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Quem amamenta pode tomar Mounjaro? Veja o que se sabe
Amamentação e Alimentação

Quem amamenta pode tomar Mounjaro? Veja o que se sabe

Equipe Baruel Baby
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Afinal, uma mãe pode usar Mounjaro enquanto ainda amamenta o bebê? Se essa dúvida parece descabida, saiba que o mesmo questionamento levou milhares de pessoas ao Google e foi a principal pergunta sobre amamentação feita na plataforma em apenas um ano, com mais de 70 mil buscas.

A resposta, porém, não é tão simples. Igor Viana, especialista em endocrinologia e metabologia, conta que já existem dados tranquilizadores sobre a passagem da tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro) para o leite materno, mas as evidências ainda são insuficientes para considerar seu uso plenamente seguro para o aleitamento.

Por isso, o medicamento não deve ser usado de maneira indiscriminada nesse período, especialmente quando o objetivo é exclusivamente estético. A decisão precisa considerar a necessidade clínica da mãe, a idade e as condições do bebê, a fase da lactação, as alternativas disponíveis e os benefícios e possíveis riscos envolvidos.

A tirzepatida passa para o leite materno?

De acordo com o médico, a bula mais recente do Mounjaro, nos Estados Unidos, já incorpora um estudo específico de lactação. Os dados disponíveis indicam que essa passagem existe, mas parece ser muito pequena. No impresso do medicamento, cita-se que 11 mulheres lactantes receberam uma dose única de 5 mg, sendo que a tirzepatida foi indetectável em 164 de 171 amostras de leite. Nas demais, a quantidade total encontrada correspondeu a menos de 0,02% da dose administrada.

Ainda assim, o médico destaca que o número de mulheres estudadas é pequeno e que o principal estudo avaliou apenas uma dose do medicamento. “Faltam dados robustos sobre o uso contínuo, doses mais altas e possíveis efeitos a longo prazo no crescimento e no desenvolvimento dos bebês”, alerta.

É por isso que, neste momento, ainda não se pode falar em risco zero para os lactentes. Inclusive, até a saúde da própria mãe deve entrar nessa discussão. Tudo porque o remédio reduz o apetite e pode provocar sintomas como náuseas, vômitos e diarreia na mulher, enquanto a amamentação, por si só, aumenta as demandas nutricionais e hídricas.

A indicação médica muda tudo

A real necessidade do tratamento faz toda a diferença nessa decisão. Para Karoline Prado, ginecologista e obstetra, uma mulher com diabetes tipo 2 pode receber indicação, já que precisa manter o controle adequado da doença, mas ainda existem opções mais experientes na literatura, como a metformina e a insulina.

Se a finalidade é exclusivamente a perda de peso, a avaliação muda. Dependendo do caso, pode ser possível priorizar inicialmente outros cuidados durante o pós-parto, como:

  • alimentação adequada e acompanhamento nutricional;
  • atividade física progressiva, quando houver liberação médica;
  • atenção ao sono e à recuperação materna;
  • acompanhamento das condições metabólicas e de possíveis comorbidades.

Isso não significa, porém, ignorar a obesidade ou reduzi-la a uma questão de força de vontade. “Mas não existe uma regra única para todas as lactantes”, afirma a especialista.

Grau de obesidade, presença de outras doenças e necessidade clínica devem entrar na balança para encontrar o melhor equilíbrio entre o tratamento da mãe, a segurança do bebê e a manutenção da amamentação.

Usuárias antigas

Outra dúvida é se é preciso esperar o desmame para retomar o Mounjaro? Nem sempre. De acordo com a ginecologista Karoline Prado, atualmente não existe uma recomendação universal de que toda mulher precise aguardar o desmame para voltar a usar tirzepatida, se já fazia uso prévio. Por outro lado, os dados disponíveis também não significam que qualquer lactante possa simplesmente retomá-lo após o parto.

A orientação é considerar o contexto: idade e saúde do bebê, prematuridade, momento do aleitamento, estado nutricional da mãe, indicação de tratamento e, sobretudo, a existência de alternativas mais experientes e seguras – tudo sob respaldo médico.

Caso o medicamento seja utilizado, alimentação, hidratação e manutenção da produção de leite pedem merecem acompanhamento multidisciplinar.

Para a obstetra, é importante evitar que essa discussão se transforme em uma escolha entre amamentar e cuidar da própria saúde. “Doenças como obesidade e diabetes merecem tratamento, mas o puerpério também não deve ser marcado pela pressão para retornar rapidamente ao corpo anterior à gestação”, defende.

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