuperação. A especialista orienta que o pediatra deve ser o primeiro profissional procurado pela família. Porém, se houver um ou mais desses sintomas, é indicado o encaminhamento para avaliação com dermatologista ou tricologista que atende bebês e crianças.

O que o macaquinho Punch revela sobre vínculo e segurança?
Adaptação e Ambiente

O que o macaquinho Punch revela sobre vínculo e segurança?

A história de Punch, o filhote de macaco rejeitado pela mãe em um zoológico no Japão que passou a se agarrar a uma pelúcia, viralizou nas redes sociais. À primeira vista, a imagem parece apenas comovente. Mas, por trás do gesto, há um mecanismo profundo de adaptação emocional, que também vale para nós: a busca por segurança diante da perda. Para a neuropsicóloga e orientadora parental Juliana Selegatto, que atua com crianças e adolescentes na clínica Mental One, o episódio vai além da fofura e acaba expondo o desejo por proteção, algo central no desenvolvimento humano. “A cena evidencia uma necessidade básica do ser: sentir-se protegido. Diante da perda e da rejeição, o filhote procura algo que ofereça segurança e previsibilidade. Isso mostra como o vínculo não é apenas afetivo, mas também regulador das emoções, especialmente em fases iniciais da vida”, detalha a profissional. Em busca de estabilidade Assim como o macaquinho Punch buscou na pelúcia uma forma de se reorganizar diante da ausência materna, seres humanos recorrem a vínculos e recursos que tragam estabilidade emocional. Isso porque a necessidade de segurança não é secundária, mas essencial para o equilíbrio emocional. No caso de bebês e crianças pequenas, por exemplo, esse movimento pode se manifestar no apego a paninhos, ursinhos ou outros itens específicos. Embora, obviamente, eles não substituam os pais ou cuidadores, são como um apoio simbólico diante da separação. “Esses objetos funcionam como mediadores de conforto, ajudando a criança a lidar com a ausência ou a separação da figura de apego. Eles oferecem previsibilidade, acolhimento simbólico e auxiliam na autorregulação emocional”, explica Juliana. Apoio da Teoria do Apego A Teoria do Apego, do psicólogo e psiquiatra John Bowlby (1907-1990), também ajuda a compreender por que esse comportamento não é aleatório. O vínculo com uma figura cuidadora constitui a base de segurança e é a partir dela que o desenvolvimento emocional se organiza e a autonomia começa a surgir. De acordo com a especialista Juliana Selegatto, quando esse vínculo falha ou se rompe, o organismo tende a buscar alternativas para se regular, como o macaquinho de pelúcia abraçado carinhosamente pelo animal. O paralelo com bebês humanos é bastante direto, já que, nos primeiros meses, a presença dessa base de segurança é essencial para o desenvolvimento emocional saudável do pequenino. Vínculos ao longo da vida A história de Punch ilustra como a necessidade de vínculo atravessa toda a vida e influencia a forma como nos adaptamos ao ambiente. Afinal, a busca por segurança não desaparece com o crescimento, apenas assume novos formatos. “As experiências iniciais moldam a forma como confiamos, buscamos apoio e nos relacionamos. Quando o vínculo é seguro, ele favorece a autonomia. Porém, quando é frágil, tendemos a buscar compensações emocionais ao longo da vida”, observa a orientadora parental. Olhar com sensibilidade para comportamentos que, à primeira vista, podem parecer ‘estranhos’, é o conselho deixado pela neuropsicóloga. Muitas vezes, eles são tentativas legítimas de adaptação diante da perda, dos humanos e não humanos.

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