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Por que o calo volta sempre no mesmo lugar?
Calo e Calosidade

Por que o calo volta sempre no mesmo lugar?

Você finalmente remove o calo e sente aquele alívio imediato, mas, algum tempo depois, ele aparece novamente no mesmo lugar. Essa recorrência não acontece por acaso: enquanto houver pressão ou atrito repetidos, as calosidades podem voltar. No mesmíssimo ponto. Primeiro, vale entender o que são os calos e as calosidades. Segundo o ortopedista Giovanni Formino, membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia de São Paulo (SBOT-SP), trata-se de pontos frequentemente submetidos a uma pressão anormal. “Os calos recorrentes podem revelar uma distribuição desigual das cargas sobre os pés, relacionada tanto à estrutura quanto à maneira de caminhar”, observa o médico. Pisada pode explicar a recorrência Alterações no alinhamento e na estrutura dos pés podem fazer determinadas regiões suportarem mais pressão. Como exemplo estão os pés chatos e cavos, com alterações na formação do arco plantar. Mas a própria marcha também entra nessa conta. Dependendo da forma de caminhar, uma pessoa pode concentrar repetidamente a carga na parte da frente ou em outros pontos dos pés, favorecendo calosidades nessas regiões. O sapato pode piorar essa história. “Calçados inadequados provocam atritos, potencializando calos já existentes”, alerta o especialista Giovanni Formino. Entram nessa lista os modelos apertados, de salto alto ou bico fino. Tirar o calo não resolve tudo O espessamento da pele funciona como uma resposta de proteção do corpo. Conforme esclarece a podóloga Gisele Ferreira, do Jacques Janine Bourbon Shopping, o processo aumenta a produção de queratina, diante da pressão ou atrito repetidos. Por isso, remover apenas o excesso de pele pode até proporcionar alívio temporário, mas não impede que o problema reapareça. Se o fator responsável pela sobrecarga continuar presente, a tendência é que a pele volte a engrossar no mesmo local. “O mais importante é identificar e reduzir a causa dessa sobrecarga. O local, o tamanho, a profundidade e o aspecto do calo ajudam nessa avaliação, assim como o formato dos pés, dedos e calçados utilizados”, destaca a profissional. Como quebrar esse ciclo Depois de identificar a causa da recorrência, alguns ajustes podem ajudar. Escolher sapatos adequados ao formato e tamanho dos pés é uma das medidas, já que é preciso espaço para movimentar os dedos sem pontos de compressão. O cuidado podológico também é fundamental e inclui a remoção controlada do excesso de queratina. Dependendo do caso, recursos para aliviar a pressão também são considerados. A podóloga Gisele Ferreira lembra que dor, inflamação, sangramento, mudança de aparência ou recorrência frequente sempre indicam a necessidade de avaliação profissional.

Calçados barefoot: todo mundo pode usar?
Tipos de Calçados

Calçados barefoot: todo mundo pode usar?

Com presença crescente no mercado, a proposta dos calçados barefoot inclui modelos mais minimalistas e sem amortecimento, que ganham cada vez mais popularidade no esporte por prometer benefícios como melhor alinhamento postural e fortalecimento dos pés. Mas será que qualquer um pode usá-los? Segundo o fisioterapeuta Rafael Temoteo, membro da Sonafe (Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física) e especialista no tratamento da dor no pé, algumas pessoas devem ter cautela ao adotar o sapato tipo barefoot. Ter problemas articulares ou estar com sobrepeso são fatores que encabeçam essa lista. "Calçados barefoot podem ser extremamente eficazes em atividades de força, como agachamentos, por fortalecerem a musculatura do pé e tornozelo, mas seu uso generalizado não é recomendado", argumenta o profissional. Barefoot X tênis normais Em livre tradução, barefoot significa ‘pés-descalços’ e isso diz bastante de seu objetivo, que é justamente ser o mais leve possível e aproximar a sensação de estar sem sapato durante a prática esportiva. Veja só as principais diferenças entre ele e os tênis comuns: Amortecimento Barefoot: não Tênis tradicional: sim Design Barefoot: minimalista Tênis tradicional: variado Peso Barefoot: muito leve Tênis tradicional: até 300g Cadarço Barefoot: não Tênis tradicional: sim Indicação Barefoot: treinos Tênis tradicional: dia a dia “Normalmente, calçados barefoot têm um formato que se assemelha a meias e sem nenhum tipo de amortecimento. Também costumam não ter cadarço, apresentando apenas um componente para dar proteção e não machucar o pé com atrito, além de antiderrapante”, detalha Rafael. Os benefícios para o esporte Para quem pratica atividades que exigem força, como levantamento de peso, o uso de calçados barefoot pode trazer vantagens significativas. Nesse sentido, o fisioterapeuta lista alguns dos benefícios: Mobilidade do tornozelo: o uso de barefoot permite uma maior liberdade de movimento no tornozelo, algo importante para a flexibilidade e a adaptação do corpo durante o exercício. Melhora na postura: com menos amortecimento, o pé tem mais controle sobre seus movimentos, o que contribui para uma postura mais correta durante os exercícios de força. Fortalecimento muscular: ao estimular a musculatura dos pés e tornozelos, o barefoot pode melhorar a resistência dos músculos e prevenir lesões no futuro. Assim, usá-lo para treinos de força, cujo objetivo é aumentar a resistência e melhorar a estabilidade das pernas e dos pés, pode ser uma ótima ideia. Agachamentos e outros movimentos de força serão beneficiados pelo maior controle durante os movimentos. Cuidado com as lesões Embora os calçados barefoot tragam benefícios inegáveis, não são indicados para todas as pessoas, conforme apontado pelo especialista. Desse modo, o uso indiscriminado pode trazer um risco de lesões, principalmente para quem não está acostumado a esse tipo de calçado ou tem condições físicas específicas: Pessoas com sobrepeso: o excesso de peso aumenta a carga sobre os pés e tornozelos, o que pode resultar em lesões quando combinados com a falta de amortecimento dos barefoot; Problemas articulares: indivíduos com dores nas articulações, como as que afetam os joelhos ou tornozelos, devem evitar o uso de calçados barefoot, pois a falta de suporte pode intensificar esses problemas. "Fortalecer a musculatura do pé e tornozelo antes de adotar o barefoot é fundamental para prevenir lesões”, indica o Temoteo. Quando houver dor, o uso deve ser evitado, já que não oferecem suporte suficiente para reduzir o impacto sobre as estruturas lesionadas. Vá aos poucos A dica principal é não abandonar os tênis comuns de uma hora para a outra e já sair usando o barefoot. Isso porque a tendência é que o corpo estranhe a mudança brusca e não responda da maneira esperada. “É necessária uma adaptação. Imagine só usar calçados com amortecimento durante toda a vida e, de repente, não usar mais? Os pés estão totalmente adaptados a uma condição, por isso, deve ser gradual”, conclui o especialista.

Pé de bailarina sofre desgaste intenso
Tipos de Pés

Pé de bailarina sofre desgaste intenso

O balé encanta por sua leveza, mas os pés de quem se dedica à arte enfrentam um desgaste intenso. Não à toa, a expressão “pé de bailarina” é usada para descrever as alterações que surgem principalmente pelo uso prolongado da sapatilha de ponta, impactando ossos, articulações e tendões. Em muitos casos, essas mudanças anatômicas causam e provocam até lesões mais sérias. As maiores deformidades estão relacionadas à flexão plantar extrema, segundo o ortopedista Roberto Nahon, presidente da Sociedade Paulista de Medicina Desportiva (SPAMDE). “O movimento constante de ficar na ponta dos pés gera instabilidade no tornozelo, aumento da laxidão dos ligamentos e maior risco de entorses. Também é comum o surgimento de tendinites e lesões traumáticas”, explica. Entre os problemas mais comuns, ele destaca o trauma no primeiro dedo, chamado hálux, que pode desencadear o joanete (hálux valgo), além da sesamoidite, uma inflamação dos ossos localizados sob esse dedo. “A fratura por estresse é outra lesão recorrente, especialmente quando há déficit nutricional e baixa massa óssea, como na síndrome da RED-S”, alerta o médico. Principais riscos De acordo com o especialista, as complicações mais associadas ao chamado “pé de bailarina” são: Laxidão ligamentar e instabilidade do tornozelo; Tendinites nos músculos estabilizadores (tibial anterior, fibulares e tendão de Aquiles); Joanete agravado por trauma repetitivo no hálux; Fraturas por estresse, especialmente no sesamoide e no quinto metatarso; Sesamoidite e necrose por sobrecarga no primeiro dedo; Entorses e lesões ligamentares recorrentes; Quadro agravado em quem sofre de osteopenia (diminuição da densidade mineral óssea) ou tem alimentação inadequada. O médico lembra ainda que esses impactos podem se intensificar com o passar dos anos, especialmente quando não há um acompanhamento ortopédico adequado. Até quem não dança Apesar do nome, o pé de bailarina não é exclusividade do balé clássico. Conforme Nahon, bailarinos que não usam sapatilha de ponta e até praticantes de esportes podem apresentar lesões semelhantes. “Movimentos em meia-ponta ou torções frequentes, como no voleibol e no futebol, causam sobrecarga semelhante nos tendões e ossos do pé e tornozelo”, acrescenta. O ortopedista reforça ainda que alongamento em excesso e treinos mal orientados também aumentam o risco de lesão. Por isso, o ideal é ter acompanhamento profissional desde o início da atividade, incluindo avaliação ortopédica regular. “Eu só queria dançar, mas meu corpo cobrou depois” Aos 59 anos, a aposentada Amélia Francisco lembra com carinho dos tempos em que dançava balé clássico. Iniciou a prática aos oito anos e seguiu até os 32, quando dores constantes nos pés a obrigaram a parar. Décadas depois, ainda sente os efeitos daquele período. “Fui diagnosticada com sesamoidite e desgaste nos tendões. Meu ortopedista disse que é sequela do tempo em que dancei na ponta sem o acompanhamento adequado”, conta a ex-bailarina. “Na época, a gente não tinha muito acesso a profissionais especializados. Eu só queria dançar, mas não sabia o quanto meu corpo ia cobrar essa conta depois”. Hoje, ela faz fisioterapia e usa palmilhas para aliviar a dor, mas reconhece que algumas limitações se tornaram permanentes.

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Canção de ninar ou ruído branco? O que é melhor para o bebê dormir
Sono e Soneca

Canção de ninar ou ruído branco? O que é melhor para o bebê dormir

Na tentativa de ajudar o bebê a dormir melhor, muitos pais recorrem a recursos sonoros que prometem acalmar e facilitar o adormecer. Entre os mais conhecidos estão as canções de ninar e o chamado ruído branco. Mas qual dessas estratégias funciona melhor? Spoiler: depende da criança. Ambas as opções costumam ajudar no relaxamento dos nenês, conforme afirma a pediatra Ana Maria Melo, do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas. No entanto, o efeito não é igual para todos. Essa resposta depende sobretudo das características e da sensibilidade de cada um. “Há bebês que se acalmam com o ruído branco, principalmente nos primeiros meses de vida, quando o som pode lembrar o ambiente auditivo do útero materno. Mas também existem aqueles que não se adaptam”, pondera a médica. Como o ruído atua no cérebro do bebê Ruído branco é aquele som constante, que reúne diversas frequências audíveis ao mesmo tempo. Exemplos comuns incluem o barulho da chuva, das ondas do mar ou de aparelhos que o reproduzem continuamente. Segundo Ana Maria, esse padrão sonoro cria um ambiente auditivo uniforme, capaz de bloquear ruídos externos que poderiam distrair ou despertar o bebê. Essa sensação de conforto costuma favorecer o relaxamento e o sono. Além disso, o ruído branco tem impacto sobre o córtex cerebral, região responsável pela percepção e pelo processamento de estímulos. Ao mascarar sons externos, o barulhinho pode reduzir distrações e ajudar o bebê a manter o foco no descanso. Músicas também são eficientes As famosas canções de ninar têm um papel importante não apenas no relaxamento, como na construção de vínculos afetivos. Isso porque o contato do bebê com sons e vozes começa desde a gestação e continua sendo relevante. A especialista Ana Maria Melo explica que a audição começa a se desenvolver ainda no útero e o pequenino não só percebe sons do ambiente, mas também reconhece a voz dos próprios pais nos últimos meses da gravidez. “Uma melodia suave, calma e relaxante pode ser adicionada à rotina do sono e proporcionar sensações agradáveis para o bebê, além de favorecer o vínculo com o cuidador”, diz a profissional. Por outro lado, o silêncio não deve ser descartado, especialmente quando há costume com ambientes mais tranquilos. Cuidados na rotina de sono Embora esses recursos possam ajudar no relaxamento, o uso precisa ser equilibrado e com bastante responsabilidade. O volume deve ser moderado e não ultrapassar cerca de 50 decibéis, que é o limite considerado seguro para os bebês. Ainda é importante evitar que o pequenino se torne dependente sempre do mesmo estímulo sonoro para conseguir dormir, ou seja, é melhor variar as opções ao longo do dia. Entre as orientações que podem ajudar nesse processo estão: Manter o volume dos sons em níveis baixos. Usar ruído branco ou música apenas como apoio ao relaxamento. Variar os estímulos auditivos durante o dia. Evitar exposição sonora contínua, por longos períodos. Prestar atenção a como o filho reage aos diferentes sons. “Cada bebê é único e precisa ser observado em suas necessidades e preferências. Nem todos se adaptam ao ruído branco ou à música, e isso faz parte do processo de desenvolvimento”, reforça Ana Maria Melo.

Sem guerra no banho: lavar o cabelo pode ser divertido
Rotina de Cuidados

Sem guerra no banho: lavar o cabelo pode ser divertido

Lavar o cabelo costuma gerar tensão em muitas casas com moradores mirins. A criança chora, se encolhe, tenta fugir ou reage com irritação. Logo, o que deveria ser rotina vira confronto. Para muitos adultos, parece birra, mas vale um olhar atento ao comportamento. Conforme esclarece a psicóloga Adriana de Lima, do Hospital e Maternidade Santa Joana, a lavagem do cabelo ativa três pontos sensíveis do desenvolvimento infantil: autonomia, sensorialidade e imprevisibilidade. Dos dois aos sete anos, o senso de controle do corpo está sendo construído e qualquer sensação de invasão é intensa. “Quando a criança se sente sem controle ou em desconforto, o sistema de ameaça é ativado. Surge a resposta de luta, fuga ou congelamento. Isso é reatividade neurobiológica, não birra”, afirma a profissional. O que está por trás da resistência É importante entender que o conflito durante o banho geralmente revela uma tentativa de recuperar controle corporal. Inclinar a cabeça, fechar os olhos e sentir água escorrendo pode gerar sensação de vulnerabilidade. E medos reais entram em cena: de levar um tombo, da água entrar nos olhos, do ardor do shampoo ou sensação de sufocamento. Além disso, há também crianças com maior sensibilidade tátil e vestibular. Perfis sensoriais mais intensos não são necessariamente patológicos, mas tornam estímulos como temperatura, cheiro e toque mais impactantes. A boa notícia é que isso não deve durar para sempre. Quando o banho se conecta com vínculo e segurança, a resistência tende a diminuir. Mas se for ligado à tensão, continuará virando sinal de perigo. É fundamental trabalhar nessa mudança. Como transformar o banho em ritual de conexão Para a psicóloga Adriana de Lima, pequenos combinados funcionam melhor que imposições, porque diminuem a luta de poder e aumentam a cooperação. Vale também trabalhar com antecipação e previsibilidade para reduzir a ansiedade: avise com antecedência, explique o passo a passo e combine a duração. Outras estratégias simples podem tornar a experiência mais leve: fazer o “banho do boneco” antes; usar um espelho para a criança acompanhar o que está acontecendo; criar contagem regressiva divertida (“chuva do foguete em 3… 2… 1…”); montar “chapéu” ou “coroa” de espuma antes do enxágue; oferecer escolhas simples (“sentado ou em pé?”, “qual shampoo?”); criar histórias (“chuva mágica da floresta”); deixar uma toalha quentinha pronta para antecipar conforto. “O brincar regula o sistema nervoso. Quando a experiência vira ritual relacional, o cérebro aprende a associar banho com segurança e vínculo”, analisa a especialista. Empatia com firmeza muda o comportamento Respeitar o limite não significa abandonar a higiene. A situação pede equilíbrio entre empatia, firmeza e calma. Para isso, o cuidador deve: validar o desconforto; manter tom previsível; conduzir com segurança. Por outro lado, a psicóloga recomenda evitar ameaças, ironias, pressa brusca e contenção física sem explicação, porque costumam intensificar o conflito. Fique de olho também nos sinais de alerta que indicam memória emocional negativa do banho: entrar no banheiro já tenso; chorar antes mesmo de começar; rigidez corporal; tentativa de fuga. “O cérebro infantil aprende por repetição. Experiências previsíveis, respeitosas, lúdicas e constantes reduzem a resposta de ameaça e aumentam a cooperação ao longo das semanas. Isso é neuroplasticidade relacional”, conclui Adriana.

Tédio na infância também é aprendizado e estímulo
Brincadeiras

Tédio na infância também é aprendizado e estímulo

Quando a criança diz que “não tem nada para fazer”, muitos adultos interpretam isso como um sinal de falha. Surge a tentação de oferecer uma tela, sugerir uma atividade ou preencher o silêncio rapidamente. Mas o tédio não significa ausência de estímulo: é uma pausa necessária para que algo novo surja. Vamos entender mais? Para a psicopedagoga e escritora Paula Furtado, o tédio é um estado de transição importante para o desenvolvimento infantil. Ele acontece quando não há um estímulo externo imediato e a criança precisa olhar para dentro e para o entorno para criar algo próprio. Esse “vazio” é, na verdade, um terreno fértil para imaginação e iniciativa. “O tédio é uma pausa que permite inventar. É nele que surgem a criatividade, a autonomia e a capacidade de brincar sozinha. Quando o adulto sustenta esse momento, ele está oferecendo uma oportunidade de crescimento emocional”, explica a profissional. Por que o tédio incomoda adultos Muitos pais e cuidadores sentem desconforto ao ver a criança entediada, porque associam o estado de pausa à negligência ou perda de tempo. A sensação de que é preciso entreter a qualquer instante pode despertar culpa, ansiedade ou a impressão de que algo está errado. Na prática, muitas vezes o adulto tenta silenciar o próprio incômodo. Só que o tédio saudável favorece habilidades fundamentais para a vida adulta. Isso porque ajuda o pequeno a: desenvolver criatividade ao inventar brincadeiras; fortalecer a autonomia ao decidir o que fazer; exercitar a autorregulação ao tolerar frustração e espera; construir iniciativa sem depender do responsável.   Esse processo não é simples. Pelo contrário, é inquieto e transitório. As crianças podem circular pela casa, observar objetos e até reclamar que estão sem ideias. Mas essa fase passa: depois dela, surge a brincadeira espontânea, um sinal de que o estado foi atravessado da forma mais saudável possível. Sinais de alerta O tédio deixa de ser positivo quando se torna persistente e acompanhado de sofrimento emocional. Alguns sinais chamam atenção para a necessidade de maior atenção e vínculo entre criança e adulto: apatia constante; tristeza frequente; isolamento excessivo; irritabilidade intensa; comportamentos regressivos.   Outro risco aparece quando a tela é oferecida como resposta automática ao vazio. Se o estímulo digital entra sempre como solução imediata, a criança deixa de aprender a atravessar o próprio tédio, prejudicando atenção, tolerância à frustração e imaginação. “Usar a tela constantemente pode, a longo prazo, empobrecer o brincar e dificultar a construção da autonomia emocional”, pontua a psicopedagoga Paula Furtado. Como não recorrer à tela Sustentar o tédio não significa abandonar a criança, mas confiar no processo. Frases simples como “pode ser chato mesmo” ou “veja o que você consegue inventar” ajudam a validar o sentimento sem resolver imediatamente a situação. Outras estratégias que favorecem esse atravessamento são: oferecer objetos não estruturados, como caixas, tecidos, papéis ou massinha; manter menos brinquedos disponíveis ao mesmo tempo; fazer convites abertos, como “o que daria para fazer com isso?”; estabelecer tempos claros para tela e, também, para ócio.   Paula reforça que o equilíbrio está na intenção. A tela pode existir, mas não como solução automática. Afinal, o tédio não é um problema a ser corrigido: é uma etapa a ser vivida. “Quando o adulto sustenta esse espaço com presença e confiança, a criança descobre ser capaz de criar sentido por conta própria”, finaliza.

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