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Vínculo se constrói na troca de fralda, no banho e no colo
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Vínculo se constrói na troca de fralda, no banho e no colo

Trocar a fralda, dar banho ou acolher no colo pode parecer apenas parte da rotina, mas são esses cuidados repetidos que ajudam o bebê a reconhecer a presença dos cuidadores, somada à segurança e à disponibilidade. A conexão não depende somente de grandes demonstrações de carinho ou longos momentos de dedicação exclusiva, e sim da forma como o adulto responde às necessidades da criança ao longo do dia e nas pequenas interações de todo dia. "O vínculo não nasce de um grande evento isolado, mas da certeza de que, na simplicidade do dia a dia, alguém responde ao chamado desse bebê", afirma a psicóloga Eliane Alves. Isso porque, nessa fase da vida, a percepção de segurança nasce por meio da repetição e da previsibilidade. É durante os cuidados cotidianos que os pequenos entendem, aos poucos, que existe alguém disponível para acolher suas necessidades. Afeto por trás dos cuidados Na verdade, a troca de fralda, o banho ou alguns minutos de colo vão muito além de tarefas práticas. Esses momentos ajudam o bebê a conhecer o próprio corpo, compreender o ambiente e fortalecer a relação com quem cuida dele. Segundo a psicóloga, o toque, o olhar e a voz fazem toda a diferença durante esses cuidados. Enquanto limpa, veste ou acolhe o nenê, o adulto transmite mensagens de proteção, respeito e disponibilidade emocional. "O olhar humaniza o cuidado. A voz acalma e organiza a experiência do bebê. Sem essa presença, a rotina pode virar apenas uma tarefa. Com ela, transforma-se em afeto e estrutura emocional", explica Eliane Alves. O que faz diferença Muitos pais acreditam que precisam criar atividades especiais ou passar horas com o bebê para fortalecer o vínculo. Porém, a qualidade da interação costuma ser muito mais importante do que o relógio. Assim, mesmo em uma rotina corrida, pequenas atitudes aumentam a conexão, tais como: narrar o que está acontecendo durante o banho ou a troca de roupa; manter contato visual enquanto cuida do bebê; desacelerar o tom de voz; observar e responder aos sinais que o bebê demonstra. Significa que cinco minutos de colo com atenção genuína podem ser mais significativos do que uma tarde inteira em que o adulto permanece distraído com o celular ou pensando nas preocupações do dia, por exemplo. O vínculo nasce na rotina Vale tirar o peso das costas: atividades elaboradas ou uma rotina perfeita não são os caminhos para criar uma relação de afeto com o bebê. O mais importante é estar verdadeiramente presente naqueles momentos que já fazem parte do cotidiano da família. "Um bebê que se sente olhado, escutado e acolhido desenvolve segurança interna. E os pais também têm de lembrar que não precisam ser perfeitos: o vínculo se constrói justamente na imperfeição do dia a dia", destaca a psicóloga. Ela ainda deixa um lembrete importante: para oferecer esse olhar sensível ao bebê, pais e cuidadores também precisam de suporte e acolhimento.

E se o vínculo com o bebê não vier como nos filmes?
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E se o vínculo com o bebê não vier como nos filmes?

É comum imaginar que a ligação com o bebê surgirá imediatamente após o nascimento. Mas isso nem sempre acontece e está tudo bem! Para muitas famílias, esse vínculo é construído aos poucos, em meio à adaptação da nova rotina. O processo é único e não deve ser comparado com outras vivências, sobretudo às histórias dos filmes. A forma como o bebê foi idealizado, a preparação durante a gestação e a presença da rede de apoio influenciam diretamente nisso. "O vínculo nem sempre surge de forma imediata e não existe um momento 'certo' para essa relação acontecer. Afinal, a parentalidade também se aprende e exige investimento emocional, tempo e adaptação”, destaca a psicóloga Simone Camargo, vice-presidente da Associação Brasileira de Terapia Familiar (Abratef). Conexão pode demorar Fadiga, sobrecarga física e emocional do puerpério, mudanças bruscas na rotina e insegurança diante dos primeiros cuidados podem tornar essa aproximação mais lenta. Outros fatores que também influenciam são: o contexto familiar; a ajuda no dia a dia; experiências anteriores, como perdas ou violência. A especialista reforça que isso não significa que exista algo de errado com os pais ou o bebê. Pelo contrário: ausência de vínculo não é falta de amor nem incapacidade parental, mas um processo de construção marcado por tentativas e aprendizados. Quanto mais organizada e apoiada estiver a família, menor tende a ser a sobrecarga e maior o espaço para que essa conexão aconteça naturalmente. Vínculo nasce no dia a dia Para a psicóloga Simone Camargo, essa relação se fortalece justamente nas pequenas interações da rotina. Alimentar, trocar a fralda, dar banho, colocar para dormir ou oferecer colo são momentos que funcionam como um investimento afetivo gradual. Durante esses cuidados, algumas atitudes ajudam na conexão: olhar nos olhos do bebê; conversar e cantar durante a rotina; acolher por meio do toque; estar emocionalmente disponível. Os familiares podem contribuir oferecendo ajuda prática, como cozinhar, cuidar da casa ou ficar com o bebê por alguns momentos. Mais do que dar conselhos ou fazer comparações, o acolhimento deve respeitar o ritmo dos pais e compreender que cada família constrói sua própria forma de viver a parentalidade. Sentimentos difíceis Embora o vínculo possa levar tempo para acontecer, também é importante cuidar da saúde emocional nessa fase, sobretudo das mães, e reconhecer sinais de atenção. Tristeza persistente, ansiedade incapacitante, sensação de pânico e pensamentos intrusivos merecem avaliação psicológica e, quando necessário, psiquiátrica. Aliviar a pressão por uma parentalidade perfeita é uma medida importante e necessária. Afinal, entre o bebê imaginado durante a gestação e a experiência real de cuidar de uma criança existe um caminho de adaptação, descobertas e aprendizado. “Não há um manual único nem uma forma "certa" de construir esse vínculo: ele nasce, principalmente, da convivência e das experiências compartilhadas no dia a dia”, finaliza a especialista.

O que o macaquinho Punch revela sobre vínculo e segurança?
Adaptação e Ambiente

O que o macaquinho Punch revela sobre vínculo e segurança?

A história de Punch, o filhote de macaco rejeitado pela mãe em um zoológico no Japão que passou a se agarrar a uma pelúcia, viralizou nas redes sociais. À primeira vista, a imagem parece apenas comovente. Mas, por trás do gesto, há um mecanismo profundo de adaptação emocional, que também vale para nós: a busca por segurança diante da perda. Para a neuropsicóloga e orientadora parental Juliana Selegatto, que atua com crianças e adolescentes na clínica Mental One, o episódio vai além da fofura e acaba expondo o desejo por proteção, algo central no desenvolvimento humano. “A cena evidencia uma necessidade básica do ser: sentir-se protegido. Diante da perda e da rejeição, o filhote procura algo que ofereça segurança e previsibilidade. Isso mostra como o vínculo não é apenas afetivo, mas também regulador das emoções, especialmente em fases iniciais da vida”, detalha a profissional. Em busca de estabilidade Assim como o macaquinho Punch buscou na pelúcia uma forma de se reorganizar diante da ausência materna, seres humanos recorrem a vínculos e recursos que tragam estabilidade emocional. Isso porque a necessidade de segurança não é secundária, mas essencial para o equilíbrio emocional. No caso de bebês e crianças pequenas, por exemplo, esse movimento pode se manifestar no apego a paninhos, ursinhos ou outros itens específicos. Embora, obviamente, eles não substituam os pais ou cuidadores, são como um apoio simbólico diante da separação. “Esses objetos funcionam como mediadores de conforto, ajudando a criança a lidar com a ausência ou a separação da figura de apego. Eles oferecem previsibilidade, acolhimento simbólico e auxiliam na autorregulação emocional”, explica Juliana. Apoio da Teoria do Apego A Teoria do Apego, do psicólogo e psiquiatra John Bowlby (1907-1990), também ajuda a compreender por que esse comportamento não é aleatório. O vínculo com uma figura cuidadora constitui a base de segurança e é a partir dela que o desenvolvimento emocional se organiza e a autonomia começa a surgir. De acordo com a especialista Juliana Selegatto, quando esse vínculo falha ou se rompe, o organismo tende a buscar alternativas para se regular, como o macaquinho de pelúcia abraçado carinhosamente pelo animal. O paralelo com bebês humanos é bastante direto, já que, nos primeiros meses, a presença dessa base de segurança é essencial para o desenvolvimento emocional saudável do pequenino. Vínculos ao longo da vida A história de Punch ilustra como a necessidade de vínculo atravessa toda a vida e influencia a forma como nos adaptamos ao ambiente. Afinal, a busca por segurança não desaparece com o crescimento, apenas assume novos formatos. “As experiências iniciais moldam a forma como confiamos, buscamos apoio e nos relacionamos. Quando o vínculo é seguro, ele favorece a autonomia. Porém, quando é frágil, tendemos a buscar compensações emocionais ao longo da vida”, observa a orientadora parental. Olhar com sensibilidade para comportamentos que, à primeira vista, podem parecer ‘estranhos’, é o conselho deixado pela neuropsicóloga. Muitas vezes, eles são tentativas legítimas de adaptação diante da perda, dos humanos e não humanos.

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