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Minha filha sempre chora ao pentear o cabelo: o que fazer?
Rotina de Cuidados

Minha filha sempre chora ao pentear o cabelo: o que fazer?

Equipe Baruel Baby
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Pentear o cabelo deveria ser parte simples da rotina, mas pode virar um cenário de choro e tensão. Muitas famílias relatam resistência diária, principalmente em crianças pequenas, que reclamam de dor ou simplesmente se recusam a colaborar. Identificar o motivo dessa reação e aprender a lidar com ela é fundamental.

“Existe uma cultura de que ‘dói, mas tem que doer’. Só que a criança pode ser mais sensível e não consegue expressar isso em palavras. Quando o adulto acolhe e cria um momento seguro, o contexto muda”, explica a psicóloga Priscila Evangelista, especialista em saúde da família e atendimento a mulheres.

Ela ainda esclarece que nem sempre o estresse é apenas pela dor física. Embora algumas crianças realmente apresentem maior sensibilidade no couro cabeludo, outras já criaram expectativas sobre como o próprio cabelo “deveria” ser. Assim, fatores familiares, externos e até culturais também acabam influenciando.

Quando o problema é técnico

Do ponto de vista do cuidado capilar, o choro costuma ter causas bastante objetivas. O cabeleireiro Maycon Peterson, instrutor do Instituto Embelleze de Santana, destaca alguns motivos comuns:

  • O cabelo infantil embaraça com facilidade, porque os fios são mais finos e frágeis, aumentando o atrito.
  • A ausência de condicionador, a presença de resíduos de shampoo e o hábito de pentear a seco agravam o problema.
  • Começar o desembaraço pela raiz ou tentar desfazer o nó com força só piora.
  • Escovas rígidas e pentes de dentes muito finos não são adequados para fios infantis, sobretudo os cacheados ou mais longos.

O profissional alerta para a tração excessiva nos fios e no couro cabeludo, capaz de gerar dor imediatamente. Para evitar, a dica é nunca começar pela raiz: inicie pelas pontas e avance aos poucos, até chegar no topo. Trabalhar com o cabelo úmido e produtos específicos facilita bastante e reduz o desconforto.

A rotina que evita nós

Já para o hairstylist Alcimar Ramos, do Jacques Janine Center Norte, o segredo está na prevenção. Quanto melhor for o preparo do fio, menor será o desconforto depois. Uma rotina simples, mas constante, transforma completamente o momento de pentear.

A sequência começa ainda no banho e o profissional recomenda:

  • usar shampoo suave e aplicar condicionador sempre que possível;
  • desembaraçar delicadamente com os dedos durante o enxágue;
  • retirar o excesso de água sem esfregar a toalha;
  • aplicar leave-in ou spray desembaraçante adequado ao tipo de cabelo;
  • dividir em mechas e pentear das pontas para a raiz, com calma.

“Pentes de dentes largos e escovas flexíveis ajudam muito porque acompanham o movimento do fio e não puxam com tanta força. Pequenos ajustes na rotina já são suficientes para transformar esse momento”, afirma o cabeleireiro.

Cuidado também é vínculo

Mesmo com as técnicas corretas, o comportamento do adulto ainda faz diferença. A psicóloga Priscila Evangelista reforça que o modo como o cuidado é conduzido pode evitar que o ato vire uma disputa de poder. Frases duras, pressa excessiva e a ideia de obrigação tendem a aumentar a resistência.

O que pais, cuidadores ou responsáveis podem fazer:

  • incluir a criança no processo;
  • permitir a escolha do penteado, acessório ou finalização;
  • ensinar que pentear o cabelo é autocuidado, assim como tomar banho;
  • orientar sobre respeito à textura e formato dos fios.

“Não ensinamos no grito, nem no caos, mas no acolhimento. Cabe ao adulto organizar o momento e mostrar que cuidar do cabelo não precisa ser sofrimento. Quando existe escuta e respeito, o cuidado deixa de ser trauma e vira conexão”, ensina a especialista.

Mas atenção: se o choro for intenso, recorrente e não melhorar com ajustes na técnica e acolhimento, é indicado buscar avaliação profissional para investigar uma sensibilidade sensorial mais acentuada.

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