Tendinite
Tendinite nos pés: sintomas que não devem ser ignorados
Dores nos pés podem parecer passageiras, mas quando envolvem os tendões, o problema exige atenção imediata. A tendinite é uma inflamação que pode atingir diferentes estruturas do membro inferior e, quanto antes for tratada, menores são os riscos de complicações, incluindo rupturas e deformidades.
Segundo o ortopedista Thiago Coelho, especialista em pé e tornozelo do Hospital Sírio-Libanês em Brasília, a tendinite é a inflamação dos tendões, ou seja, estruturas que ligam os músculos aos ossos e permitem o movimento das articulações.
“Os tendões mais afetados nos pés são o calcâneo, conhecido como tendão de Aquiles; o tibial posterior, essencial para manter o arco do pé; e os fibulares. O perigo maior está nas tendinoses, que são degenerações dessas estruturas e podem levar até a rompimentos”, alerta o médico.
Primeiros sinais que merecem atenção
Os sintomas iniciais de tendinite nos pés nem sempre são intensos, mas indicam que algo não vai bem. Os principais são:
Dor localizada que piora ao movimentar e acompanha o trajeto do tendão;
Inchaço que tende a aumentar ao longo do dia ou após atividade física;
Desabamento do arco do pé, nos casos que envolvem o tendão tibial posterior;
Dificuldade para descer escadas ou saltar, especialmente quando o tendão de Aquiles é afetado.
Esses sinais não devem ser ignorados, já que, conforme o especialista, a falta de tratamento precoce pode gerar complicações sérias.
Situações que favorecem a inflamação
Algumas condições e comportamentos aumentam o risco de desenvolver tendinite:
Tabagismo;
Diabetes;
Uso de anabolizantes;
Sedentarismo;
Deformidades nos pés, como pé plano ou cavo, com pisadas excessivamente pronadas ou supinadas;
Esforço repetitivo sem preparo físico adequado.
Além disso, sapatos inadequados são uma das causas mais comuns da inflamação. O recomendado é fugir dos modelos que causam atrito no calcanhar (porque podem gerar tendinopatia de Aquiles), dos saltos altos e finos (aumentam o risco de entorse e lesão dos tendões fibulares) e rasteirinhas retas e sem amortecimento (prejudicam qualquer tipo de pé).
“Em casos de tendinite do tendão de Aquiles, por exemplo, a ausência de cuidados pode levar à ruptura total, exigindo cirurgia. Já em idosos com lesão do tendão tibial posterior, pode ocorrer colapso do pé, com desabamento progressivo”, acrescenta Thiago Coelho.
Diante de um processo doloroso, para saber se está relacionado à condição, a dica é: a dor da tendinite costuma ser localizada no trajeto do tendão ou na inserção no osso, além de piorar com o movimento e melhorar com o repouso, podendo vir ainda acompanhada de inchaço e vermelhidão.
“Exames de imagem, como ultrassonografia e ressonância magnética, ajudam a confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade da lesão. Já testes biomecânicos, como isocinético, baropodometria e biomecânica 3D, identificam a causa exata do problema”, esclarece o ortopedista. Por isso é fundamental ir ao médico.
Tratamentos eficazes
Nos casos leves e moderados, o tratamento de tendinite é geralmente clínico. Nesse cenário, costumam ser indicados:
Crioterapia (gelo), se houver inchaço e vermelhidão;
Repouso relativo e, se necessário, imobilização;
Anti-inflamatórios quando o gelo não for suficiente;
Fisioterapia individualizada, com protocolos específicos para a lesão;
Palmilhas ortopédicas, em caso de deformidades nos pés.
Thiago Coelho destaca ainda o avanço da terapia por ondas de choque, chamada de ortotripsia, que estimula a regeneração do tendão e melhora a dor nos casos moderados e graves. “Já as infiltrações com corticoides devem ser evitadas, pois aumentam o risco de ruptura”, adverte.
Mais fácil do que tratar a tendinite é evitá-la. Alongar e fortalecer os músculos dos pés e pernas é fundamental. Exercícios de fortalecimento, principalmente os excêntricos, ajudam a proteger os tendões e evitar novas lesões.
No entanto, o especialista traz um alerta importante: alongamentos não devem ser feitos durante a fase aguda, quando há dor e inchaço, pois pioram o quadro. Só devem ser introduzidos após melhora da inflamação e com orientação.
Por último, a fisioterapia tem papel central na recuperação e prevenção das tendinites. “Ela atua no controle da dor, da inflamação e, principalmente, nas causas da lesão. Quanto mais personalizada for a abordagem, maiores as chances de sucesso”, finaliza o médico.