Amamentação e Alimentação
Bico de silicone: ajuda mesmo todas as mães?
A amamentação nem sempre começa de forma simples. Dor, insegurança e dificuldades na pega podem transformar o que deveria ser um momento de conexão em fonte de sofrimento. Nessas situações, muitas mães ouvem falar do bico de silicone. Nem solução mágica, nem vilão, o acessório divide opiniões e tem indicações específicas.
Com dores intensas nos seios, fissuras no mamilo e impasses na sucção da bebê, o pediatra recomendou o uso do bico de silicone para a lash designer Aline Lins, de 36 anos. Mãe de primeira viagem, ela não aceitou a alternativa de primeira, porque sentia que estava “falhando” na maternidade.
“A amamentação foi uma tortura para mim. Eu tinha muita aflição de amamentar por causa do silicone e parecia que nunca dava certo. Comecei a ter dores, machucados e minha filha não estava com peso adequado por causa desses problemas”, lembra.
Quando o bico de silicone é indicado?
A enfermeira obstetra e consultora materna de amamentação Cinthia Calsinski explica que o bico de silicone é um dispositivo auxiliar, utilizado em situações específicas para facilitar a transição ou manutenção da amamentação. O uso deve sempre ter um objetivo claro e acompanhamento profissional.
Entre as situações mais comuns que levam ao uso, estão:
dor intensa ao amamentar, geralmente associada à pega inadequada;
fissuras mamilares, muitas vezes consequência de manejo incorreto;
dificuldade de pega do bebê, especialmente nos primeiros dias;
uso precoce de bicos artificiais;
casos específicos de mamilos planos ou invertidos, sempre após avaliação.
Já rotina ou prevenção não são motivos para usá-lo. “Nem todas as mães se beneficiam com o bico de silicone e a recomendação ocorre apenas após avaliação individualizada da dupla mãe-bebê. Muitas dificuldades iniciais podem ser resolvidas com ajustes de posição, pega e manejo, sem necessidade do bico”, pondera a especialista.
Riscos e limites do uso
Na maioria dos casos, o acessório deve ser encarado como estratégia temporária, com plano claro de acompanhamento e retirada progressiva. Em determinadas situações, pode ser utilizado por mais tempo, mas sempre com monitoramento ativo.
Isso porque, quando utilizado de forma inadequada, pode:
reduzir a estimulação direta da mama, interferindo na produção de leite;
dificultar a transferência eficaz de leite, levando a ganho de peso insuficiente;
prolongar dificuldades de pega;
atrasar a adaptação ao peito;
aumentar o risco de desmame precoce.
“É importante reforçar que o dispositivo não vai tratar a causa do problema. Ele pode aliviar temporariamente os sintomas da mãe, mas, em algumas vezes, nem isso acontece”, alerta a consultora de amamentação Cinthia Calsinski.
Como saber se está ajudando (ou não)
A enfermeira obstetra recomenda atenção aos sinais bons e ruins para avaliar se o uso do bico de silicone está sendo realmente positivo ou causando algum prejuízo.
Está ajudando se:
o bebê suga de forma eficaz e relaxa após as mamadas;
há ganho de peso adequado;
a mãe sente redução da dor.
Atrapalha em casos em que:
as mamadas sejam muito longas ou ineficazes;
o bebê não ganha peso adequadamente;
a produção de leite acaba reduzida;
surge a dificuldade de amamentar sem o bico ao longo do tempo.
Apesar de resistir no início, Aline Lins foi incentivada pela sogra a testar a alternativa. “Acabou sendo muito bom. A aflição passou, os machucados sararam e minha filha teve sucesso na pega. Devia ter usado antes”, relembra. Quando se recuperou e ganhou mais segurança, ela deixou de usar e a amamentação deu certo.