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Meu filho já se compara com os colegas. E ele tem só 8 anos
Comportamento

Meu filho já se compara com os colegas. E ele tem só 8 anos

Equipe Baruel Baby
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Se uma criança começa a dizer que o colega é melhor, mais bonito ou que “todo mundo tem” algo e ela não, muitos pais se preocupam. A sensação é de que a comparação chegou cedo demais e pode impactar a autoestima e a autoconfiança. Para saber como lidar com os episódios, é preciso entender o comportamento antes.

A coordenadora pedagógica Isabel Marconcin, da educação infantil e ensino fundamental I do Colégio Bom Jesus, alerta que é importante ter cautela antes de classificar o comportamento como comparação propriamente dita. Isso porque, na primeira infância, existe um movimento mais natural, a imitação.

Crianças pequenas costumam imitar o comportamento de adultos e até mesmo de outras crianças. Elas observam, aprendem e reproduzem. Podem querer usar o cabelo como a professora, caminhar como o avô ou cantarolar porque viram alguém fazendo isso”, afirma a educadora.

Quando a comparação preocupa

Na infância, as referências vêm de diferentes contextos: da escola, das falas em casa, telas e até entre irmãos. Já o impacto disso depende da frequência e de como acontece. Quando a comparação é recorrente e estimulada por adultos, pode passar a impressão de que a criança não é suficiente e deve melhorar para ter amor e aprovação.

Mas comparar também pode ser, na verdade, uma estratégia dos pequenos para conseguirem o que desejam. Segundo Isabel, esse argumento de negociação infantil é visto em frases como “a mãe do fulano deixa” ou “o fulano tem celular”, usadas para tentar convencer os pais e não, necessariamente, como sinal de baixa autoestima.

“Nesses casos, sentar e conversar de forma clara ajuda a criança pequena a compreender as opções da família e a entender que dizer ‘não’ também é um ato de amor e de cuidado”, orienta a coordenadora pedagógica.

O papel do desenvolvimento

A evolução também pode estar por trás desses episódios. Conforme destaca a pediatra Nicole Biral Klas, do departamento de saúde escolar do Colégio Bom Jesus, a comparação passa a fazer parte do desenvolvimento social em determinado momento.

“A partir dos 7 ou 8 anos, a criança começa a desenvolver a percepção social. Ela passa a entender que faz parte de um grupo e, naturalmente, começa a perceber as semelhanças e diferenças entre ela e os demais. Nessa idade, a comparação faz parte da construção da identidade”, avalia a médica.

Assim, comparações pontuais fazem parte da experiência humana. O alerta só deve surgir quando esse comportamento for frequente, intenso e vir acompanhado de:

  • sofrimento emocional;
  • desistência de tarefas;
  • autocrítica elevada;
  • isolamento;
  • frases como “eu não vou conseguir” ou “eu sou burro”;
  • fuga de situações sociais;
  • sintomas físicos antes de ir à escola, como dor de barriga;
  • mudanças no apetite ou no sono após situações que geram comparação.

Nesses casos, é importante investigar o que está acontecendo e buscar apoio profissional, como a própria escola ou um psicólogo especialista em crianças.

Como os adultos podem agir

As especialistas listam algumas atitudes que ajudam a reduzir o impacto da comparação e fortalecer a autoestima:

  • validar o sentimento da criança sem reforçar a lógica comparativa;
  • evitar frases como “você é melhor que ele”, pois mantêm a comparação;
  • valorizar o esforço e o comportamento, e não apenas o resultado;
  • reservar tempo de qualidade para vínculo, escuta e acolhimento;
  • observar sinais como apatia, irritabilidade, isolamento ou desistência constante.

“Em vez de elogiar características como ‘você é muito inteligente’, é mais saudável reconhecer o esforço e o comportamento da criança. Caso não tenha tido sucesso, mas tenha se esforçado, é importante valorizar o progresso e encorajá-la a tentar novamente”, orienta a pediatra Nicole Biral Klas.

Já a coordenadora pedagógica Isabel Marconcin lembra que regras e limites também são importantes, mas devem estar atrelados a um ambiente seguro e estável, com um adulto que acolhe e acalma. “Crianças precisam se sentir vistas, escutadas, valorizadas e amadas. O vínculo é a base da regulação emocional”, finaliza.

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