Quando começa a dar uma coceirinha ou uma leve sensação de ardência entre os dedos do pé, é preciso agir rápido para tratar a frieira (também conhecida como pé de atleta).
Frieira é o nome popular da tinea pedis, uma infecção causada por fungos que se aproveitam da umidade entre os dedos do pé para se multiplicar.
“A associação entre calçado fechado, transpiração e calor cria o ambiente propício para a proliferação dos fungos”, explica Armando Bega, podólogo responsável pelo Instituto Científico de Podologia, presidente da Associação Brasileira de Podólogos e especialista em Podiatria.
O problema é que, se a infecção não for tratada, ela avança. A coceirinha pode virar uma descamação que deixa a região em carne viva. Além disso, a frieira é contagiosa e transmissível pelo contato da pele com toalhas, tapetes, meias e outros objetos, além do piso do chuveiro.
Como tratar a frieira
Os primeiros sintomas da frieira são uma leve coceira e sensação de ardor ou queimação entre os dedos dos pés. “Esses já são indícios do início da infecção”, ressalta Rosangela Schwarz, enfermeira habilitada em Podiatria e membro da diretoria da Associação Brasileira de Enfermeiros Podiatras (ABENPO). Nessa fase inicial, é bom procurar um(a) enfermeiro(a) podiatra para iniciar o tratamento.
Se a frieira não for tratada, o avanço da infecção será percebido pela vermelhidão mais intensa e por rachaduras na pele, que também pode ficar mais “escamosa” e descascar. Nesse caso, é preciso tratar a região com uma pomada antifúngica receitada por um(a) especialista.
Quando a infecção chega à fase mais avançada, a pele fica esbranquiçada e úmida (especialmente na região do dedinho) ou até em carne viva, e é necessário tomar remédios antifúngicos via oral.
“O fungo demora para sair do nosso organismo; então, é preciso fazer o tratamento recomendado por 30 dias, mesmo na fase inicial”, afirma Schwarz. “A pele leva 28 dias para recompor todas as suas camadas.”
Cuidados durante o tratamento
Durante o tratamento, alguns cuidados devem ser tomados para não piorar o quadro e para não transmitir a doença. Depois do banho, o ideal é secar os pés com uma toalha pequena, de preferência descartável. Se não puder, use uma toalha menor e lave-a logo depois de usar.
Para fazer essa descontaminação, Schwarz recomenda misturar um copo de 200 ml de vinagre 6% (que não é o de cozinha) à água da lavagem. “O ácido acético tem um grande poder de eliminar fungos”, completa.
As meias também requerem um cuidado especial para não contaminar as outras roupas na lavagem. A dica de Schwarz é lavá-las separadamente ou deixá-las de molho nessa solução de água e vinagre antes de colocar na máquina com outras peças.
Bega recomenda usar calçados e meias feitos de tecidos “respiráveis”, que absorvam o suor. “Evite o uso prolongado de calçados de tecido sintético. Eles fazem o pé transpirar mais, não absorvem a transpiração e estão mais associados aos casos de frieira, inclusive à dificuldade de tratá-las”, explica.
O mesmo vale para as meias, que devem ser trocadas todos os dias. “Meias de algodão absorvem a transpiração, dificultam a proliferação de fungos e ajudam a manter os pés secos”, completa o especialista.
Para não transmitir a doença, higienize o boxe com vinagre a 6%, troque com mais frequência o tapete do banheiro e não compartilhe toalhas, meias e calçados com outras pessoas.
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Mau cheiro nos pés pode indicar fungos ou bactérias
O famoso chulé costuma ser associado apenas ao suor, mas essa nem sempre é a única explicação para o problema. Em alguns casos, o mau cheiro também pode estar relacionado à presença de fungos ou bactérias. A micose é um dos exemplos citados pela dermatologista Bhertha Tamura. A condição tem origem fúngica e pode provocar um odor bem desagradável na região. “Também pode ocorrer por uma tendência à contaminação por bactérias. Elas se proliferam com facilidade em quem apresenta excesso de suor nos pés", explica a especialista. Um ambiente perfeito Suor e umidade criam um ambiente favorável para a proliferação de fungos e bactérias. Não por acaso, os pés costumam reunir essas condições sobretudo ao permanecerem por muitas horas dentro de calçados fechados. A médica costuma dizer que os micro-organismos "adoram" esse tipo de ambiente. Por isso, além de tratar o problema quando ele aparece, é importante modificar as condições para dificultar sua proliferação. As dicas incluem: manter a higiene dos pés em dia; higienizar e alternar os calçados, evitando usar o mesmo par todos os dias; dar preferência a sapatos abertos; usar meias que absorvam a umidade e trocá-las sempre; aplicar talco, sempre que possível. Prevenção faz parte do tratamento Embora o chulé possa incomodar bastante, o objetivo não deve ser apenas combater o odor, mas prevenir esse aparecimento. Para isso, é fundamental reduzir a umidade dos pés e dos sapatos, além de manter a higiene em dia. Mas quando essas medidas não são suficientes ou o mau cheiro persiste, a orientação é procurar um dermatologista para investigar a causa e indicar o tratamento mais adequado para cada situação. Não ignore o mau cheiro A médica Bhertha Tamura chama atenção para sinais que podem surgir junto ao mau odor, como alterações na cor do próprio suor ou pequenas depressões bacterianas na pele. Alguns casos podem exigir antibióticos ou antifúngicos. “O momento de procurar ajuda é quando o problema passa a incomodar o próprio paciente. Ou, para os mais distraídos, quando alguém acabar avisando”, brinca a especialista.
Pés dão pistas sobre doenças; veja os sinais mais comuns
Dor, inchaço, mudanças na cor da pele e perda de sensibilidade nos pés nem sempre indicam apenas um problema localizado. Essas alterações também podem estar relacionadas a condições que afetam outras partes do organismo. O médico clínico e cirurgião geral Anderson Oliveira lembra que os pés estão entre as regiões menos observadas no dia a dia. No entanto, infecções, edemas, fissuras e mudanças estruturais na base do corpo podem fornecer pistas importantes sobre o estado de saúde. “A observação regular dos pés pode ajudar a identificar precocemente alterações importantes. Isso é especialmente relevante para pessoas com diabetes, doenças vasculares ou outras condições crônicas”, salienta. Condições que podem se manifestar nos pés A localização, o tipo de dor e os sintomas associados ajudam a orientar a investigação. Confira algumas condições que podem provocar alterações nos pés e qual especialista procurar em cada caso, de acordo com o médico. [caption id="attachment_5745" align="alignnone" width="780"] O que os pés revelam sobre a sua saúde[/caption] DIABETES O que afeta: dedos, planta dos pés e calcâneo. Como se manifesta: queimação e fisgadas no início; em casos avançados, pode haver perda de sensibilidade. Rachaduras, ressecamento, calosidades e deformidades dos dedos também podem surgir. Sintomas associados: aumento da urina, da sede e da fome e, em situações de descompensação glicêmica importante, tonturas. Qual médico procurar: endocrinologista. DOENÇA RENAL Onde afeta: ambos os pés; quando há desconforto, ele pode aparecer nos tornozelos e no dorso. Como se manifesta: sensação de peso e inchaço bilateral. Sintomas associados: progressão do edema para pernas e coxas, inchaço nas pálpebras e redução da quantidade de urina. Qual médico procurar: nefrologista. DANO NERVOSO Onde afeta: dedos, calcâneo e dorso dos pés. Como se manifesta: formigamento e dormência, que podem evoluir para a sensação de pequenos choques elétricos. Sintomas associados: fraqueza muscular, redução dos reflexos dos tendões e, em casos avançados, atrofia muscular. Qual médico procurar: neurologista. Quando a neuropatia estiver relacionada ao diabetes, o acompanhamento com endocrinologista também é importante. VARIZES OU INSUFICIÊNCIA VENOSA Onde afeta: tornozelos e região dos pés. Como se manifesta: peso, inchaço, desconforto e queimação. Sintomas associados: edema dos membros inferiores, tromboflebite, trombose venosa e escurecimento crônico da pele, chamado dermatite ocre. Qual médico procurar: cirurgião vascular. INFECÇÕES Onde afeta: diferentes regiões dos pés, incluindo pontas dos dedos e calcâneos. Como se manifesta: dor, queimação e, dependendo do quadro, dor lancinante. Sintomas associados: febre, mal-estar e outros sinais sistêmicos. Qual médico procurar: clínico geral, que poderá encaminhar o paciente conforme a causa e a gravidade. GOTA Onde afeta: a articulação na base do dedão (também chamado hálux), principalmente. Como se manifesta: dor intensa em pontada ou fisgada, vermelhidão e inchaço. As crises podem piorar à noite e evoluir com rigidez articular. Sintomas associados: dores nas articulações, edema, sintomas febris e tofos gotosos. Qual médico procurar: reumatologista. FASCITE PLANTAR Onde afeta: planta do pé, especialmente a região do calcâneo. Como se manifesta: fisgada ou queimação, geralmente mais intensa nos primeiros passos após períodos de repouso. Fatores associados: sobrepeso, sedentarismo e falta de alongamento. Qual médico procurar: ortopedista. DOENÇA CARDÍACA Onde afeta: tornozelos e pés, principalmente. Como se manifesta: sensação de peso provocada pelo edema, que pode deixar uma depressão na pele após a pressão com o dedo. Sintomas associados: cansaço, mal-estar, falta de ar durante esforços e dificuldade para respirar ao deitar. Qual médico procurar: cardiologista. ARTRITE REUMATOIDE Onde afeta: antepé e articulações dos dedos. Como se manifesta: inchaço, dor e rigidez, frequentemente nos dois pés. Sintomas associados: nódulos reumatoides, fadiga, febre baixa e, em alguns casos, perda de peso. O ressecamento dos olhos e da boca pode aparecer quando há condições associadas, como a síndrome de Sjögren. Qual médico procurar: reumatologista. ANEMIA Onde afeta: os sintomas não costumam se restringir a uma região específica dos pés. Como se manifesta: depende do tipo de anemia. Na ferropriva, predominam cansaço, fraqueza e indisposição; na deficiência de vitamina B12, podem ocorrer formigamentos e alterações neurológicas; e, na anemia falciforme, crises vaso-oclusivas podem causar dor intensa em diferentes regiões. Sintomas associados: cansaço, fraqueza, indisposição, desânimo, palidez e dificuldade de concentração. Qual médico procurar: hematologista. INFECÇÕES POR FUNGOS Onde afeta: entre os dedos, na lateral e na planta dos pés. Como se manifesta: coceira, descamação, fissuras e, em alguns casos, dor ou ardência. Sintomas associados: fissuras podem facilitar infecções bacterianas secundárias. Febre ou dor intensa exigem avaliação para descartar complicações. Qual médico procurar: dermatologista. DEFICIÊNCIA DE VITAMINAS Onde afeta: extremidades do corpo, incluindo pés e dedos. Como se manifesta: formigamento, dormência e alterações de sensibilidade, de acordo com a deficiência e sua gravidade. Sintomas associados: fraqueza, alterações ósseas, dores, manifestações neurológicas e mudanças cognitivas. A falta de vitamina B12 pode causar neuropatia periférica. Qual médico procurar: clínico geral ou nutrólogo, com encaminhamento conforme a causa. Sinais que exigem ainda mais atenção O médico Anderson Oliveira esclarece que o inchaço pode aparecer ao final do dia em quem passa muitas horas em pé. Mas, se o sintoma persistir por mais de 24 horas ou deixar uma depressão na pele após a pressão com o dedo, pode estar relacionado a alterações cardiovasculares ou renais e merece avaliação. Mudanças de coloração também devem ser observadas. “O escurecimento da pele pode estar associado à insuficiência venosa crônica, enquanto palidez e alterações de temperatura ou cor acompanhadas de dor ao caminhar podem sugerir comprometimento arterial”, alerta o cirurgião. Já pele enegrecida, secreção, mau odor ou outros sinais de infecção exigem atendimento urgente. Por isso, a dica é observar regularmente a planta dos pés, os espaços entre os dedos e os cantos das unhas.
Unha esfarelando sempre indica micose? Descubra
Quando uma unha começa a esfarelar, é comum pensar imediatamente em micose. Embora esta seja uma das causas mais frequentes, está longe de ser a única. Doenças dermatológicas, traumas e até problemas de saúde entram nessa lista e merecem ser investigados. De acordo com a dermatologista Carolina Malavassi, da plataforma INKI de consultas médicas, as unhas esfarelando não devem ser interpretadas automaticamente como uma infecção fúngica. Por isso, o diagnóstico correto é fundamental para evitar tratamentos inadequados e identificar a verdadeira origem do problema. “Além da onicomicose, que é a micose das unhas, outras condições podem causar alterações semelhantes, como psoríase, líquen plano, traumas repetitivos, algumas deficiências nutricionais e até tumores, como o carcinoma espinocelular e o onicomatricoma”, esclarece a especialista. Como identificar micose nas unhas Não adianta considerar apenas o esfarelamento como sinal de infecção fúngica. A médica explica que a micose costuma provocar um conjunto de alterações que ajudam a diferenciar o quadro de outros problemas dermatológicos, como: descoloração da unha, que pode ficar amarelada, esbranquiçada, acastanhada, esverdeada ou escura; espessamento da lâmina ungueal; descolamento da unha do leito ungueal (onicólise); perda de brilho; fragilidade e quebra com facilidade; deformidades, sulcos e superfície irregular; odor desagradável, em alguns casos. Além disso, em situações mais avançadas, a infecção pode causar manchas brancas, inflamação ao redor da unha e destruição significativa da sua estrutura. Risco maior de desenvolver micose As unhas dos pés são as mais afetadas porque os fungos encontram condições favoráveis para se multiplicarem em ambientes úmidos, escuros e pouco ventilados, como as meias e os sapatos. Outros fatores associados ao desenvolvimento da onicomicose incluem traumas repetitivos nas unhas, frieira, idade avançada, diabetes, imunossupressão, doença vascular periférica e exposição frequente a áreas de piscinas, vestiários e chuveiros públicos. “A onicomicose tende a progredir quando não é tratada. Com o tempo, pode se espalhar para outras unhas, causar dor, dificultar o uso de calçados e favorecer infecções bacterianas secundárias, especialmente em pessoas com diabetes ou imunidade comprometida”, alerta a dermatologista Carolina Malavassi. Diagnóstico e tratamento A aparência da unha, sozinha, não é suficiente para confirmar uma micose. O diagnóstico começa com a avaliação clínica e pode ser complementado por exames como o micológico direto (cultura para fungos) e, em alguns casos, a análise histopatológica de fragmentos da unha. Já o tratamento varia conforme a gravidade do quadro: Casos mais leves podem ser tratados com esmaltes antifúngicos, soluções ou cremes; As infecções mais extensas costumam exigir medicamentos orais, que precisam de acompanhamento médico. Em algumas situações, terapias combinadas podem aumentar a eficácia do tratamento. Para prevenir a micose, a especialista recomenda manter os pés sempre limpos e bem secos, usar calçados ventilados, trocar as meias regularmente, não compartilhar itens pessoais, utilizar chinelos em ambientes úmidos de uso coletivo e garantir que instrumentos de manicure e pedicure sejam esterilizados adequadamente.
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