Baruel é vencedor do Prêmio ReclameAQUI 2025 na categoria Higiene Pessoal

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Bebê troca o dia pela noite? Rotina, menos luz e paciência ajudam
Sono e Soneca

Bebê troca o dia pela noite? Rotina, menos luz e paciência ajudam

Nos primeiros meses de vida, muitos pais passam pela mesma situação: o bebê dorme bastante durante o dia e desperta justamente à noite, quando a casa se prepara para deitar. Essa inversão é cansativa, mas é bastante comum. A tendência é que essa troca de horários se ajuste aos poucos. A explicação do comportamento remete à gestação: enquanto ainda está na barriga, o bebê costuma ficar mais ativo justamente quando a mãe descansa. “É como se ele viesse com um fuso horário diferente. Isso faz parte da adaptação ao ambiente fora do útero”, esclarece o pediatra Fausto Carvalho, da plataforma Doctoralia. Além disso, o sono dos recém-nascidos é naturalmente fragmentado. Eles acordam para mamar, buscar aconchego e atender às próprias necessidades. Por isso, nem sempre é possível adaptar esse ritmo aos horários dos adultos tão rapidamente. Sono amadurece aos poucos A organização do sono acontece conforme o bebê cresce. Criar uma rotina ajuda, mas sem expectativas irreais. Vale tentar: manter horários semelhantes para acordar e dormir; repetir pequenos rituais antes do sono, como cantar uma música, embalar o bebê no colo ou contar uma história; diferenciar um ambiente claro durante o dia de outro mais escuro à noite. O médico Fausto Carvalho também alerta que a ansiedade dos pais pode deixar o bebê mais agitado, já que ele percebe o estado emocional de quem o segura no colo. Pequenos ajustes fazem diferença Segundo a pediatra e médica do sono Beatriz Sardano, o relógio biológico do bebê só começa a amadurecer por volta do quarto mês de vida. Até lá, o sono segue um padrão bastante diferente do observado em crianças maiores e adultos. “Enquanto houver luz natural, aproveite para passeios, brincadeiras mais ativas e momentos de interação. Com a chegada da noite, diminua gradualmente a intensidade da iluminação, dos ruídos e das atividades para sinalizar que o momento de relaxar está chegando”, orienta a especialista. Até os seis meses, a alimentação é em livre demanda e costuma organizar boa parte da rotina. Entre uma mamada e outra, é possível alternar momentos de brincadeira, descanso e interação, respeitando os sinais que o próprio bebê demonstra. Depois dessa fase, a rotina de preparação para o sono ganha ainda mais importância. O que evitar durante a fase Na tentativa de fazer o bebê dormir melhor, algumas estratégias podem produzir justamente o efeito contrário. Entre os erros mais comuns estão: evitar cochilos durante o dia para que o bebê "durma de cansaço" à noite; estimular demais a criança antes de dormir; ignorar sinais de sono, como irritabilidade, choro ou esfregar dos olhos; esperar que o sono evolua de forma totalmente linear. "A privação das sonecas aumenta o cansaço, mas também a irritabilidade, dificultando o relaxamento necessário para um sono tranquilo", alerta a médica Beatriz Sardano. Também é importante lembrar que a exaustão dos pais é comum nessa fase e merece acolhimento. Vale conversar com o pediatra ou médico do sono se, após os primeiros meses, o bebê continuar com muitos despertares ou dificuldades persistentes para dormir por períodos maiores.

Pai, mãe, babá: cada colo cria uma memória diferente no bebê
Vínculo

Pai, mãe, babá: cada colo cria uma memória diferente no bebê

Antes de aprender a falar, o bebê usa o corpo para se comunicar e compreender o cuidado que recebe de cada pessoa. Colo, carinho e embalo ajudam a transmitir confiança e participam da construção dos primeiros vínculos afetivos. O toque funciona como um alicerce dessa relação. “É por meio dessas experiências que se forma o vínculo de apego, base emocional importante para o desenvolvimento psíquico da criança”, explica a psicóloga Larissa Pádua. A especialista ainda desmistifica a ideia de vínculos perfeitos: o que realmente importa é a constância e o cuidado. Nesse sentido, cada cuidador pode colaborar à sua maneira, com sua própria forma de amar o pequenino. Um jeito de cuidar particular Pai, mãe, avós, tios, babá e outros cuidadores podem demonstrar carinho de formas diferentes – e não há nada de errado com isso. Na verdade, o bebê reconhece desde cedo as particularidades no jeito de segurar, olhar, falar e acolher. Para Larissa Pádua, essas experiências ampliam o repertório de relações. Aos poucos, a criança aprende que o afeto pode ser demonstrado de maneiras variadas e, ainda assim, continuar sendo seguro. Ter mais de um cuidador afetuoso, portanto, pode aumentar sua rede de segurança emocional. Entretanto, isso não diminui a importância dos pais. O vínculo central com os genitores passa a coexistir com outras relações de confiança. Muito além do toque A conexão também é construída por pequenos gestos que fazem o bebê se sentir visto e compreendido. Entre eles estão: Responder com atenção ao choro. Olhar para o bebê durante os cuidados. Usar um tom de voz acolhedor. Estar física e emocionalmente presente. Demonstrar paciência nos momentos difíceis. Acolher as necessidades da criança com constância. “Esse conjunto de comportamentos se chama sintonia afetiva. Mesmo sem compreender as palavras, o bebê percebe a disponibilidade do cuidador e passa a associar aquela presença à proteção e ao acolhimento”, afirma a especialista. Qualidade vale mais do que quantidade Não existe uma quantidade ideal de horas para que um vínculo seja construído. Mais importante do que o tempo de convivência é a qualidade da presença oferecida durante aquele período. Um cuidador que dispõe de menos tempo, mas está emocionalmente disponível, atento e envolvido, pode construir uma conexão muito forte. Já permanecer muitas horas ao lado da criança sem essa entrega não produz necessariamente o mesmo efeito. Por último, a psicóloga Larissa Pádua reforça que as diferenças entre toques, olhares, vozes e formas de acolher enriquecem o mundo emocional do bebê. É assim que ele aprende que pode se sentir seguro com pessoas distintas e levar essa confiança para outras relações ao longo da vida.

Seu bebê reconhece cheiros que você nem imagina
Cheirinho

Seu bebê reconhece cheiros que você nem imagina

Muito antes de entender palavras ou identificar todos os rostos, o bebê já usa o olfato para se orientar. Cheiros familiares ajudam a identificar pessoas, ambientes e momentos da rotina, criando uma sensação de continuidade após o nascimento. De acordo com a pediatra Ana Claudia Tavares, do dr.consulta, o sistema olfatório está entre os mais maduros ao nascer. Seus receptores começam a funcionar ainda no terceiro trimestre da gestação, quando o feto já entra em contato com compostos presentes no líquido amniótico e na alimentação materna. “Poucos dias após o nascimento, o bebê consegue diferenciar o odor da própria mãe do de outras mulheres. Esse cheiro facilita a localização da mama e melhora a coordenação da sucção durante a amamentação”, explica a especialista. Cheiros familiares ajudam a acalmar O cheirinho da casa, do colo, das roupas e dos momentos de cuidado costuma se repetir junto a experiências como mamada, contato pele a pele, banho, sono e acolhimento. Com o tempo, o bebê passa a associar essas pistas sensoriais a situações de conforto e proteção. Isso ocorre porque o sistema olfatório se conecta diretamente a regiões do cérebro envolvidas nas emoções e na memória. Assim, odores conhecidos podem favorecer respostas de segurança, reduzir o estresse e ajudar o recém-nascido a se organizar. Repetição dá previsibilidade à rotina Quando determinados cheiros aparecem sempre junto a experiências positivas, o cérebro cria associações. Desse modo, o odor natural do cuidador pode anunciar o colo, da mesma maneira que o banho pode sinalizar uma etapa do dia, e uma roupa ou objeto familiar consegue ajudar o bebê a reconhecer o ambiente. Para fortalecer essa sensação de segurança, a médica Ana Claudia Tavares recomenda apostar em experiências simples e consistentes: manter rotinas previsíveis; investir no contato pele a pele; amamentar quando possível; responder às necessidades do bebê com presença e atenção; preservar objetos familiares com o odor natural da família. Ela ainda explica que os recém-nascidos respondem mais ao odor corporal natural da mãe do que às fragrâncias artificiais. Mudanças podem pedir mais acolhimento Segundo a pediatra, mudanças de cenário e rotina, como hospitalização, nova casa, afastamento prolongado dos cuidadores ou substituição dos cheiros habituais por fragrâncias intensas podem deixar o bebê mais dependente de outras formas de regulação, sobretudo nos primeiros meses. “Nessas transições, manter elementos conhecidos ajuda a tornar o processo mais tranquilo. Vozes conhecidas, toques e objetos que preservem o odor habitual da família oferecem referências durante a adaptação”, indica a pediatra.

Meu filho não aceita perder: como devo agir?
Birra e Regulação Emocional

Meu filho não aceita perder: como devo agir?

Perder uma brincadeira ou ver outra criança ganhar um jogo pode provocar choro, irritação e até birras. Embora esse comportamento faça parte do desenvolvimento infantil, é importante tratar a situação com acolhimento e respeito. Segundo a psicóloga Eliane Alves, a dificuldade em lidar com frustrações é esperada até os cinco ou seis anos de vida. Nessa fase, as crianças ainda estão aprendendo que nem sempre seus desejos serão atendidos e que ganhar e perder fazem parte da vida. “A tolerância à frustração é um músculo emocional: ela não nasce pronta, mas é construída aos poucos, através da repetição e da mediação dos pais”, afirma a profissional. Foco não deve estar no ganhar Quando a criança perde e fica triste, o primeiro passo é acolher esse sentimento, sem minimizar a emoção nem transformar a derrota em uma grande tragédia. Validar significa mostrar que é normal sentir frustração, mas sem reforçar a ideia de injustiça. Depois desse acolhimento, vale mudar o foco da conversa. Incentive-a a perceber tudo o que aconteceu durante a brincadeira: ela participou, tentou, aprendeu e poderá jogar novamente. O objetivo é que a diversão tenha mais peso do que o resultado. A especialista também recomenda evitar comparações entre irmãos, primos, colegas ou amigos. O ideal é valorizar a evolução individual da criança e não fomentar uma disputa constante com os outros. Cuidado com o exemplo Observar como os pais e cuidadores lidam com as próprias frustrações interfere no comportamento dos pequenos. Por isso, demonstrar, na prática, que perder faz parte da vida é bastante positivo. “Deixar o filho ganhar sempre ou transformar cada jogo em uma prova de competência pode tornar a derrota ainda mais difícil quando ela inevitavelmente acontecer. O exemplo dos adultos também ensina”, salienta a psicóloga. Quando isso acontece com frequência, a criança pode passar a acreditar que seu valor está atrelado a ser melhor do que os outros. Além disso, se toda brincadeira girar em torno do desempenho, ela pode achar que agradar os pais depende apenas de vencer. Escola também ajuda no aprendizado Para a professora de educação infantil Rita de Cássia Oliveira, acostumada a ver essas situações na sala de aula, a preparação começa antes mesmo do jogo. Conversas frequentes sobre ser normal ganhar ou perder ajudam a construir essa compreensão. “A gente precisa mostrar que o importante é tentar, participar e também aprender a ficar feliz por quem ganhou. Pergunte: ‘Se fosse você o vencedor, não gostaria que seus amigos comemorassem juntos?’”, propõe a educadora. Nesse sentido, a escola deve valorizar a participação, a cooperação, as descobertas e a diversão durante as atividades. Se houver um episódio de frustração, a ideia é conversar e acolher, e não apenas repreender o aluno. Até onde a disputa é normal? Experimentar frustrações é fundamental para desenvolver resiliência e aprender a enfrentar desafios ao longo da vida. Esse processo envolve diálogo, repetição, segurança e compreensão. Entretanto, reações exageradas diante de derrotas merecem atenção: agressividade intensa; autodepreciação; recusa persistente em participar de atividades; sofrimento que prejudique a convivência. “O ambiente familiar deve ser um porto seguro onde a criança pode errar, perder e se frustrar, sabendo que isso não muda em nada o amor que os pais sentem por ela. O jogo é apenas um meio; o importante é a relação”, conclui Eliane Alves.

Mesmo desafinada, a voz dos pais acalma o bebê
Músicas

Mesmo desafinada, a voz dos pais acalma o bebê

Não é preciso ter afinação nem conhecer um grande repertório. Para o bebê, a voz familiar de quem cuida pode ser mais reconfortante do que uma música executada com perfeição. Nessas horas, importa menos a técnica e mais a presença de quem canta. Repetido na rotina, o canto se associa ao colo, à segurança e ao acolhimento, fortalecendo o vínculo desde os primeiros meses de vida. A musicoterapeuta comportamental Michelle de Melo explica que, quando um adulto canta para o bebê, o momento favorece a liberação de substâncias relacionadas ao relaxamento, ao prazer e ao fortalecimento do laço afetivo. "Não se trata de performance. Trata-se de vínculo entre pais e bebê. A pessoa pode ser afinada ou desafinada: o que mais importa é essa interação, que também estimula o desenvolvimento da linguagem", destaca a especialista. Voz dos pais vale mais que playlist Mesmo uma música tecnicamente perfeita dificilmente vai substituir a voz de quem cuida do bebê. Isso porque ela faz parte da história da criança desde a gestação e vem acompanhada de muitos outros estímulos que nenhuma gravação pode reproduzir. Enquanto canta, o adulto também estabelece contato visual, embala o nenê, oferece colo, troca olhares e cria uma interação afetiva. É esse conjunto que torna a experiência tão aconchegante. É por isso que ouvir uma playlist pode até fazer parte da rotina, mas ela não é tão eficaz quanto a presença, o calor humano e a troca que acontecem quando alguém canta diretamente para o pequenino. Momentos em que vale cantar Segundo a especialista, a música pode acompanhar diferentes momentos do dia e ajudar a dar ritmo à rotina da criança. Assim, a proposta muda conforme a situação e não precisa ficar restrita à hora de dormir. Ela pode aparecer: durante as brincadeiras; na troca de fraldas; na hora das refeições; enquanto os brinquedos são guardados; no preparo para o sono, com canções mais lentas, luzes reduzidas e longe das telas. Quanto mais cedo esse contato acontecer, melhor. Os balbúcios que costumam surgir por volta dos cinco ou seis meses, por exemplo, fazem parte da exploração da própria voz e ajudam a construir, mais adiante, as primeiras palavras. Existe uma música certa? Não existe um repertório ideal. Algumas crianças gostam de cantigas infantis, enquanto outras se acalmam com músicas que já faziam parte da rotina da família durante a gestação. O mais importante é que aquela canção tenha significado para quem canta e seja compartilhada com presença e afeto. Por outro lado, as músicas infantis ainda podem ampliar o vocabulário, estimular gestos, favorecer a compreensão da linguagem e enriquecer as interações do dia a dia - o que não significa que elas sejam a única opção, lembre-se! "A voz mais bonita para o bebê é a voz dos pais e cuidadores. É essa voz que ele conhece desde a gestação e que fortalece o elo afetivo. O que faz diferença não é cantar perfeitamente, mas estar presente", conclui a musicoterapeuta Michelle de Melo.

Trocar a fralda virou uma batalha? Saiba como agir
Troca e Fraldas

Trocar a fralda virou uma batalha? Saiba como agir

Basta chegar a hora de trocar a fralda para a criança correr, virar o corpo ou começar a protestar. Essa resistência é comum sobretudo entre 1 e 3 anos, fase marcada pela conquista da autonomia. Com algumas “estratégias”, os cuidadores podem vencer essa batalha. Uma das principais explicações para o comportamento está na interrupção de uma atividade prazerosa, como as brincadeiras, para realizar a troca, conforme explica a psicóloga infantil Claudia Melo. “Isso pode gerar frustração intensa, já que o cérebro infantil ainda está amadurecendo e a criança nem sempre consegue controlar seus impulsos ou organizar aquilo que sente”, justifica a especialista. Antes de insistir, observe Nem toda fuga deve ser interpretada como desobediência. Em algumas situações, a criança pode estar cansada, com fome, muito envolvida na brincadeira ou ter sido surpreendida pela interrupção. Por isso, a orientação da profissional é olhar além do comportamento e antecipar o que vai acontecer. Avisar que a troca está próxima ajuda a reduzir a sensação de quebra brusca da atividade. E respeitar e incluir o pequenino pode gerar colaboração. Também vale acolher a emoção sem retirar o limite. Em vez de mandar parar de chorar, o adulto pode dizer: “Sei que você queria continuar brincando. Vamos trocar a fralda e depois você volta”. Assim, a criança se sente compreendida e entende que a troca será feita. Estratégias para cada fase A participação deve acompanhar a idade e as habilidades da criança. Pequenos convites fortalecem a autonomia sem tirar do adulto a condução do cuidado. Até 12 meses: Manter uma rotina previsível. Conversar com voz tranquila durante a troca. Fazer contato visual e cantar músicas conhecidas. Evitar excesso de estímulos. Entre 1 e 2 anos: Avisar que a troca está chegando. Oferecer escolhas simples, como selecionar entre duas fraldas. Pedir ajuda para segurar a fralda limpa ou levar o lenço umedecido. Usar músicas, histórias curtas ou brincadeiras para deixar o momento mais leve. Entre 2 e 3 anos: Criar combinados simples, como “primeiro trocamos, depois voltamos a brincar”. Usar linguagem objetiva e positiva. Reconhecer quando a criança colabora. Manter uma rotina consistente. O que costuma aumentar a resistência Segundo a psicóloga Claudia Melo, interromper a brincadeira de repente, gritar, ameaçar ou transformar a troca em uma disputa de poder tende a intensificar o conflito. Mudar a forma de agir todos os dias também reduz a previsibilidade e dificulta a colaboração. “Outro cuidado envolve o uso constante de telas para distração. Embora o recurso resolva a troca naquele momento, pode atrapalhar o desenvolvimento de estratégias próprias para lidar com pequenas frustrações”, avalia a especialista. Já a busca por ajuda profissional deve acontecer diante dos seguintes sinais de alerta: resistência muito intensa e em todas as trocas; sofrimento importante; regressão no desenvolvimento; dificuldades de comunicação ou interação; sensibilidade exagerada ao toque, aos tecidos ou à limpeza íntima. Isso não significa, necessariamente, que exista algum transtorno, mas indica que vale investigar para compreender melhor as necessidades da criança e poder ajudá-la.

Vínculo se constrói na troca de fralda, no banho e no colo
Vínculo

Vínculo se constrói na troca de fralda, no banho e no colo

Trocar a fralda, dar banho ou acolher no colo pode parecer apenas parte da rotina, mas são esses cuidados repetidos que ajudam o bebê a reconhecer a presença dos cuidadores, somada à segurança e à disponibilidade. A conexão não depende somente de grandes demonstrações de carinho ou longos momentos de dedicação exclusiva, e sim da forma como o adulto responde às necessidades da criança ao longo do dia e nas pequenas interações de todo dia. "O vínculo não nasce de um grande evento isolado, mas da certeza de que, na simplicidade do dia a dia, alguém responde ao chamado desse bebê", afirma a psicóloga Eliane Alves. Isso porque, nessa fase da vida, a percepção de segurança nasce por meio da repetição e da previsibilidade. É durante os cuidados cotidianos que os pequenos entendem, aos poucos, que existe alguém disponível para acolher suas necessidades. Afeto por trás dos cuidados Na verdade, a troca de fralda, o banho ou alguns minutos de colo vão muito além de tarefas práticas. Esses momentos ajudam o bebê a conhecer o próprio corpo, compreender o ambiente e fortalecer a relação com quem cuida dele. Segundo a psicóloga, o toque, o olhar e a voz fazem toda a diferença durante esses cuidados. Enquanto limpa, veste ou acolhe o nenê, o adulto transmite mensagens de proteção, respeito e disponibilidade emocional. "O olhar humaniza o cuidado. A voz acalma e organiza a experiência do bebê. Sem essa presença, a rotina pode virar apenas uma tarefa. Com ela, transforma-se em afeto e estrutura emocional", explica Eliane Alves. O que faz diferença Muitos pais acreditam que precisam criar atividades especiais ou passar horas com o bebê para fortalecer o vínculo. Porém, a qualidade da interação costuma ser muito mais importante do que o relógio. Assim, mesmo em uma rotina corrida, pequenas atitudes aumentam a conexão, tais como: narrar o que está acontecendo durante o banho ou a troca de roupa; manter contato visual enquanto cuida do bebê; desacelerar o tom de voz; observar e responder aos sinais que o bebê demonstra. Significa que cinco minutos de colo com atenção genuína podem ser mais significativos do que uma tarde inteira em que o adulto permanece distraído com o celular ou pensando nas preocupações do dia, por exemplo. O vínculo nasce na rotina Vale tirar o peso das costas: atividades elaboradas ou uma rotina perfeita não são os caminhos para criar uma relação de afeto com o bebê. O mais importante é estar verdadeiramente presente naqueles momentos que já fazem parte do cotidiano da família. "Um bebê que se sente olhado, escutado e acolhido desenvolve segurança interna. E os pais também têm de lembrar que não precisam ser perfeitos: o vínculo se constrói justamente na imperfeição do dia a dia", destaca a psicóloga. Ela ainda deixa um lembrete importante: para oferecer esse olhar sensível ao bebê, pais e cuidadores também precisam de suporte e acolhimento.

Bebês não precisam ouvir apenas “músicas para crianças”
Músicas

Bebês não precisam ouvir apenas “músicas para crianças”

Na hora de escolher o que tocar para o bebê, o gênero musical não deve ser o único critério. Diferentes estilos podem fazer parte da rotina, desde que o volume seja adequado e haja interação. O que importa não é restringir as músicas, mas criar momentos positivos com elas, já que a voz de quem cuida, a presença e o afeto envolvidos nesse momento ajudam a transformar a música em uma experiência compartilhada. Sem contar que, quando os cuidadores apresentam diferentes estilos além do infantil, acabam ampliando o repertório sonoro do bebê. Isso ainda ajuda a fortalecer os momentos de conexão entre a família. E os benefícios da música não param por aí: ainda favorece o desenvolvimento da coordenação motora, da comunicação e fala, da atenção, da expressão corporal e das habilidades sociais e emocionais. O ambiente também faz diferença Segundo a musicoterapeuta infantil Tatiana Harumi Komi, prestar atenção ao ambiente é mais importante do que escolher a playlist. Tudo porque, nos primeiros meses de vida, o sistema auditivo é bastante sensível e merece alguns cuidados. Sons muito altos ou repentinos, como fogos de artifício, secadores de cabelo e liquidificadores, devem ser evitados sempre que possível perto de um pequeno ser. O ideal é apresentar o bebê aos sons do cotidiano de maneira gradual e sem excessos. “Lembre-se de que o silêncio também faz parte das experiências sonoras. Alternar momentos tranquilos com outros de maior estímulo ajuda o bebê a se adaptar aos diferentes ambientes sem sobrecarregar a audição”, orienta a profissional. Voz da família torna música especial Além das canções, as vozes dos pais e cuidadores ocupam um lugar especial nessa experiência. Como a audição se desenvolve durante a gestação, o bebê já entra em contato com diversos sons antes mesmo de nascer, o que rende a formação de uma memória musical. Nesse sentido, Tatiana Harumi Komi lembra que a família pode criar as próprias musiquinhas para momentos específicos, como o banho, as brincadeiras ou a hora de dormir. Esses rituais sonoros ajudam na compreensão da rotina e do que vem a seguir. “Não existem regras específicas. O que torna essa experiência especial é a intenção, o afeto e a interação entre quem canta e o bebê”, afirma. Cuidado com as letras Nem sempre as músicas mais calmas são as mais indicadas para os bebês. Inclusive, cada um responderá de um jeito diferente. Entretanto, vale uma atenção especial para as letras das músicas, sobretudo as composições voltadas para adultos. Mesmo que os pequenos não compreendam as palavras, percebem aspectos emocionais transmitidos pela melodia. Com o passar do tempo e o desenvolvimento da criança, as letras contribuem para a comunicação, os balbucios e a aquisição da fala. Como dica final, a musicoterapeuta recomenda estar verdadeiramente presente. “Cantar, conversar, brincar e compartilhar músicas são formas simples de fortalecer o vínculo e criar lembranças afetivas que podem acompanhar durante toda a vida.”

Brincou, suou… e agora? Veja quando o banho é necessário
Cheirinho

Brincou, suou… e agora? Veja quando o banho é necessário

Correr, pular, suar e até voltar para casa com um pouco de terra na roupa fazem parte da infância. Em vez de enxergar essas situações como um problema de limpeza, vale lembrar que brincar é essencial para o desenvolvimento das crianças. “A higiene é muito importante, mas não deve limitar a criança de brincar por medo de se sujar”, enfatiza o pediatra Mauro Almeida. Segundo o médico, os ganhos são superiores às roupas manchadas: correr, explorar ambientes e se movimentar contribuem para habilidades motoras, cognitivas, emocionais e sociais, além de estimularem uma vida mais saudável. Nem toda brincadeira termina em banho Depois de uma atividade mais intensa, nem sempre é preciso correr para o chuveiro. A decisão depende do quanto a criança transpirou, do contato com sujeira e, principalmente, do conforto dela. Em muitos casos, basta: trocar a roupa úmida de suor; higienizar as mãos antes das refeições; limpar rosto e pés, quando necessário; oferecer água para manter a hidratação. Já o banho costuma ser a melhor opção quando o pequeno está muito suado, tem sujeira acumulada na pele, brincou com terra, areia ou piscina, ou demonstra desconforto com a situação. Higiene sem exageros Para o especialista Mauro Almeida, o banho e a troca de roupa funcionam melhor quando fazem parte da rotina de maneira leve, sem cobranças ou punições. O objetivo é ensinar que cuidar do corpo é uma forma saudável de bem-estar, não de evitar a sujeira a qualquer custo. Outro ponto importante é não associar o cheiro de suor à necessidade de deixar a criança sempre perfumada. “O suor é uma resposta natural do organismo para regular a temperatura corporal. A prioridade deve ser manter a pele limpa, seca quando necessário e vestir roupas adequadas”, orienta o pediatra. Da mesma forma que o excesso de perfumes ou produtos perfumados demais podem causar até irritações e alergias em algumas crianças, tomar muitos banhos, sobretudo com água muito quente, tende a retirar a barreira natural de proteção da pele e levar ao ressecamento. O segredo é lembrar sempre que o equilíbrio faz parte do cuidado. Isso quer dizer que uma rotina equilibrada combina liberdade para brincar com cuidados simples no momento certo. Depois das atividades, a dica é adaptar a higiene às necessidades reais da criança, sem exageros ou cobranças.

Birra não é falta de educação: saiba o que há por trás
Birra e Regulação Emocional

Birra não é falta de educação: saiba o que há por trás

Na infância, atitudes como chorar, gritar ou se jogar no chão são constantemente associadas à birra e vistas como frescura ou capricho. A explosão pode surgir com um biscoito que caiu no chão ou na hora de ir embora do parquinho. No entanto, existe outra leitura para esses casos: nomear emoções ainda pode ser difícil para a criança. A neuropsicóloga e terapeuta infantil Juliana Selegatto, da Mental One, esclarece que isso ocorre porque o cérebro da criança ainda está em desenvolvimento. Áreas responsáveis pelo autocontrole, pela tolerância à frustração e pela regulação das emoções estão amadurecendo. "Quando a criança escuta um 'não', se frustra ou se sente sobrecarregada, pode reagir com choro, gritos ou muita irritação. Na maioria das vezes, a birra é muito mais um pedido de ajuda do que um desafio aos pais", afirma. Tentativa de comunicação A birra costuma ser apenas a ponta do iceberg. Por trás da reação, podem existir necessidades ou sentimentos que a criança ainda não sabe expressar. Por isso, antes de pensar apenas no comportamento, vale se perguntar se ela está: frustrada; cansada; com fome; com medo; querendo fazer algo sozinha; sem conseguir lidar com tudo o que está sentindo. Acolher não é dizer "sim" para tudo Muitas vezes, aquilo que parece uma reação exagerada nasce do acúmulo de pequenas frustrações, excesso de estímulos ou mudanças na rotina. Compreender o contexto ajuda muito mais do que olhar apenas para a crise. De toda forma, entender o sentimento da criança não significa abrir mão dos limites. Segundo a psicóloga, ceder sempre para parar a crise vai indicar ao pequeno que insistir é uma forma eficaz de conseguir o que deseja. O equilíbrio está em validar a emoção, mas manter a direção da situação. "Você pode dizer: 'Eu sei que você ficou bravo porque queria continuar brincando. Eu entendo. Mas agora é hora de ir para casa.' A criança recebe duas mensagens importantes ao mesmo tempo: que seus sentimentos são compreendidos e que o limite continua existindo", orienta a terapeuta Juliana Selegatto. Outras atitudes que também ajudam incluem: Investir em uma rotina previsível. Sono adequado. Alimentação regular. Baixo nível de estímulos. Oferecer pequenas escolhas compatíveis com a idade (por exemplo: sugerir que decida entre duas roupas favorece a autonomia e reduz conflitos). Avisar alguns minutos antes das mudanças. Quando a birra merece atenção Na maioria das crianças, as birras diminuem naturalmente conforme a linguagem, o autocontrole e a capacidade de lidar com as emoções se desenvolvem. Ainda assim, vale procurar ajuda quando as crises são muito intensas, frequentes, demoradas, envolvem agressões ou começam a prejudicar a rotina da criança e da família. A neuropsicóloga reforça que os pais não precisam ser perfeitos. Haverá dias em que perderão a paciência e isso faz parte. Nesses casos, pedir desculpas e retomar a conversa quando todos estiverem mais calmos também é uma forma de educar. Isso porque gritos, ameaças e punições podem interromper o comportamento por medo, mas não ensinam a criança a regular suas emoções. "Toda birra passa. Mas a forma como os adultos respondem a ela deixa marcas importantes no desenvolvimento emocional da criança”, finaliza a especialista.

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