Baruel é vencedor do Prêmio ReclameAQUI 2025 na categoria Higiene Pessoal

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Meu filho só se comporta mal comigo. Isso quer dizer que errei?
Comportamento

Meu filho só se comporta mal comigo. Isso quer dizer que errei?

A criança passa o dia inteiro sem dar trabalho na escola ou com outras pessoas, mas basta chegar em casa para responder, desafiar limites ou ter explosões emocionais. Se a situação se repete na sua casa, saiba que é mais comum do que parece e, na maioria das vezes, não significa que os pais estejam fazendo algo errado. Em primeiro lugar, é importante considerar o cenário: a criança passa boa parte do dia gastando energia para seguir regras, controlar impulsos e conviver com outras pessoas. Ao voltar para casa, tende a relaxar esse esforço. "Na verdade, o comportamento é um sinal de confiança. A casa representa um lugar de liberdade e de segurança onde a criança pode ser autêntica e livre para demonstrar a sua desorganização emocional", explica a psicóloga Larissa Pádua. Mas também não significa que todos os atos devam ser aceitos. A especialista orienta a compreender a causa dessas explosões para responder com acolhimento, sem abrir mão dos limites. Entender não é o mesmo que permitir Durante muito tempo, a dona de casa Isabel Lemes, mãe de uma adolescente, acreditou que havia falhado como mãe. Quando a filha era criança, sempre ouvia dos avós, tios e da babá que a garota era muito educada quando estava com eles, enquanto, com ela, era bem diferente. "Ficava muito triste. Todos conheciam uma versão educada da minha filha, menos eu. Perguntei muitas vezes se o erro era meu", lembra. A angústia era tão grande que a mãe levou o caso para a psicóloga da família e, aos poucos, mudou sua perspectiva: a filha encontrava nela um espaço seguro para expressar emoções difíceis. Para a profissional Larissa Pádua, esse é um ponto importante. Os pais costumam ser a principal referência de segurança da criança, mas isso não significa aceitar agressões ou desrespeito. O caminho é validar o sentimento sem legitimar o comportamento. Acolher sem abrir mão dos limites Uma atitude prática é separar a emoção da ação. "Quando um adulto diz: 'Entendo a sua raiva, mas não vou permitir que você quebre as coisas', ele legitima o sentimento e coloca um limite. Firmeza também é uma forma de afeto", garante a psicóloga. Outras atitudes podem ajudar a reduzir esses episódios no dia a dia: Criar uma rotina acolhedora ao chegar em casa, com um lanche, um abraço ou um momento para brincar. Perceber quando a criança está chegando ao limite do cansaço. Manter horários previsíveis para alimentação e sono. Conversar sobre regras e consequências antes dos conflitos acontecerem. Nomear as próprias emoções para ensinar a criança a reconhecer as dela. Vale lembrar que os adultos também devem cuidar da própria forma de reagir. Isso porque a maneira como os pais enfrentam situações difíceis serve de modelo para o desenvolvimento emocional dos filhos. Limites não devem ser ultrapassados Nem toda explosão depois da escola indica um problema de comportamento. Ainda assim, alguns sinais merecem atenção. A frequência e a intensidade das crises devem ser avaliadas, da mesma forma que a capacidade de a criança se acalmar após ser acolhida. Se os episódios passam a afetar outras áreas da vida, como sono, alimentação, desempenho escolar ou relacionamentos com outras pessoas, é hora de procurar uma avaliação profissional para entender melhor o caso. “O erro mais comum é transformar isso em uma prova de fracasso dos pais. Em muitos casos, eles refletem justamente a confiança que a criança deposita na família. O desafio é responder com acolhimento, constância e limites claros, sem recorrer à punição nem à permissividade”, finaliza a especialista Larissa Pádua.

Febre que vai e volta: melhora entre picos também importa
Febre

Febre que vai e volta: melhora entre picos também importa

Quando a febre diminui, muitos pais respiram aliviados. Mas a observação deve ir além do termômetro: o comportamento da criança entre os picos de temperatura costuma trazer informações importantes sobre a gravidade do quadro. A pediatra Paulla Linhares explica haver uma expectativa sobre esse intervalo. “A criança deve voltar a brincar, interagir, aceitar líquidos e demonstrar interesse pelo ambiente, mesmo que permaneça um pouco mais quieta do que o normal”, cita. Por outro lado, se a temperatura baixa, mas a prostração continua, a avaliação médica ainda é necessária. Sonolência, irritação inconsolável, recusa hídrica, dificuldade para respirar ou falta de reação também são sinais de alerta. O que observar entre um pico e outro Na pediatria, a regra é tratar a criança e não somente o número que aparece no termômetro. Por essa razão, a forma como o pequeno age entre os picos de febre acaba sendo mais importante do que a temperatura em si. Assim, esses intervalos são uma boa oportunidade para acompanhar a evolução da doença. Atente-se a: disposição para brincar, explorar o ambiente e interagir; contato visual, resposta quando é chamado e interesse pelas pessoas; aceitação de líquidos e sinais de boa hidratação, como boca úmida e urina clara; alimentação, mesmo que em pequenas quantidades; sono, observando se há apenas cansaço ou sonolência excessiva; respiração, verificando se permanece confortável ou apresenta esforço. Segundo a especialista, essas observações ajudam muito mais do que saber apenas qual foi a temperatura máxima. Uma criança que volta ao comportamento normal costuma transmitir tranquilidade, enquanto o oposto merece atenção. Nem toda febre que volta é sinal de piora A febre costuma oscilar ao longo do dia em muitas infecções, principalmente nas virais. Nos primeiros dois ou três dias, é comum a criança apresentar um pico, melhorar após o antitérmico ou com a queda natural da temperatura e voltar a ter febre horas depois. “Esse padrão, isoladamente, não indica agravamento. O que realmente orienta a conduta é o contexto, especialmente o estado geral da criança entre os episódios”, observa a médica. Em geral, a reavaliação médica é indicada quando: a febre persiste por mais de 72 horas; retorna depois de um período longo sem febre; surge acompanhada de dificuldade para respirar, convulsões, rigidez na nuca, manchas na pele, recusa persistente de líquidos ou prostração importante. Os bebês com menos de três meses também precisam de atendimento rápido em casos de febre, ainda que pareçam bem. Como acompanhar a evolução em casa Enquanto a criança estiver doente, a principal recomendação é oferecer líquidos com frequência e respeitar seu ritmo. A diminuição do apetite durante uma infecção é esperada, por isso não é indicado forçar grandes refeições. E não precisa de repouso o tempo todo: estar disposta para brincar ou realizar atividades leves é um ótimo sinal. Vale reservar o termômetro para os momentos de desconforto ou quando sentir a pele mais quente. Já as medicações são outro ponto destacado pela pediatra Paulla Linhares. Isso porque os antitérmicos devem ser usados para aliviar sintomas e não apenas pela temperatura alta. Novamente, o comportamento infantil é um bom marcador. “Uma temperatura alta nem sempre significa uma doença grave. Do mesmo modo, uma condição mais séria pode ocorrer com febre baixa ou até sem febre. Observem mais a criança e menos o termômetro”, finaliza a médica.

Trocar a fralda virou uma batalha? Saiba como agir
Troca e Fraldas

Trocar a fralda virou uma batalha? Saiba como agir

Basta chegar a hora de trocar a fralda para a criança correr, virar o corpo ou começar a protestar. Essa resistência é comum sobretudo entre 1 e 3 anos, fase marcada pela conquista da autonomia. Com algumas “estratégias”, os cuidadores podem vencer essa batalha. Uma das principais explicações para o comportamento está na interrupção de uma atividade prazerosa, como as brincadeiras, para realizar a troca, conforme explica a psicóloga infantil Claudia Melo. “Isso pode gerar frustração intensa, já que o cérebro infantil ainda está amadurecendo e a criança nem sempre consegue controlar seus impulsos ou organizar aquilo que sente”, justifica a especialista. Antes de insistir, observe Nem toda fuga deve ser interpretada como desobediência. Em algumas situações, a criança pode estar cansada, com fome, muito envolvida na brincadeira ou ter sido surpreendida pela interrupção. Por isso, a orientação da profissional é olhar além do comportamento e antecipar o que vai acontecer. Avisar que a troca está próxima ajuda a reduzir a sensação de quebra brusca da atividade. E respeitar e incluir o pequenino pode gerar colaboração. Também vale acolher a emoção sem retirar o limite. Em vez de mandar parar de chorar, o adulto pode dizer: “Sei que você queria continuar brincando. Vamos trocar a fralda e depois você volta”. Assim, a criança se sente compreendida e entende que a troca será feita. Estratégias para cada fase A participação deve acompanhar a idade e as habilidades da criança. Pequenos convites fortalecem a autonomia sem tirar do adulto a condução do cuidado. Até 12 meses: Manter uma rotina previsível. Conversar com voz tranquila durante a troca. Fazer contato visual e cantar músicas conhecidas. Evitar excesso de estímulos. Entre 1 e 2 anos: Avisar que a troca está chegando. Oferecer escolhas simples, como selecionar entre duas fraldas. Pedir ajuda para segurar a fralda limpa ou levar o lenço umedecido. Usar músicas, histórias curtas ou brincadeiras para deixar o momento mais leve. Entre 2 e 3 anos: Criar combinados simples, como “primeiro trocamos, depois voltamos a brincar”. Usar linguagem objetiva e positiva. Reconhecer quando a criança colabora. Manter uma rotina consistente. O que costuma aumentar a resistência Segundo a psicóloga Claudia Melo, interromper a brincadeira de repente, gritar, ameaçar ou transformar a troca em uma disputa de poder tende a intensificar o conflito. Mudar a forma de agir todos os dias também reduz a previsibilidade e dificulta a colaboração. “Outro cuidado envolve o uso constante de telas para distração. Embora o recurso resolva a troca naquele momento, pode atrapalhar o desenvolvimento de estratégias próprias para lidar com pequenas frustrações”, avalia a especialista. Já a busca por ajuda profissional deve acontecer diante dos seguintes sinais de alerta: resistência muito intensa e em todas as trocas; sofrimento importante; regressão no desenvolvimento; dificuldades de comunicação ou interação; sensibilidade exagerada ao toque, aos tecidos ou à limpeza íntima. Isso não significa, necessariamente, que exista algum transtorno, mas indica que vale investigar para compreender melhor as necessidades da criança e poder ajudá-la.

Doce, tela e colo para os netos. Quando os avós passam dos limites
Família

Doce, tela e colo para os netos. Quando os avós passam dos limites

Guloseimas antes do almoço ou fora de hora, alguns minutos a mais de tela ou aquele colo depois da criança aprontar. Diferenças entre pais e avós sobre a criação são comuns, mas não precisam virar motivos de conflitos quando todos compartilham do mesmo amor. Para a psicóloga Leny Louzada, especialista em ciências do envelhecimento, essas divergências surgem porque os mais velhos normalmente ocupam papéis diferentes, quer dizer, enquanto os pais são responsáveis por educar e estabelecer limites, os avós vivem a relação de um jeito mais leve, aproveitando o tempo com os netos. Ainda assim, isso não significa falta de cuidado. “Essas diferenças são completamente naturais. São maneiras diferentes de expressar o amor pelas crianças”, afirma a profissional. O diálogo vem antes das regras O primeiro passo é lembrar que ninguém está em lados opostos. Pais e avós precisam construir os combinados por meio de conversas abertas, respeitosas e sem julgamentos, para que cada um compreenda as necessidades do outro. A professora aposentada Roseli Caldas é avó de três crianças e conta que esse alinhamento começou antes mesmo de assumir parte dos cuidados com os netos. Como se aposentou justamente para cuidar deles, ela e os filhos conversaram desde o início sobre a rotina que seria seguida. Uma das estratégias adotadas pela família foi criar quadros de rotina, usados até hoje para organizar horários e atividades. “É aquele ditado: o combinado não sai caro. Com tudo acordado, fica tudo certinho para todos nós”, garante a avó. Nem tudo precisa ser igual Cada avô e cada avó têm seu jeito de demonstrar carinho, e preservar essa individualidade também faz parte de uma convivência saudável. O importante é que as regras realmente essenciais sejam compartilhadas por todos. Quando um combinado não é cumprido, a orientação é evitar discussões na frente da criança. “O ideal é conversar em particular, com carinho e sem apontar culpados. Na maioria das vezes, os avós agem movidos pelo desejo de agradar os netos, não de desrespeitar os pais”, observa a especialista Leny. Ela lembra ainda que os próprios avós são os pais dos adultos que hoje criam essas crianças. Por isso, o diálogo deve acontecer sempre com respeito e acolhimento. Quando vale flexibilizar Nem todas as regras têm o mesmo peso. Nesse sentido, algumas flexibilizações podem fazer parte das boas lembranças da infância, como um doce em ocasiões especiais, alguns minutos extras de brincadeira ou pequenas exceções previamente combinadas. Já temas ligados à saúde, à segurança, ao sono e ao uso de telas pedem que todos mantenham a mesma orientação. A avó Roseli conta que viveu esse desafio. Embora fosse contra liberar celulares para as crianças, respeitou a decisão tomada pelos pais. Já em relação aos doces antes dos dois anos, admitiu que inicialmente não concordava com a regra, mas optou por segui-la. Leny Louzada reforça que, mais importante do que concordar com tudo, é agir em parceria. “Quando pais e avós conseguem dialogar, respeitar seus papéis e trabalhar juntos, ensinam, pelo exemplo, valores como respeito, cooperação e afeto. Esse é um dos maiores presentes que uma família pode oferecer a uma criança”, finaliza.

Meu filho bate, empurra e pega brinquedos dos outros: como agir?
Socialização

Meu filho bate, empurra e pega brinquedos dos outros: como agir?

Quando a criança se envolve em conflitos com outras, é comum que os adultos fiquem em dúvida sobre como agir. Mas bater, empurrar ou pegar os brinquedos das mãos dos amiguinhos são situações frequentes, que ocorrem porque ela ainda está aprendendo a lidar com impulsos, frustrações e limites. Aliás, faz parte do desenvolvimento infantil. O lado bom é que os cuidadores podem usar tais momentos para ensinar sobre respeito e convivência. Entre 1 e 4 anos, por exemplo, isso é ainda mais recorrente. Nessa fase, a criança ainda não sabe segurar os impulsos, esperar pela sua vez, dividir e expressar o que sente e deseja. “Ainda precisa da mediação dos adultos para aprender maneiras mais adequadas de se relacionar. O comportamento é uma forma de comunicação e deve ser compreendido antes de ser corrigido", afirma a professora Ana Maria Damiani, coordenadora acadêmica de pedagogia da Universidade Anhembi Morumbi. O que fazer no conflito A primeira atitude é intervir na situação com calma, garantindo a segurança de todos os envolvidos. Depois, vale ajudar o pequeno a entender o que aconteceu e mostrar outras maneiras de agir. A especialista orienta que o adulto: interrompa o comportamento com firmeza, mas sem gritos; acolha o sentimento sem aceitar a agressão; nomeie o que aconteceu; explique que bater ou empurrar tende a machucar; proponha outra forma de pedir o brinquedo ou expressar o desejo. Uma frase simples pode ajudar: "Eu vi que você ficou bravo porque queria esse brinquedo. Mas bater machuca. Vamos pensar em outra maneira de pedir." Assim, a criança aprende que suas emoções são aceitas, mas nem todos os comportamentos são permitidos. Como ensinar a conviver As estratégias de convivência mudam conforme a idade da criança: Até 2 anos Faça a mediação das brincadeiras; Use frases curtas e objetivas; Ajude a nomear emoções; Incentive trocas simples e ofereça alternativas. De 2 a 3 anos Ensine frases como "Posso brincar depois?" e "Você me empresta?"; Incentive a esperar por pequenos períodos; Valorize quando a criança consegue compartilhar ou aguardar sua vez. De 3 a 5 anos Incentive a resolver pequenos conflitos com ajuda do adulto; Converse sobre sentimentos e consequências das atitudes; Use histórias, brincadeiras e faz de conta para desenvolver habilidades sociais; Reforce sempre os comportamentos respeitosos. A pedagoga Ana Maria Damiani também orienta a evitar rótulos como "agressiva", comparações com outras crianças, gritos, ameaças ou punições. Esperar um autocontrole que ainda está se desenvolvendo pode dificultar ainda mais esse aprendizado. Quando buscar ajuda A boa notícia é que, na maioria das vezes, esses comportamentos diminuem à medida que a criança amadurece e aprende novas formas de se comunicar. Lembre-se de que ensinar habilidades sociais é uma construção: envolve repetição, paciência e, sobretudo, exemplo. “Mais do que apenas corrigir comportamentos, o papel dos adultos é mostrar o que a criança pode fazer no lugar deles. Quando família e escola caminham juntas, esse aprendizado acontece com mais segurança”, afirma a educadora. Vale buscar orientação profissional, principalmente, quando as atitudes forem muito frequentes, intensas, agressivas ou persistirem mesmo com intervenções consistentes. Dificuldades de comunicação, interação social ou desenvolvimento também são sinais de alerta.

Birra não é falta de educação: saiba o que há por trás
Birra e Regulação Emocional

Birra não é falta de educação: saiba o que há por trás

Na infância, atitudes como chorar, gritar ou se jogar no chão são constantemente associadas à birra e vistas como frescura ou capricho. A explosão pode surgir com um biscoito que caiu no chão ou na hora de ir embora do parquinho. No entanto, existe outra leitura para esses casos: nomear emoções ainda pode ser difícil para a criança. A neuropsicóloga e terapeuta infantil Juliana Selegatto, da Mental One, esclarece que isso ocorre porque o cérebro da criança ainda está em desenvolvimento. Áreas responsáveis pelo autocontrole, pela tolerância à frustração e pela regulação das emoções estão amadurecendo. "Quando a criança escuta um 'não', se frustra ou se sente sobrecarregada, pode reagir com choro, gritos ou muita irritação. Na maioria das vezes, a birra é muito mais um pedido de ajuda do que um desafio aos pais", afirma. Tentativa de comunicação A birra costuma ser apenas a ponta do iceberg. Por trás da reação, podem existir necessidades ou sentimentos que a criança ainda não sabe expressar. Por isso, antes de pensar apenas no comportamento, vale se perguntar se ela está: frustrada; cansada; com fome; com medo; querendo fazer algo sozinha; sem conseguir lidar com tudo o que está sentindo. Acolher não é dizer "sim" para tudo Muitas vezes, aquilo que parece uma reação exagerada nasce do acúmulo de pequenas frustrações, excesso de estímulos ou mudanças na rotina. Compreender o contexto ajuda muito mais do que olhar apenas para a crise. De toda forma, entender o sentimento da criança não significa abrir mão dos limites. Segundo a psicóloga, ceder sempre para parar a crise vai indicar ao pequeno que insistir é uma forma eficaz de conseguir o que deseja. O equilíbrio está em validar a emoção, mas manter a direção da situação. "Você pode dizer: 'Eu sei que você ficou bravo porque queria continuar brincando. Eu entendo. Mas agora é hora de ir para casa.' A criança recebe duas mensagens importantes ao mesmo tempo: que seus sentimentos são compreendidos e que o limite continua existindo", orienta a terapeuta Juliana Selegatto. Outras atitudes que também ajudam incluem: Investir em uma rotina previsível. Sono adequado. Alimentação regular. Baixo nível de estímulos. Oferecer pequenas escolhas compatíveis com a idade (por exemplo: sugerir que decida entre duas roupas favorece a autonomia e reduz conflitos). Avisar alguns minutos antes das mudanças. Quando a birra merece atenção Na maioria das crianças, as birras diminuem naturalmente conforme a linguagem, o autocontrole e a capacidade de lidar com as emoções se desenvolvem. Ainda assim, vale procurar ajuda quando as crises são muito intensas, frequentes, demoradas, envolvem agressões ou começam a prejudicar a rotina da criança e da família. A neuropsicóloga reforça que os pais não precisam ser perfeitos. Haverá dias em que perderão a paciência e isso faz parte. Nesses casos, pedir desculpas e retomar a conversa quando todos estiverem mais calmos também é uma forma de educar. Isso porque gritos, ameaças e punições podem interromper o comportamento por medo, mas não ensinam a criança a regular suas emoções. "Toda birra passa. Mas a forma como os adultos respondem a ela deixa marcas importantes no desenvolvimento emocional da criança”, finaliza a especialista.

Pés à mostra: sem medo de usar sandálias e chinelos
Autoestima

Pés à mostra: sem medo de usar sandálias e chinelos

Mostrar os pés em público pode ser um desafio para muita gente. Isso porque a vergonha de usar sandálias ou chinelos está frequentemente ligada à autoestima e não apenas à estética. Detalhes como rachaduras, calos ou unhas irregulares costumam gerar insegurança, mas essa relação pode ser transformada com leveza e confiança. Em boa parte dos casos, o acanhamento costuma vir à tona quando a pessoa sente que os pés fogem do padrão de beleza esperado, na opinião da podóloga Sheila Cristina Ferreira, especialista em estética podal. “Muitas pessoas sentem vergonha por acharem os pés feios, malcuidados ou diferentes”, explica. Já para a psicóloga Aline Graffiette, fundadora da Mental One, a autoimagem tem papel decisivo nessa percepção. “Quando temos uma autoimagem distorcida, tendemos a supervalorizar detalhes que passam muitas vezes despercebidos para os outros, como os pés. Aprender a enxergar o corpo como um todo é um passo importante para reconstruir a autoestima”, afirma. Motivos que geram vergonha O desconforto com os pés pode surgir por diferentes razões – algumas estéticas, outras emocionais. Entre os principais incômodos apontados pelos especialistas estão situações como: Calos e rachaduras nos calcanhares, que comprometem a aparência; Unhas encravadas ou com micose, que causam dor e constrangimento; Ressecamento excessivo e descamação, que deixam os pés ásperos; Alterações no formato dos dedos ou unhas, que impactam a autoimagem. De acordo com a podóloga Sheila, até o tamanho dos dedos é motivo de insatisfação para algumas pessoas. A psicóloga Aline, por sua vez, lembra que esse desconforto pode ir além da estética. “A vergonha é uma emoção poderosa que, quando não compreendida, pode limitar comportamentos e atitudes. Muitas pessoas acabam evitando situações sociais, roupas específicas ou momentos de lazer por não se sentirem à vontade para mostrar os pés.” Autocuidado que devolve confiança Cuidar dos pés é mais do que um gesto de vaidade: é uma forma de retomar o vínculo com o próprio corpo. E pequenas atitudes fazem diferença! Algumas fáceis são: Hidratar todos os dias, principalmente à noite; Esfoliar suavemente uma vez por semana; Cortar as unhas corretamente, sem retirar os cantos; Consultar o podólogo regularmente para prevenir rachaduras e infecções. “O mais transformador é ver o paciente retomando a autoestima e o prazer de usar sandálias ou ir à praia sem constrangimento”, conta Sheila. Segundo ela conta, pequenos cuidados trazem resultados visíveis e mostram que pés bem tratados são parte essencial da beleza e do bem-estar. Aceitação e autoestima Além da rotina de cuidados, a psicóloga reforça que o olhar emocional tem papel decisivo nesse processo. Ela explica que a vergonha de mostrar os pés é apenas um reflexo da relação que temos com o próprio corpo. “Quem sente vergonha de mostrar os pés pode acabar evitando momentos de lazer e convivência. Esse movimento de esconder-se do mundo enfraquece a autoconfiança e alimenta a sensação de inadequação”, afirma a profissional. Para mudar essa relação, o segredo está na autocompaixão, que pode ser praticada por meio de ações e gestos como: Evitar comparações e acolher o que há de único no próprio corpo; Transformar o cuidado em ritual, massageando e hidratando com atenção; Exercitar o olhar gentil, trocando a crítica pelo reconhecimento; Valorizar o que seus pés representam: força, sustentação e história. “O autocuidado é um gesto de amor-próprio. Cuidar dos pés é reconhecer que eles te sustentam todos os dias”, aponta a especialista em saúde mental. “Os pés contam uma história. Levam e permitem chegar aonde se deseja. Mostrá-los é um ato simbólico de liberdade e aceitação. O que torna belo não é a ausência de imperfeições, mas a forma como se acolhe.”

A Geração Z e o que ela pensa sobre os esportes
Esporte e Saúde

A Geração Z e o que ela pensa sobre os esportes

Com hábitos de vida cada vez mais ligados à tecnologia, a Geração Z, formada por quem nasceu entre 1997 e 2012, aproximadamente, tem mostrado comportamentos diferentes em relação à prática de esportes. Se por um lado há novas formas de engajamento, por outro, os desafios para combater o sedentarismo e incentivar a atividade física também aumentaram, mas de um jeito menos convencional. A verdade é que o interesse dos jovens por esportes tradicionais vem diminuindo, segundo Thiago Ferreira, coordenador do curso de Educação Física da Universidade FMU. “Eles preferem atividades mais flexíveis, que permitam a expressão pessoal. Valorizar a experiência pesa mais do que a competição”, analisa. Assim, modalidades alternativas como dança, lutas, skate, parkour, funcional e yoga estão em alta entre os jovens. Essa percepção é reforçada pelo professor Cesar Miguel Momesso, também da FMU. Ele destaca que, embora a geração valorize a saúde, o tempo dedicado à prática esportiva caiu consideravelmente nos últimos anos. “A média semanal de atividade física gira em torno de 106 minutos, muito abaixo dos 300 minutos recomendados. Já o tempo de tela chega a quase 400 minutos por dia”, alerta. O que move a Geração Z a praticar esportes De acordo com Thiago Ferreira, vários fatores motivam a gen-Z a se exercitar: Estética corporal e cuidado com a saúde mental; Socialização e sensação de pertencimento; Busca por diversão e prazer; Engajamento tecnológico associado às práticas físicas. A influência da tecnologia, aliás, é um ponto que merece atenção. “Pode ser uma grande aliada, com aplicativos fitness, vídeos motivacionais e dispositivos de monitoramento. Mas o uso excessivo de telas é um risco real para o sedentarismo”, diz o profissional. Impacto do digital na saúde física Para Cesar Miguel Momesso, o estilo de vida conectado tem consequências claras no desempenho físico dos jovens. A inatividade favorece o surgimento de doenças crônicas, como diabetes tipo 2 e hipertensão, por exemplo, além de impactar o desenvolvimento cognitivo e social. “Outro problema recorrente são as posturas inadequadas, consequência do uso prolongado de dispositivos eletrônicos”, acrescenta, pensando também nos impactos físicos da exposição tecnológica. Thiago Ferreira lembra ainda que, entre 2009 e 2019, o número de adolescentes brasileiros considerados ativos caiu pela metade - entre as meninas, os índices são ainda mais preocupantes, com menos de 50 minutos semanais delas dedicados à atividade física. Como engajar os jovens nos esportes? O coordenador destaca algumas estratégias que têm dado resultados: Gamificação de treinos, transformando a prática esportiva em desafios lúdicos; Uso de redes sociais para divulgar metas, conquistas e criar senso de comunidade; Ambientes acolhedores, inclusivos e diversos; Estímulo à autonomia e escolha de modalidades alinhadas aos interesses pessoais. Desse modo, a tecnologia, quando usada de forma inteligente, também é uma aliada. Aplicativos de monitoramento, plataformas de aulas online, conteúdos interativos e presença ativa nas redes ajudam a aproximar os jovens da prática esportiva. O docente Cesar Miguel Momesso completa que, para atrair a gen-Z, escolas e academias precisam adotar novas abordagens, como: Investir em treinos mais curtos e dinâmicos, que se encaixem nas rotinas corridas; Oferecer opções que combinem treino físico e bem-estar mental, como yoga e mindfulness; Criar espaços de convivência e promover a socialização antes e depois das atividades. Além disso, ele reforça que a educação física escolar também precisa ser repensada. A diminuição da carga horária e a mudança de foco para temas interdisciplinares podem contribuir para a queda no nível de atividade entre adolescentes, por exemplo. Mais atividades, mais pertencimento Outro fator importante para conquistar a Geração Z é o senso de pertencimento. Thiago explica que os jovens se engajam mais quando sentem que fazem parte de algo maior. “Eventos em grupo, desafios e competições saudáveis ajudam a manter a motivação em alta”, afirma. Para ele, mostrar o impacto positivo da atividade física não só na estética, mas também na saúde mental e no bem-estar, é um caminho eficaz para engajar essa geração tão conectada e exigente.

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