Tendinite
Meias certas ajudam a prevenir tendinites. Entenda
Você já pensou que as meias podem ter um papel importante nos casos de tendinite? A condição costuma surgir a partir de microlesões repetitivas nos tendões, e esses itens de vestuário, aparentemente simples, ajudam a reduzir fatores de risco para o quadro.
O fisioterapeuta esportivo Eduardo Saraiva garante que a meia não é apenas um acessório de conforto, já que influencia diretamente o pé dentro do calçado. Por isso, meias adequadas ajudam a controlar fatores biomecânicos, como atrito e estabilidade, aspectos importantes para o surgimento da doença.
“A meia pode contribuir com a prevenção da tendinite, sobretudo em conjunto com o calçado certo, treino adequado e outros cuidados com o corpo”, afirma o profissional.
Tecido e ajuste fazem diferença
O tipo de material interfere diretamente no desempenho do pé dentro do tênis. Entre os principais tecidos usados na confecção das meias estão:
Algodão puro: absorve o suor, permanece úmido e aumenta o atrito entre o pé e o calçado, gerando bolhas, irritações e microtraumas nos tendões.
Poliéster: permite que o suor evapore com mais facilidade, diminuindo a fricção e mantendo o pé mais seco e estável.
Segundo Eduardo, a diferença é relevante tanto em treinos quanto em competições, especialmente quando há impacto repetitivo. Além disso, o tamanho da meia deve ser o ideal, pois interfere na biomecânica:
Meias apertadas: comprimem os dedos e o calcanhar, alteram a forma como o pé se movimenta e aumentam a tensão nos tendões;
Meias largas: podem dobrar dentro do tênis e causar atrito e instabilidade, favorecendo cargas irregulares e dor.
Quando escolher cada modelo
O fisioterapeuta ressalta que a escolha do formato deve estar alinhada ao tipo de treino e ao calçado utilizado. Cada opção tem uma indicação específica:
Meia de cano curto: oferece mais liberdade e menos suporte, ideal para treinos leves;
Meia de cano médio ou alto: indicada para corrida, futebol ou trekking por gerar maior proteção na região do tornozelo e na parte superior do tênis, aumentando a estabilidade;
Meia compressiva: pode melhorar a circulação, reduzir a vibração muscular e aumentar a percepção de estabilidade do pé, auxiliando na recuperação e na performance.
Há também diferenças entre meias comuns e esportivas. Enquanto as comuns apenas cobrem o pé, as esportivas têm áreas de amortecimento, ventilação e ajuste anatômico. “Elas reduzem a fricção e ajudam o pé a trabalhar de forma mais estável, resultando em menor risco de microtraumas e sobrecarga nos tendões”, afirma o especialista.
Dicas de quem entende
Vale lembrar que a escolha da meia torna-se especialmente relevante em atividades com impacto repetitivo ou mudanças rápidas de direção, como corridas, trilhas, futebol, basquete e tênis, além de crossfit e treinos de musculação intensa com saltos.
Na hora da compra, o fisioterapeuta esportivo Eduardo Saraiva sugere priorizar as seguintes características:
Respirabilidade, para manter o pé seco.
Ajuste anatômico, que evita dobras e apertos.
Compressão adequada, porque melhora a estabilidade e circulação.
Amortecimento localizado, protegendo calcanhar e antepé.
Costuras planas, que reduzem atrito e bolhas.
Ainda assim, trocar apenas a meia não resolve a tendinite. É fundamental avaliar o calçado, observar a carga de treino e, se necessário, investigar possíveis alterações biomecânicas no pé ou no tornozelo, que podem exigir avaliação profissional.