Doenças e Dores
Antes de beijar um recém-nascido, leia isto
Visitar um bebê, sobretudo um recém-nascido, desperta a vontade de pegar no colo, beijar e demonstrar carinho. Entretanto, até mesmo o carinho precisa de cuidado. Nas primeiras semanas de vida, evitar alguns gestos é importante para reduzir o risco de infecções. E a regra vale para todo mundo.
Foi por esse motivo que a advogada Paloma Moura, mãe de uma menina de dois anos, decidiu estabelecer limites para as visitas ainda durante a gestação. A preocupação surgiu depois de conhecer casos de bronquiolite em bebês pequenos.
“Eu li muito sobre a doença durante a gravidez, porque isso já me preocupava bastante. Quando minha filha nasceu, não pensei duas vezes antes de limitar as visitas”, relembra.
Primeiros dias exigem proteção extra
Segundo a pediatra Clery Gallacci, do Hospital e Maternidade Santa Joana, o recém-nascido possui um sistema imunológico imaturo, o que aumenta sua vulnerabilidade às infecções virais e bacterianas.
O primeiro leite da mãe, conhecido como colostro, ajuda a oferecer anticorpos e proteínas importantes para essa proteção. Além disso, ainda na gestação, o bebê recebe anticorpos pela placenta, motivo pelo qual a vacinação materna é essencial.
“O beijo no rosto pode transmitir, por meio de micropartículas e gotículas respiratórias, diversos agentes infecciosos. Da mesma forma, o beijo nas mãos também representa risco, porque o bebê costuma levá-las à boca”, alerta a médica.
Quem deve evitar contato com o bebê
A principal preocupação entre os pediatras está nas primeiras semanas de vida. O cenário se torna ainda mais alarmante quando acontece em um período de maior circulação de vírus respiratórios, como o inverno, por exemplo.
Mas nem toda visita representa o mesmo risco. De acordo com a especialista, algumas situações exigem ainda mais cuidado e podem, inclusive, justificar o adiamento do encontro. Como recomendação, ela destaca:
evitar visitas com sintomas gripais, febre ou qualquer processo infeccioso;
impedir o contato direto de pessoas com herpes labial ou outras lesões na pele;
evitar a presença de crianças em idade escolar, que podem transmitir vírus respiratórios;
higienizar as mãos antes de tocar no bebê;
utilizar máscara durante a visita.
Limites sem conflitos
Na experiência de Paloma, compartilhar informações sobre os riscos ajudou a tornar essa conversa mais fácil e superar o receio de desagradar outras pessoas valeu a pena. Para o marido foi mais difícil, mas priorizar a bebê era inegociável.
Conversar com os familiares antecipadamente e deixar claro que os cuidados são temporários pode ajudar. Explique que o objetivo não é afastá-los, mas proteger o bebê, já que uma simples coriza pode representar um risco real.
Por último, a pediatra Clery Gallacci recomenda restringir as visitas nas primeiras semanas para avós e tios próximos que estejam saudáveis. Ela também lembra que o carinho da família pode ser demonstrado de outras maneiras, como participando da rede de apoio da mãe ou tocando o bebê apenas sobre a roupa.