Desenvolvimento e Autonomia
Até quando o bebê é considerado um recém-nascido
A expressão “recém-nascido” é usada com frequência, mas tem uma definição oficial na medicina. Pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o bebê é considerado recém-nascido até os 28 dias de vida. Esse período é chamado de “fase neonatal” e exige cuidados específicos com a saúde.
A pediatra Alana Zorzan, cofundadora do aplicativo Mini Löwe, explica que a etapa recebe um olhar diferenciado por concentrar muitas mudanças e maior vulnerabilidade. Trata-se da transição da vida intrauterina para a extrauterina, quando o corpo do bebê passa a assumir funções que antes eram da placenta.
Parte disso tem a ver com a necessidade da vigilância necessária: é justamente nesse intervalo que a pediatria e a obstetrícia concentram esforços na prevenção da mortalidade neonatal e na detecção precoce de malformações ou distúrbios metabólicos.
Afinal, o que acontece nesse período?
Nos primeiros 28 dias de vida, o bebê vive um processo intenso de adaptação. Entre as principais mudanças, a médica chama atenção para:
Respiração: os pulmões precisam se expandir e realizar sozinhos a troca gasosa.
Circulação: ocorre o fechamento de estruturas cardíacas fetais, como o forame oval, para a circulação considerada “adulta”.
Termorregulação: o bebê aprende a manter a temperatura corporal em um ambiente muito mais frio do que o útero.
Digestão: o sistema digestivo começa a amadurecer, processar o leite e eliminar o mecônio (as primeiras fezes).
O que muda nos cuidados
Durante o período neonatal, o foco principal é a estabilização. Os cuidados específicos dessa fase envolvem:
Higiene do coto umbilical, com limpeza prescrita.
Imunidade, já que o sistema imunológico é extremamente imaturo, exigindo maior rigor no isolamento social relativo.
Sono e fome, que ainda não seguem uma rotina – o ritmo é de livre demanda absoluta e ciclos de sono desregulados.
Após os 28 dias, o olhar começa a ficar mais brando. Desenvolvimento motor, interação social e introdução gradual das rotinas são os próximos focos listados pela pediatra entrevistada.
Aliás, existe uma divisão de tempo nas primeiras semanas de vida (neonatal): o período precoce vai do nascimento até o sexto dia de vida, enquanto o período tardio dura do sétimo ao vigésimo oitavo dia, quando é considerado o fim da etapa.
“Mesmo os bebês prematuros deixam de ser considerados recém-nascidos cronologicamente aos 28 dias após o parto”, revela Alana.
Testes e sinais de alerta
Durante a fase neonatal precoce, acontecem testes e avaliações muito importantes e inadiáveis:
teste da orelhinha e do olhinho (na primeira semana);
teste do coraçãozinho (entre 24 e 48 horas de vida);
teste da linguinha;
teste do pezinho (entre o 3º e o 5º dia de vida);
primeira consulta pediátrica (na primeira semana).
Além de realizar todos esses exames e consultas, os primeiros dias de vida do bebê pedem vigilância total, sobretudo aos sinais de alerta. Se notar algum desses, busque atendimento médico imediatamente:
icterícia excessiva (pele e olhos muito amarelados, especialmente em pernas e braços);
dificuldade de sucção ou bebê muito prostrado;
febre ou hipotermia;
gemência (gemido respiratório) ou esforço respiratório visível;
alterações nas eliminações fisiológicas, como sangramentos, muco ou diminuição da diurese.
Os primeiros 28 dias para os pais
Além dos cuidados clínicos, há um aspecto emocional importante. A pediatra Alana Zorzan aconselha a estabelecer uma boa rede de apoio para dividir as tarefas essenciais, como banho, troca de fraldas e organização do sono.
Considerando que a amamentação costuma ficar sob responsabilidade exclusiva da mãe – e exige muita energia física e mental –, essa divisão ajuda a reduzir boa parte da sobrecarga nesse período.
“Tudo é novo. São descobertas e experiências intensas. É uma fase exigente, mas transitória. O foco deve estar no bebê e no descanso da puérpera”, finaliza a especialista.