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Máquina do tempo: será que os sapatos mudaram muito?
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Máquina do tempo: será que os sapatos mudaram muito?

Equipe Tenys Pé
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O design dos calçados evoluiu bastante nas últimas décadas, mas nem sempre a estética andou de mãos dadas com o bem-estar. Saltos altos, bicos finos e solas duras continuam entre os modelos preferidos por muitos, mesmo podendo comprometer a saúde dos pés, especialmente quando usados com frequência.

Na opinião da podóloga Thayná Magalhães, formada pelo SENAC, é comum que a moda ignore o conforto. “Isso ocorre mesmo existindo sapatos muito abertos, com salto fino ou bico estreito que prejudicam a pisada e causam dor, calos e até rachaduras”, pontua.

De acordo com ela, a virada no foco para funcionalidade só aconteceu entre os anos 1980 e 1990, com a popularização dos calçados esportivos.

Já a estilista e designer de calçados Mariah Blois destaca o papel da tecnologia nesse processo. “Com materiais inteligentes e escaneamento 3D, conseguimos hoje calçados que se moldam melhor aos pés, promovem conforto real e ainda previnem lesões”, pondera.

Do conforto ao símbolo cultural

Ao longo da história, os sapatos foram ganhando mais (e novas) formas, funções e até significados. Alguns marcos importantes apontados pela designer de calçados Mariah Blois são:

  • Revolução Industrial: viabilizou a produção em massa e trouxe materiais mais duráveis, como couro tratado;
  • Vulcanização da borracha e os primeiros sneakers: transformaram os calçados esportivos;
  • Salto vermelho usado por Luís XIV e os sapatos de lótus na China: ambos mostram como status e cultura moldaram o calçado;
  • Tênis: no século XX, passaram a refletir identidade individual, associando-se a subculturas como o hip-hop e o punk.

Além disso, a estilista destaca que os calçados se tornaram extensão do corpo e da personalidade. Em culturas orientais, por exemplo, tirá-los para entrar em casa ou em templos mostra como o ato de calçar vai além da utilidade.

Erros que ainda prejudicam os pés

Apesar da evolução, muitos modelos atuais ainda impactam negativamente a saúde. Para a podóloga Thayná Magalhães, os principais problemas continuam sendo:

  • Salto fino ou excessivamente alto;
  • Bico fino e apertado;
  • Modelos sem amortecimento ou com solas muito rígidas;
  • Sandálias muito abertas, que não oferecem suporte.

Essas escolhas podem prejudicar a pisada, aumentar o risco de quedas e causar dor ou rachaduras. “Nem sempre a moda considera conforto e saúde”, constata a podóloga.

O que levar em conta ao comprar

Na hora da compra, vale seguir algumas recomendações simples:

1. Experimente o sapato no fim do dia, quando os pés estão mais inchados;
2. Prefira modelos que não apertem e sejam confortáveis logo no primeiro uso;
3. Opte por calçados com bom acolchoamento e espaço adequado na frente;
4. Evite saltos altos e bicos estreitos no dia a dia.

Além de seguir esse guia básico quando for adquirir um novo par, vale pensar nas escolhas diárias, que também importam para cuidar dos pés. “Nossos pés trabalham intensamente para podermos fazer tudo, de dia até à noite. Na maioria das vezes, negligenciamos os cuidados necessários para eles sofrerem menos”, pondera Mariah.

Nesse sentido, outra dica é pensar na opção certa para cada ocasião também. Isso porque muitos eventos pedem por determinados tipos de sapato, mas o conforto deve ser considerado, sobretudo para evitar problemas indesejáveis depois.

Além do mais, Mariah Blois reforça a importância do papel da ciência no futuro da indústria. “Pesquisas acadêmicas, aliadas à tecnologia, estão permitindo o desenvolvimento de calçados mais saudáveis, duráveis e sustentáveis – e isso precisa ser o novo padrão”, defende.

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