Caminhada
Caminhada com esporão: quando ajuda e quando pode piorar
A dor provocada pelo esporão no calcanhar costuma levantar uma dúvida comum, ou seja, se quem recebe esse diagnóstico precisa parar de caminhar. Na maioria dos casos, a resposta é não. Com alguns ajustes, a atividade pode até ajudar na recuperação.
O ortopedista Fabio Fonseca, especialista em pé e tornozelo, afirma que manter-se ativo também ajuda no controle do peso corporal, justamente um dos fatores que mais influenciam a evolução do esporão e da fascite plantar.
"O problema não é caminhar, mas caminhar sem os cuidados certos. A caminhada tende a ajudar quando é feita de forma moderada, com um bom calçado e em um ritmo que o pé tolere bem", explica o médico.
Respeite os sinais do corpo
Um leve desconforto nos primeiros passos pode acontecer e costuma melhorar conforme o corpo aquece. Já quando a dor aumenta ao longo da caminhada, permanece forte depois da atividade ou se torna cada vez pior ao acordar, é sinal de que os limites foram ultrapassados.
Para encontrar um equilíbrio seguro, a recomendação é aumentar a distância e o ritmo gradualmente, respeitar dias de descanso e observar como o pé reage no dia seguinte. Se a dor estiver pior do que na véspera, é hora de reduzir a carga.
A aposentada Rosa Maria Pereira, de 74 anos, percebeu que insistir na rotina já não era uma opção. "Eu sentia pontadas no calcanhar quando já estava andando há algum tempo. Procurei o ortopedista por causa da recorrência do sintoma", relata.
Calçado adequado faz diferença
Escolher o calçado certo é uma das estratégias mais importantes para reduzir o impacto sobre a fáscia plantar. Nesse sentido, o especialista Fabio Fonseca orienta:
prefira tênis com bom amortecimento no calcanhar, suporte para o arco do pé e solado mais rígido;
evite chinelos, sandálias e calçados completamente planos para fazer caminhadas;
dê preferência a terrenos mais regulares e um pouco macios, como grama, terra batida e pista de corrida;
use palmilhas apenas quando houver indicação profissional.
Depois de interromper temporariamente as caminhadas, Rosa Maria retomou a atividade de forma gradual, com a prescrição de palmilhas ortopédicas.
Tratamento costuma evitar cirurgia
A boa notícia é que cerca de 85% a 90% dos casos melhoram com tratamento conservador, em semanas ou meses, sem necessidade de cirurgia. Normalmente, essas medidas envolvem:
repouso relativo, sem deixar de se movimentar completamente;
aplicação de gelo após a atividade;
alongamentos da fáscia plantar, do tendão de Aquiles e da panturrilha, com orientação fisioterapêutica;
controle do peso corporal;
uso de calçados adequados e, quando indicado, palmilhas;
analgésicos ou anti-inflamatórios prescritos pelo médico;
tala noturna ou terapia por ondas de choque nos casos persistentes.
Também é importante interromper a caminhada e procurar avaliação quando a dor só aumenta, afeta a rotina ou se surgem sintomas associados, como inchaço, vermelhidão e estalo. O ortopedista é o especialista indicado para tratar o quadro.