Podologia e Podólogos
“Cutuquei a unha e infeccionou”: ignorar podólogo pode ser perigoso
Calos, unhas encravadas ou rachaduras nos calcanhares podem até parecer problemas pequenos e fáceis de resolver em casa - mas não são. Na prática, ignorar sinais simples nos pés ou tentar “dar um jeito” sozinho tende a acabar custando caro. Evitar procurar um podólogo é um erro, que arrisca acabar em dor, tempo perdido e até em tratamentos mais longos.
A podóloga e professora de podologia Juliana Mendes explica que, sem acompanhamento profissional adequado, condições vistas como “simples” podem se agravar e virar algo muito mais complexo. Além da famosa unha encravada, ela inclui quadros de micoses, verrugas plantares e outras alterações.
Quando o simples vira complicação
Infelizmente, evitar a consulta podológica pode trazer sérias complicações. Alguns sinais dão pistas de que o problema está evoluindo, como:
Dor constante;
Dificuldade para caminhar;
Necessidade de afastamento de atividades do dia a dia;
Infecções e feridas abertas (em casos mais complexos).
Nesse sentido, Juliana alerta que há riscos de calos aumentarem de tamanho e causarem dor ao pisar, enquanto unhas encravadas são propensas a inflamar, infeccionar e até formar abscessos. Já as rachaduras nos calcanhares têm a possibilidade de se aprofundar, sangrar e virar porta de entrada para bactérias.
O erro bobo que virou um problemão
O estudante Victor Carvalho, 25 anos, sabe bem como um descuido pode sair do controle. Ele conta que sempre teve a mania de cutucar a unha com a mão, mexendo nos cantinhos e na pele ao redor, até que um dia o pior aconteceu.
“Sempre acabava mal, ficava vermelho, inchado, com dor. Na última vez, os sintomas não passaram e chegou ao ponto de eu não conseguir pôr o pé no chão. Aí descobri que infeccionou”, relata.
Mesmo assim, ele tentou resolver em casa: passou pomadas que a mãe mantinha e colocou gelo, mas não funcionou. O alerta vermelho veio quando a dor impediu coisas simples, como usar meia ou tênis. A vermelhidão, o inchaço, o calor, a dor e a secreção verde entregaram a gravidade da situação: uma infecção na unha.
Autocuidado errado piora o problema
A podóloga Juliana Mendes reforça que há erros comuns que acabam criando ou piorando problemas sem que a pessoa perceba. Entre os mais frequentes estão:
Usar lâminas ou objetos cortantes em casa;
Lixar demais a pele;
Arrancar cantos da unha;
Usar produtos inadequados ou adotar “receitas caseiras”.
Essas tentativas podem causar infecções e tornar o tratamento profissional mais longo, delicado e caro, como no caso de Victor.
Ele, aliás, acredita que os cuidados que adotou por conta própria mascararam a gravidade e atrasaram a busca por ajuda. “Demorou uns cinco dias a mais para eu ir na podóloga e o tratamento precisou ser mais intenso, envolvendo pronto-socorro e remédios”, conta.
Quando procurar um podólogo
A principal orientação é não esperar o problema piorar e até mesmo acontecer, ou seja, ir ao podólogo preventivamente, de tempos em tempos. Isso vale ainda mais para grupos de risco, como diabéticos ou pessoas com problemas circulatórios, já que a evolução de lesões é mais rápida.
No entanto, além da dor, alguns sintomas indicam que a consulta não deve mais ser adiada. São eles:
Inflamação;
Vermelhidão;
Secreção;
Sangramento;
Mudança na cor ou espessura das unhas;
Feridas que não cicatrizam.
“O maior erro é procurar o profissional só quando a dor aparece. Ter cuidado constante evita problemas, reduz custos e mantém os pés saudáveis por mais tempo”, conclui a professora.