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Dor no calcanhar: produtos e cuidados para prevenir
Dores no calcanhar são mais comuns do que muita gente imagina, mas a boa notícia é que existem produtos que ajudam a preveni-las, bem como cuidados práticos que podem ser adotados. Quem nunca sentiu uma fisgada no calcanhar ao pisar de mau jeito? Enquanto para alguns pode ser uma sensação passageira, para outros, tais dores na região são sinônimo de problema, que pode ter diversas causas – desde inflamações até lesões por impacto. Segundo o ortopedista e traumatologista Paulo Ricardo Ferrari, do Hospital Albert Sabin de São Paulo (HAS-SP), as causas mais comuns incluem a fascite plantar, esporão calcâneo, tendinopatia do tendão de Aquiles, bursite retrocalcânea, fraturas por estresse e a síndrome do túnel do tarso. Alguns fatores aumentam o risco de sofrer com as dores na região, como: Uso de calçados inadequados; Prática de atividades de alto impacto, como corrida; Sobrepeso; Idade avançada; Sedentarismo. “O sobrepeso e a falta de fortalecimento nos músculos dos pés e tornozelos são agravantes comuns que favorecem a dor no calcanhar”, destaca o médico. No caso da assistente jurídica Dionísia Rueda, 24 anos, de Santo André, tudo começou com o incômodo no calcanhar. Logo depois, as dores se espalharam para o arco do pé, principalmente ao final do dia. Ela conta que levou a queixa ao especialista e foi diagnosticada com fascite plantar, agravada pela obesidade. Como prevenir dores no calcanhar Escolha calçados adequados. Priorize o conforto e o suporte, evitando solados duros e calçados de salto alto. Mantenha um peso saudável. O sobrepeso aumenta a carga nos pés e favorece a inflamação. Alongue-se regularmente. Isso ajuda a evitar o encurtamento muscular, um fator que contribui para a dor no calcanhar. Fortaleça os músculos dos pés e tornozelos. Exercícios específicos para essa região evitam lesões e melhoram o suporte dos pés. Evite atividades de impacto sem preparo. Esportes como corrida exigem tênis apropriados e preparação para evitar sobrecarga nos pés. Produtos também ajudam Palmilhas ortopédicas e calcanheiras de silicone são ideais para absorver o impacto e dar mais conforto. O ortopedista Paulo Ricardo Ferrari também indica faixas de compressão, dispositivos de alongamento e calçados específicos para atividades físicas, que oferecem mais suporte para quem pratica esportes de impacto. Mas não é só isso. É importante cuidar-se para não piorar. Ir ao médico quando perceber a dor é o primeiro de muitos passos. Mesmo depois da avaliação e indicação do tratamento mais adequado, é importantíssimo continuar cuidando dos calcanhares e pés, além de todos os outros fatores citados acima, que podem levar ao reaparecimento das dores e condições associadas. Após o diagnóstico, Dionísia Rueda passou a adotar algumas dessas medidas no seu dia a dia. “Parei de usar salto no escritório e comecei a usar sapatos confortáveis”, conta ela, que também está sendo acompanhada por uma nutricionista para controlar o peso e evitar que o problema seja agravado. “Tudo é difícil na prática, mas preciso cuidar disso para melhorar”, admite. Para quem sente dor no calcanhar, nunca é demais reforçar que buscar ajuda ao notar os primeiros sinais é fundamental. Medidas preventivas e atenção aos calçados fazem a diferença na rotina e ajudam a evitar problemas que podem afetar a mobilidade e a qualidade de vida. E um último lembrete: apenas o ortopedista poderá indicar o melhor caminho para cada caso.
Óleo essencial nos pés relaxa e combate problemas
Incluir óleos essenciais na rotina de cuidados com os pés pode ser mais benéfico do que você imagina. Além de hidratar e proporcionar relaxamento, eles combatem problemas comuns, como fungos, inchaços e dores, funcionando como uma alternativa terapêutica e prazerosa para manter os pés saudáveis. De acordo com a podóloga Maria José Duca Vasconcelos, especialista em podologia geriátrica e cuidados com pés diabéticos, da Levezi Beleza e Estética, o uso de óleos essenciais é bastante comum e altamente recomendado. “Os pés absorvem rapidamente os componentes ativos dos óleos, o que torna essa prática eficiente para o relaxamento e a saúde geral da região”, explica. Principais óleos essenciais para os pés Entre os óleos mais utilizados nos pés, Maria José destaca os seguintes: Lavanda: promove relaxamento, alivia dores musculares e auxilia na regeneração da pele; Melaleuca (Tea tree): possui ação antifúngica e antibacteriana, ideal para prevenir infecções; Hortelã-pimenta: refresca a pele, alivia inchaços e estimula a circulação sanguínea; Eucalipto: atua como relaxante muscular e tem propriedades antissépticas; Alecrim: revitaliza os pés e ajuda a melhorar a circulação. Motivos para incluir óleos na rotina Além de hidratar a pele, os óleos essenciais oferecem outros benefícios significativos – não só para os pés, mas para o corpo e o bem-estar de modo geral. Veja só: Prevenção de infecções, graças às propriedades antifúngicas e antibacterianas. Melhora a circulação sanguínea, o que os torna ideais para pés inchados ou cansados. Alívio de dores e desconfortos, ou seja, são excelentes para relaxar após longos períodos em pé ou praticando esportes. Relaxamento profundo, já que ajudam a reduzir o estresse e promovem bem-estar geral. Pele saudável e macia, uma vez que combatem o ressecamento, deixando os pés mais hidratados. Todo mundo pode usar? Segundo a podóloga Maria José Duca Vasconcelos, os óleos essenciais podem ser usados até em pés diabéticos, mas com algumas ressalvas: precisam ser diluídos em bases vegetais e devem ser evitadas áreas com feridas abertas. “É fundamental consultar um profissional antes, para avaliar o perfil individual”, ressalta. Além desse grupo, a especialista adverte que pessoas com sensibilidade ou histórico alérgico devem sempre testar o produto em uma pequena área, antes da aplicação completa. Outro detalhe: pode misturar óleos essenciais, sim! É possível combinar diferentes óleos para potencializar os benefícios, desde que sejam respeitadas as dosagens seguras e as combinações apropriadas. “Misturar lavanda com hortelã-pimenta proporciona um efeito relaxante e revitalizante ao mesmo tempo”, exemplifica. Apesar disso, adotar um único óleo essencial também traz resultados eficazes, levando-se em conta a necessidade de cada pessoa. Como usar óleos essenciais nos pés Antes de tudo, vale reforçar que os óleos essenciais não devem ser aplicados diretamente na pele, nem podem entrar em contato com olhos, nariz e boca. O ideal é diluí-los em um óleo carreador, ou seja, próprio para essa diluição, como óleo de coco, amêndoas ou semente de uva. Isso garantirá mais segurança e melhor absorção. Não tem segredo para o uso, segundo a podóloga: 1. Diluição: misture algumas gotas do óleo essencial em um óleo carreador; 2. Aplicação: faça uma massagem na planta dos pés, calcanhares e entre os dedos, sempre evitando unhas ou áreas lesionadas. Em relação à frequência, pode ser feito de 2 a 3 vezes por semana ou conforme orientação profissional. Para Maria José, os benefícios do uso de óleos essenciais vão além dos cuidados com os membros inferiores. “Os pés possuem diversos pontos reflexológicos que estão conectados a outros órgãos do corpo. Ao massagear essas áreas com óleos essenciais, promove-se não só a saúde dos pés, mas também o equilíbrio geral do organismo”, afirma.
Podologia ou podiatria? Saiba o que fazem e a quem procurar
A saúde dos pés pode ser cuidada por diferentes profissionais, mas é comum haver confusão sobre quem faz o quê. Por exemplo, qual é a diferença entre podologia e podiatria e em quais situações cada uma deve ser procurada? A principal distinção está na formação e no tipo de atuação, de acordo com a enfermeira Silvia Rangel, pós-graduada em podiatria clínica e especialista em pés diabéticos. Enquanto a podologia cuida da parte preventiva e menos complexa, a podiatria tem foco em diagnósticos e tratamentos de doenças. “O podólogo costuma ser requisitado para cuidados básicos e preventivos, como cortar unhas, retirar calosidades, orientar sobre higiene etc. Já o podiatra tem formação em saúde, diagnostica e trata doenças. Em países regulamentados isso é mais comum, mas, no Brasil, a especialização é geralmente feita por enfermeiros”, explica Silvia. Quando procurar cada profissional Se forem situações de rotina, como uma unha levemente encravada, alguns calos ou ressecamento da pele dos calcanhares, a recomendação é agendar um horário com o podólogo de sua confiança. Ele também poderá dar orientações e fazer a manutenção dos cuidados com os pés. A consulta com o podiatra fica para quando o problema é mais sério. “Costumamos brincar que o podiatra é quando a situação aperta. Ele é indicado para dor persistente, deformidade, lesões e doenças como diabetes, artrite ou neuropatia”, detalha a especialista na área. Vale lembrar que, no Brasil, a podiatria ainda não é regulamentada como profissão independente, diferentemente do que ocorre em países como Estados Unidos e Austrália. Aqui, ela é reconhecida como uma especialidade da enfermagem, após decisão do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) em 2023. Condições mais comuns Cada profissional tem áreas de atuação bem definidas. Como vimos, enquanto o podólogo cuida dos aspectos considerados preventivos e menos complexos, o podiatra lida com quadros clínicos mais sérios. Alguns exemplos são: Podólogo: calos e calosidades, fissuras superficiais, unhas encravadas, ressecamento e prevenção de micoses. Podiatra: pé diabético, joanetes, neuropatias, infecções, artrite e artrose. É imprescindível buscar informações sobre a capacitação de cada profissional, pois recorrer ao serviço inadequado pode trazer complicações, sobretudo em casos mais sérios ou complexos. “Se o paciente precisa de avaliação clínica ou até cirurgia e procura apenas um cuidado estético, não vai adiantar. Isso pode trazer riscos, como no pé diabético, que parece simples, mas pode evoluir para infecção e até amputação”, alerta Silvia. Sinais de alerta É fundamental estar de olho em sinais de alerta dos pés – e, caso note algum deles, saber que o melhor a fazer é procurar pelos especialistas em podiatria. Anote alguns deles: Dor persistente; Dificuldade para andar; Deformidades ósseas visíveis; Feridas que não cicatrizam; Infecções graves ou recorrentes; Rigidez do membro; Alterações decorrentes do diabetes; Perda de mobilidade. O podiatra também pode realizar um encaminhamento para especialidades médicas, como o ortopedista, a depender da situação. Um cuidado que se soma A enfermeira reforça que podologia e podiatria devem trabalhar em uma constante atuação conjunta – afinal, não se trata de concorrência, mas integração. O primeiro é essencial na prevenção e no cuidado diário, enquanto o segundo tem foco no diagnóstico e tratamento clínico. Juntos, garantem o bem-estar estético e funcional e ajudam a resolver problemas mais complexos. “Uma não é superior à outra. O podólogo atua de forma preventiva e evita muitos problemas, enquanto o podiatra oferece suporte clínico e tratamentos para os casos graves”, finaliza Silvia.
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Sem cafuné! Por que meu filho evita meu carinho?
Nem sempre a criança quer colo, cafuné e carinho físico, e isso pode naturalmente gerar frustração nos adultos. O impulso imediato costuma ser interpretar a recusa como rejeição ou distanciamento afetivo. Mas não querer o toque não significa falta de amor. Muitas vezes, é apenas uma questão de comunicação emocional. Para compreender melhor esse comportamento, a psicóloga familiar Marcela Vincles aponta que a criança usa o corpo para expressar estados internos antes mesmo de explicar com palavras. Portanto, essa recusa pode indicar necessidade de autonomia, sobrecarga sensorial, cansaço, irritação, tentativa de autorregulação ou só preferência. “É um erro entender o gesto como rejeição ao adulto. A infância tem fases em que a autonomia corporal se intensifica. Oscilações no desejo de contato físico fazem parte do desenvolvimento saudável da identidade e dos limites”, justifica a profissional. É normal rejeitar carinho? Na verdade, sim! Entre dois e seis anos, a criança vive fases intensas de afirmação corporal e psicológica. Já na idade escolar, surge maior necessidade de privacidade. O desejo de contato físico pode variar conforme o momento, o humor e o contexto. Contudo, é importante saber diferenciar um limite saudável de possíveis sinais de alerta. Para isso, vale observar padrões. Limite saudável costuma ser: específico ao momento (“agora não”); flexível (aceita em outro momento); acompanhado de regulação emocional preservada. Sinais que merecem atenção: rigidez constante e generalizada; reação intensa ou desproporcional ao toque; mudanças bruscas ou regressão de comportamento; evitação corporal ampliada (banho, troca, abraço de pessoas seguras); medo intenso de pessoas específicas; alterações de sono ou alimentação; isolamento social significativo; irritabilidade constante ou tristeza persistente. Lembre-se: um “não” isolado não é problemático. Mas o conjunto de comportamentos pode indicar algo mais sério, com necessidade de avaliação e apoio profissional. Respeitar o “não” é importante A psicóloga familiar Marcela Vincles reforça que respeitar o limite corporal é a base do consentimento. Se o adulto ignorar a recusa, a criança pode aprender que seu corpo pertence ao outro e isso impacta na autoestima, segurança e percepção de limites. Reações como chantagem emocional, vitimização, imposição física, ridicularização ou insistência após a recusa tornam o limite um problema quando ele deveria ser parte do desenvolvimento saudável. O melhor caminho é sempre respeitar a decisão. “Quando o adulto transforma o ‘não’ em culpa, a criança aprende que dizer ‘não’ machuca as pessoas e pode começar a abandonar o próprio limite para manter o vínculo”, alerta a especialista. Afeto não é só toque Muitas crianças se sentem mais seguras com presença consistente do que com contato físico constante. Algumas alternativas que também geram conexão incluem: atenção exclusiva; brincar junto; olhar nos olhos; ouvir sem interromper; elogiar o esforço; conversar antes de dormir; criar rituais, como histórias ou músicas. Ensinar consentimento começa dentro de casa: peça permissão antes de abraçar, aceite o “não” sem drama, ensine a criança a pedir autorização para tocar os outros e mostre que adultos também têm limites corporais. Consentimento se aprende vivendo. Por fim, Marcela resume: “Uma criança que pode dizer ‘não’ para os pais é mais protegida no mundo. O cafuné é um gesto de afeto, mas o respeito é a base de tudo.”
Filho que brinca sozinho: o que você deve observar
Ver o filho brincando sozinho por um longo período pode dar um aperto no coração e até gerar preocupação sobre o comportamento ser ou não normal. Embora a dúvida seja frequente, isso costuma ser esperado em certas fases e não indica, necessariamente, uma dificuldade social. Observar os sinais certos é o melhor a fazer. Segundo o psicólogo Kaique Gomes, nas fases iniciais da infância, é esperado que a criança passe por momentos de brincar solitário ou apenas próxima de outras da mesma idade – etapas descritas pelas renomadas autoras e estudiosas Diane Papalia e Ruth Feldman como parte natural do desenvolvimento, antes de surgirem interações mais complexas. “O que precisa ser observado não é apenas o fato de a criança brincar sozinha, mas o contexto. Ela também interage quando convidada? Demonstra interesse pelo outro em algum momento? Quando isso acontece, estamos falando de autonomia, não de isolamento”, pontua o profissional. Autonomia, criatividade e autorregulação Além de ser comum, a brincadeira individual exerce um papel importante no desenvolvimento cognitivo e emocional dos pequeninos. Isso porque o próprio ato de brincar é um dos principais motores do progresso infantil. Kaique observa que, quando a criança se entretém sozinha, ela organiza o pensamento, exercita a criatividade, resolve pequenos problemas e treina a capacidade de foco e concentração. Sem contar que é esperado que ela também brinque em grupos, faça contato visual e compartilhe descobertas espontaneamente com os adultos. “Existe um ganho emocional importante: nesse processo, a criança aprende a lidar com pequenas frustrações e descobre que consegue se autorregular. Isso fortalece a autonomia, a autoconfiança e a capacidade de explorar o ambiente com segurança”, afirma o psicólogo. Sinais de dificuldade Também no contexto educacional o brincar sozinho costuma ser entendido como parte do desenvolvimento. A psicopedagoga e pesquisadora da infância Adelir Marinho defende que não existe apenas um único jeito de se entreter e que a brincadeira livre faz parte do repertório saudável das primeiras fases de vida. Mas vale a atenção dos responsáveis. A mediação do educador passa a ser necessária quando essa se torna a única forma de brincar e não há variação nas atividades ou interação com outras crianças ao longo do tempo. Evitar contato, responder pouco ou não compartilhar interesses são sinais que merecem atenção. Nesses casos, o papel do professor não é forçar a socialização, mas criar condições e oportunidades reais de participação e pertencimento no grupo. Do contrário, não há problema algum. “Muitas vezes, é justamente nesses momentos de solitude que a criança desenvolve regulação emocional, atenção sustentada, memória, planejamento e resolução de problemas, além de ampliar o pensamento simbólico”, destaca a especialista em Neurociência, Educação e Desenvolvimento Infantil. O ambiente e a observação dos adultos Ambientes organizados e acolhedores favorecem tanto a brincadeira individual quanto a coletiva. Espaços acessíveis, com materiais diversos e compartilháveis, estimulam diferentes formas de interação e ampliam oportunidades de aprendizagem, conforme explica a pedagoga Adelir Marinho. Isso porque, ao explorar objetos e brinquedos de maneira independente, a criança cria novas funções para eles, inventa narrativas, estabelece regras próprias, enfrenta obstáculos e ajusta estratégias. Esse processo envolve também avaliar resultados e flexibilizar ideias, habilidades importantes para o desenvolvimento cognitivo. Por isso, a orientação para as famílias é observar o comportamento de forma global. Brincar sozinho ocasionalmente é normal e faz parte do desenvolvimento, enquanto padrões persistentes de isolamento, sofrimento evidente ou dificuldades amplas de interação social com atrasos de linguagem merecem atenção. “Ofereça oportunidades de convivência sem imposição, acompanhe com presença e intervenha apenas quando houver sinais consistentes de dificuldade”, recomenda a educadora.
O dia a dia da escola visto pelas crianças: entenda como é
Para compreender o que acontece na escola, muitas vezes é preciso tentar enxergar a rotina pela perspectiva da própria criança. Quando os pais fazem esse exercício, conseguem perceber emoções, desafios e pequenas conquistas que ajudam a entender melhor como o dia escolar é vivido. A professora de Educação Infantil Brenda Azevedo, especialista em Neuroeducação, explica que compreender a escola a partir do olhar do pequeno ajuda os pais e cuidadores a reconhecer sentimentos e vivências que, muitas vezes, acabam passando despercebidos pelos adultos. “A experiência escolar não é vivida com o olhar adulto, mas com o corpo e as emoções da criança. Se tentarmos compreender essa perspectiva, conseguimos validar sensações, medos e descobertas que, para nós, podem parecer pequenos, mas para ela são enormes”, observa a educadora. Tudo muda na infância em grupo Ao sair de casa e passar parte do dia em um ambiente coletivo, a criança entra em um espaço onde precisa dividir atenção, brinquedos, tempo e até o próprio ambiente. Esse novo contexto exige habilidades novas, como espera, escuta e convivência, o que representa um importante exercício emocional e social. Com isso, alguns momentos da rotina acabam sendo especialmente marcantes para ela, ainda que passem despercebidos pelos adultos, como: a despedida na porta da escola; o momento da alimentação; o horário do sono; o tom de voz da professora; quem se senta ao lado na roda ou na mesa. Brenda ainda lembra que, para crianças pequenas, a previsibilidade da rotina tem papel fundamental nesse processo. Quando sabem o que vai acontecer ao longo do dia, elas se sentem mais seguras e conseguem compreender melhor o ambiente escolar. Pequenos acontecimentos Esses detalhes aparentemente simples ajudam a organizar emocionalmente a experiência na infância. Quem pegou o brinquedo que ela queria, o livro escolhido para a leitura ou até o abraço de despedida de um colega pode ter grande significado. Além disso, a professora infantil Brenda Azevedo destaca que, muitas vezes, o momento preferido de uma criança nem sempre é o que a família imagina. Enquanto alguns gostam de brincar no parque, outros podem se sentir especiais ao participar como ajudantes do dia ou ao ouvir a leitura de uma história. “Se a criança se sente segura com o adulto de referência, ela consegue elaborar melhor a separação e as frustrações. Muitas vezes, essas emoções aparecem no corpo, com choro, mais agitação ou silêncio”, diz a especialista. E se não tiver choro? Nesses casos, nem sempre indica uma adaptação tranquila. Pode ser também uma inibição e, nesse contexto, o apoio parental é essencial para nomear os sentimentos. Como se aproximar desse universo Em casa, a forma como os familiares conversam sobre a escola pode ajudar o pequenino a compartilhar mais sobre o que viveu. Em vez de perguntas diretas que soam como interrogatório, comentários afetuosos costumam abrir espaço para que fale no próprio tempo. Quando a resposta vem apenas como “foi legal” ou “não sei”, isso também pode indicar cansaço ou dificuldade de organizar a experiência em palavras. Algumas estratégias simples podem ajudar nesse diálogo: comentar que pensou nela durante o dia; imaginar situações da rotina escolar; perguntar sobre as brincadeiras ou colegas; valorizar pequenas conquistas; criar rituais, como um abraço de despedida ou frases repetidas; ter um momento de acolhimento ao voltar da aula. Alterações no sono, no apetite ou nas brincadeiras podem revelar como a experiência escolar está sendo vivida pela criança. “Muitas vezes, durante o brincar em casa, a criança reproduz situações vividas na escola. Observar esses sinais ajuda a compreender como o dia foi elaborado internamente”, orienta Brenda.

