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Calcanhar rachado pode indicar má circulação. Entenda!
Calcanhar Rachado

Calcanhar rachado pode indicar má circulação. Entenda!

O calcanhar rachado é um problema comum, mas nem sempre está ligado a questões estéticas. Em alguns casos, a situação se manifesta devido a alterações circulatórias, especialmente quando o sangue não chega adequadamente aos pés. É importante lembrar que a má circulação afeta a nutrição da pele, reduz a regeneração e aumenta o risco de feridas que demoram a cicatrizar. O cirurgião vascular Joé Sestello, diretor-presidente da Unimed de Nova Iguaçu, observa que a circulação arterial insuficiente pode se manifestar por sinais visíveis nos pés, como as tão conhecidas fissuras nos calcanhares. “Quando o fluxo de sangue diminui, a pele tende a ficar ressecada, descamativa e sem pêlos. As unhas se tornam mais frágeis e o calcanhar pode apresentar rachaduras profundas”, explica o médico. Sinais de alerta no calcanhar e nos pés No entanto, o ressecamento causado por má circulação geralmente vem acompanhado de outros sintomas, que denunciam a provável causa. Nesse sentido, o especialista orienta observar se há: Perda de pelos nos pés e pernas; Unhas enfraquecidas e quebradiças; Coloração pálida ou azulada nos dedos; Dor ou sensibilidade aumentada ao caminhar; Aspecto mais fino ou sem gordura na sola dos pés. Essas manifestações indicam que a pele não está recebendo oxigênio e nutrientes suficientes, o que pode favorecer o surgimento de fissuras e feridas por questões circulatórias. Grupos mais vulneráveis De acordo com Sestello, algumas condições elevam o risco de comprometimento vascular. “As pessoas mais predispostas são fumantes, diabéticas, sedentárias e aquelas com colesterol ou triglicerídeos altos. Quem tem inchaço crônico nas pernas também precisa redobrar a atenção”, alerta. Em todos esses casos, a má circulação pode agravar machucados e dificultar a cicatrização. “Qualquer rachadura ou ferida no pé pode piorar quando há deficiência no fluxo sanguíneo”, completa o médico. É ressecamento comum ou vascular? Saber diferenciar a causa da área ressecada e rachada é o pontapé para o diagnóstico. Deve-se prestar atenção, por exemplo, se o ressecamento estético costuma ser superficial, melhorando com hidratação e esfoliação. Já o de origem circulatória vem acompanhado daqueles outros sinais físicos e até sensação de dor. Nessas situações, é importante buscar avaliação especializada, uma vez que a origem do problema pode estar relacionada à insuficiência arterial. A condição exige tratamento específico e imediato para restaurar o fluxo sanguíneo. Cuidados na prevenção Manter a circulação ativa é essencial para evitar tanto as rachaduras quanto as complicações vasculares. Alguns hábitos simples fazem diferença no dia a dia: Hidratar os pés diariamente, com produtos suaves e sem fragrância; Evitar calçados apertados e que causem atrito; Não manipular feridas nem fazer automedicação; Praticar atividades físicas leves e regulares; Manter uma alimentação equilibrada e hidratação adequada. O especialista reforça que, ao escolher cremes ou loções, é preciso cautela. “Alguns hidratantes contêm fragrâncias ou substâncias irritantes. O ideal é buscar orientação médica antes de aplicar qualquer produto na pele.” Quando procurar um vascular O cirurgião vascular Joé Sestello ressalta que a avaliação médica é fundamental quando há dor ao caminhar ou cansaço nas pernas. “Se a pessoa precisa parar ao andar por dor na panturrilha, coxa ou glúteo, e nota pele pálida, unhas quebradiças e ausência de pelos, pode haver comprometimento arterial”, enfatiza. Por essa razão, a atenção precoce ajuda a evitar que rachaduras simples evoluam para feridas difíceis de serem tratadas.

Disco Ball Nails: tendência leva brilho das pistas para as unhas
Unhas e Esmaltação

Disco Ball Nails: tendência leva brilho das pistas para as unhas

As disco ball nails, ou unhas espelhadas, chegaram aos salões de beleza como uma das nail arts mais interessantes do momento. Inspirada nas clássicas bolas de espelho das discotecas, a tendência aposta em pequenos quadrados ou círculos espelhados para criar um efeito de mosaico cheio de brilho e personalidade. O visual conversa com a volta dos acabamentos metalizados e de referências dos anos 1970 e da estética Y2K, que vêm (re)aparecendo na moda. O resultado é uma manicure que chama atenção pelo reflexo da luz e transforma as unhas em protagonistas da produção, com diversão e movimento. Para a nail designer Andreza Nogueira, o sucesso da tendência acompanha uma mudança na forma como as pessoas enxergam a beleza. "As mulheres querem que as unhas sejam um acessório do look, chamem atenção e sejam criativas para fotografar e postar", afirma. Das passarelas para o salão A popularidade das disco ball nails mostra como as tendências circulam rapidamente entre passarelas, influenciadoras e clientes. Assim, aquilo que ganha destaque na internet logo passa a inspirar pedidos nos salões de beleza. Esse movimento específico não acontece apenas com as unhas: roupas, maquiagem e acessórios também acompanham o retorno de elementos metalizados, brilho intenso e a estética das décadas passadas, que voltaram com força nos últimos anos. A profissional ainda destaca que muitas clientes chegam ao atendimento já com referências salvas no celular. Só que, em vez de reproduzir exatamente igual, costumam adaptar a proposta ao próprio estilo, com outras cores e formatos. “Isso fez com que essa nail art deixasse de ser exclusiva de ocasiões especiais e passasse a inspirar também produções para o dia a dia”, observa Andreza Nogueira. Um mosaico que exige precisão Apesar do visual divertido, a execução da técnica exige bastante cuidado. O processo começa com a preparação das unhas, seguida da esmaltação em gel na cor escolhida pela cliente – normalmente metalizada – e da secagem na cabine. Depois, as minilantejoulas ou quadradinhos espelhados são aplicados um a um para formar o efeito de mosaico. A finalização é feita com uma camada de top coat (esmalte finalizador) e uma última sessão na cabine para garantir brilho e proteção. O maior desafio está justamente na aplicação das peças. Isso porque as lantejoulas ou quadradinhos não podem ficar sobrepostos nem mal fixados. Também é importante cuidar das bordas para que não fiquem áreas sem acabamento. Diferentes versões para cada estilo Embora o prata continue sendo o acabamento mais tradicional e o mais pedido, a tendência ganhou diversas releituras: versões holográficas, douradas, brancas e cor-de-rosa; aplicação sobre bases nude, leitosas ou coloridas; efeito apenas na francesinha; filha única com acabamento espelhado; poucas aplicações para um visual mais discreto. Para quem prefere um resultado mais elegante e versátil, a nail designer recomenda apostar em bases neutras, usar menos aplicações espelhadas ou concentrar o efeito em um só dedo de cada mão. “As unhas curtas e arredondadas também deixam a tendência mais sofisticada, sem perder o charme característico das disco ball nails”, finaliza.

Fascite pode virar esporão? Ortopedista esclarece
Esporão de Calcâneo

Fascite pode virar esporão? Ortopedista esclarece

A dor no calcanhar costuma ser associada a dois nomes bem comuns: fascite plantar e esporão do calcâneo. Apesar de muita gente achar que são coisas iguais, não significam exatamente o mesmo problema. Mas como ponto comum (e positivo) está a recomendação para ambos: quanto antes começar o tratamento, maiores são as chances de melhorar. O ortopedista Marco Aurélio Neves, especialista em medicina esportiva, explica que a fascite plantar é uma inflamação da fáscia, um tecido fibroso que funciona como uma faixa elástica, ligando o calcanhar aos dedos e sustentando o arco do pé. Além disso, é a causa mais comum de dor na sola do pé, sobretudo nos primeiros passos da manhã. Já o esporão do calcâneo é uma saliência óssea que aparece no osso do calcanhar como uma “pontinha” visível na radiografia. Essa associação entre os quadros acontece nesse momento: muitas vezes o esporão é confundido como origem direta do incômodo. Afinal, fascite e esporão têm relação? As duas condições podem estar relacionadas, mas não são sinônimos. O médico esclarece que o esporão pode aparecer em pessoas que têm ou já tiveram fascite plantar, como resultado de um processo de tração repetitiva na inserção da fáscia no osso. Mesmo assim, nem sempre ele é o causador da dor. Em casos crônicos, essa inflamação e tração contínuas podem estimular a formação de uma calcificação na região. “É como se o corpo tentasse reforçar a área com uma estrutura óssea extra, o que acaba criando o esporão”, descreve o especialista. Ainda assim, ter esporão não significa necessariamente que a pessoa teve fascite plantar. Isso porque nem sempre quem tem esporão sente dor. Então, o diagnóstico deve ser sempre clínico e não apenas baseado em exames de imagem. O esporão não muda o tratamento Em geral, o tratamento da fascite plantar continua sendo baseado em medidas conservadoras, como alongamentos, fisioterapia, mudanças no calçado e uso de palmilhas. Em quadros mais persistentes, podem ser considerados recursos como infiltrações ou ondas de choque. Onde entra o esporão nessa parte? A incidência só vai alterar a abordagem em casos raros, quando há dor muito localizada e resistente ao tratamento, associada a sinais clínicos de compressão. Por isso, é fundamental fazer acompanhamento médico. Fascite plantar pode virar quadro crônico O ortopedista Marco Aurélio Neves chama atenção para sinais de alerta que indicam evolução ou cronificação da doença, como: Dor que persiste por mais de 3 meses, mesmo com cuidados iniciais; Rigidez ao acordar que demora a melhorar; Dificuldade para caminhar por longos períodos; Dor que começa a incomodar também em repouso. Se notar um ou mais desses sinais, a orientação é não adiar a ida ao médico. Quanto antes as medidas forem iniciadas, mais rápida (e efetiva) será a recuperação. Tratamento e prevenção Considerando que as condições podem coexistir, a abordagem terapêutica deve levar em conta a necessidade de tratar a fascite plantar e, também, prevenir o esporão do calcâneo. Entre as principais medidas, o profissional destaca: Alongamentos diários da panturrilha e da fáscia plantar; Uso de calçados adequados, com bom amortecimento; Controle do peso corporal; Evitar longos períodos em pé em superfícies duras; Palmilhas ou órteses com orientação profissional; Fisioterapia com liberação miofascial, fortalecimento e reeducação postural. Lembre-se: se a dor persistir ou começar a incomodar até em repouso, é hora de buscar avaliação médica para tentar contornar a cronificação.

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Mesmo desafinada, a voz dos pais acalma o bebê
Músicas

Mesmo desafinada, a voz dos pais acalma o bebê

Não é preciso ter afinação nem conhecer um grande repertório. Para o bebê, a voz familiar de quem cuida pode ser mais reconfortante do que uma música executada com perfeição. Nessas horas, importa menos a técnica e mais a presença de quem canta. Repetido na rotina, o canto se associa ao colo, à segurança e ao acolhimento, fortalecendo o vínculo desde os primeiros meses de vida. A musicoterapeuta comportamental Michelle de Melo explica que, quando um adulto canta para o bebê, o momento favorece a liberação de substâncias relacionadas ao relaxamento, ao prazer e ao fortalecimento do laço afetivo. "Não se trata de performance. Trata-se de vínculo entre pais e bebê. A pessoa pode ser afinada ou desafinada: o que mais importa é essa interação, que também estimula o desenvolvimento da linguagem", destaca a especialista. Voz dos pais vale mais que playlist Mesmo uma música tecnicamente perfeita dificilmente vai substituir a voz de quem cuida do bebê. Isso porque ela faz parte da história da criança desde a gestação e vem acompanhada de muitos outros estímulos que nenhuma gravação pode reproduzir. Enquanto canta, o adulto também estabelece contato visual, embala o nenê, oferece colo, troca olhares e cria uma interação afetiva. É esse conjunto que torna a experiência tão aconchegante. É por isso que ouvir uma playlist pode até fazer parte da rotina, mas ela não é tão eficaz quanto a presença, o calor humano e a troca que acontecem quando alguém canta diretamente para o pequenino. Momentos em que vale cantar Segundo a especialista, a música pode acompanhar diferentes momentos do dia e ajudar a dar ritmo à rotina da criança. Assim, a proposta muda conforme a situação e não precisa ficar restrita à hora de dormir. Ela pode aparecer: durante as brincadeiras; na troca de fraldas; na hora das refeições; enquanto os brinquedos são guardados; no preparo para o sono, com canções mais lentas, luzes reduzidas e longe das telas. Quanto mais cedo esse contato acontecer, melhor. Os balbúcios que costumam surgir por volta dos cinco ou seis meses, por exemplo, fazem parte da exploração da própria voz e ajudam a construir, mais adiante, as primeiras palavras. Existe uma música certa? Não existe um repertório ideal. Algumas crianças gostam de cantigas infantis, enquanto outras se acalmam com músicas que já faziam parte da rotina da família durante a gestação. O mais importante é que aquela canção tenha significado para quem canta e seja compartilhada com presença e afeto. Por outro lado, as músicas infantis ainda podem ampliar o vocabulário, estimular gestos, favorecer a compreensão da linguagem e enriquecer as interações do dia a dia - o que não significa que elas sejam a única opção, lembre-se! "A voz mais bonita para o bebê é a voz dos pais e cuidadores. É essa voz que ele conhece desde a gestação e que fortalece o elo afetivo. O que faz diferença não é cantar perfeitamente, mas estar presente", conclui a musicoterapeuta Michelle de Melo.

Mala da maternidade cedo demais: organização ou ansiedade?
Mala da Maternidade

Mala da maternidade cedo demais: organização ou ansiedade?

Na reta final da gravidez, preparar a mala da maternidade costuma ser um marco simbólico. É quando a espera ganha forma concreta, com roupinhas dobradas e listas conferidas. Mas, quando essa mala fica pronta cedo demais, vale se perguntar o que esse gesto pode estar dizendo. A psicóloga Anastacia Brum explica que a mala vai muito além da função prática. Ela representa uma travessia silenciosa, marcando a passagem da mulher para a maternidade e organizando, junto aos itens do bebê, sentimentos e expectativas. “Ao dobrar cada roupinha, muitas gestantes tentam, de forma inconsciente, organizar também as próprias inseguranças. É nesse momento que o bebê idealizado começa a se transformar no bebê real”, avalia. Planejamento X medo Preparar a mala com antecedência não significa, necessariamente, ansiedade. Quando a tarefa acontece de forma tranquila, como parte do planejamento, tende a ser apenas organização mesmo. O sinal de alerta só aparece quando a mala passa a funcionar como uma tentativa de aliviar um medo constante. Nesse caso, alguns pensamentos costumam surgir durante o processo: E se o bebê nascer antes do previsto? E se algo importante for esquecido? E se eu não souber o que fazer? E se algo sair do controle? No fundo, a mala pode ser uma forma concreta de tentar responder a uma pergunta mais profunda da gestante: será que vou dar conta? Junto da expectativa e da alegria, pode surgir também uma sensação de despedida da vida anterior, da autonomia e do controle que já não serão os mesmos. Quando a preparação gera tensão “Existe, sim, uma relação entre a mala pronta cedo demais e o medo de perder o controle. O parto é, por natureza, imprevisível e, mesmo com planejamento, há aspectos que fogem ao domínio da mãe”, aponta a psicóloga Anastacia Brum. Assim, se tudo é preparado muito antes e revisado repetidamente, pode indicar uma tentativa de organizar o que está à mão para compensar a sensação interna de incerteza. Diante disso, cabe um alerta: se gera sofrimento, não é algo saudável. Para identificar se é hora de buscar ajuda psicológica para lidar com a ansiedade, a orientação da profissional é observar alguns sinais de alerta, como: pensamentos sobre o parto que ocupam grande parte do dia; dificuldade para dormir por preocupação; irritabilidade frequente; necessidade constante de confirmação de que tudo está certo; sensação permanente de urgência; crises de choro constantes; pensamentos catastróficos persistentes; taquicardia ou falta de ar recorrente; histórico prévio de ansiedade ou depressão. Expectativa sem sobrecarga Segundo Anastacia, é importante validar as emoções da mãe sem deixar que os sentimentos dominem. Isso porque o medo não precisa desaparecer para dar lugar à sensação de ser capaz, uma vez que eles podem coexistir. Algumas estratégias simples podem ajudar a gestante a viver esse momento com mais equilíbrio: Limitar o tempo de pesquisa sobre parto e possíveis complicações. Definir uma data para preparar a mala e evitar mexer no que foi separado. Conversar abertamente sobre medos reais com o obstetra. Praticar respiração consciente e prestar atenção ao corpo. “A mala pronta cedo demais não fala apenas do parto, mas da história dessa mulher. Pode refletir perdas anteriores, tentativas frustradas ou uma necessidade antiga de controle como forma de se sentir segura. Compreender essas camadas ajuda a atravessar essa fase com mais consciência e menos julgamento”, conclui a psicóloga.

“Eu faço sozinho”: o que essa fase revela sobre seu filho
Transições e Fases

“Eu faço sozinho”: o que essa fase revela sobre seu filho

Entre a pressa do adulto e a descoberta da criança, nasce um dos momentos mais intensos da primeira infância: a fase do “eu faço sozinho”. Comer, vestir ou guardar brinquedos deixam de ser apenas tarefas e passam a representar autonomia quando os pequenos adotam essa frase. Sabemos, porém, que quando o relógio aperta, o desejo de independência pode virar tensão. A analista administrativa Jennifer Cristina percebeu essa mudança logo após a filha iniciar na creche. A menina passou a querer repetir em casa o que fazia na escola, especialmente na hora da comida. Prestes a completar 3 anos, surpreendeu: pegou o pote de brócolis da geladeira, abriu e começou a comer sozinha, no tempo dela. No entanto, essa diferença de ritmo entre os adultos pode causar uma certa tensão. “O pai dela acha mais fácil cortar e dar na boca para ser mais rápido. Eu defendo que ela precisa dessa autonomia e quero que faça no tempo dela, mesmo quando estou cansada do trabalho”, diz a mãe. O que significa o “eu faço sozinho” A psicóloga Thamiris Camargo, que atende crianças da primeira infância na Clínica Revitalis, explica que essa fase é marcada pelo desejo intenso de agir por conta própria. Ela surge com força entre 1 ano e meio e 3 anos, quando a criança começa a se perceber como um sujeito separado do adulto. “O ‘eu faço sozinho’ é, no fundo, um ‘eu existo’”, explica a profissional. Assim, essa etapa se caracteriza por atitudes como: tentativa de realizar ações sem ajuda, mesmo sem coordenação suficiente; insistência em tarefas ligadas ao próprio corpo e ao ambiente; resistência quando o adulto interfere rapidamente; necessidade de experimentar causa e efeito. Cognitivamente, a criança já compreende que, ao tentar fazer sozinha alguma atividade, algo sempre vai acontecer. Pelo lado emocional, tal manifestação constrói identidade, autoestima e senso de competência. Quando o adulto permite a tentativa, a mensagem é de confiança; quando impede constantemente, pode transmitir insegurança. Em que ações essa fase aparece mais O desejo de autonomia costuma surgir nas tarefas que envolvem o próprio corpo e o controle do ambiente, como: comer sozinho, mesmo que derrube comida; tentar vestir ou tirar a roupa; escovar os dentes; guardar brinquedos; subir escadas. Não se trata apenas de prática diária, mas de algo simbólico. Ao realizar essas ações, a criança experimenta domínio sobre si mesma e o espaço ao redor, fortalecendo a noção de autoria e iniciativa. A especialista em comportamento infantil ainda reforça que não é uma birra do pequeno. “Isso gera um conflito de tempos, porque o adulto vive no relógio, enquanto a criança está na experiência”, justifica. Por que isso gera tanta tensão O conflito nasce justamente porque os ritmos são diferentes. Os pais e cuidadores têm horários a cumprir, enquanto as crianças precisam sentir que são capazes de fazer aquilo, independentemente do tempo. Essa tensão aumenta quando autonomia e pressa se encontram. Para a psicóloga Thamiris Camargo, equilibrar incentivo e organização familiar exige escolhas realistas. Nem sempre será possível permitir que a criança faça tudo sozinha, especialmente quando há compromissos a cumprir. O importante é estar ciente que, reconhecer isso não significa falhar. Como incentivar sem transformar em conflito Quando a criança quer fazer algo sozinha, mas ainda não consegue dar conta do recado, a orientação é oferecer ajuda sem assumir totalmente o controle. Ou seja, deve-se considerar antecipar-se e dividir as tarefas com o pequeno, sempre valorizando a tentativa dele para fortalecer a confiança. “Essa fase não é um problema a ser corrigido, mas um sinal de desenvolvimento saudável. Crianças que podem tentar, errar e tentar novamente constroem autonomia emocional, tolerância à frustração e confiança. O papel do adulto não é acelerar, mas sustentar – com paciência, limite e respeito”, garante a profissional.

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