Amamentação e Alimentação
Bebê só quer mamar de madrugada: fome, conforto ou hábito?
Acordar várias vezes durante a madrugada e procurar o peito não significa necessariamente que o bebê esteja sempre com fome. A amamentação também pode oferecer conforto, segurança e regulação aos pequeninos.
Nesse sentido, Cinthia Calsinski, enfermeira obstetra e consultora internacional de lactação (IBCLC), explica que essa busca pode acontecer por sede, necessidade de sucção, proximidade ou simplesmente pelo despertar entre os ciclos de sono.
“Principalmente nos primeiros meses de vida, precisamos ter cuidado ao chamar a procura pelo peito durante a noite simplesmente de ‘hábito’”, ressalta a especialista.
Idade do bebê também importa
Nos primeiros meses, as mamadas noturnas podem ter uma função nutricional muito importante. Segundo o pediatra Hamilton Robledo, da Rede de Hospitais São Camilo, de São Paulo, o estômago do bebê ainda é pequeno e o leite materno é facilmente digerido e absorvido.
Conforme a criança cresce e inicia a alimentação complementar, a necessidade de mamar durante a madrugada pode diminuir. Por isso, para compreender o momento de cada bebê, é preciso considerar a aceitação das refeições, crescimento, ganho de peso e padrão de sono.
O médico ainda orienta observar como acontecem os despertares. “Acordar repetidamente e fazer apenas poucas sucções antes de voltar a dormir, por exemplo, pode indicar que nem toda procura pelo peito está relacionada à fome”, afirma.
Resposta para a noite pode estar no dia
Olhar para as 24 horas é fundamental. A consultora de amamentação Cinthia Calsinski conta que alguns bebês maiores ficam mais distraídos durante o dia e interrompem as mamadas para observar o ambiente, compensando parte dessa ingestão à noite.
Por isso, antes de tentar reduzir as mamadas noturnas, observe:
quantas vezes o bebê mama durante o dia;
se as mamadas são efetivas;
se existe boa transferência de leite;
como estão o ganho de peso e a produção materna;
como é a rotina de sono da criança.
Se as noites estiverem muito desgastantes, é possível ampliar gradualmente outras formas de acolhimento. Em despertares nos quais não houver necessidade alimentar, outro cuidador pode participar oferecendo colo, contato, voz e carinho.
Situações que devem ser avaliadas
Baixo ganho de peso, poucas mamadas ou mamadas pouco efetivas durante o dia, dificuldade de pega ou transferência de leite, sonolência excessiva e redução do xixi são sinais que merecem atenção. Prematuridade e outras condições clínicas também exigem avaliação individualizada.
A exaustão materna é outro motivo válido para procurar ajuda. “Não precisamos sair de ‘mama em todos os despertares’ para ‘não mama mais à noite’. Existe um caminho entre esses dois extremos”, reforça a enfermeira obstetra.
Por isso, antes de reduzir ou retirar mamadas, é preciso considerar uma série de fatores individuais, além da própria produção de leite, que pode ser afetada por uma redução abrupta da amamentação.