Canelite
Por que a canelite é mais comum em atletas iniciantes
Dor na canela é uma queixa comum entre quem começa a correr – e, na maioria das vezes, ela não surge por acaso. A chamada canelite costuma aparecer quando o corpo ainda não está adaptado ao impacto da corrida. Mas, calma: com ajustes simples, dá para reduzir o risco e evitar que o problema se torne recorrente.
Como observa a fisioterapeuta Mariana Milazzotto, mestre em Ciências Médicas, a canelite é uma inflamação na região da canela, mais especificamente na tíbia, que envolve músculos e tendões da perna.
Segundo a especialista, corredores iniciantes tendem a ser mais afetados porque, muitas vezes, aumentam a intensidade ou o volume dos treinos de forma rápida, sem que a musculatura da região esteja preparada para absorver o impacto repetitivo da corrida.
Entre os erros mais comuns nesse início, estão:
Períodos longos de corrida sem descanso adequado;
Falta de alongamento;
Ausência de fortalecimento da musculatura da perna, panturrilha e pé.
Essa combinação favorece a sobrecarga da tíbia e pode desencadear inflamação na região.
Corpo sem tem tempo para se adaptar
A falta de adaptação gradual ao impacto também pesa – e muito! Mariana Milazzotto salienta que aumentos rápidos na intensidade, duração ou frequência dos treinos, somados à falta de preparo muscular e ósseo, sobrecarregam a região da tíbia.
O resultado costuma ser:
Dor na parte interna ou frontal da canela;
Sensibilidade ao toque;
Leve inchaço;
Dificuldade para andar ou sensação de fraqueza nos pés.
Quando esses sinais aparecem, o corpo está dando um alerta claro. Então, vale buscar um médico, como o ortopedista, e dar uma pausa nas corridas, se necessário.
O básico que funciona
O fortalecimento muscular é um dos principais aliados na prevenção da canelite. Músculos mais fortes ajudam a absorver melhor o impacto, melhoram a biomecânica da corrida e aumentam a resistência à fadiga, reduzindo o risco de inflamação.
Além disso, outros fatores contribuem para o problema, sobretudo entre iniciantes, como:
Tipo de pisada, principalmente pronação ou supinação excessivas;
Uso de calçados inadequados, sem amortecimento ou suporte;
Corrida em superfícies muito duras ou irregulares.
Por isso, é fundamental escolher o tênis adequado ao tipo de pé e iniciar os treinos em superfícies mais controladas, como esteiras ou pistas, sempre com supervisão e orientação profissional.
Diagnóstico e tratamento
De acordo com a fisioterapeuta Mariana, a dor na canela deixa de ser apenas um desconforto esperado do treino quando não melhora com descanso. Nesse cenário, insistir na mesma frequência e no vigor dos exercícios pode agravar o quadro e prolongar a recuperação.
Geralmente, reduzir a intensidade dos treinos e aumentar os intervalos de descanso já traz alívio significativo. Já o repouso absoluto só costuma ser necessário quando há recomendação médica, mais comum em situações de lesões mais graves.
“Sempre procure um fisioterapeuta ou ortopedista quando tiver dúvidas ou precisar de ajuda no tratamento”, finaliza a especialista.